O MOMENTO PRECISO
É preciso estar atento
À vastidão do pequeno,
À pequenez do imenso.
É preciso entendimento.
É preciso amar a flor
Muito além da sua cor,
Perpétuo ninho de amor,
Sinal de renascimento.
É preciso apreciar
Cada coisa em seu lugar
Que chorar e espairecer
É Viver
O instante preciso!
segunda-feira, abril 05, 2004
CANTAR CHORANDO
POR MAIS QUE O SOL ME AMARGURE
JAMAIS SEREI ESPADA.
POR MAIS QUE A NUVEM ME MOLHE
SEREI PARA SEMPRE POMBA.
POR MAIS ESCURO QUE O MAR ESTEJA
SEREI SEMPRE UMA ASA BRANCA
UMA CONCHINHA NA AREIA.
AINDA QUE MORRA A LUA
EU TEIMAREI EM SONHAR
QUE BRILHA NO CÉU LUA CHEIA
NA AUSÊNCIA DO LUAR
PODE A CIDADE SUBIR
PODE CADA UM QUERER
POR CIMA DO IRMÃO PASSAR!
CONTINUAREI MINHA SAGA
DE CRESCER JUNTINHO À ERVA.
TEIMANDO CUMPRIR
AI, QUANTAS VEZES EM DOR,
A OBRIGAÇÃO DE VIVER!
MAS VIVO SORRINDO SE APRENDO
MAS VIVO CANTANDO SE POSSO
DEGUSTAR O SAL E O MEL
E OLHAR...
OLHAR LONGE...
DO CANTINHO DONDE OBSERVO
UMA JANELINHA SEM NOME
DONDE VEJO COM ENCANTO
A BELEZA AO CÉU ERGUIDA
E AQUELA QUE VAI ESCONDIDA
COM VERGONHA DE APARECER.
VIVO CANTANDO SE ESCUTO
VIVO CANTANDO SE LEIO
SEM NUNCA DEIXAR DE SER
MEU CORAÇÃO O PULSAR
MEU CORAÇÃO O OLHAR
MEU CORAÇÃO O QUERER
DE MEU AMOR
VIVO E CANTO
ESTE CHORAR CONVULSIVO
EM QUE DOLORIDA CREIO
E SIGO
... MESMO SE CANTO NO PRANTO
DE TANTO MAL SE FAZER
E SEM LHE PODER VALER!
TANTA FOME E DESAMOR
AO INVERSO DE LAMENTO
REVERTO EM CANTO O MEU CHORO
INSISTO EM SEGUIR CANTANDO.
POR MAIS QUE O SOL ME AMARGURE
JAMAIS SEREI ESPADA.
POR MAIS QUE A NUVEM ME MOLHE
SEREI PARA SEMPRE POMBA.
POR MAIS ESCURO QUE O MAR ESTEJA
SEREI SEMPRE UMA ASA BRANCA
UMA CONCHINHA NA AREIA.
AINDA QUE MORRA A LUA
EU TEIMAREI EM SONHAR
QUE BRILHA NO CÉU LUA CHEIA
NA AUSÊNCIA DO LUAR
PODE A CIDADE SUBIR
PODE CADA UM QUERER
POR CIMA DO IRMÃO PASSAR!
CONTINUAREI MINHA SAGA
DE CRESCER JUNTINHO À ERVA.
TEIMANDO CUMPRIR
AI, QUANTAS VEZES EM DOR,
A OBRIGAÇÃO DE VIVER!
MAS VIVO SORRINDO SE APRENDO
MAS VIVO CANTANDO SE POSSO
DEGUSTAR O SAL E O MEL
E OLHAR...
OLHAR LONGE...
DO CANTINHO DONDE OBSERVO
UMA JANELINHA SEM NOME
DONDE VEJO COM ENCANTO
A BELEZA AO CÉU ERGUIDA
E AQUELA QUE VAI ESCONDIDA
COM VERGONHA DE APARECER.
VIVO CANTANDO SE ESCUTO
VIVO CANTANDO SE LEIO
SEM NUNCA DEIXAR DE SER
MEU CORAÇÃO O PULSAR
MEU CORAÇÃO O OLHAR
MEU CORAÇÃO O QUERER
DE MEU AMOR
VIVO E CANTO
ESTE CHORAR CONVULSIVO
EM QUE DOLORIDA CREIO
E SIGO
... MESMO SE CANTO NO PRANTO
DE TANTO MAL SE FAZER
E SEM LHE PODER VALER!
TANTA FOME E DESAMOR
AO INVERSO DE LAMENTO
REVERTO EM CANTO O MEU CHORO
INSISTO EM SEGUIR CANTANDO.
Solta de mim o Passarinho
paixão
tangente de ti
no escuro
me perco
se te não tenho
detens
o meu sorriso
suspenso
no teu silêncio
vivo na dúvida
permaneço na inverteza
calada
a voz presa
de emaranhadas
proibições
muralhas erguidas
cada vez mais altas.
É certo que o meu querer
tem asas
mas falta-me o vento
para me lançar
e sem voar
não tenho
como fabricar de nuvens
inventar de novo
este meu sorriso
moribundo
solta de mim
o passarinho
que cantava
na ventura de teu peito
nem que apenas valha
seu canto
um suave laivo
um breve sorriso
dos tantos
que entre nós voavam,
meu amado!
paixão
tangente de ti
no escuro
me perco
se te não tenho
detens
o meu sorriso
suspenso
no teu silêncio
vivo na dúvida
permaneço na inverteza
calada
a voz presa
de emaranhadas
proibições
muralhas erguidas
cada vez mais altas.
É certo que o meu querer
tem asas
mas falta-me o vento
para me lançar
e sem voar
não tenho
como fabricar de nuvens
inventar de novo
este meu sorriso
moribundo
solta de mim
o passarinho
que cantava
na ventura de teu peito
nem que apenas valha
seu canto
um suave laivo
um breve sorriso
dos tantos
que entre nós voavam,
meu amado!
UMA ROSA PARA CADA
Asilo no seu coração
As lágrimas de meus olhos
Salgadas de compaixão
Recolho do seu aroma
Bálsamo para os que vão
No seu coração de amor
Debalde tento olvidar
A feroz devastação
Homens, mulheres, crianças
Em instantes estropiados
Ante a nossa assombração!
Lisboa, 12 de Março de 2004
Asilo no seu coração
As lágrimas de meus olhos
Salgadas de compaixão
Recolho do seu aroma
Bálsamo para os que vão
No seu coração de amor
Debalde tento olvidar
A feroz devastação
Homens, mulheres, crianças
Em instantes estropiados
Ante a nossa assombração!
Lisboa, 12 de Março de 2004
Cais
Por mais que se saiba
Quanto é breve a vida
Que somos Centelhas
Flores cujas pétalas
Tremulam no tempo
Como dizer ao coração
Que se aquiete
E às lágrimas
Que se recolham
Aos salgados ninhos?!
Como deixaremos
De sofrer saudade
Daqueles que amamos?!
Olho o Imenso
E peço O conforto
De em nós aceitarmos
O cais da depedida
E a longa distância
Dos que já não vemos
Por mais que se saiba
Quanto é breve a vida
Que somos Centelhas
Flores cujas pétalas
Tremulam no tempo
Como dizer ao coração
Que se aquiete
E às lágrimas
Que se recolham
Aos salgados ninhos?!
Como deixaremos
De sofrer saudade
Daqueles que amamos?!
Olho o Imenso
E peço O conforto
De em nós aceitarmos
O cais da depedida
E a longa distância
Dos que já não vemos
AS PONTES
Vejo o sol que amanhece no céu sereno.
A terra canta em silêncio
nas margens do rio
se pontes servirem
de passagem
entre margens
que não transpostas
a ferro e fogo
em violento desafio, pela arrogância de dizer eu venço,
eu tenho, eu mando
- eu mando! - eu posso;
de nada servirão.
Que caiam inteiras.
Para que as pontes entre os que não procuram
o encontro?
Mero engano de que rio; mero engano por que choro
com as vítimas inocentes deste jogo
jogadas como peças no desumano desvario.
No horizonte envenenado de cinzento, o sol renasce entretanto
escondido, esquecido
seu ouro vivo de sempre-eterno encanto.
Vejo o sol que amanhece no céu sereno.
A terra canta em silêncio
nas margens do rio
se pontes servirem
de passagem
entre margens
que não transpostas
a ferro e fogo
em violento desafio, pela arrogância de dizer eu venço,
eu tenho, eu mando
- eu mando! - eu posso;
de nada servirão.
Que caiam inteiras.
Para que as pontes entre os que não procuram
o encontro?
Mero engano de que rio; mero engano por que choro
com as vítimas inocentes deste jogo
jogadas como peças no desumano desvario.
No horizonte envenenado de cinzento, o sol renasce entretanto
escondido, esquecido
seu ouro vivo de sempre-eterno encanto.
Frágil força
A da flor que transluzindo
Num vigor desmesurado
Rompe no frio a clausura
Da terra que a encerra
No âmago a empurra
Profunda ânsia de altura
Aonde abraça a luz pura
Gota de orvalho na beira
Da pálpebra enternecida
Na franja da madrugada
Que traga o sol que a traga
A eleva e a transmuda
Se na precária existência
Em clara vida e ternura.
A da flor que transluzindo
Num vigor desmesurado
Rompe no frio a clausura
Da terra que a encerra
No âmago a empurra
Profunda ânsia de altura
Aonde abraça a luz pura
Gota de orvalho na beira
Da pálpebra enternecida
Na franja da madrugada
Que traga o sol que a traga
A eleva e a transmuda
Se na precária existência
Em clara vida e ternura.
A ti, meus sonhos entrego
Na noite fria, aconchego
Meus sonhos acalentados
Na ausência de teus braços.
Embala-mos como se fosses
O ramo donde provenho
A raiz onde sustenho
Minha solidão, cansaços.
Que retumbem sons horrendos
Que relampejem os céus
De mil fulgores, que eu
Só na escuridão desvendo
Ninho e zelo, valimento...
A ti, meus sonhos entrego,
Embala-os nos teus braços!
Na noite fria, aconchego
Meus sonhos acalentados
Na ausência de teus braços.
Embala-mos como se fosses
O ramo donde provenho
A raiz onde sustenho
Minha solidão, cansaços.
Que retumbem sons horrendos
Que relampejem os céus
De mil fulgores, que eu
Só na escuridão desvendo
Ninho e zelo, valimento...
A ti, meus sonhos entrego,
Embala-os nos teus braços!
Desespero
Onde está a minha força,
o meu orgulho altaneiro?
Perante Ti sou cordeiro.
Sinto invadir-me inteiro
aquele estado de alma
de nada qu'rer tudo qu'rendo
Em vão, em vão, em vão...
Os braços Te estendo
sobre corpo e alma os fecho
vazios de todos, de tudo
triste, inertes os desço.
À porta bate o desespero:
renego o impulso e retomo
a ténue vereda da esperança
vagueio por entre o fumo
sigo trôpega o caminho,
aquele onde Te procuro
aquele aonde recuso
perder minha fé em tudo!
Onde está a minha força,
o meu orgulho altaneiro?
Perante Ti sou cordeiro.
Sinto invadir-me inteiro
aquele estado de alma
de nada qu'rer tudo qu'rendo
Em vão, em vão, em vão...
