segunda-feira, abril 05, 2004

O MOMENTO PRECISO


É preciso estar atento
À vastidão do pequeno,
À pequenez do imenso.

É preciso entendimento.

É preciso amar a flor
Muito além da sua cor,
Perpétuo ninho de amor,

Sinal de renascimento.

É preciso apreciar
Cada coisa em seu lugar
Que chorar e espairecer

É Viver
O instante preciso!

Se!!!
Um amável lusitano
pelo braço me tomara
docemente encaminhara
dizendo-me num sussurro:
vamos à Costa, que é Maio!
É tão lindo o nosso mar
E
Abrem-se sobre dunas
as mil flores das mimosas!
Lendo-te



Lendo-te desperta o sonho
Que se solta e te encontra
Num voo imenso e lindo

As palavras vão florindo
Quais borboletas,
O espaço


Lendo-te estou contigo
Num ledo, terno momento
Num ditoso, estreito abraço!


coração rouco





Nosso coração está rouco

A angústia do nosso pranto

banha-nos a face enquanto

impotentes vemos

desaparecer quanto amamos

e a terra onde nascemos

semeada de esqueletos





e assentam-se nos tronos

com esgares de indiferença

os patronos da desgraça

que não tomam providência!





CANTAR CHORANDO



POR MAIS QUE O SOL ME AMARGURE
JAMAIS SEREI ESPADA.
POR MAIS QUE A NUVEM ME MOLHE
SEREI PARA SEMPRE POMBA.
POR MAIS ESCURO QUE O MAR ESTEJA
SEREI SEMPRE UMA ASA BRANCA
UMA CONCHINHA NA AREIA.
AINDA QUE MORRA A LUA
EU TEIMAREI EM SONHAR
QUE BRILHA NO CÉU LUA CHEIA
NA AUSÊNCIA DO LUAR

PODE A CIDADE SUBIR
PODE CADA UM QUERER
POR CIMA DO IRMÃO PASSAR!
CONTINUAREI MINHA SAGA
DE CRESCER JUNTINHO À ERVA.


TEIMANDO CUMPRIR
AI, QUANTAS VEZES EM DOR,
A OBRIGAÇÃO DE VIVER!


MAS VIVO SORRINDO SE APRENDO
MAS VIVO CANTANDO SE POSSO
DEGUSTAR O SAL E O MEL


E OLHAR...


OLHAR LONGE...
DO CANTINHO DONDE OBSERVO
UMA JANELINHA SEM NOME
DONDE VEJO COM ENCANTO
A BELEZA AO CÉU ERGUIDA
E AQUELA QUE VAI ESCONDIDA
COM VERGONHA DE APARECER.


VIVO CANTANDO SE ESCUTO
VIVO CANTANDO SE LEIO
SEM NUNCA DEIXAR DE SER
MEU CORAÇÃO O PULSAR
MEU CORAÇÃO O OLHAR
MEU CORAÇÃO O QUERER
DE MEU AMOR



VIVO E CANTO
ESTE CHORAR CONVULSIVO
EM QUE DOLORIDA CREIO


E SIGO


... MESMO SE CANTO NO PRANTO
DE TANTO MAL SE FAZER
E SEM LHE PODER VALER!
TANTA FOME E DESAMOR


AO INVERSO DE LAMENTO
REVERTO EM CANTO O MEU CHORO


INSISTO EM SEGUIR CANTANDO.


Solta de mim o Passarinho




paixão
tangente de ti
no escuro
me perco
se te não tenho
detens
o meu sorriso
suspenso
no teu silêncio
vivo na dúvida
permaneço na inverteza
calada
a voz presa
de emaranhadas
proibições
muralhas erguidas
cada vez mais altas.
É certo que o meu querer
tem asas
mas falta-me o vento
para me lançar
e sem voar
não tenho
como fabricar de nuvens
inventar de novo
este meu sorriso
moribundo

solta de mim
o passarinho
que cantava
na ventura de teu peito
nem que apenas valha
seu canto
um suave laivo
um breve sorriso
dos tantos
que entre nós voavam,
meu amado!

Ser Feliz






É demorar o momento
Fazê-lo sentimento
Inteiro



Aceitá-lo



Somos
Poeira no vento
Rebrilhando

Bailado eterno


Além de nosso
Precário
Casulo


Adejando

Além do tempo
Crescendo
Subindo


Sorrindo

Serenamente



o dia brilha
re-nasce o sol
uma criança desperta.


Alegria e Esperança


vêm iluminar
a
Razão de Ser
VOU ESTAR SÓ



Só vou andar na areia macia.
Só vou beijar a água crespa do mar.
Só vou olhar as dunas douradas pelo sol
ou, à noite, prateadas p'lo luar.

Vou estar só.

Quero estar só
se não puder estar contigo

UMA ROSA PARA CADA



Asilo no seu coração

As lágrimas de meus olhos

Salgadas de compaixão

Recolho do seu aroma

Bálsamo para os que vão



No seu coração de amor

Debalde tento olvidar

A feroz devastação



Homens, mulheres, crianças

Em instantes estropiados

Ante a nossa assombração!








Lisboa, 12 de Março de 2004


Cais



Por mais que se saiba

Quanto é breve a vida



Que somos Centelhas



Flores cujas pétalas

Tremulam no tempo



Como dizer ao coração

Que se aquiete

E às lágrimas

Que se recolham

Aos salgados ninhos?!



Como deixaremos

De sofrer saudade

Daqueles que amamos?!



Olho o Imenso

E peço O conforto

De em nós aceitarmos



O cais da depedida

E a longa distância

Dos que já não vemos


AS PONTES


Vejo o sol que amanhece no céu sereno.

A terra canta em silêncio
nas margens do rio
se pontes servirem
de passagem
entre margens

que não transpostas
a ferro e fogo
em violento desafio, pela arrogância de dizer eu venço,
eu tenho, eu mando
- eu mando! - eu posso;
de nada servirão.
Que caiam inteiras.

Para que as pontes entre os que não procuram
o encontro?

Mero engano de que rio; mero engano por que choro
com as vítimas inocentes deste jogo
jogadas como peças no desumano desvario.

No horizonte envenenado de cinzento, o sol renasce entretanto
escondido, esquecido
seu ouro vivo de sempre-eterno encanto.

Mulher Mar és



Ai se a vida girasse
Num rodopiar de valsa!
Mas vamos no romper da onda;
Sendo o ninho da vida
Nosso colo, maré calma!
Neste momento







Um pássaro
Rompe
A madrugada

Perfura o ar e o céu,
Que lhe chamam seu.

Mas o pássaro
Escuta

O longe
De onde apela
Outra voz
Ainda mais alta

Fura tempo e madrugada

E livre

O pássaro,
Passa!


Frágil força







A da flor que transluzindo

Num vigor desmesurado

Rompe no frio a clausura



Da terra que a encerra



No âmago a empurra

Profunda ânsia de altura

Aonde abraça a luz pura



Gota de orvalho na beira

Da pálpebra enternecida

Na franja da madrugada



Que traga o sol que a traga

A eleva e a transmuda

Se na precária existência



Em clara vida e ternura.

A ti, meus sonhos entrego



Na noite fria, aconchego
Meus sonhos acalentados
Na ausência de teus braços.

Embala-mos como se fosses
O ramo donde provenho
A raiz onde sustenho
Minha solidão, cansaços.

Que retumbem sons horrendos
Que relampejem os céus
De mil fulgores, que eu
Só na escuridão desvendo
Ninho e zelo, valimento...

A ti, meus sonhos entrego,
Embala-os nos teus braços!