Os braços Te estendo
sobre corpo e alma os fecho
vazios de todos, de tudo
triste, inertes os desço.
À porta bate o desespero:
renego o impulso e retomo
a ténue vereda da esperança
vagueio por entre o fumo
sigo trôpega o caminho,
aquele onde Te procuro
aquele aonde recuso
perder minha fé em tudo!
Se bem que reluzas e eu estremeça
Húmida vela ansiosa à tua beira
Na beira te observo
Fazendo negaças com outras
Tremendo e fingindo que nem te vejo
Ris de luz para que eu veja quanto brincas
Embora aspires que te mostre o meu desejo
Afim de me levares nu imensurável mergulho
De tua volúpia que dança
Com a minha às escondidas
Dizes tanto que me queres
E lês no meu silêncio como num livro aberto
Mas eu sufoco o suspiro dentro do peito
E agarro o coração em fuga
Que deseja o ninho de teu peito aberto
Preciso que entendas que não basta
Lançar-me contigo
Num voo delicioso
E ficar depois esquecida no fundo
Coberta de algas de esquecimento.
Bem podes brincar e rir com as ninfas,
Fazendo-me negaças, provocando-me ciúme!
Ficarei a enterrar-me caladamente na areia
Aonde te espraias e exaltas
Enterrarei comigo o constante sofrimento
Até que percebas que tomar-me é beber-te
Dissolver-me contigo num só
Como dois braços num mesmo rio
Indelevelmente; como se águas na foz.
Conhece-me e entende-me.
Fita-me e abraça-me inteiramente
De corpo e alma, indissoluvelmente.
Que enfim nosso beijo se prolongue sem tempo.
Que cada poro da nossa pele esqueça a quem pertence.
Abrigar-te-ei em mim, profundamente
Sem reservas. Aberta, livre e ansiosa
Trocando carícia por carícia, inteiramente tua
Nossas águas serão enfim só uma
No âmago de minha ria, meu delta na tua deriva.
Então faz-te tempestade em altas ondas
E arrebata-me como um barco que naufraga
Sem remissão, sem saudade do azul do céu de outrora.
Do sol que lhe escapa para sempre
Pois mergulha feliz no abismo que apetece.
Não abafes meus gritos, que não sou de silêncios.
Sou como as gaivotas que gritam enquanto sobrevoam as águas
E não temem fazer ninhos que flutuam.
Explode dentro de mim bem fundo
Deixa que o rubor de meus mamilos erectos
Se desvaneça de encontro ao teu peito
No ritmo de nossos corações descompassados.
Escuta-me então ao dizer quanto te amo
Como louca que se repete, porque fala minha alma
Do fundo de sua nudez quase inconsciente.
Fiquemos unidos num longo abraço
Numa comunhão que pacifique os nossos sentidos exaltados
Até que um sono profundo nos tome e nos refaça
Para acordarmos felizes na ventura da entrega
Na retoma da batalha inefável, mútua conquista
Em que ambos somos conquistadores conquistados
Bem podes, entretanto, dizer que me queres, com olhares de soslaio
Enquanto brincas em negaças com as outras!
Ficarei tremendo ansiosa à tua beira
Até que entendas que entregar-me significa
Dissolver-me contigo numa fusão de infinito!
Húmida vela ansiosa à tua beira
Na beira te observo
Fazendo negaças com outras
Tremendo e fingindo que nem te vejo
Ris de luz para que eu veja quanto brincas
Embora aspires que te mostre o meu desejo
Afim de me levares nu imensurável mergulho
De tua volúpia que dança
Com a minha às escondidas
Dizes tanto que me queres
E lês no meu silêncio como num livro aberto
Mas eu sufoco o suspiro dentro do peito
E agarro o coração em fuga
Que deseja o ninho de teu peito aberto
Preciso que entendas que não basta
Lançar-me contigo
Num voo delicioso
E ficar depois esquecida no fundo
Coberta de algas de esquecimento.
Bem podes brincar e rir com as ninfas,
Fazendo-me negaças, provocando-me ciúme!
Ficarei a enterrar-me caladamente na areia
Aonde te espraias e exaltas
Enterrarei comigo o constante sofrimento
Até que percebas que tomar-me é beber-te
Dissolver-me contigo num só
Como dois braços num mesmo rio
Indelevelmente; como se águas na foz.
Conhece-me e entende-me.
Fita-me e abraça-me inteiramente
De corpo e alma, indissoluvelmente.
Que enfim nosso beijo se prolongue sem tempo.
Que cada poro da nossa pele esqueça a quem pertence.
Abrigar-te-ei em mim, profundamente
Sem reservas. Aberta, livre e ansiosa
Trocando carícia por carícia, inteiramente tua
Nossas águas serão enfim só uma
No âmago de minha ria, meu delta na tua deriva.
Então faz-te tempestade em altas ondas
E arrebata-me como um barco que naufraga
Sem remissão, sem saudade do azul do céu de outrora.
Do sol que lhe escapa para sempre
Pois mergulha feliz no abismo que apetece.
Não abafes meus gritos, que não sou de silêncios.
Sou como as gaivotas que gritam enquanto sobrevoam as águas
E não temem fazer ninhos que flutuam.
Explode dentro de mim bem fundo
Deixa que o rubor de meus mamilos erectos
Se desvaneça de encontro ao teu peito
No ritmo de nossos corações descompassados.
Escuta-me então ao dizer quanto te amo
Como louca que se repete, porque fala minha alma
Do fundo de sua nudez quase inconsciente.
Fiquemos unidos num longo abraço
Numa comunhão que pacifique os nossos sentidos exaltados
Até que um sono profundo nos tome e nos refaça
Para acordarmos felizes na ventura da entrega
Na retoma da batalha inefável, mútua conquista
Em que ambos somos conquistadores conquistados
Bem podes, entretanto, dizer que me queres, com olhares de soslaio
Enquanto brincas em negaças com as outras!
Ficarei tremendo ansiosa à tua beira
Até que entendas que entregar-me significa
Dissolver-me contigo numa fusão de infinito!
A minha irmã africana
Nasceu na livre savana
Foi apresentada à lua
E as estrelas, uma a uma,
Vieram beijar-lhe a testa.
Às costas da mãe, sacoleja
E tudo aprende e observa
Na pele parece que a brisa
Respira
Tropical
Pureza
De suas mãos em cadência
Bate o pilão na farinha
Sobre a cabeça levanta
O pote de água fresca
E o seu filho balança
Na alça meiga da anca
E se tiver fome, mama.
Quanta harmonia emana
De minha irmã africana
Casada com a natureza!
Nasceu na livre savana
Foi apresentada à lua
E as estrelas, uma a uma,
Vieram beijar-lhe a testa.
Às costas da mãe, sacoleja
E tudo aprende e observa
Na pele parece que a brisa
Respira
Tropical
Pureza
De suas mãos em cadência
Bate o pilão na farinha
Sobre a cabeça levanta
O pote de água fresca
E o seu filho balança
Na alça meiga da anca
E se tiver fome, mama.
Quanta harmonia emana
De minha irmã africana
Casada com a natureza!
domingo, abril 04, 2004
SOBRE VIVER
sobrevivi vendo
resistindo com mansidão
a questão não está na violência
mas na permanente
observação
e na subtileza
costumo imaginar-me
como uma gazela na savana
espertas orelhas alertas
faro e olhos despertos
se a perseguem
da meia dúzia
de valentes saltos
para que o perseguidor
desista
a seguir deita-se
na grama
camuflada
sem folego nem,
para mais um salto...
sobrevivi vendo
resistindo com mansidão
a questão não está na violência
mas na permanente
observação
e na subtileza
costumo imaginar-me
como uma gazela na savana
espertas orelhas alertas
faro e olhos despertos
se a perseguem
da meia dúzia
de valentes saltos
para que o perseguidor
desista
a seguir deita-se
na grama
camuflada
sem folego nem,
para mais um salto...
... E incessantemente, se renova!...
Amante meu,
Mar preclaro
Oiço teu longo apelo
E caminho ao encontro
O Solo poroso
Apaga-me o passo
Veeeemmmmmm
Ter comigo
Escuto-te, mar, dizendo
E vou! E vens tu
Poisar a orla no meu regaço
Ah, inebriante abraço
Como se fosse
Este mútuo mergulho
O último acto de amor
Nosso há tanto tempo
Contido
Na fímbria do desejo
De me lançar nua
No teu colo....
Quanta ventura
Sentir tua espuma
Tomar-me inteira
Adentrar-me branca
Inteira tua sereia
Fundamente inebriada
No cerne aonde
A terra acaba, o mar começa
...E incessantemente se renova!
Amante meu,
Mar preclaro
Oiço teu longo apelo
E caminho ao encontro
O Solo poroso
Apaga-me o passo
Veeeemmmmmm
Ter comigo
Escuto-te, mar, dizendo
E vou! E vens tu
Poisar a orla no meu regaço
Ah, inebriante abraço
Como se fosse
Este mútuo mergulho
O último acto de amor
Nosso há tanto tempo
Contido
Na fímbria do desejo
De me lançar nua
No teu colo....
Quanta ventura
Sentir tua espuma
Tomar-me inteira
Adentrar-me branca
Inteira tua sereia
Fundamente inebriada
No cerne aonde
A terra acaba, o mar começa
...E incessantemente se renova!
INSTANTE
Escuto... talvez seja o vento
na voz do poeta cantando
talvez seja o vento passando
nesta tarde de setembro
....e o Tejo além me acenando:
anda, o dia está lindo...
anda, a navegar comigo!
Mas a chama que me anima
habituada à lareira
sossegada de minh' alma
estremece por um momento
eleva-se em mudo encanto
e logo, discreta brasa,
no meu coração se aninha!
Escuto... talvez seja o vento
na voz do poeta cantando
talvez seja o vento passando
nesta tarde de setembro
....e o Tejo além me acenando:
anda, o dia está lindo...
anda, a navegar comigo!
Mas a chama que me anima
habituada à lareira
sossegada de minh' alma
estremece por um momento
eleva-se em mudo encanto
e logo, discreta brasa,
no meu coração se aninha!
Não me digam "Boas Festas"
Não, não vivo de brincar!
Não, não brinco de viver!
Não, não me seduzem bolas douradas
Penduradas em árvores condenadas!
Lembram-me a fome na guerra.
Lembram-se milhares de crianças
Sem remédios, comida nem roupa.
Lembram-me feridas abertas pelas balas,
Os corpos explodidos pelas bombas.
Não, não me ofereçam prendas!
Ofereçam-me soluções genuínas.
Ofereçam-me antes caminhos
Que me não levem retrocedendo
Com os meus irmãos de berço.
Não quero festas, estou de luto!
Meu coração jaz em pranto;
Olho e estremeço de medo.
Não por mim, que habituada
Ao negrume desta vida
Vejo perto o fim da estrada
Mas por quanto é vindouro
E nada posso, nem deixo
Que prevista o seu destino
Ser bem melhor do que o nosso.
Sinto-me culpada enquanto
Parte indivisa do todo,
Ergo minha voz bem alto,
Mas soa frágil meu canto!
Canto, mesmo se chorando
Por todos os Natais que passo
Sem alegria... mas canto!
Porque o Menino nasceu
E a sua vida ofereceu
E à morte se entregou
Pelo inverso disto tudo:
Tanto fausto e tanto luxo!
Não, não me falem de festas,
Soam falso, brilham tanto
Como brilham altas as chamas
Verdadeiras, em que queimam
As nossas vidas goradas.
Dêem-me um Natal de esperanças!
Dêem-me Natais sem guerras!
Não me digam: boas festas...
Quais festas, se estamos todos
Beirando a orla do abismo?!
Ainda a tempo de evitá-lo
Mas para isso, há que olhá-lo,
E não passar distraído,
Olhando o desfilar lindo
De tanto, e tão falso brilho!
Não, não vivo de brincar!
Não, não brinco de viver!
Não, não me seduzem bolas douradas
Penduradas em árvores condenadas!
Lembram-me a fome na guerra.
Lembram-se milhares de crianças
Sem remédios, comida nem roupa.
Lembram-me feridas abertas pelas balas,
Os corpos explodidos pelas bombas.
Não, não me ofereçam prendas!
Ofereçam-me soluções genuínas.
Ofereçam-me antes caminhos
Que me não levem retrocedendo
Com os meus irmãos de berço.
Não quero festas, estou de luto!
Meu coração jaz em pranto;
Olho e estremeço de medo.
Não por mim, que habituada
Ao negrume desta vida
Vejo perto o fim da estrada
Mas por quanto é vindouro
E nada posso, nem deixo
Que prevista o seu destino
Ser bem melhor do que o nosso.
Sinto-me culpada enquanto
Parte indivisa do todo,
Ergo minha voz bem alto,
Mas soa frágil meu canto!
Canto, mesmo se chorando
Por todos os Natais que passo
Sem alegria... mas canto!
Porque o Menino nasceu
E a sua vida ofereceu
E à morte se entregou
Pelo inverso disto tudo:
Tanto fausto e tanto luxo!
Não, não me falem de festas,
Soam falso, brilham tanto
Como brilham altas as chamas
Verdadeiras, em que queimam
As nossas vidas goradas.
Dêem-me um Natal de esperanças!
Dêem-me Natais sem guerras!
Não me digam: boas festas...
Quais festas, se estamos todos
Beirando a orla do abismo?!
Ainda a tempo de evitá-lo
Mas para isso, há que olhá-lo,
E não passar distraído,
Olhando o desfilar lindo
De tanto, e tão falso brilho!
MÃE
Mãe,
De onde te veio esse sorriso
Na precaridade e no sofrimento?
Com que olhares me criavas?
Que de mim esperarias?
De onde a força que levavas
Na vida-breve, tormento?
Como pudeste prosseguir sabendo
Que nada além de maior dor te esperava,
Que nunca me criarias, como dizias,
e eu sabia que sabias?
Tanto lias... mas porque bordavas
E como Penélope tecias infinitas rendas
Por um Ulisses que não merecia as prendas
Dessas mãos imaculadas
Tão finas, de unhas cuidadas,
Mãos de menina que eras,
Que menina findarias?
Olhando o teu olhar estremeço
De orgulho e se me vejo no espelho
No meu olhar vejo o nosso
Mãe coragem, atravesso
As altas chamas do mundo
E como tu vou cantando
O Fado que, nos calhando,
Na nossa voz reconheço,
E de coragem recobro
Do pouco de ti que lembro
Vamos, na vida e na morte, sorrindo!
Para minha mãe, Alice de Jesus Gouveia Petronilho, 1932-1958
Mãe,
De onde te veio esse sorriso
Na precaridade e no sofrimento?
Com que olhares me criavas?
Que de mim esperarias?
De onde a força que levavas
Na vida-breve, tormento?
Como pudeste prosseguir sabendo
Que nada além de maior dor te esperava,
Que nunca me criarias, como dizias,
e eu sabia que sabias?
Tanto lias... mas porque bordavas
E como Penélope tecias infinitas rendas
Por um Ulisses que não merecia as prendas
Dessas mãos imaculadas
Tão finas, de unhas cuidadas,
Mãos de menina que eras,
Que menina findarias?
Olhando o teu olhar estremeço
De orgulho e se me vejo no espelho
No meu olhar vejo o nosso
Mãe coragem, atravesso
As altas chamas do mundo
E como tu vou cantando
O Fado que, nos calhando,
Na nossa voz reconheço,
E de coragem recobro
Do pouco de ti que lembro
Vamos, na vida e na morte, sorrindo!
Para minha mãe, Alice de Jesus Gouveia Petronilho, 1932-1958
O eco é a sombra do som
O eco é a sombra do som
porém as palavras são as cantigas da luz
volteiam e brilham
em todas as cores do arco íris
acariciam os nossos sentidos
abençoam as nossas almas
se as penetram, fecundas
como chuva no solo;
como o pólen se transporta invisível
no vento que passa
se outra flor encontram no caminho
acontecem doces e suculentos frutos
que produzirão semente, se forem sãos
e todo o ciclo recomeça!
O eco é a sombra do som
porém as palavras são as cantigas da luz
volteiam e brilham
em todas as cores do arco íris
acariciam os nossos sentidos
abençoam as nossas almas
se as penetram, fecundas
como chuva no solo;
como o pólen se transporta invisível
no vento que passa
se outra flor encontram no caminho
acontecem doces e suculentos frutos
que produzirão semente, se forem sãos
e todo o ciclo recomeça!
Flor na Neve
Aqui o silêncio
É a solidão materializada
A bater as asas transparentes
Pelas paredes negras.
Aqui o presente
É este esperar desesperado
É este roer no meu peito
É esta gota a deslizar-me dos olhos.
Aqui a esperança
É como uma flor da neve
Que brota da capa de gelo
E persiste apesar do vento.
Aqui o silêncio
É a solidão materializada
A bater as asas transparentes
Pelas paredes negras.
Aqui o presente
É este esperar desesperado
É este roer no meu peito
É esta gota a deslizar-me dos olhos.
Aqui a esperança
É como uma flor da neve
Que brota da capa de gelo
E persiste apesar do vento.
Tentando reencontrar-me
percorro um a um
todos os caminhos antes percorridos
tantos escolhos tantos espinhos
suponho deveriam meus pés
acostumados a nenhuns desvelos
incólumes percorrê-los
Mas não!
é vão pensar-se
que existam antídotos fabricados
de sofrimentos passados
erro num ermo eterno
mas vou (talvez no engano)
desesperado de vir a ver a luz
o branco nenúfar a clara
fulgurante mágica verdade
de que se faz minha ideia
ávida de bonança.
percorro um a um
todos os caminhos antes percorridos
tantos escolhos tantos espinhos
suponho deveriam meus pés
acostumados a nenhuns desvelos
incólumes percorrê-los
Mas não!
é vão pensar-se
que existam antídotos fabricados
de sofrimentos passados
erro num ermo eterno
mas vou (talvez no engano)
desesperado de vir a ver a luz
o branco nenúfar a clara
fulgurante mágica verdade
de que se faz minha ideia
ávida de bonança.
A lágrima se faz sorriso
(português/francês)
Às vezes
Basta um gesto
Um olhar
Subentendido
Uma palavra
De consolo
Um aceno
De carinho
Partilhemos o caminho!
La larme se fait souris
Parfois
Un geste sufit
Un regard
Sus-entendu
Une main
Sur l’épaule
Une simple
Parole
Un signe
Doux
Partageons le chemin!
(português/francês)
Às vezes
Basta um gesto
Um olhar
Subentendido
Uma palavra
De consolo
Um aceno
De carinho
Partilhemos o caminho!
La larme se fait souris
Parfois
Un geste sufit
Un regard
Sus-entendu
Une main
Sur l’épaule
Une simple
Parole
Un signe
Doux
Partageons le chemin!
sabor de mim
Plínio Sgarbi
me entrego cru
inteiro e nu
sinto-me teu
para os prazeres
sabores sem fim
por um vão do teu corpo
aonde costumo deixar
ficam amores de mim
*** Versão para francês de Maria Petronilho ***
Mon Goût
Plynio Sgarbi
Je me rens dur
Intiérement nu
Je me rends à toi
Pour savourer à la fin
Tous les plaisirs
Pour un creux de ton corps
Oú j'ai l'habitude de laisser
Au bout mes amours
Plínio Sgarbi
me entrego cru
inteiro e nu
sinto-me teu
para os prazeres
sabores sem fim
por um vão do teu corpo
aonde costumo deixar
ficam amores de mim
*** Versão para francês de Maria Petronilho ***
Mon Goût
Plynio Sgarbi
Je me rens dur
Intiérement nu
Je me rends à toi
Pour savourer à la fin
Tous les plaisirs
Pour un creux de ton corps
Oú j'ai l'habitude de laisser
Au bout mes amours
domingo, fevereiro 15, 2004
Natal em todo o mundo!
O fruto
trazia em si
a esperança:
mais tarde, quando crescesse....
O invólucro do fruto
era a mulher
jovem e magra
esquelética mesmo,
de ventre enorme
e faces encovadas
pela
subalimentação
seus membros
eram cabos frágeis
simplesmente
cobertos
de pele lisa
porque ela era jovem
e o fruto
viu a luz do dia
fenómeno estranho
que apenas o tocou
por escassos meses:
Leite,
a mãe não o tinha
... já nenhuma mãe o tinha!
Experimentaram dar-lhe ervas,
experimentaram dar-lhe terra,
mas foi a terra que o quiz.
Com o filho
foi-se a esperança
num grito de dor
sufocado.
E a mãe
não mais comeu ervas
e a mãe
não mais comeu terra,
foi a terra que a comeu!
Este poema foi escrito aquando das guerras e fomes do Biafra,
mas agora como então morrem milhares de cianças pela guerra e de fome,
seja
Natal, em todo o mundo!
O fruto
trazia em si
a esperança:
mais tarde, quando crescesse....
O invólucro do fruto
era a mulher
jovem e magra
esquelética mesmo,
de ventre enorme
e faces encovadas
pela
subalimentação
seus membros
eram cabos frágeis
simplesmente
cobertos
de pele lisa
porque ela era jovem
e o fruto
viu a luz do dia
fenómeno estranho
que apenas o tocou
por escassos meses:
Leite,
a mãe não o tinha
... já nenhuma mãe o tinha!
Experimentaram dar-lhe ervas,
experimentaram dar-lhe terra,
mas foi a terra que o quiz.
Com o filho
foi-se a esperança
num grito de dor
sufocado.
E a mãe
não mais comeu ervas
e a mãe
não mais comeu terra,
foi a terra que a comeu!
Este poema foi escrito aquando das guerras e fomes do Biafra,
mas agora como então morrem milhares de cianças pela guerra e de fome,
seja
Natal, em todo o mundo!