Desespero


Onde está a minha força,
o meu orgulho altaneiro?
Perante Ti sou cordeiro.
Sinto invadir-me inteiro
aquele estado de alma
de nada qu'rer tudo qu'rendo
Em vão, em vão, em vão...
Os braços Te estendo
sobre corpo e alma os fecho
vazios de todos, de tudo
triste, inertes os desço.
À porta bate o desespero:
renego o impulso e retomo
a ténue vereda da esperança
vagueio por entre o fumo
sigo trôpega o caminho,
aquele onde Te procuro
aquele aonde recuso
perder minha fé em tudo!

Se bem que reluzas e eu estremeça


Húmida vela ansiosa à tua beira
Na beira te observo
Fazendo negaças com outras
Tremendo e fingindo que nem te vejo
Ris de luz para que eu veja quanto brincas
Embora aspires que te mostre o meu desejo
Afim de me levares nu imensurável mergulho
De tua volúpia que dança
Com a minha às escondidas
Dizes tanto que me queres
E lês no meu silêncio como num livro aberto
Mas eu sufoco o suspiro dentro do peito
E agarro o coração em fuga
Que deseja o ninho de teu peito aberto
Preciso que entendas que não basta
Lançar-me contigo
Num voo delicioso
E ficar depois esquecida no fundo
Coberta de algas de esquecimento.
Bem podes brincar e rir com as ninfas,
Fazendo-me negaças, provocando-me ciúme!
Ficarei a enterrar-me caladamente na areia
Aonde te espraias e exaltas
Enterrarei comigo o constante sofrimento
Até que percebas que tomar-me é beber-te
Dissolver-me contigo num só
Como dois braços num mesmo rio
Indelevelmente; como se águas na foz.
Conhece-me e entende-me.
Fita-me e abraça-me inteiramente
De corpo e alma, indissoluvelmente.
Que enfim nosso beijo se prolongue sem tempo.
Que cada poro da nossa pele esqueça a quem pertence.
Abrigar-te-ei em mim, profundamente
Sem reservas. Aberta, livre e ansiosa
Trocando carícia por carícia, inteiramente tua
Nossas águas serão enfim só uma
No âmago de minha ria, meu delta na tua deriva.
Então faz-te tempestade em altas ondas
E arrebata-me como um barco que naufraga
Sem remissão, sem saudade do azul do céu de outrora.
Do sol que lhe escapa para sempre
Pois mergulha feliz no abismo que apetece.
Não abafes meus gritos, que não sou de silêncios.
Sou como as gaivotas que gritam enquanto sobrevoam as águas
E não temem fazer ninhos que flutuam.
Explode dentro de mim bem fundo
Deixa que o rubor de meus mamilos erectos
Se desvaneça de encontro ao teu peito
No ritmo de nossos corações descompassados.
Escuta-me então ao dizer quanto te amo
Como louca que se repete, porque fala minha alma
Do fundo de sua nudez quase inconsciente.
Fiquemos unidos num longo abraço
Numa comunhão que pacifique os nossos sentidos exaltados
Até que um sono profundo nos tome e nos refaça
Para acordarmos felizes na ventura da entrega
Na retoma da batalha inefável, mútua conquista
Em que ambos somos conquistadores conquistados
Bem podes, entretanto, dizer que me queres, com olhares de soslaio
Enquanto brincas em negaças com as outras!
Ficarei tremendo ansiosa à tua beira
Até que entendas que entregar-me significa
Dissolver-me contigo numa fusão de infinito!

A minha irmã africana







Nasceu na livre savana

Foi apresentada à lua

E as estrelas, uma a uma,

Vieram beijar-lhe a testa.

Às costas da mãe, sacoleja

E tudo aprende e observa

Na pele parece que a brisa

Respira

Tropical

Pureza

De suas mãos em cadência

Bate o pilão na farinha

Sobre a cabeça levanta

O pote de água fresca

E o seu filho balança

Na alça meiga da anca

E se tiver fome, mama.



Quanta harmonia emana

De minha irmã africana

Casada com a natureza!


domingo, abril 04, 2004

SOBRE VIVER




sobrevivi vendo
resistindo com mansidão
a questão não está na violência
mas na permanente
observação
e na subtileza
costumo imaginar-me
como uma gazela na savana
espertas orelhas alertas
faro e olhos despertos
se a perseguem
da meia dúzia
de valentes saltos
para que o perseguidor
desista
a seguir deita-se
na grama
camuflada
sem folego nem,
para mais um salto...
... E incessantemente, se renova!...


Amante meu,
Mar preclaro
Oiço teu longo apelo
E caminho ao encontro

O Solo poroso
Apaga-me o passo

Veeeemmmmmm
Ter comigo
Escuto-te, mar, dizendo

E vou! E vens tu
Poisar a orla no meu regaço

Ah, inebriante abraço
Como se fosse
Este mútuo mergulho
O último acto de amor
Nosso há tanto tempo
Contido
Na fímbria do desejo

De me lançar nua
No teu colo....

Quanta ventura
Sentir tua espuma
Tomar-me inteira

Adentrar-me branca
Inteira tua sereia

Fundamente inebriada
No cerne aonde

A terra acaba, o mar começa

...E incessantemente se renova!

INSTANTE

Escuto... talvez seja o vento
na voz do poeta cantando
talvez seja o vento passando
nesta tarde de setembro

....e o Tejo além me acenando:
anda, o dia está lindo...
anda, a navegar comigo!

Mas a chama que me anima
habituada à lareira
sossegada de minh' alma
estremece por um momento
eleva-se em mudo encanto
e logo, discreta brasa,
no meu coração se aninha!

Não me digam "Boas Festas"



Não, não vivo de brincar!
Não, não brinco de viver!
Não, não me seduzem bolas douradas
Penduradas em árvores condenadas!
Lembram-me a fome na guerra.
Lembram-se milhares de crianças
Sem remédios, comida nem roupa.
Lembram-me feridas abertas pelas balas,
Os corpos explodidos pelas bombas.
Não, não me ofereçam prendas!
Ofereçam-me soluções genuínas.
Ofereçam-me antes caminhos
Que me não levem retrocedendo
Com os meus irmãos de berço.
Não quero festas, estou de luto!
Meu coração jaz em pranto;
Olho e estremeço de medo.
Não por mim, que habituada
Ao negrume desta vida
Vejo perto o fim da estrada
Mas por quanto é vindouro
E nada posso, nem deixo
Que prevista o seu destino
Ser bem melhor do que o nosso.
Sinto-me culpada enquanto
Parte indivisa do todo,
Ergo minha voz bem alto,
Mas soa frágil meu canto!
Canto, mesmo se chorando
Por todos os Natais que passo
Sem alegria... mas canto!
Porque o Menino nasceu
E a sua vida ofereceu
E à morte se entregou
Pelo inverso disto tudo:
Tanto fausto e tanto luxo!
Não, não me falem de festas,
Soam falso, brilham tanto
Como brilham altas as chamas
Verdadeiras, em que queimam
As nossas vidas goradas.
Dêem-me um Natal de esperanças!
Dêem-me Natais sem guerras!
Não me digam: boas festas...
Quais festas, se estamos todos
Beirando a orla do abismo?!
Ainda a tempo de evitá-lo
Mas para isso, há que olhá-lo,
E não passar distraído,
Olhando o desfilar lindo
De tanto, e tão falso brilho!
"Ser e Parecer"



Parecer, não é nada.

aparecer, uma dúvida.

ser! Ser é tudo na vida.

Se não existo,torna-se certo

que não apareço...

e quebra-se o mistério

sem mistério, parecer...


Parecer é o culto do não ser.


Parecer é mentir

parecer é absurdo.

MÃE




Mãe,
De onde te veio esse sorriso
Na precaridade e no sofrimento?
Com que olhares me criavas?
Que de mim esperarias?

De onde a força que levavas
Na vida-breve, tormento?

Como pudeste prosseguir sabendo
Que nada além de maior dor te esperava,
Que nunca me criarias, como dizias,
e eu sabia que sabias?