CANÇÃO DE NATAL
É NATAL
O MUNDO ROLA
E EU ROLO
ENRODILHADA
SÓ O SONHO
ME CONSOLA
VAGAMENTE
MINHA VIDA
ÁGUA CAI
RIBEIRA
QUE VAGUEIA
AOS TOMBOS
DE PEDRA EM PEDRA
FLOR NACARADA
QUE EU ERA
QUEBRO-ME
PÉTALA A PÉTALA
SUAVEMENTE
NA TERRA
LÁGRIMA A LÁGRIMA
NESTE MAR
TANTO
QUE ME TOMA
E SE EVOLA
GOTA A GOTA
SEREI BREVE
NUVEM BRANCA
QUE IMPORTA
SE
LÁ FORA
CHAMA
RUBRA VIDA
ROLO
PÉROLA PERDIDA
DE TODOS OS COLARES
À DERIVA
MINHA SAGA
SOLITÁRIA
NO ENCONTRO
DE
MIM MESMA
É NATAL
O MUNDO ROLA
E EU ROLO
ENRODILHADA
SÓ O SONHO
ME CONSOLA
VAGAMENTE
MINHA VIDA
ÁGUA CAI
RIBEIRA
QUE VAGUEIA
AOS TOMBOS
DE PEDRA EM PEDRA
FLOR NACARADA
QUE EU ERA
QUEBRO-ME
PÉTALA A PÉTALA
SUAVEMENTE
NA TERRA
LÁGRIMA A LÁGRIMA
NESTE MAR
TANTO
QUE ME TOMA
E SE EVOLA
GOTA A GOTA
SEREI BREVE
NUVEM BRANCA
QUE IMPORTA
SE
LÁ FORA
CHAMA
RUBRA VIDA
ROLO
PÉROLA PERDIDA
DE TODOS OS COLARES
À DERIVA
MINHA SAGA
SOLITÁRIA
NO ENCONTRO
DE
MIM MESMA
QUE ME DIZES DO MEL?
Ó ABELHA DOURADA
QUE ME DIZES
DO MEL?
QUE É DE FLOR
QUE É DE AZUL
QUE É DE CÉU
DA BOCA
QUE É DE CARIINHO
MORNO VENTO
FLORES
POLÉM
POEIRA DA MANHÃ
ONDE BUSCAS
TEU NÉCTAR
PARA MIM
FRUTO
ESPERANÇA
DE FLOR
QUE SORRI
CADA ÁRVORE
É CONTIDA
NO
GÉRMEN
DA SEMENTE
PEQUENINA
AH DOURADA
ABELHA
TRÁZ-ME
A BREVE DOÇURA
DE AMAR
BREVE
A VIDA
QUE DORME
EM MIM
RECOLHIDA
ASA
QUE NO SONHO
PAIRA
DE ALGUÉM
À PROCURA
Ó ABELHA DOURADA
QUE ME DIZES
DO MEL?
QUE É DE FLOR
QUE É DE AZUL
QUE É DE CÉU
DA BOCA
QUE É DE CARIINHO
MORNO VENTO
FLORES
POLÉM
POEIRA DA MANHÃ
ONDE BUSCAS
TEU NÉCTAR
PARA MIM
FRUTO
ESPERANÇA
DE FLOR
QUE SORRI
CADA ÁRVORE
É CONTIDA
NO
GÉRMEN
DA SEMENTE
PEQUENINA
AH DOURADA
ABELHA
TRÁZ-ME
A BREVE DOÇURA
DE AMAR
BREVE
A VIDA
QUE DORME
EM MIM
RECOLHIDA
ASA
QUE NO SONHO
PAIRA
DE ALGUÉM
À PROCURA
CANSADO SORRISO
SIM,
RECONHEÇO A CORAGEM
DE ATRAVESSAR
DESERTOS
OCEANOS
SEM TENDAS
SEM EQUIPAGEM
SEM NAVIOS
NÚS OS MEUS PÉS PEQUENINOS
IGNORANDO
O ROÇAGAR
DAS ESCAMAS
DAS COBRAS ENTRELAÇADAS
ESPINHEIROS
ERIÇADOS
GARRAS
TANTAS LANÇAS
APONTADAS
AO MEU PEITO NU
INERME
MINHA BOCA
NEGANDO A ÁGUA OFERECIDA
POR TANTOS RIOS SEM NOME
E EU SECA DE SEDE
SEGUIA
E EU MORTA DE FOME
NEGAVA
E EU MORTA DE FRIO
NÃO ME DEITAVA
DESCANÇANDO
AO SOL ALHEIO
PROSSIGO
COMIGO-MESMA
O DOLOROSO
CLARO CAMINHO
DA MINHA PAZ
SOLIDÃO
CANSADO SORRISO
SIM
RECONHEÇO...
SIM,
RECONHEÇO A CORAGEM
DE ATRAVESSAR
DESERTOS
OCEANOS
SEM TENDAS
SEM EQUIPAGEM
SEM NAVIOS
NÚS OS MEUS PÉS PEQUENINOS
IGNORANDO
O ROÇAGAR
DAS ESCAMAS
DAS COBRAS ENTRELAÇADAS
ESPINHEIROS
ERIÇADOS
GARRAS
TANTAS LANÇAS
APONTADAS
AO MEU PEITO NU
INERME
MINHA BOCA
NEGANDO A ÁGUA OFERECIDA
POR TANTOS RIOS SEM NOME
E EU SECA DE SEDE
SEGUIA
E EU MORTA DE FOME
NEGAVA
E EU MORTA DE FRIO
NÃO ME DEITAVA
DESCANÇANDO
AO SOL ALHEIO
PROSSIGO
COMIGO-MESMA
O DOLOROSO
CLARO CAMINHO
DA MINHA PAZ
SOLIDÃO
CANSADO SORRISO
SIM
RECONHEÇO...
THE SHOW MUST GO ON
CERVANTES:
EIS-ME
TEU OUTRO
D. QUIXOTE
MAS VOU NA LUTA
SOZINHA E NUA
NEHUM ROCINANTE ME AJUDA
NENHUM SANCHO ME ACOMPANHA
LEVO MINHA LANÇA ROMBA
NOINHOS DESABAM
NAS
GIGANTESCAS
VENTANIAS
FAÇO QUANTO POSSO
E VEJO
QUANTO NECESSITO
MAS NÃO MAIS
POSSO
QUE VER
E SOFRER
DESENCANTO
A FORÇA
À VONTADE SE NEGA
E BERRA O CONTRA REGRA:
FORA DE CENA QUEM NÃO É DE CENA!
THE SHOW MUST GO ON!
CERVANTES:
EIS-ME
TEU OUTRO
D. QUIXOTE
MAS VOU NA LUTA
SOZINHA E NUA
NEHUM ROCINANTE ME AJUDA
NENHUM SANCHO ME ACOMPANHA
LEVO MINHA LANÇA ROMBA
NOINHOS DESABAM
NAS
GIGANTESCAS
VENTANIAS
FAÇO QUANTO POSSO
E VEJO
QUANTO NECESSITO
MAS NÃO MAIS
POSSO
QUE VER
E SOFRER
DESENCANTO
A FORÇA
À VONTADE SE NEGA
E BERRA O CONTRA REGRA:
FORA DE CENA QUEM NÃO É DE CENA!
THE SHOW MUST GO ON!
DESERTOS
A MINHA VIDA
É FEITA
DE DESERTOS
LEVO A BOCA SECA
OS LÁBIOS GRETADOS
DE TANTOS GRITOS
OIÇO AO LONGE
UM RIO
VEJO AO LONGE
A LUZ
IRISADA
DAS GOTAS DE ÁGUA
QUE
SALTITAM E BRINCAM
ENTRE BRANCOS SEIXOS
PORQUE
HÁ TANTO CAMINHO
E NUNCA MAIS CHEGO?!
QUEM
ME IMPEDE
DE CHEGAR AO OÁSIS
QUE BRILHA
RESPONDE AO APELO
ME APELA?
NO SILÊNCIO
IMENSOS
NOS DESERTOS,
MEUS OLHOS
ABERTOS
A MINHA VIDA
É FEITA
DE DESERTOS
LEVO A BOCA SECA
OS LÁBIOS GRETADOS
DE TANTOS GRITOS
OIÇO AO LONGE
UM RIO
VEJO AO LONGE
A LUZ
IRISADA
DAS GOTAS DE ÁGUA
QUE
SALTITAM E BRINCAM
ENTRE BRANCOS SEIXOS
PORQUE
HÁ TANTO CAMINHO
E NUNCA MAIS CHEGO?!
QUEM
ME IMPEDE
DE CHEGAR AO OÁSIS
QUE BRILHA
RESPONDE AO APELO
ME APELA?
NO SILÊNCIO
IMENSOS
NOS DESERTOS,
MEUS OLHOS
ABERTOS
ah a facada
sempre espetada
gume ao alto
erguida
dos punhos de renda
os dentes
a remoer
golpes sem fim
na mesma
ferida
o chilique da senhora
na hora na certa
cai no sofá de pele
geme e rebola
o carrasco
treme
numa facada
de pena
uma e outra vez
lhe acerta
com tanta
pena
se levanta
a cabeça
logo lha afoga
que pena
Há que dar o
status
de família bem
posta
e lá vão
de rojo
saem da porta
do palácio
de barro
com carros reluzindo
da porta da oficina
que im-porta
que
importa
e vão de
amarelo
mas o sorriso
que se lhes veja
apontada as costelas
de tanto
medo,
a faca
presente
mas escondida
e viva a pobreza
ó culta
ó podre de velha
burguesia!
ai de quem veja!
ai do que pena
ai do que se deixa
ficar no sofoco de uns spunhos de renda
com uma faca calada
sob un punhos
de renda
roxa
sempre espetada
gume ao alto
erguida
dos punhos de renda
os dentes
a remoer
golpes sem fim
na mesma
ferida
o chilique da senhora
na hora na certa
cai no sofá de pele
geme e rebola
o carrasco
treme
numa facada
de pena
uma e outra vez
lhe acerta
com tanta
pena
se levanta
a cabeça
logo lha afoga
que pena
Há que dar o
status
de família bem
posta
e lá vão
de rojo
saem da porta
do palácio
de barro
com carros reluzindo
da porta da oficina
que im-porta
que
importa
e vão de
amarelo
mas o sorriso
que se lhes veja
apontada as costelas
de tanto
medo,
a faca
presente
mas escondida
e viva a pobreza
ó culta
ó podre de velha
burguesia!
ai de quem veja!
ai do que pena
ai do que se deixa
ficar no sofoco de uns spunhos de renda
com uma faca calada
sob un punhos
de renda
roxa
É O SONHO QUE NOS LEVA
Volatilizo-me
No éter etéreo
Pairo
Como orvalho
A partida
Aguardo!
Nem venham
Falar-me
De barreiras
Nem da inconveniência
De me encontrar
Dispersa
Suspensa
Em minúsculas
Gotículas
De brevidade!
Não conheço
Paredes
Fronteiras
Cadeados
Ou telhas
Pairo
Em nuvens
Que me semeiam
Indistintos
os
Pomares
Cerejeiras
Oliveiras
Laranjeiras
Não conheço
As cores
Mas os aromas
No ar vamos
Do ar somos
Tão longe
Da realidade
Crua
Tão perto
Da negra
terra!
Cessem
vãs ilusões
Aqueles
Que se acham
Correctos
Infalíveis
Seguros
Hoje
Ainda
e
Sempre
Deus queira
É
o sonho
Que nos leva!
Volatilizo-me
No éter etéreo
Pairo
Como orvalho
A partida
Aguardo!
Nem venham
Falar-me
De barreiras
Nem da inconveniência
De me encontrar
Dispersa
Suspensa
Em minúsculas
Gotículas
De brevidade!
Não conheço
Paredes
Fronteiras
Cadeados
Ou telhas
Pairo
Em nuvens
Que me semeiam
Indistintos
os
Pomares
Cerejeiras
Oliveiras
Laranjeiras
Não conheço
As cores
Mas os aromas
No ar vamos
Do ar somos
Tão longe
Da realidade
Crua
Tão perto
Da negra
terra!
Cessem
vãs ilusões
Aqueles
Que se acham
Correctos
Infalíveis
Seguros
Hoje
Ainda
e
Sempre
Deus queira
É
o sonho
Que nos leva!
noite de natal
SOB A ABÓBADA FRIA
DE UMA NOITE DE LUZ
FOI QUE, DA VIRGEM MARIA
NASCEU O MENINO, JESUS.
OS ANJOS CANTANDO LOUVORES
FORAM AVISAR OS PASTORES
DE QUE ALGURES EM Belém
JESUS NASCIA PRÓ NOSSO BEM
E UMA ESTRELA DIFERENTE
NASCIA NO ORIENTE
P'RA QUE OS MAGOS PELA SUA LUZ
CORRESSEM A ADORAR Jesus
É A ESSA NOITE LINDA
ESSA NOITE SEM IGUAL
QUE CHAMAMOS TERNAMENTE
A NOITE DE NATAL
SOB A ABÓBADA FRIA
DE UMA NOITE DE LUZ
FOI QUE, DA VIRGEM MARIA
NASCEU O MENINO, JESUS.
OS ANJOS CANTANDO LOUVORES
FORAM AVISAR OS PASTORES
DE QUE ALGURES EM Belém
JESUS NASCIA PRÓ NOSSO BEM
E UMA ESTRELA DIFERENTE
NASCIA NO ORIENTE
P'RA QUE OS MAGOS PELA SUA LUZ
CORRESSEM A ADORAR Jesus
É A ESSA NOITE LINDA
ESSA NOITE SEM IGUAL
QUE CHAMAMOS TERNAMENTE
A NOITE DE NATAL
Memórias
Mãe, de ti sei aquele dia
que andavas de robe e camisa
na entrada da cozinha
... p'ra onde dava a cozinha?...
e eu era pequenina
e andava bem vestida
a brincar no chão
com a única fotografia
em que a minha mãe se ria
e parecia
uma deusa, fada... linda!
fiz-lhe um rasgão
machuquei-a,
sentindo em pressentir
que era errado o que fazia
- mas a minha mãe deixava!
Não estava triste, nem ria
- tão raramente se ria!
olhei sob a sua saia
em inconsciente certeza
não entendia o que via
mas senti que não devia
- Mas minha mãe não ralhara!
Cirandava, andava ainda,
e era uma rapariga
Que idade teria?
Que idade teria?!
Estava como que alheia
... e eu chorei toda a vida
aquela fotografia
- minha mãe, não se ralara!
Mãe, de ti sei aquele dia
que andavas de robe e camisa
na entrada da cozinha
... p'ra onde dava a cozinha?...
e eu era pequenina
e andava bem vestida
a brincar no chão
com a única fotografia
em que a minha mãe se ria
e parecia
uma deusa, fada... linda!
fiz-lhe um rasgão
machuquei-a,
sentindo em pressentir
que era errado o que fazia
- mas a minha mãe deixava!
Não estava triste, nem ria
- tão raramente se ria!
olhei sob a sua saia
em inconsciente certeza
não entendia o que via
mas senti que não devia
- Mas minha mãe não ralhara!
Cirandava, andava ainda,
e era uma rapariga
Que idade teria?
Que idade teria?!
Estava como que alheia
... e eu chorei toda a vida
aquela fotografia
- minha mãe, não se ralara!
Pororoca
vou navegar, agora, no Tejo,
e, depois, me aventurar no mar.
ambas as águas eu agora vejo
nas lágrimas do Teu olhar.
não posso mais voltar atrás
na minha decisão em partir.
o Amor tem vazio seu carcás,
somente Lhe resta carpir.
azíago é o Fado dos Amantes
quando a inveja usurpa o cetro.
rubis não podem ser diamantes
nem é belo o que é tetro.
as águas se me enroscam em maçaroca
mas a Tua Voz me diz que é pororoca.
.........
Moacir et Selena 2002
brilhe a vossa LUZ!
PS: no sul do Brasil, Tejo diz-se Têjo.
.......
Bergantim
quero ir também
não serás tu, rio
aquele o que me detém!
preciso do outro lá longe
que vejo além
provei-o
e sabe às lagrimas
de minha mãe
quero fugir, querio ir daqui
num barco qualquer
talvez num bergantim
e se me ofogar
em olhos nenhuns vejo
saudade maior que estas
do Tejo
tenho muito frio
eu quero partir
dizem que do mar
ao fundo
existe um jardiam
com suaves relvas
e campo tamanho
onde aves e flores
se dão
todo o ano
eis que o Natal chega
que faço eu aqui
onde estou sozinha?
quero ir para aí!
vou navegar, agora, no Tejo,
e, depois, me aventurar no mar.
ambas as águas eu agora vejo
nas lágrimas do Teu olhar.
não posso mais voltar atrás
na minha decisão em partir.
o Amor tem vazio seu carcás,
somente Lhe resta carpir.
azíago é o Fado dos Amantes
quando a inveja usurpa o cetro.
rubis não podem ser diamantes
nem é belo o que é tetro.
as águas se me enroscam em maçaroca
mas a Tua Voz me diz que é pororoca.
.........
Moacir et Selena 2002
brilhe a vossa LUZ!
PS: no sul do Brasil, Tejo diz-se Têjo.
.......
Bergantim
quero ir também
não serás tu, rio
aquele o que me detém!
preciso do outro lá longe
que vejo além
provei-o
e sabe às lagrimas
de minha mãe
quero fugir, querio ir daqui
num barco qualquer
talvez num bergantim
e se me ofogar
em olhos nenhuns vejo
saudade maior que estas
do Tejo
tenho muito frio
eu quero partir
dizem que do mar
ao fundo
existe um jardiam
com suaves relvas
e campo tamanho
onde aves e flores
se dão
todo o ano
eis que o Natal chega
que faço eu aqui
onde estou sozinha?
quero ir para aí!
ROXOS LÍRIOS
Com que direito
enches meus olhos
de roxos lírios?
outono de meus dias
porque destróis
assim primaveras?
Porque suspendes
a minha alma
de tuas palavras?
Porque semeias
tantas papoilas
em minhas cearas?
Porque me cantas
e se me encantas
tão só me deixas?
Porque vieste
e me tomaste
se me não querias?
Onde o carinho
que só desejo
e prometias'
Com que direito
enches meus olhos
de roxos lírios?
outono de meus dias
porque destróis
assim primaveras?
Porque suspendes
a minha alma
de tuas palavras?
Porque semeias
tantas papoilas
em minhas cearas?
Porque me cantas
e se me encantas
tão só me deixas?
Porque vieste
e me tomaste
se me não querias?
Onde o carinho
que só desejo
e prometias'
Nús ao Vento
Agora
Passamos às vezes
pelas veredas fechadas
em busca de outros tempos.
Pegamos nossos sorrisos
e alongamos os braços
Para tentar que eles voem
por cima dos muros negros
para os campos
além das montanhas
vermelhas e azuis
onde a aurora nasce.
As nossas vozes sussurram
como se fossemos pássaros
pressentindo
o acordar das serpentes
Agora
Passamos às vezes
pelas veredas fechadas
em busca de outros tempos.
Pegamos nossos sorrisos
e alongamos os braços
Para tentar que eles voem
por cima dos muros negros
para os campos
além das montanhas
vermelhas e azuis
onde a aurora nasce.
As nossas vozes sussurram
como se fossemos pássaros
pressentindo
o acordar das serpentes
MEU SONHO SER
Haja o que houver
seguirei igual a mim-mesma:
Figura de proa ao vento e ao sol,
aguentarei no rosto o sal do mar
serei autêntica
única
livre como o vento
que me faz oscilar
e avançar mar dentro
que refresca minha alma
e a mantém límpida.
De outra forma
eu não seria.
Amo o brilho da manhã
o sol a bater na janela
o reflexo no espelho d'água
o ar leve, a mente leve, o riso...
Rir que nem uma criança ri!
Olhar o meu sorriso e vê-lo
doce, para além de toda a
amargura
da má-sorte, sei lá
e continuar a acreditar.
Meu sonho ser.
Haja o que houver
seguirei igual a mim-mesma:
Figura de proa ao vento e ao sol,
aguentarei no rosto o sal do mar
serei autêntica
única
livre como o vento
que me faz oscilar
e avançar mar dentro
que refresca minha alma
e a mantém límpida.
De outra forma
eu não seria.
Amo o brilho da manhã
o sol a bater na janela
o reflexo no espelho d'água
o ar leve, a mente leve, o riso...
Rir que nem uma criança ri!
Olhar o meu sorriso e vê-lo
doce, para além de toda a
amargura
da má-sorte, sei lá
e continuar a acreditar.
Meu sonho ser.
Dia-a-Dia
dentem-se em marasmo o barco
da esperança que amanhecia
que vai cedendo
e balança
na opaca desventura
horizonte de negrura
cresce ameaça e avança
fala-se à boca pequena
aperta-nos a garganta
a garra impune
que rouba
o pão nosso
que nos falta
Vale-nos
crer ainda
mudar este mar da vida
em verde lavra
seara
em novas ondas
de espr'ança
novos tempos
de mudança
novas marés
de ventura
dentem-se em marasmo o barco
da esperança que amanhecia
que vai cedendo
e balança
na opaca desventura
horizonte de negrura
cresce ameaça e avança
fala-se à boca pequena
aperta-nos a garganta
a garra impune
que rouba
o pão nosso
que nos falta
Vale-nos
crer ainda
mudar este mar da vida
em verde lavra
seara
em novas ondas
de espr'ança
novos tempos
de mudança
novas marés
de ventura
Lamento
Não esqueças a minha ternura
feita poeira
chita esgarçada
no fulgor de teus dias
se bem eu seja
uma figura apagada
etérea
que vive
atrás de uma incógnita janela,
não colecciones as minhas lágrimas
no bolso da tua camisa
nada farão crescer senão a angústia
no lugar da paixão
que
de nossos corações se eleva
se em comunhão
na ideia
no carinho
na palavra alada
distante
que nos dá a ilusão de acordarmos
com a mesma aurora
de olharmos o mesmo sol,
eu dentro de mim prisioneira
e tu vogando ao sabor do que te convier
te for
talvez possível.
Onde os poemas derramados
de doçura
que me cantaste
em que me cantavas
onde apaixonadamente me enlevavas
no som da tua procura?
Não me deixes afogada no silêncio
no humilde silêncio de ser
ocasião fortuita de prazer
a poeta triste
que sendo tua
não mais que tua fugaz atenção
necessita!
Não esqueças a minha ternura
feita poeira
chita esgarçada
no fulgor de teus dias
se bem eu seja
uma figura apagada
etérea
que vive
atrás de uma incógnita janela,
não colecciones as minhas lágrimas
no bolso da tua camisa
nada farão crescer senão a angústia
no lugar da paixão
que
de nossos corações se eleva
se em comunhão
na ideia
no carinho
na palavra alada
distante
que nos dá a ilusão de acordarmos
com a mesma aurora
de olharmos o mesmo sol,
eu dentro de mim prisioneira
e tu vogando ao sabor do que te convier
te for
talvez possível.
Onde os poemas derramados
de doçura
que me cantaste
em que me cantavas
onde apaixonadamente me enlevavas
no som da tua procura?