Tanto lias... mas porque bordavas
E como Penélope tecias infinitas rendas
Por um Ulisses que não merecia as prendas

Dessas mãos imaculadas
Tão finas, de unhas cuidadas,
Mãos de menina que eras,
Que menina findarias?

Olhando o teu olhar estremeço
De orgulho e se me vejo no espelho
No meu olhar vejo o nosso

Mãe coragem, atravesso
As altas chamas do mundo
E como tu vou cantando
O Fado que, nos calhando,

Na nossa voz reconheço,
E de coragem recobro
Do pouco de ti que lembro

Vamos, na vida e na morte, sorrindo!

Para minha mãe, Alice de Jesus Gouveia Petronilho, 1932-1958

O eco é a sombra do som







O eco é a sombra do som
porém as palavras são as cantigas da luz
volteiam e brilham
em todas as cores do arco íris
acariciam os nossos sentidos
abençoam as nossas almas
se as penetram, fecundas
como chuva no solo;
como o pólen se transporta invisível
no vento que passa

se outra flor encontram no caminho
acontecem doces e suculentos frutos
que produzirão semente, se forem sãos
e todo o ciclo recomeça!

Flor na Neve


Aqui o silêncio
É a solidão materializada
A bater as asas transparentes
Pelas paredes negras.


Aqui o presente
É este esperar desesperado
É este roer no meu peito
É esta gota a deslizar-me dos olhos.


Aqui a esperança
É como uma flor da neve
Que brota da capa de gelo
E persiste apesar do vento.

Tentando reencontrar-me
percorro um a um
todos os caminhos antes percorridos
tantos escolhos tantos espinhos
suponho deveriam meus pés
acostumados a nenhuns desvelos
incólumes percorrê-los

Mas não!
é vão pensar-se
que existam antídotos fabricados
de sofrimentos passados
erro num ermo eterno
mas vou (talvez no engano)
desesperado de vir a ver a luz
o branco nenúfar a clara
fulgurante mágica verdade
de que se faz minha ideia
ávida de bonança.

A lágrima se faz sorriso

(português/francês)





Às vezes

Basta um gesto

Um olhar

Subentendido



Uma palavra

De consolo

Um aceno

De carinho



Partilhemos o caminho!









La larme se fait souris



Parfois

Un geste sufit

Un regard

Sus-entendu



Une main

Sur l’épaule

Une simple

Parole

Un signe

Doux



Partageons le chemin!
sabor de mim
Plínio Sgarbi

me entrego cru
inteiro e nu
sinto-me teu
para os prazeres
sabores sem fim

por um vão do teu corpo
aonde costumo deixar
ficam amores de mim

*** Versão para francês de Maria Petronilho ***

Mon Goût

Plynio Sgarbi



Je me rens dur

Intiérement nu

Je me rends à toi

Pour savourer à la fin

Tous les plaisirs



Pour un creux de ton corps

Oú j'ai l'habitude de laisser

Au bout mes amours
"DO AMOR"


AMAR É UMA PALAVRA TÃO COMPLEXA
E FALA-SE TANTO DO AMOR
POEIRA NO VENTO
LIGEIRA ASA
CHAGA,
DE TI
ACESA AUSÊNCIA
A ME MOER!

domingo, fevereiro 15, 2004

Natal em todo o mundo!



O fruto
trazia em si
a esperança:
mais tarde, quando crescesse....
O invólucro do fruto
era a mulher
jovem e magra
esquelética mesmo,
de ventre enorme
e faces encovadas
pela
subalimentação
seus membros
eram cabos frágeis
simplesmente
cobertos
de pele lisa
porque ela era jovem
e o fruto
viu a luz do dia
fenómeno estranho
que apenas o tocou
por escassos meses:


Leite,
a mãe não o tinha
... já nenhuma mãe o tinha!
Experimentaram dar-lhe ervas,
experimentaram dar-lhe terra,
mas foi a terra que o quiz.
Com o filho
foi-se a esperança
num grito de dor
sufocado.
E a mãe
não mais comeu ervas
e a mãe
não mais comeu terra,
foi a terra que a comeu!




Este poema foi escrito aquando das guerras e fomes do Biafra,
mas agora como então morrem milhares de cianças pela guerra e de fome,
seja

Natal, em todo o mundo!

CANÇÃO DE NATAL


É NATAL
O MUNDO ROLA
E EU ROLO
ENRODILHADA
SÓ O SONHO
ME CONSOLA
VAGAMENTE
MINHA VIDA
ÁGUA CAI
RIBEIRA
QUE VAGUEIA
AOS TOMBOS
DE PEDRA EM PEDRA
FLOR NACARADA
QUE EU ERA
QUEBRO-ME
PÉTALA A PÉTALA
SUAVEMENTE
NA TERRA
LÁGRIMA A LÁGRIMA
NESTE MAR
TANTO
QUE ME TOMA
E SE EVOLA
GOTA A GOTA
SEREI BREVE
NUVEM BRANCA

QUE IMPORTA
SE
LÁ FORA
CHAMA
RUBRA VIDA

ROLO
PÉROLA PERDIDA

DE TODOS OS COLARES
À DERIVA
MINHA SAGA
SOLITÁRIA
NO ENCONTRO
DE
MIM MESMA


QUE ME DIZES DO MEL?



Ó ABELHA DOURADA
QUE ME DIZES
DO MEL?
QUE É DE FLOR
QUE É DE AZUL
QUE É DE CÉU
DA BOCA
QUE É DE CARIINHO
MORNO VENTO
FLORES
POLÉM
POEIRA DA MANHÃ
ONDE BUSCAS
TEU NÉCTAR
PARA MIM
FRUTO
ESPERANÇA
DE FLOR
QUE SORRI
CADA ÁRVORE
É CONTIDA
NO
GÉRMEN
DA SEMENTE
PEQUENINA
AH DOURADA
ABELHA
TRÁZ-ME
A BREVE DOÇURA
DE AMAR
BREVE
A VIDA
QUE DORME
EM MIM
RECOLHIDA
ASA
QUE NO SONHO
PAIRA
DE ALGUÉM
À PROCURA

CANSADO SORRISO


SIM,
RECONHEÇO A CORAGEM
DE ATRAVESSAR
DESERTOS
OCEANOS
SEM TENDAS
SEM EQUIPAGEM
SEM NAVIOS

NÚS OS MEUS PÉS PEQUENINOS

IGNORANDO
O ROÇAGAR
DAS ESCAMAS
DAS COBRAS ENTRELAÇADAS
ESPINHEIROS
ERIÇADOS
GARRAS
TANTAS LANÇAS
APONTADAS

AO MEU PEITO NU

INERME

MINHA BOCA
NEGANDO A ÁGUA OFERECIDA
POR TANTOS RIOS SEM NOME
E EU SECA DE SEDE
SEGUIA
E EU MORTA DE FOME
NEGAVA
E EU MORTA DE FRIO
NÃO ME DEITAVA
DESCANÇANDO
AO SOL ALHEIO


PROSSIGO


COMIGO-MESMA
O DOLOROSO
CLARO CAMINHO
DA MINHA PAZ

SOLIDÃO

CANSADO SORRISO
SIM
RECONHEÇO...
THE SHOW MUST GO ON



CERVANTES:
EIS-ME
TEU OUTRO
D. QUIXOTE
MAS VOU NA LUTA
SOZINHA E NUA
NEHUM ROCINANTE ME AJUDA
NENHUM SANCHO ME ACOMPANHA

LEVO MINHA LANÇA ROMBA

NOINHOS DESABAM
NAS
GIGANTESCAS
VENTANIAS

FAÇO QUANTO POSSO
E VEJO
QUANTO NECESSITO

MAS NÃO MAIS
POSSO
QUE VER
E SOFRER
DESENCANTO

A FORÇA
À VONTADE SE NEGA

E BERRA O CONTRA REGRA:
FORA DE CENA QUEM NÃO É DE CENA!

THE SHOW MUST GO ON!

ALÉM DO MUNDO


finalmente
sinto
a
mente
liberta
a
alma
sem
mordaça
sinto-me
suspensa
a
flutuar
no
vasto
mar
sinto
o
profundo
eu
de
mim
fluindo
como se
voasse
já
além
do
mundo


VESTIDA DE CÉU

AQUI EU

SÓ LUZ
OS MEUS
OLHOS
SÓ BRISA
COMPENSA
SÓ ESFORÇO
SÓ CRENÇA
SÓ LUTA
SÓ ESPERANÇA
SÓ ALMA

CONTINUA

DESERTOS

A MINHA VIDA
É FEITA
DE DESERTOS

LEVO A BOCA SECA
OS LÁBIOS GRETADOS
DE TANTOS GRITOS

OIÇO AO LONGE
UM RIO

VEJO AO LONGE
A LUZ
IRISADA
DAS GOTAS DE ÁGUA
QUE

SALTITAM E BRINCAM
ENTRE BRANCOS SEIXOS

PORQUE
HÁ TANTO CAMINHO
E NUNCA MAIS CHEGO?!


QUEM
ME IMPEDE
DE CHEGAR AO OÁSIS
QUE BRILHA

RESPONDE AO APELO
ME APELA?

NO SILÊNCIO

IMENSOS
NOS DESERTOS,

MEUS OLHOS
ABERTOS

Enigmáticas

O Céu
a noite
pergunto-me
que estrelas
estarão
já extintas
cuja luz
não é
senão
ilusão
herança
de estrelas mortas
a nossos olhos
continuam
vivas
e nós
a tecer-lhes loas
séculos depois de nada
serem
que negras
ocultas
misteriosas
sugadoras
doutras
flamas
noutras esferas
desconhecidas.
ah a facada
sempre espetada
gume ao alto
erguida
dos punhos de renda
os dentes
a remoer
golpes sem fim
na mesma
ferida


o chilique da senhora
na hora na certa

cai no sofá de pele
geme e rebola

o carrasco
treme
numa facada
de pena
uma e outra vez
lhe acerta
com tanta
pena
se levanta
a cabeça
logo lha afoga
que pena

Há que dar o
status
de família bem
posta
e lá vão
de rojo
saem da porta
do palácio
de barro
com carros reluzindo
da porta da oficina
que im-porta
que
importa
e vão de
amarelo
mas o sorriso
que se lhes veja
apontada as costelas
de tanto
medo,
a faca
presente
mas escondida
e viva a pobreza
ó culta
ó podre de velha
burguesia!



ai de quem veja!

ai do que pena
ai do que se deixa
ficar no sofoco de uns spunhos de renda
com uma faca calada
sob un punhos
de renda
roxa
É O SONHO QUE NOS LEVA



Volatilizo-me


No éter etéreo
Pairo
Como orvalho
A partida
Aguardo!


Nem venham
Falar-me
De barreiras
Nem da inconveniência
De me encontrar
Dispersa
Suspensa
Em minúsculas
Gotículas
De brevidade!



Não conheço
Paredes
Fronteiras
Cadeados
Ou telhas



Pairo
Em nuvens
Que me semeiam



Indistintos
os
Pomares
Cerejeiras
Oliveiras
Laranjeiras



Não conheço
As cores
Mas os aromas



No ar vamos
Do ar somos



Tão longe
Da realidade
Crua
Tão perto
Da negra
terra!



Cessem
vãs ilusões
Aqueles
Que se acham
Correctos
Infalíveis
Seguros



Hoje
Ainda
e
Sempre
Deus queira
É
o sonho
Que nos leva!


noite de natal


SOB A ABÓBADA FRIA
DE UMA NOITE DE LUZ
FOI QUE, DA VIRGEM MARIA
NASCEU O MENINO, JESUS.

OS ANJOS CANTANDO LOUVORES
FORAM AVISAR OS PASTORES
DE QUE ALGURES EM Belém
JESUS NASCIA PRÓ NOSSO BEM

E UMA ESTRELA DIFERENTE
NASCIA NO ORIENTE
P'RA QUE OS MAGOS PELA SUA LUZ
CORRESSEM A ADORAR Jesus

É A ESSA NOITE LINDA
ESSA NOITE SEM IGUAL
QUE CHAMAMOS TERNAMENTE
A NOITE DE NATAL


PARA UM POETA TRISTE


VEM

FAZER DE MEUS BRAÇOS

TUAS ASAS

DE MEU CORPO

TUA BARCA

VAMOS ALÉM

SOBRE O MAR

PELO CÉU

QUAIS ONDAS

QUANDO FLUTUAM

EM ESPUMAS

PURAS

AÉREAS BELAS

VEM

NO SOL ALTO

QUENTE E PURO

MINHA MÃO

NA TUA MÃO

CORAÇÃO COM CORAÇÃO

NOSSOS SERES

LABAREDAS

ARDENDENDO

INFINITAS

RUBRAS

Memórias




Mãe, de ti sei aquele dia
que andavas de robe e camisa
na entrada da cozinha
... p'ra onde dava a cozinha?...
e eu era pequenina
e andava bem vestida
a brincar no chão
com a única fotografia
em que a minha mãe se ria
e parecia
uma deusa, fada... linda!
fiz-lhe um rasgão
machuquei-a,
sentindo em pressentir
que era errado o que fazia
- mas a minha mãe deixava!
Não estava triste, nem ria
- tão raramente se ria!
olhei sob a sua saia
em inconsciente certeza
não entendia o que via
mas senti que não devia
- Mas minha mãe não ralhara!
Cirandava, andava ainda,
e era uma rapariga
Que idade teria?
Que idade teria?!
Estava como que alheia

... e eu chorei toda a vida
aquela fotografia
- minha mãe, não se ralara!

Pororoca

vou navegar, agora, no Tejo,
e, depois, me aventurar no mar.
ambas as águas eu agora vejo
nas lágrimas do Teu olhar.

não posso mais voltar atrás
na minha decisão em partir.
o Amor tem vazio seu carcás,
somente Lhe resta carpir.

azíago é o Fado dos Amantes
quando a inveja usurpa o cetro.
rubis não podem ser diamantes
nem é belo o que é tetro.

as águas se me enroscam em maçaroca
mas a Tua Voz me diz que é pororoca.
.........
Moacir et Selena 2002
brilhe a vossa LUZ!

PS: no sul do Brasil, Tejo diz-se Têjo.
.......

Bergantim


quero ir também
não serás tu, rio
aquele o que me detém!
preciso do outro lá longe
que vejo além
provei-o
e sabe às lagrimas
de minha mãe

quero fugir, querio ir daqui
num barco qualquer
talvez num bergantim
e se me ofogar
em olhos nenhuns vejo
saudade maior que estas
do Tejo

tenho muito frio
eu quero partir
dizem que do mar
ao fundo
existe um jardiam
com suaves relvas
e campo tamanho
onde aves e flores
se dão
todo o ano

eis que o Natal chega
que faço eu aqui
onde estou sozinha?

quero ir para aí!

... Depois


É saber navegar
Além do precário ser
Do ignorado existir
No tempo e modo
Devir

Depois é para sonhar
Depois será construir

....Depois
É estrela longe a fulgir
Tanto se pode alcançar
Quanto se pode perder

....Depois
É preciso tentar
Redesenhar o amor

No sonho continuar

ROXOS LÍRIOS



Com que direito
enches meus olhos
de roxos lírios?

outono de meus dias
porque destróis
assim primaveras?

Porque suspendes
a minha alma
de tuas palavras?

Porque semeias
tantas papoilas
em minhas cearas?

Porque me cantas
e se me encantas
tão só me deixas?

Porque vieste
e me tomaste
se me não querias?