Não me deixes afogada no silêncio
no humilde silêncio de ser
ocasião fortuita de prazer
a poeta triste
que sendo tua
não mais que tua fugaz atenção
necessita!
Negro Mar
sobre o verde mar
que o roxo ocaso espelha
invisível à mágoa humana
a estrela vénus brilha
vénus não nota
a tristeza
desse negro mar vogando
tanta vida se perdendo
tanto óleo derramado
a lua encobriu ser rosto
chora com a terra o desgosto
inconsciência do mundo
também o meu coração
nesse mar vai à deriva
em sangue
tristeza viva
prdida sem remissão!
Ref: Maré negra após o naufrágio do Petroleiro Prestige - 5/12/2002
sobre o verde mar
que o roxo ocaso espelha
invisível à mágoa humana
a estrela vénus brilha
vénus não nota
a tristeza
desse negro mar vogando
tanta vida se perdendo
tanto óleo derramado
a lua encobriu ser rosto
chora com a terra o desgosto
inconsciência do mundo
também o meu coração
nesse mar vai à deriva
em sangue
tristeza viva
prdida sem remissão!
Ref: Maré negra após o naufrágio do Petroleiro Prestige - 5/12/2002
DESPERTAR
NO PAÍS MAIS JOVEM DO MUNDO
QUEM É QUE NÃO TEM MEMÓRIA
DA ÚLTIMA TRISTE COLÓNIA
DESTA NAÇÃO PORTUGUESA?
QUEM É QUE JÁ SE NÃO LEMBRA
DESSA NAÇÃO MASSACRADA,
ILHA NA OCEÂNIA CHAMADA
TIMOR LOROSAE?
QUEM SABE
MAS
NEM SE NÃO MEXE
NEM SENTE?
QUEM É QUE PERDEU
A MEMÓRIA
COLECTIVA
DE TANTA MORTE E TRISTEZA?
CHORA DE NOVO TREMENDO,
NAS TERRAS DO FIM DO MUNDO
AQUELE PEQUENO ESTADO
QUEM DEVIA DEFENDÊ-LO
ESTÁ LONGE,
E ESTÁ DORMINDO!
Destruição da cidade de Dili, capital de Timor Lorosae, perante a indiferença das Nações Unidas - 4/12/2002
NO PAÍS MAIS JOVEM DO MUNDO
QUEM É QUE NÃO TEM MEMÓRIA
DA ÚLTIMA TRISTE COLÓNIA
DESTA NAÇÃO PORTUGUESA?
QUEM É QUE JÁ SE NÃO LEMBRA
DESSA NAÇÃO MASSACRADA,
ILHA NA OCEÂNIA CHAMADA
TIMOR LOROSAE?
QUEM SABE
MAS
NEM SE NÃO MEXE
NEM SENTE?
QUEM É QUE PERDEU
A MEMÓRIA
COLECTIVA
DE TANTA MORTE E TRISTEZA?
CHORA DE NOVO TREMENDO,
NAS TERRAS DO FIM DO MUNDO
AQUELE PEQUENO ESTADO
QUEM DEVIA DEFENDÊ-LO
ESTÁ LONGE,
E ESTÁ DORMINDO!
Destruição da cidade de Dili, capital de Timor Lorosae, perante a indiferença das Nações Unidas - 4/12/2002
À PORTA DE ALÉM?
PARECE MENTIRA
QUE A VIDA
TÃO CALADA
SUAVEMENTE SE ESVAIA
DE MIM,
COMO UM PUNHADO DE AREIA
QUE NA AMPULHETA
ESCORRA
... NO FIM.
AINDA ONTEM, EU RIA
AINDA ONTEM SONHAVA
TINHA PROJECTOS E COMPROMISSOS,
TINHA...
E AGORA, DESTA MACA,
PROCURO AINDA
NESTE TECTO BRANCO E ALHEIO
UMA IMAGEM QUE SEJA
DA MINHA SOMBRA.
ESTOU CALMA, TÃO CALMA!
VAGUEIO, COMO SE SUSPENSA
MINH' ALMA ME SOBREVOA,
BORBOLETA BRANCA
... POMBA QUIETA
NESTE SILÊNCIO LUNAR QUE SOA
AO TIC TAC IRREGULAR
AO PING PING INCOLOR QUE VOA
À ARIDEZ DO LUGAR;
PARECE MENTIRA
QUE EU ESTEJA
TÃO LEVE,
QUE EU ESTEJA
TÃO PERTO DA PORTA
... DE ALÉM?
SEM PENA NEM PERDA
SEM DOR E SEM MÁGOA
PARECE MENTIRA
QUE A VIDA
TÃO CALADA
SUAVEMENTE SE ESVAIA
DE MIM,
COMO UM PUNHADO DE AREIA
QUE NA AMPULHETA
ESCORRA
... NO FIM.
AINDA ONTEM, EU RIA
AINDA ONTEM SONHAVA
TINHA PROJECTOS E COMPROMISSOS,
TINHA...
E AGORA, DESTA MACA,
PROCURO AINDA
NESTE TECTO BRANCO E ALHEIO
UMA IMAGEM QUE SEJA
DA MINHA SOMBRA.
ESTOU CALMA, TÃO CALMA!
VAGUEIO, COMO SE SUSPENSA
MINH' ALMA ME SOBREVOA,
BORBOLETA BRANCA
... POMBA QUIETA
NESTE SILÊNCIO LUNAR QUE SOA
AO TIC TAC IRREGULAR
AO PING PING INCOLOR QUE VOA
À ARIDEZ DO LUGAR;
PARECE MENTIRA
QUE EU ESTEJA
TÃO LEVE,
QUE EU ESTEJA
TÃO PERTO DA PORTA
... DE ALÉM?
SEM PENA NEM PERDA
SEM DOR E SEM MÁGOA
METAMORFOSES
ENTROU VOANDO PELA JANELA
É COMO UM LENÇO COLORIDO
BI-FORCADO
NEGRO E LARANJA E BRANCO
RELUZINDO
NA LUZ DO QUARTO
E PENSAR QUE FOSTE
LAGARTA
QUE TANTO TE REPELIRAM
E AMEAÇARAM!
VIRGEM COLORIDA SUAVE
MAL O AMOR TE TOQUE
NÃO MAIS SERÁS
MAGIA VOLANTE
PASSASTE
POR TANTA METAMORFOSE
FOSTE TUDO O QUE PUDESTE
COMPLETASTE
O TEU DESTINO!
ENTROU VOANDO PELA JANELA
É COMO UM LENÇO COLORIDO
BI-FORCADO
NEGRO E LARANJA E BRANCO
RELUZINDO
NA LUZ DO QUARTO
E PENSAR QUE FOSTE
LAGARTA
QUE TANTO TE REPELIRAM
E AMEAÇARAM!
VIRGEM COLORIDA SUAVE
MAL O AMOR TE TOQUE
NÃO MAIS SERÁS
MAGIA VOLANTE
PASSASTE
POR TANTA METAMORFOSE
FOSTE TUDO O QUE PUDESTE
COMPLETASTE
O TEU DESTINO!
BENDITOS OS SIMPLES
HÁ MUITO SE ACENDEU
A LUA NO CÉU
LATEJA O MEU CORAÇÃO
CONTO OS ESPAÇOS
DO TEMPO.
MAS NÃO EXISTEM
NÚMEROS
QUE CHEGUEM!
INCOMODA-ME
O RUÍDO DAS ESTRELAS
EXPLODINDO
NO UNIVERSO
QUE NÃO CONHEÇO.
SE BEM TODOS OS ANJOS
ME RONDEM
PAREÇO TER-ME PERDIDO
SEI QUANTO SONHO!
O RESTO
É ESTE AMOR PURO,IMENSO
A NATUREZA
AS CRIANÇAS E AS FLORES E OS BICHOS
AH, BENDITOS OS SIMPLES, BENDITOS!
QUE SOMENTE
VIVEM E CRESCEM
IGNORANDO
LICENÇA OU DOCUMENTO
HÁ MUITO SE ACENDEU
A LUA NO CÉU
LATEJA O MEU CORAÇÃO
CONTO OS ESPAÇOS
DO TEMPO.
MAS NÃO EXISTEM
NÚMEROS
QUE CHEGUEM!
INCOMODA-ME
O RUÍDO DAS ESTRELAS
EXPLODINDO
NO UNIVERSO
QUE NÃO CONHEÇO.
SE BEM TODOS OS ANJOS
ME RONDEM
PAREÇO TER-ME PERDIDO
SEI QUANTO SONHO!
O RESTO
É ESTE AMOR PURO,IMENSO
A NATUREZA
AS CRIANÇAS E AS FLORES E OS BICHOS
AH, BENDITOS OS SIMPLES, BENDITOS!
QUE SOMENTE
VIVEM E CRESCEM
IGNORANDO
LICENÇA OU DOCUMENTO
AINDA ESPERO O AMOR
NUM RELÂMPAGO DE TEMPO
AINDA ME PERMITO O SONHO
DO AMOR!
DA DÁDIVA HONESTA E PURA,
DE ALGUÉM SE ME DAR
COMO EU ME DOU.
AINDA ME É PERMITIDO
SONHAR
ENQUANTO ESTE RELÂMPAGO ILUMINAR
A SECRETA E AZUL SEDA DO CÉU
E EU FLUTUAR NO VAZIO
AINDA ESPERO
O AMOR
COMO QUANDO MENINA,
COM ESTE SORRISO SECRETO
E O OLHAR EMBEBIDO DE LUZ!
NUM RELÂMPAGO DE TEMPO
AINDA ME PERMITO O SONHO
DO AMOR!
DA DÁDIVA HONESTA E PURA,
DE ALGUÉM SE ME DAR
COMO EU ME DOU.
AINDA ME É PERMITIDO
SONHAR
ENQUANTO ESTE RELÂMPAGO ILUMINAR
A SECRETA E AZUL SEDA DO CÉU
E EU FLUTUAR NO VAZIO
AINDA ESPERO
O AMOR
COMO QUANDO MENINA,
COM ESTE SORRISO SECRETO
E O OLHAR EMBEBIDO DE LUZ!
ROSA VIVA
(IN MEMORIAM)
AI, ESMAGASTE A ROSA QUE EU FUI
COM A TUA PATA IMUNDA!
AI, SUFOCASTE-ME UM DIA
QUANDO INDA MAL DESCOBRIA
COMO HAVIA DE EXISTIR!
IMPEDISTE-ME DE SER
A MENINA E A MULHER
AI TANTO ME REPRIMISTE!
PARA QUÊ? O QUE LUCRASTE?
SOMENTE A CICATRIZ VIVA
QUE PULSA EM MINHA AGONIA
QUISESTE MEU FIM, NÃO VENCESTE!
(IN MEMORIAM)
AI, ESMAGASTE A ROSA QUE EU FUI
COM A TUA PATA IMUNDA!
AI, SUFOCASTE-ME UM DIA
QUANDO INDA MAL DESCOBRIA
COMO HAVIA DE EXISTIR!
IMPEDISTE-ME DE SER
A MENINA E A MULHER
AI TANTO ME REPRIMISTE!
PARA QUÊ? O QUE LUCRASTE?
SOMENTE A CICATRIZ VIVA
QUE PULSA EM MINHA AGONIA
QUISESTE MEU FIM, NÃO VENCESTE!