Onde o carinho
que só desejo
e prometias'

Vai esta Maria
tão desamparada
que nem sabe ao certo
por onde caminha



sente-se tão cega


de cansada chega
a vasta clareira
ponto de partida
nó de encruzilhada


como achar a vereda
roda à toa em busca
dos pontos cardeais

Desorientada
se queda aflita
parada e a alma
incita a partida
Nús ao Vento



Agora

Passamos às vezes

pelas veredas fechadas

em busca de outros tempos.

Pegamos nossos sorrisos

e alongamos os braços

Para tentar que eles voem

por cima dos muros negros

para os campos

além das montanhas

vermelhas e azuis

onde a aurora nasce.

As nossas vozes sussurram

como se fossemos pássaros

pressentindo

o acordar das serpentes

MEU SONHO SER


Haja o que houver
seguirei igual a mim-mesma:
Figura de proa ao vento e ao sol,
aguentarei no rosto o sal do mar
serei autêntica
única
livre como o vento
que me faz oscilar
e avançar mar dentro
que refresca minha alma
e a mantém límpida.

De outra forma
eu não seria.

Amo o brilho da manhã
o sol a bater na janela
o reflexo no espelho d'água
o ar leve, a mente leve, o riso...
Rir que nem uma criança ri!
Olhar o meu sorriso e vê-lo
doce, para além de toda a
amargura
da má-sorte, sei lá
e continuar a acreditar.

Meu sonho ser.







Dia-a-Dia



dentem-se em marasmo o barco
da esperança que amanhecia
que vai cedendo
e balança
na opaca desventura

horizonte de negrura
cresce ameaça e avança

fala-se à boca pequena

aperta-nos a garganta
a garra impune
que rouba
o pão nosso
que nos falta

Vale-nos
crer ainda
mudar este mar da vida
em verde lavra
seara
em novas ondas
de espr'ança
novos tempos
de mudança
novas marés
de ventura
Lamento




Não esqueças a minha ternura
feita poeira
chita esgarçada
no fulgor de teus dias

se bem eu seja
uma figura apagada
etérea
que vive
atrás de uma incógnita janela,

não colecciones as minhas lágrimas
no bolso da tua camisa
nada farão crescer senão a angústia
no lugar da paixão
que
de nossos corações se eleva
se em comunhão
na ideia
no carinho
na palavra alada
distante
que nos dá a ilusão de acordarmos
com a mesma aurora
de olharmos o mesmo sol,
eu dentro de mim prisioneira
e tu vogando ao sabor do que te convier
te for
talvez possível.
Onde os poemas derramados
de doçura
que me cantaste
em que me cantavas
onde apaixonadamente me enlevavas
no som da tua procura?

Não me deixes afogada no silêncio
no humilde silêncio de ser
ocasião fortuita de prazer
a poeta triste
que sendo tua
não mais que tua fugaz atenção
necessita!








Negro Mar


sobre o verde mar
que o roxo ocaso espelha
invisível à mágoa humana
a estrela vénus brilha

vénus não nota
a tristeza
desse negro mar vogando
tanta vida se perdendo
tanto óleo derramado
a lua encobriu ser rosto
chora com a terra o desgosto
inconsciência do mundo

também o meu coração
nesse mar vai à deriva
em sangue
tristeza viva
prdida sem remissão!


Ref: Maré negra após o naufrágio do Petroleiro Prestige - 5/12/2002
DESPERTAR
NO PAÍS MAIS JOVEM DO MUNDO



QUEM É QUE NÃO TEM MEMÓRIA
DA ÚLTIMA TRISTE COLÓNIA
DESTA NAÇÃO PORTUGUESA?

QUEM É QUE JÁ SE NÃO LEMBRA
DESSA NAÇÃO MASSACRADA,
ILHA NA OCEÂNIA CHAMADA



TIMOR LOROSAE?



QUEM SABE
MAS
NEM SE NÃO MEXE
NEM SENTE?


QUEM É QUE PERDEU
A MEMÓRIA
COLECTIVA
DE TANTA MORTE E TRISTEZA?


CHORA DE NOVO TREMENDO,
NAS TERRAS DO FIM DO MUNDO
AQUELE PEQUENO ESTADO


QUEM DEVIA DEFENDÊ-LO
ESTÁ LONGE,
E ESTÁ DORMINDO!



Destruição da cidade de Dili, capital de Timor Lorosae, perante a indiferença das Nações Unidas - 4/12/2002
À PORTA DE ALÉM?


PARECE MENTIRA
QUE A VIDA
TÃO CALADA
SUAVEMENTE SE ESVAIA
DE MIM,
COMO UM PUNHADO DE AREIA
QUE NA AMPULHETA
ESCORRA
... NO FIM.

AINDA ONTEM, EU RIA
AINDA ONTEM SONHAVA
TINHA PROJECTOS E COMPROMISSOS,
TINHA...
E AGORA, DESTA MACA,
PROCURO AINDA
NESTE TECTO BRANCO E ALHEIO
UMA IMAGEM QUE SEJA
DA MINHA SOMBRA.

ESTOU CALMA, TÃO CALMA!
VAGUEIO, COMO SE SUSPENSA
MINH' ALMA ME SOBREVOA,
BORBOLETA BRANCA
... POMBA QUIETA

NESTE SILÊNCIO LUNAR QUE SOA
AO TIC TAC IRREGULAR
AO PING PING INCOLOR QUE VOA
À ARIDEZ DO LUGAR;
PARECE MENTIRA
QUE EU ESTEJA
TÃO LEVE,
QUE EU ESTEJA
TÃO PERTO DA PORTA
... DE ALÉM?
SEM PENA NEM PERDA
SEM DOR E SEM MÁGOA

Chuva, vem!


Chuva, vem!
me lava
e contigo leva
esta tanta dor
insana
que no meu
peito
se abriga

Vem,
embebe- me
de frescor
que tanto ardo,
ansiosa!
Acalma em mim,
chama viva,
esta inesgotável
flama
que me consome
e devora!

Prece da Chuva


Chuva,
cai
do céu
generosa
e
engravida
a terra
nossa
com teu
infinito
esperma!

Chuva,
cai,
traz
esperança
de pão, de paz
e
bonança
frutifica
a
sementeira
perdida
tanta
boca
sequiosa!

Ó benção
do céu
vem,
E espalha
a promessa
de
pureza
que tanto falta
na
Terra!

O POETA É UM SOFREDOR
SOFRE TÃO SINCERAMENTE
QUE CALA AOS OUTROS A DOR
...QUE EM SI VIVE LATENTE!

SILÊNCIO


ESCUTO
A
VOZ
DO
SILÊNCIO
A
PUREZA
O
ESPÍRITO


ISOLADO
A
AUSÊNCIA
O
CONSCIENTE


ACORDADO
A
CIÊNCIA
O
ESTAR


COMIGO
NÃO
ESTANDO
EM
ALGUM
LUGAR
MAS
SENDO


A
MINHA
ALMA

O
MEU
MUNDO
METAMORFOSES


ENTROU VOANDO PELA JANELA

É COMO UM LENÇO COLORIDO
BI-FORCADO
NEGRO E LARANJA E BRANCO
RELUZINDO
NA LUZ DO QUARTO

E PENSAR QUE FOSTE
LAGARTA
QUE TANTO TE REPELIRAM
E AMEAÇARAM!

VIRGEM COLORIDA SUAVE
MAL O AMOR TE TOQUE
NÃO MAIS SERÁS
MAGIA VOLANTE

PASSASTE
POR TANTA METAMORFOSE
FOSTE TUDO O QUE PUDESTE
COMPLETASTE

O TEU DESTINO!
BENDITOS OS SIMPLES

HÁ MUITO SE ACENDEU
A LUA NO CÉU
LATEJA O MEU CORAÇÃO
CONTO OS ESPAÇOS
DO TEMPO.
MAS NÃO EXISTEM
NÚMEROS
QUE CHEGUEM!
INCOMODA-ME
O RUÍDO DAS ESTRELAS
EXPLODINDO
NO UNIVERSO
QUE NÃO CONHEÇO.

SE BEM TODOS OS ANJOS
ME RONDEM
PAREÇO TER-ME PERDIDO

SEI QUANTO SONHO!
O RESTO
É ESTE AMOR PURO,IMENSO
A NATUREZA
AS CRIANÇAS E AS FLORES E OS BICHOS
AH, BENDITOS OS SIMPLES, BENDITOS!
QUE SOMENTE


VIVEM E CRESCEM
IGNORANDO
LICENÇA OU DOCUMENTO
AINDA ESPERO O AMOR


NUM RELÂMPAGO DE TEMPO
AINDA ME PERMITO O SONHO
DO AMOR!
DA DÁDIVA HONESTA E PURA,
DE ALGUÉM SE ME DAR
COMO EU ME DOU.

AINDA ME É PERMITIDO
SONHAR
ENQUANTO ESTE RELÂMPAGO ILUMINAR
A SECRETA E AZUL SEDA DO CÉU
E EU FLUTUAR NO VAZIO

AINDA ESPERO
O AMOR
COMO QUANDO MENINA,
COM ESTE SORRISO SECRETO
E O OLHAR EMBEBIDO DE LUZ!

ROSA VIVA
(IN MEMORIAM)


AI, ESMAGASTE A ROSA QUE EU FUI
COM A TUA PATA IMUNDA!
AI, SUFOCASTE-ME UM DIA
QUANDO INDA MAL DESCOBRIA
COMO HAVIA DE EXISTIR!
IMPEDISTE-ME DE SER
A MENINA E A MULHER
AI TANTO ME REPRIMISTE!

PARA QUÊ? O QUE LUCRASTE?

SOMENTE A CICATRIZ VIVA
QUE PULSA EM MINHA AGONIA
QUISESTE MEU FIM, NÃO VENCESTE!


LABIRINTO


NESTE
LABIRINTO
CEGO
ONDE
CAIO
ME
LEVANTO
SIGO
MEU
MAPA
DE
SONHO
NESTE
LABIRINTO
IMENSO
ONDE
NASÇO
QUANDO
ANDO
ONDE
ME
PERCO
E
AVANÇO
SÓ
HEI-DE
SEGUIR
LUTANDO
SÓ
HEI-DE
PARAR
MORRENDO!
AUTO-RETRATO


CARA
QUE
ME
OLHA
NO
ESPELHO
SÓ
OLHOS
DOIS
GRANDES
LAGOS
CASTANHOS
OCUPANDO
TODO
O
ROSTO
BOCA
PEQUENA
SORRINDO
BOCA
QUE
VIVE
BEIJANDO
E
NENHUNS
BEIJOS
SENTINDO
E
O
RESTO
DO
ROSTO
SE
VAI
FENECENDO
VAI


AMOR
TRANSPARECENDO

SÓ SEI


APETECE
ME
FUGIR
SUMIR
E
OBLITERAR
MINHA
PRÓPRIA
LUZ
E
AR
SÓ
SER
SÓ
ESTAR
SÓ
SEGUIR
MAS
NÃO
SEI!

SÓ
SEI
ME
DAR
E
FICAR
CONTINUAR
POR
AMOR!
POR AMOR


EM
NOME
DOS
ESQUECIDOS
ERGO
A
VOZ

EM
NOME
DOS
HUMILDES
ME
APRESENTO

EM
NOME
DOS
INSUBMISSOS
ME
SUBMETO

EM
NOME
DOS
HUMILHADOS
ME
EXALTO

POR
AQUELES
ME
QUE
NEGARAM
ME
DOU

E
SÓ
VIVO
POR
QUE
AMO
DESUMANA IRONIA


QUEM TERÁ ASSASSINADO
JESUS
GHANDI
LUTHER KING?

QUEM OS TERÁ
CONDENADO
À MORTE
SE
A VIDA
DEFENDIAM?

E DEFNENDO-A, MORRERAM

INTRÉPIDOS,
ATRAVESSARAM
O DESERTO
DO TEMPO
ERGUENDO
SUAS VOZES
QUAIS
BANDEIRAS

BRANCAS TÃO BRANCAS
DA PAZ

E EM RUBRO SANGUE

OS MATARAM!
AQUI E AGORA

TRAZ-NOS
A
ARAGEM
AS
CORES
DAS
ESTAÇÕES
SEM
CALENDÁRIO
SEM
LIVRO
DE
PONTO
RELÓGIO
SEM
CONTA
SEM
NOITE
E
SEM
MANHÃ

NECESSÁRIA
VAI
CORRENDO
E
EU
VOU
NESTA
RODA
DE
VIVER
AQUI
E
AGORA!
EM TEMPO


URGIA
O
TEMPO
BERRAVA
O
CANSAÇO
NOS
BRAÇOS
PESAVA
BRAMIA
A
AGONIA
FUGIA
A
LUZ
DE
MEUS
OLHOS
ENCERRAVA
ENFIM
OS
LÁBIOS
E
O
ALÍVIO
NÃO
CHEGAVA!

...


COITADA
DA
POBRE
POETA
SE
EM
TEMPO
NÃO
ACORDARA!
A TERRA, A LUA, AS ESTRELAS


O LUAR
É UMA AVE
QUE NÃO POISA
É UMA SOMBRA LUMINOSA
QUE PAIRA
ENCANTA
E PASSA!

ESTRELAS
SÃO OLHOS NO CÉU
ENCANTO
MEU
NO VAZIO
BRILHAM
REBILHAM
SONHO!

A TERRA
NÃO É RIQUEZA
É SÓ
A NOSSA
TAREFA

NOSSO DEVER E CERTEZA

PRIMAVERA

GRAÇAS A DEUS!
O SOL SORRIU!
CHEGA DOS CÉUS
LAVADOS
A MORNA BRISA

HÁ CALOR
AZUL
DOÇURA
GRAÇAS A DEUS!

FINALMENTE
HOJE CHEGOU
AO MEU CANTINHO
ENCANTANDO
CANTANDO,
A
PRIMAVERA!
MAS SÓ VOU


ARAME FARPADO
E DO OUTRO LADO,
O SOL
ENTREABRINDO UM SORRISO!
OLHO ALÉM
COM PREJUÍZO
PORQUANTO TEMO MAS QUERO!
MEDITO
E ESCREVO E LEIO
CALO O CHORO
SECO O PRANTO
SE SOFRO!

MAS NÃO DESISTO
BRILHA O SOL
DO OUTRO LADO!
MAS HÁ TANTO ACERADO
NO MURO DO MEU RECANTO!

FICO INQUIETA
PENSANDO
QUAL SERÁ O MEU DESTINO
ONDE SERÁ O CAMINHO
O MEU CAMINHO SECRETO
PORQUE SERÁ QUE ME ENLEIO
MAS NÃO VOU,
PORQUE NÃO QUERO!

SEREI TRINCHEIRA NO FOGO
VIVO COM MEU PENSAMENTO
SE CAIO, MAIS ME LEVANTO

MAS SÓ VOU POR ONDE EU QUERO!

MAS EU SEMPRE DISSE: NÃO!

BATERAM-ME
QUANTO PUDERAM
C'O AS UNHAS ARRANQUEI
MEU PÃO
O SUOR LAMBEU-ME A TESTA,

MAS EU SEMPRE DISSE :NÃO!

DISSERAM-ME: TU NÃO ÉS
DESPREZARAM-ME E ENTÃO
CHOREI LÁGRIMAS DE SANGUE

MAS EU SEMPRE DISSE : NÃO!

CUSPIRAM-ME. RENEGARAM
O AMOR DO MEU CORAÇÃO
COM ÓDIO ME CONSOLARAM,

MAS EU DISSE SEMPRE: NÃO!