MAS SÓ VOU
ARAME FARPADO
E DO OUTRO LADO,
O SOL
ENTREABRINDO UM SORRISO!
OLHO ALÉM
COM PREJUÍZO
PORQUANTO TEMO MAS QUERO!
MEDITO
E ESCREVO E LEIO
CALO O CHORO
SECO O PRANTO
SE SOFRO!
MAS NÃO DESISTO
BRILHA O SOL
DO OUTRO LADO!
MAS HÁ TANTO ACERADO
NO MURO DO MEU RECANTO!
FICO INQUIETA
PENSANDO
QUAL SERÁ O MEU DESTINO
ONDE SERÁ O CAMINHO
O MEU CAMINHO SECRETO
PORQUE SERÁ QUE ME ENLEIO
MAS NÃO VOU,
PORQUE NÃO QUERO!
SEREI TRINCHEIRA NO FOGO
VIVO COM MEU PENSAMENTO
SE CAIO, MAIS ME LEVANTO
MAS SÓ VOU POR ONDE EU QUERO!
ARAME FARPADO
E DO OUTRO LADO,
O SOL
ENTREABRINDO UM SORRISO!
OLHO ALÉM
COM PREJUÍZO
PORQUANTO TEMO MAS QUERO!
MEDITO
E ESCREVO E LEIO
CALO O CHORO
SECO O PRANTO
SE SOFRO!
MAS NÃO DESISTO
BRILHA O SOL
DO OUTRO LADO!
MAS HÁ TANTO ACERADO
NO MURO DO MEU RECANTO!
FICO INQUIETA
PENSANDO
QUAL SERÁ O MEU DESTINO
ONDE SERÁ O CAMINHO
O MEU CAMINHO SECRETO
PORQUE SERÁ QUE ME ENLEIO
MAS NÃO VOU,
PORQUE NÃO QUERO!
SEREI TRINCHEIRA NO FOGO
VIVO COM MEU PENSAMENTO
SE CAIO, MAIS ME LEVANTO
MAS SÓ VOU POR ONDE EU QUERO!
MAS EU SEMPRE DISSE: NÃO!
BATERAM-ME
QUANTO PUDERAM
C'O AS UNHAS ARRANQUEI
MEU PÃO
O SUOR LAMBEU-ME A TESTA,
MAS EU SEMPRE DISSE :NÃO!
DISSERAM-ME: TU NÃO ÉS
DESPREZARAM-ME E ENTÃO
CHOREI LÁGRIMAS DE SANGUE
MAS EU SEMPRE DISSE : NÃO!
CUSPIRAM-ME. RENEGARAM
O AMOR DO MEU CORAÇÃO
COM ÓDIO ME CONSOLARAM,
MAS EU DISSE SEMPRE: NÃO!
QUISERAM
CERCEAR MEU SONHO
BANIRAM-ME SEM PERDÃO
MAS QUEBRAR-ME, NÃO PUDERAM
PORQUE EU SEMPRE DISSE: NÃO!
BATERAM-ME
QUANTO PUDERAM
C'O AS UNHAS ARRANQUEI
MEU PÃO
O SUOR LAMBEU-ME A TESTA,
MAS EU SEMPRE DISSE :NÃO!
DISSERAM-ME: TU NÃO ÉS
DESPREZARAM-ME E ENTÃO
CHOREI LÁGRIMAS DE SANGUE
MAS EU SEMPRE DISSE : NÃO!
CUSPIRAM-ME. RENEGARAM
O AMOR DO MEU CORAÇÃO
COM ÓDIO ME CONSOLARAM,
MAS EU DISSE SEMPRE: NÃO!
QUISERAM
CERCEAR MEU SONHO
BANIRAM-ME SEM PERDÃO
MAS QUEBRAR-ME, NÃO PUDERAM
PORQUE EU SEMPRE DISSE: NÃO!
VIVER É AGORA
TENHO OLHOS
PARA VER
TENHO MENTE
P'RA PENSAR
TENHO PERNAS
PARA ANDAR
TENHO PÉS
PARA CORRER
TENHO BRAÇOS
P'RÁ ABRAÇAR
TENHO MÃOS
PARA PEGAR
TENHO BOCA
P'RA FALAR
TENHO BOCA
P'RA BEIJAR
NÃO T'A VOU DEIXAR
CALAR
NÃO TE VOU
OBEDECER
NÃO VOU
OS OLHOS FECHAR
NÃO VOU
MEUS SONHOS CORTAR
NÃO VOU
PARAR DE ANDAR
NÃO VOU
PARAR DE CORRER
TENHO OLHOS
PARA VER
TENHO BOCA
P'RA FALAR
NADA ME FARÁ PARAR
HÁ UM MUNDO
P'RA MUDAR
VOU
CORRER
QUERER
OLHAR
NÃO VOU
A BOCA CALAR
NÃO
T'A VOU DEIXAR MORDER
HÁ UMA SORTE
A MUDAR
HÁ UMA VIDA
A VIVER
HÁ UMA VIDA
A PASSAR
E A VIDA
PASSA A CORRER!
TENHO OLHOS
PARA VER
TENHO MENTE
P'RA PENSAR
TENHO PERNAS
PARA ANDAR
TENHO PÉS
PARA CORRER
TENHO BRAÇOS
P'RÁ ABRAÇAR
TENHO MÃOS
PARA PEGAR
TENHO BOCA
P'RA FALAR
TENHO BOCA
P'RA BEIJAR
NÃO T'A VOU DEIXAR
CALAR
NÃO TE VOU
OBEDECER
NÃO VOU
OS OLHOS FECHAR
NÃO VOU
MEUS SONHOS CORTAR
NÃO VOU
PARAR DE ANDAR
NÃO VOU
PARAR DE CORRER
TENHO OLHOS
PARA VER
TENHO BOCA
P'RA FALAR
NADA ME FARÁ PARAR
HÁ UM MUNDO
P'RA MUDAR
VOU
CORRER
QUERER
OLHAR
NÃO VOU
A BOCA CALAR
NÃO
T'A VOU DEIXAR MORDER
HÁ UMA SORTE
A MUDAR
HÁ UMA VIDA
A VIVER
HÁ UMA VIDA
A PASSAR
E A VIDA
PASSA A CORRER!
DO DAR, DO SER, DO AMOR
E AQUI ESTOU
A PENSAR
EM QUANTO CUSTOU
CHEGAR
AONDE ESTOU
E FICAR
E VENCER
A TEMPO
DE SABOREAR
EU ACABEI DE OLHAR
A VIDA
NO SEU LUGAR
EU VIVO
A VIDA
A SONHAR
AGORA
QUERO FICAR
.
VIVI A VIDA
A CORRER
AGORA
QUERO PARAR
EM CADA ESQUINA
ONDE HOUVER
ALGO NOVO
A APRENDER
ESTOU A AMADURAR
AMADURAR
É CRESCER
NÃO QUERO
AGORA MORRER
QUERO É
VIVER!
VIVER!
A TEMPO
DE VOS MOSTRAR
NALGUNS VERSOS
SE CALHAR
O BONITO
QUE É CHEGAR
E APRENDER
A SE GOSTAR
E A VIVER
OLHO EM FRENTE
DEVAGAR
VEJO O FUTURO
A CHEGAR
O AGORA
ACONTECER
QUIS IR
E NÃO FUI
AGORA
QUERO
FICAR
QUERO LÁ SABER
DE IDADE
OS ANOS
SÓ SÃO
ENGANOS
MERAS CONTAS
DE SOMAR
E O MEU DESTINO
É SONHAR!
A AMAR
NÃO SE ENVELHECE
QUANDO O SONHO
PERMANECE
EM NÓS
E EM FLOR!
E AQUI ESTOU
A PENSAR
EM QUANTO CUSTOU
CHEGAR
AONDE ESTOU
E FICAR
E VENCER
A TEMPO
DE SABOREAR
EU ACABEI DE OLHAR
A VIDA
NO SEU LUGAR
EU VIVO
A VIDA
A SONHAR
AGORA
QUERO FICAR
.
VIVI A VIDA
A CORRER
AGORA
QUERO PARAR
EM CADA ESQUINA
ONDE HOUVER
ALGO NOVO
A APRENDER
ESTOU A AMADURAR
AMADURAR
É CRESCER
NÃO QUERO
AGORA MORRER
QUERO É
VIVER!
VIVER!
A TEMPO
DE VOS MOSTRAR
NALGUNS VERSOS
SE CALHAR
O BONITO
QUE É CHEGAR
E APRENDER
A SE GOSTAR
E A VIVER
OLHO EM FRENTE
DEVAGAR
VEJO O FUTURO
A CHEGAR
O AGORA
ACONTECER
QUIS IR
E NÃO FUI
AGORA
QUERO
FICAR
QUERO LÁ SABER
DE IDADE
OS ANOS
SÓ SÃO
ENGANOS
MERAS CONTAS
DE SOMAR
E O MEU DESTINO
É SONHAR!
A AMAR
NÃO SE ENVELHECE
QUANDO O SONHO
PERMANECE
EM NÓS
E EM FLOR!
TINHA UNS VERSOS...
TINHA UNS VERSOS
AGUDOS
A BRILHAR
NOS OLHOS
A BRINCAR
NOS LÁBIOS
A DANÇAR
NOS DENTES
NÃO OS DISSE
PORÉM
QUEDEI-ME
FINGINDO A
INDIFERENÇA
DO QUE
OLHA
MAS NÃO VÊ
DO QUE
PÁRA
MAS NÃO PENSA
TINHA UNS VERSOS
EM PUNHO
NA MINHA
CABEÇA
CALEI-OS
CEIFEI-OS
COMO ÀS PAPOILAS
RUBRAS
A VOSSA
INDIFERENÇA
OLHAR POR OLHAR
QUE INTERESSA?!
USAIS UNS OLHOS
DE OPALA
E EU
SÓ SOU
TRANSPARÊNCIA!
TINHA UNS VERSOS
AGUDOS
A BRILHAR
NOS OLHOS
A BRINCAR
NOS LÁBIOS
A DANÇAR
NOS DENTES
NÃO OS DISSE
PORÉM
QUEDEI-ME
FINGINDO A
INDIFERENÇA
DO QUE
OLHA
MAS NÃO VÊ
DO QUE
PÁRA
MAS NÃO PENSA
TINHA UNS VERSOS
EM PUNHO
NA MINHA
CABEÇA
CALEI-OS
CEIFEI-OS
COMO ÀS PAPOILAS
RUBRAS
A VOSSA
INDIFERENÇA
OLHAR POR OLHAR
QUE INTERESSA?!
USAIS UNS OLHOS
DE OPALA
E EU
SÓ SOU
TRANSPARÊNCIA!
firme sentir
ESTOU
NO MEIO
DAS ONDAS
CHEIRA
A MORANGO
VERMELHO
SÓ VEJO
AR
AZUL E ROSA
TUDO GIRA
À MINHA
VOLTA
ERGO-ME
FIRMO
OS JOELHOS
FECHO
COM FORÇA
OS OLHOS
LEVANTO-ME
ESTENDO
OS
BRAÇOS
PARA CIMA
PARA O AR
PARA O CÉU
FIRMO-ME
ENTERRO OS PÉS
NO SOLO
E SOLTO
A ALMA
NO VENTO
TRANSFORMA-SE
EM RISO
O CHORO
MINHAS
AS CORES
DO MUNDO
E
QUEM MANDA EM MIM
SOU EU!
ESTOU
NO MEIO
DAS ONDAS
CHEIRA
A MORANGO
VERMELHO
SÓ VEJO
AR
AZUL E ROSA
TUDO GIRA
À MINHA
VOLTA
ERGO-ME
FIRMO
OS JOELHOS
FECHO
COM FORÇA
OS OLHOS
LEVANTO-ME
ESTENDO
OS
BRAÇOS
PARA CIMA
PARA O AR
PARA O CÉU
FIRMO-ME
ENTERRO OS PÉS
NO SOLO
E SOLTO
A ALMA
NO VENTO
TRANSFORMA-SE
EM RISO
O CHORO
MINHAS
AS CORES
DO MUNDO
E
QUEM MANDA EM MIM
SOU EU!
PELOS MARES DE GALIZA, PELOS MARES DE TODOS NÓS!
... SOA NO AR O MEU CHORO
PELOS IRMÃOS DE GALIZA
QUE NÃO PODEM IR AO MAR!
POR ESSA MÃO CRIMINOSA
QUE INSISTE EM AFOGAR
NOSSOS MARES SAL E PRANTO
NA INFAME E VÃ COBIÇA
DE GANHAR
GANHAR
GANHAR!
...PARA A TODOS NOS PERDER
PARA NOS CRUCIFICAR
COMO A JESUS NAZARENO
QUE NOS OLHA A CHORAR!
QUEM ME EMPRESTA NOVA VOZ
PARA OS CRAVOS RENOVAR?!
30/11/2002
Naufrágio do Petroleiro Prestige e consequente castástrofe ecológica.
... SOA NO AR O MEU CHORO
PELOS IRMÃOS DE GALIZA
QUE NÃO PODEM IR AO MAR!
POR ESSA MÃO CRIMINOSA
QUE INSISTE EM AFOGAR
NOSSOS MARES SAL E PRANTO
NA INFAME E VÃ COBIÇA
DE GANHAR
GANHAR
GANHAR!
...PARA A TODOS NOS PERDER
PARA NOS CRUCIFICAR
COMO A JESUS NAZARENO
QUE NOS OLHA A CHORAR!
QUEM ME EMPRESTA NOVA VOZ
PARA OS CRAVOS RENOVAR?!
30/11/2002
Naufrágio do Petroleiro Prestige e consequente castástrofe ecológica.
AMIZADE * AMISTAD
María Del Mar,
No canto e no pranto
my hermana,
O meu sentimento
em tua voz ecoa!
Deixa que lance no vento
e ao mundo
minha voz com a tua,
essa voz que soa
além da ventania
que nos arrasta
No
surdo olvido
dolorido
da terra!
vá longe o teu canto
de sereia verdadeira
no mar alto
da vida
vibrante onda
de
verde-esperança
maré viva
em chama
e alto cante a alma
Desta'outra
Maria
de Portugal, trovadora.
com a poeta María
Estrella
voz
da
Argentina!
María Del Mar,
No canto e no pranto
my hermana,
O meu sentimento
em tua voz ecoa!
Deixa que lance no vento
e ao mundo
minha voz com a tua,
essa voz que soa
além da ventania
que nos arrasta
No
surdo olvido
dolorido
da terra!
vá longe o teu canto
de sereia verdadeira
no mar alto
da vida
vibrante onda
de
verde-esperança
maré viva
em chama
e alto cante a alma
Desta'outra
Maria
de Portugal, trovadora.
com a poeta María
Estrella
voz
da
Argentina!
Direito e avesso
Quem é esta sereia
que se afoga na água
e em terra não caminha
quem é esta mulher
que me habita
e contra mim conspira
que é esta que se dá aos outros
mas a si se nega
quem será aquela
que em mim protesta
contra a injustiça
mas se mantém escrava?
quem me fez com esta
asa de gaivota
de ninho na areia?
Onde vou que tanto caminho
no lado escuro
da terra
olhando o lado claro
da lua?
Quem é esta sereia
que se afoga na água
e em terra não caminha
quem é esta mulher
que me habita
e contra mim conspira
que é esta que se dá aos outros
mas a si se nega
quem será aquela
que em mim protesta
contra a injustiça
mas se mantém escrava?
quem me fez com esta
asa de gaivota
de ninho na areia?
Onde vou que tanto caminho
no lado escuro
da terra
olhando o lado claro
da lua?
NA ALMA QUE CANTA
A voz do poeta é um rio
que brota fino
e cristalino
Os olhos do poeta
trazem
outras águas
colorindo as margens,
sem nome. Adorno.
Só se veêm se se encontram
os rios que correm
pelas praias reviradas
das ideias
cantando como
onda que rola e se transporta
se transforma
cai limpa e clara
na alma que canta.
A voz do poeta é um rio
que brota fino
e cristalino
Os olhos do poeta
trazem
outras águas
colorindo as margens,
sem nome. Adorno.
Só se veêm se se encontram
os rios que correm
pelas praias reviradas
das ideias
cantando como
onda que rola e se transporta
se transforma
cai limpa e clara
na alma que canta.
AS PALAVRAS DOS POETAS
como nascem
já rimadas,
ritmadas,
alinhadas,
as palavras dos poetas?
Com olhos de deuses veêm?
Como nascem já contadas,
encantadas,
embaladas,
as palavras dos poetas?
Com alma de humanos sentem?
Como olham pra tão longe
olhar doce tão doído
tão atento
tão sofrido
As palavras dos poetas!
como nascem
já rimadas,
ritmadas,
alinhadas,
as palavras dos poetas?
Com olhos de deuses veêm?
Como nascem já contadas,
encantadas,
embaladas,
as palavras dos poetas?
Com alma de humanos sentem?
Como olham pra tão longe
olhar doce tão doído
tão atento
tão sofrido
As palavras dos poetas!
SÓLO en SUEÑOS
PÉTALO A PÉTALO
LA REDONDA ROSA
DURANTE EL DÍA SE CIERRA
ENTRE EL SUEÑO Y LAS ANSIAS
EL QUERER Y LAS DUDAS
PRIMAVERA INSANA
QUE EN LAS ONDAS ME ELEVA
DESMAINADA DORMÍA
Y ACORDE AL COLORIDO
POR LA VOZ DEL POETA
MÁS ,NO SOY QUIEN ERA!
DESPIERTO ANSIOSA
EL VIENTO ALETEA LA LLAMA
SUSURRA
SUSPIRA
INQUIETA
LA POESÍA
PÉTALO A PÉTALO
LA REDONDA ROSA
DURANTE EL DÍA SE CIERRA
ENTRE EL SUEÑO Y LAS ANSIAS
EL QUERER Y LAS DUDAS
PRIMAVERA INSANA
QUE EN LAS ONDAS ME ELEVA
DESMAINADA DORMÍA
Y ACORDE AL COLORIDO
POR LA VOZ DEL POETA
MÁS ,NO SOY QUIEN ERA!
DESPIERTO ANSIOSA
EL VIENTO ALETEA LA LLAMA
SUSURRA
SUSPIRA
INQUIETA
LA POESÍA
CANTAR CHORANDO
POR MAIS QUE O SOL ME AMARGURE
JAMAIS SEREI ESPADA.
POR MAIS QUE A NUVEM ME MOLHE
SEREI PARA SEMPRE POMBA.
POR MAIS ESCURO QUE O MAR ESTEJA
SEREI SEMPRE UMA ASA BRANCA
UMA CONCHINHA NA AREIA.
AINDA QUE MORRA A LUA
EU TEIMAREI EM SONHAR
QUE BRILHA NO CÉU LUA CHEIA
NA AUSÊNCIA DO LUAR
PODE A CIDADE SUBIR
PODE CADA UM QUERER
POR CIMA DO IRMÃO PASSAR!
CONTINUAREI MINHA SAGA
DE CRESCER JUNTINHO À ERVA.
TEIMANDO CUMPRIR
AI, QUANTAS VEZES EM DOR,
A OBRIGAÇÃO DE VIVER!
MAS VIVO SORRINDO SE APRENDO
MAS VIVO CANTANDO SE POSSO
DEGUSTAR O SAL E O MEL
E OLHAR...
OLHAR LONGE...
DO CANTINHO DONDE OBSERVO
UMA JANELINHA SEM NOME
DONDE VEJO COM ENCANTO
A BELEZA AO CÉU ERGUIDA
E AQUELA QUE VAI ESCONDIDA
COM VERGONHA DE APARECER.
VIVO CANTANDO SE ESCUTO
VIVO CANTANDO SE LEIO
SEM NUNCA DEIXAR DE SER
MEU CORAÇÃO O PULSAR
MEU CORAÇÃO O OLHAR
MEU CORAÇÃO O QUERER
DE MEU AMOR
VIVO E CANTO
ESTE CHORAR CONVULSIVO
EM QUE DOLORIDA CREIO
E SIGO
... MESMO SE CANTO NO PRANTO
DE TANTO MAL SE FAZER
E SEM LHE PODER VALER!
TANTA FOME E DESAMOR
AO INVERSO DE LAMENTO
REVERTO EM CANTO O MEU CHORO
INSISTO EM SEGUIR CANTANDO.
POR MAIS QUE O SOL ME AMARGURE
JAMAIS SEREI ESPADA.
POR MAIS QUE A NUVEM ME MOLHE
SEREI PARA SEMPRE POMBA.
POR MAIS ESCURO QUE O MAR ESTEJA
SEREI SEMPRE UMA ASA BRANCA
UMA CONCHINHA NA AREIA.
AINDA QUE MORRA A LUA
EU TEIMAREI EM SONHAR
QUE BRILHA NO CÉU LUA CHEIA
NA AUSÊNCIA DO LUAR
PODE A CIDADE SUBIR
PODE CADA UM QUERER
POR CIMA DO IRMÃO PASSAR!
CONTINUAREI MINHA SAGA
DE CRESCER JUNTINHO À ERVA.
TEIMANDO CUMPRIR
AI, QUANTAS VEZES EM DOR,
A OBRIGAÇÃO DE VIVER!
MAS VIVO SORRINDO SE APRENDO
MAS VIVO CANTANDO SE POSSO
DEGUSTAR O SAL E O MEL
E OLHAR...
OLHAR LONGE...
DO CANTINHO DONDE OBSERVO
UMA JANELINHA SEM NOME
DONDE VEJO COM ENCANTO
A BELEZA AO CÉU ERGUIDA
E AQUELA QUE VAI ESCONDIDA
COM VERGONHA DE APARECER.
VIVO CANTANDO SE ESCUTO
VIVO CANTANDO SE LEIO
SEM NUNCA DEIXAR DE SER
MEU CORAÇÃO O PULSAR
MEU CORAÇÃO O OLHAR
MEU CORAÇÃO O QUERER
DE MEU AMOR
VIVO E CANTO
ESTE CHORAR CONVULSIVO
EM QUE DOLORIDA CREIO
E SIGO
... MESMO SE CANTO NO PRANTO
DE TANTO MAL SE FAZER
E SEM LHE PODER VALER!
TANTA FOME E DESAMOR
AO INVERSO DE LAMENTO
REVERTO EM CANTO O MEU CHORO
INSISTO EM SEGUIR CANTANDO.
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