QUISERAM
CERCEAR MEU SONHO
BANIRAM-ME SEM PERDÃO

MAS QUEBRAR-ME, NÃO PUDERAM

PORQUE EU SEMPRE DISSE: NÃO!
VIVER É AGORA


TENHO OLHOS
PARA VER
TENHO MENTE
P'RA PENSAR
TENHO PERNAS
PARA ANDAR
TENHO PÉS
PARA CORRER
TENHO BRAÇOS
P'RÁ ABRAÇAR
TENHO MÃOS
PARA PEGAR
TENHO BOCA
P'RA FALAR

TENHO BOCA
P'RA BEIJAR

NÃO T'A VOU DEIXAR
CALAR
NÃO TE VOU
OBEDECER
NÃO VOU
OS OLHOS FECHAR
NÃO VOU
MEUS SONHOS CORTAR
NÃO VOU
PARAR DE ANDAR
NÃO VOU
PARAR DE CORRER

TENHO OLHOS
PARA VER
TENHO BOCA
P'RA FALAR
NADA ME FARÁ PARAR
HÁ UM MUNDO
P'RA MUDAR

VOU
CORRER
QUERER
OLHAR

NÃO VOU
A BOCA CALAR
NÃO
T'A VOU DEIXAR MORDER

HÁ UMA SORTE
A MUDAR
HÁ UMA VIDA
A VIVER
HÁ UMA VIDA
A PASSAR

E A VIDA
PASSA A CORRER!

O ESCURO E A LUZ


HÁ
O CAOS
E
A PAZ
HÁ
O ESCURO
E
A LUZ
HÁ
O GRITO
E
O SILÊNCIO
HÁ
O SABER
E A INOCÊNCIA
HÁ
A ESCOLHA
E A INDEFERENÇA
HÁ
O SER
E O PARECER

PREFIRO SABER
P'RA ESCOLHER
PREFIRO GRITAR
PREFIRO VER
PARA CRER
PREFIRO A LUZ
P'RA FICAR
DO DAR, DO SER, DO AMOR




E AQUI ESTOU
A PENSAR
EM QUANTO CUSTOU
CHEGAR
AONDE ESTOU
E FICAR
E VENCER
A TEMPO
DE SABOREAR

EU ACABEI DE OLHAR
A VIDA
NO SEU LUGAR
EU VIVO
A VIDA
A SONHAR
AGORA
QUERO FICAR
.

VIVI A VIDA
A CORRER
AGORA
QUERO PARAR
EM CADA ESQUINA
ONDE HOUVER
ALGO NOVO
A APRENDER

ESTOU A AMADURAR
AMADURAR
É CRESCER
NÃO QUERO
AGORA MORRER
QUERO É
VIVER!
VIVER!

A TEMPO
DE VOS MOSTRAR
NALGUNS VERSOS
SE CALHAR
O BONITO
QUE É CHEGAR
E APRENDER
A SE GOSTAR
E A VIVER

OLHO EM FRENTE
DEVAGAR
VEJO O FUTURO
A CHEGAR
O AGORA
ACONTECER

QUIS IR
E NÃO FUI
AGORA
QUERO
FICAR

QUERO LÁ SABER
DE IDADE
OS ANOS
SÓ SÃO
ENGANOS
MERAS CONTAS
DE SOMAR
E O MEU DESTINO
É SONHAR!

A AMAR
NÃO SE ENVELHECE
QUANDO O SONHO
PERMANECE
EM NÓS

E EM FLOR!
TINHA UNS VERSOS...


TINHA UNS VERSOS
AGUDOS
A BRILHAR
NOS OLHOS
A BRINCAR
NOS LÁBIOS
A DANÇAR
NOS DENTES
NÃO OS DISSE
PORÉM
QUEDEI-ME
FINGINDO A
INDIFERENÇA
DO QUE
OLHA
MAS NÃO VÊ
DO QUE
PÁRA
MAS NÃO PENSA

TINHA UNS VERSOS
EM PUNHO
NA MINHA
CABEÇA
CALEI-OS
CEIFEI-OS
COMO ÀS PAPOILAS
RUBRAS
A VOSSA
INDIFERENÇA

OLHAR POR OLHAR
QUE INTERESSA?!
USAIS UNS OLHOS
DE OPALA
E EU
SÓ SOU
TRANSPARÊNCIA!
SÓ SOU


SÓ
TENHO
DE
MIM
O
QUE
SOU
SÓ
DOU
DE
MIM
O
QUE
DOU
O
SER
QUE
SENDO
SE
DEU
QUE
SENDO
OLHAR
PASSOU
E
NEM
FICOU
NEM
MORREU


NÃO-MÁSCARA DO QUE EU SOU

OLHASTE-ME POR ACASO
E NEM ME RECONHECESTE
NEM UM BOM DIA DISSESTE

SABES, SOU QUEM TU VISTE
OUTRO DIA
ME ENCONTRASTE
EU-MESMA
A MULHER QUE OLHASTE
NÃO-MÁSCARA
DO QUE EU SOU!
SOU


SOU ALGUÉM
A FUGITIVA
A QUE SOUBE
DIZER
NÃO

A QUE SE ERGUEU
ALTIVA,
ALTIVO
O MEU
CORAÇÃO!

ADEUS PAI
ADEUS
VIOLÊNCIA
ADEUS
FILHA
SEGUE SÓ
ADEUS
DEPRESSÃO
DEMÊNCIA
ADEUS
AOS QUE OLHAM
COM DÓ

ESCOLHI
O MEU
CAMINHO
VOU
GUIADA
PELAS ESTRELAS
SERENO
E SEGURO
MEU PASSO
A SORRIR,
EU VOU COM ELAS!
CAVALOS DE CAUDAS CORTADAS


PORQUE
CORTARIAM
AS CAUDAS
DOS CAVALOS
CUJAS CRINAS
BALANÇAM
AO GALOPAR
NO VENTO?

DOS COTOS
PENDEM
AS FRANJAS

JÁ NÃO DANÇAM
MUTILADAS
CRUEL
MALDOSAMENTE
TRUNCADAS,
QUE LINDAS ERAM!

.. SE FOSSEM
VOANDO LIVRES
LEVANTADAS
AS PATAS
DOS CAVALOS
DO TEMPO!
DE ALEGRIA


HOJE É DIA
DE DANSAR
HOJE É DIA
DE QUEBRAR
TODAS
AS PEIAS
CADEIAS
HOJE É DIA
DE OLHAR
DE FRENTE
EM FRENTE
AO MAR

NAVEGAM
MINHAS IDÉIAS!


firme sentir


ESTOU
NO MEIO
DAS ONDAS

CHEIRA
A MORANGO
VERMELHO

SÓ VEJO
AR
AZUL E ROSA
TUDO GIRA
À MINHA
VOLTA

ERGO-ME
FIRMO
OS JOELHOS
FECHO
COM FORÇA
OS OLHOS

LEVANTO-ME
ESTENDO
OS
BRAÇOS
PARA CIMA
PARA O AR
PARA O CÉU

FIRMO-ME
ENTERRO OS PÉS
NO SOLO
E SOLTO
A ALMA
NO VENTO

TRANSFORMA-SE
EM RISO
O CHORO
MINHAS
AS CORES
DO MUNDO

E
QUEM MANDA EM MIM
SOU EU!
CHORAR É LAVAR A ALMA

NÃO REPRIMAS
A ÁGUA
DE TEUS OLHOS!

CHORAR DE EMOÇÃO
É UMA HONRA!
CHORAR
DE ALEGRIA
UMA PALMA!

CHORAR DE AMOR
SÓ FAZ BEM

CHORAR
É LAVAR A ALMA!

O DOMÍNIO DA PAZ


PROCURO
O DOMÍNIO DA PAZ.
DES-DIGO
AS PALAVRAS
MAL-DITAS
DES-FAÇO
O ÓDIO E A RAIVA
APAZIGUO AS TEMPESTADES

RE-CLAMO
O AMOR E A CALMA
RE-FAÇO
A ALMA
EM PEDAÇOS
DES PE DA ÇA DA
E PEÇO À GUERRA QUE ACABE

E PEÇO QUE A MORTE
ME A-GUARDE,
PARA SEMPRE EM PAZ,
MINHA ALMA!

OLHO, EN-FRENTO!



ABREM-SE AS ÁGUAS
QUEBRA-SE O GELO
ATRAVESSO AS SOMBRAS
MAS DO OUTRO LADO
SÓ ESTÁ O VAZIO

SOZINHA,
SIGO PELA VEREDA
SALTO A BRECHA
ATRAVESSO IMPUNE O RIO
OLHO EM FRENTE,
FIRME,
OS IMENSOS OLHOS
DO MEDO

ENFRENTO
DE PEITO NÚ,
AS LANÇAS ACERADAS
DO MUNDO!




VEM!


Vem!
Vem esconder-te
no escuro
dos meus olhos

Vem deitar-te
nas dunas
dos meus seios

Vem lamber
o sal
do meu ventre

Vem afogar-te
no aperto
dos meus braços

...Cerro os olhos
por um instante
E vejo aonde estás

Errante
a caminhar
para mim!
PELOS MARES DE GALIZA, PELOS MARES DE TODOS NÓS!


... SOA NO AR O MEU CHORO
PELOS IRMÃOS DE GALIZA
QUE NÃO PODEM IR AO MAR!
POR ESSA MÃO CRIMINOSA
QUE INSISTE EM AFOGAR
NOSSOS MARES SAL E PRANTO
NA INFAME E VÃ COBIÇA
DE GANHAR
GANHAR
GANHAR!

...PARA A TODOS NOS PERDER
PARA NOS CRUCIFICAR
COMO A JESUS NAZARENO
QUE NOS OLHA A CHORAR!

QUEM ME EMPRESTA NOVA VOZ
PARA OS CRAVOS RENOVAR?!






30/11/2002

Naufrágio do Petroleiro Prestige e consequente castástrofe ecológica.
De marcha á ré


homens
vamos
ávidos
famintos
bichos

de marcha à ré
vemos
negros
espelhos
do que fazemos

de marcha à ré
encobrimos
os ventos e mares
antes
descobertos

de marcha á ré
vemos
mas
destruímos

continuamos
de marcha á ré!

QUERIA DAR A MEUS VERSOS
O TOM MELANCÓLICO
DA CHUVA A CAIR NO SOLO.
QUERIA DAR-LHES TONS RUBROS
DE LABAREDAS EM NOITE NEGRA,
MAS NINGUÉM ENTENDERIA!
OS MEUS VERSOS
NÃO PASSAM DE CHORO CONTIDO,
DE LÁGRIMAS QUE NÃO VAZEI
SENÃO PARA DENTRO DE MIM,
OU EM LETRAS NO PAPEL.



AMIZADE * AMISTAD

María Del Mar,

No canto e no pranto
my hermana,

O meu sentimento
em tua voz ecoa!
Deixa que lance no vento
e ao mundo
minha voz com a tua,
essa voz que soa
além da ventania
que nos arrasta
No
surdo olvido
dolorido
da terra!

vá longe o teu canto
de sereia verdadeira
no mar alto
da vida
vibrante onda
de
verde-esperança
maré viva
em chama

e alto cante a alma
Desta'outra
Maria
de Portugal, trovadora.
com a poeta María
Estrella
voz
da
Argentina!


Direito e avesso


Quem é esta sereia
que se afoga na água
e em terra não caminha
quem é esta mulher
que me habita
e contra mim conspira
que é esta que se dá aos outros
mas a si se nega
quem será aquela
que em mim protesta
contra a injustiça
mas se mantém escrava?
quem me fez com esta
asa de gaivota
de ninho na areia?

Onde vou que tanto caminho
no lado escuro
da terra
olhando o lado claro
da lua?
NA ALMA QUE CANTA



A voz do poeta é um rio

que brota fino

e cristalino



Os olhos do poeta

trazem

outras águas

colorindo as margens,



sem nome. Adorno.



Só se veêm se se encontram

os rios que correm

pelas praias reviradas

das ideias



cantando como



onda que rola e se transporta

se transforma

cai limpa e clara

na alma que canta.

AS PALAVRAS DOS POETAS



como nascem

já rimadas,

ritmadas,

alinhadas,

as palavras dos poetas?



Com olhos de deuses veêm?



Como nascem já contadas,

encantadas,

embaladas,

as palavras dos poetas?



Com alma de humanos sentem?



Como olham pra tão longe

olhar doce tão doído

tão atento

tão sofrido



As palavras dos poetas!












































SÓLO en SUEÑOS







PÉTALO A PÉTALO
LA REDONDA ROSA
DURANTE EL DÍA SE CIERRA

ENTRE EL SUEÑO Y LAS ANSIAS
EL QUERER Y LAS DUDAS
PRIMAVERA INSANA
QUE EN LAS ONDAS ME ELEVA

DESMAINADA DORMÍA

Y ACORDE AL COLORIDO
POR LA VOZ DEL POETA
MÁS ,NO SOY QUIEN ERA!

DESPIERTO ANSIOSA
EL VIENTO ALETEA LA LLAMA
SUSURRA
SUSPIRA
INQUIETA

LA POESÍA

CANTAR CHORANDO



POR MAIS QUE O SOL ME AMARGURE
JAMAIS SEREI ESPADA.
POR MAIS QUE A NUVEM ME MOLHE
SEREI PARA SEMPRE POMBA.
POR MAIS ESCURO QUE O MAR ESTEJA
SEREI SEMPRE UMA ASA BRANCA
UMA CONCHINHA NA AREIA.
AINDA QUE MORRA A LUA
EU TEIMAREI EM SONHAR
QUE BRILHA NO CÉU LUA CHEIA
NA AUSÊNCIA DO LUAR

PODE A CIDADE SUBIR
PODE CADA UM QUERER
POR CIMA DO IRMÃO PASSAR!
CONTINUAREI MINHA SAGA
DE CRESCER JUNTINHO À ERVA.


TEIMANDO CUMPRIR
AI, QUANTAS VEZES EM DOR,
A OBRIGAÇÃO DE VIVER!


MAS VIVO SORRINDO SE APRENDO
MAS VIVO CANTANDO SE POSSO
DEGUSTAR O SAL E O MEL


E OLHAR...


OLHAR LONGE...
DO CANTINHO DONDE OBSERVO
UMA JANELINHA SEM NOME
DONDE VEJO COM ENCANTO
A BELEZA AO CÉU ERGUIDA
E AQUELA QUE VAI ESCONDIDA
COM VERGONHA DE APARECER.


VIVO CANTANDO SE ESCUTO
VIVO CANTANDO SE LEIO
SEM NUNCA DEIXAR DE SER
MEU CORAÇÃO O PULSAR
MEU CORAÇÃO O OLHAR
MEU CORAÇÃO O QUERER
DE MEU AMOR



VIVO E CANTO
ESTE CHORAR CONVULSIVO
EM QUE DOLORIDA CREIO


E SIGO


... MESMO SE CANTO NO PRANTO
DE TANTO MAL SE FAZER
E SEM LHE PODER VALER!
TANTA FOME E DESAMOR


AO INVERSO DE LAMENTO
REVERTO EM CANTO O MEU CHORO


INSISTO EM SEGUIR CANTANDO.







Tal Qual


Arranco
as
pétalas
dos
lírios
roxos
que

toldavam
meus
olhos

Faço
que
outras
brancas
cresçam

e

minh' alma

deixem


sem
pena
ver

dar-me
ser


tal qual


eu
sou!

LIRA ROSA


Serei sempre tua rosa
Sem espinhos e
Sem queixume


Lira rosa
Perfumada
Muito tua
Ardente
Amada

Sendo eu fogo
E tu lume