terça-feira, junho 12, 2007







Do mar


Vai e vem
É branca a espuma
É verde o mar
Vai e vem
E quando rola
A areia se evola
Na água salgada
Meu mar
Maré cheia
Vem
Maré baixa
Vai
O mar



Na orla
Espero
Descalça
O teu voltar!

Maria Petronilho



Del mar

Viene y se va
Es blanca la espuma
Es verde la mar
Viene y se va
Y cuando rueda
La arena se marcha
En el agua-sal
Mi mar
Marea alta
Viene
Marea baja
Se va
El mar



En la orilla
Espero
Descalza
Tu retorno



Tradução para espanhol: Alberto Peyrano

domingo, junho 10, 2007

SE FORES AO ALENTEJO - quadra & glosa















Se fores ao Alentejo,

ante a beleza infinita

tranquila, clara, bendita

sem querer vais semear,

do teu olhar comovido

lágrimas no fértil solo

a semente do teu beijo

se fará meigo trigal

e um belo madrigal

o desejo do teu olhar.

se elevará rumo ao sol

quando sonha o rouxinol.





Aires Plácido & Maria Petronilho

10/6/2007


Sem Sonhos //Reviver!


Não há mais sonhos/mas a primavera mana
só letras tristes/ desse húmus alimenta
na pedra que chove./novas flores, esperança!



10/06/07

Poetrix:Maria Thereza Neves & Duplix: Maria Petronilho

quinta-feira, junho 07, 2007






Amanhecer


Poesia

olhar de cada dia,

alvor!


Eu sei que sou

eu sei que estou

eu reconheço-me

neste amanhecer!


Maria Petronilho






Poeira de estrelas



Desvendamos estrelas

Fazemos viagens


De asas a b e r t a s


Levando em letras

Poeiras das estrelas...



Maria Petronilho

quarta-feira, junho 06, 2007







Branca espuma

A boiar à flor da vida
Sou a breve espuma branca
Mil olhos postos no azul

Dissolvo-me na procura
Caio em gotas de chuva
E saio ilesa da lama.









Canto da manhã

Tal açucena que demora em descerrar as pétalas
Afim de expor à luz a graciosa alvura
E no cerne extasia de doçura

Enfim reabre-se a estrada onde a alma caminha
E o olhar se ilumina. Venho saudosa
Ter convosco pressurosa, que o meu coração anela

Abraçar-vos e beijar-vos, se bem sempre vos tenha
No meu imo resguardados, companheiros adorados
O afecto ri das fronteiras… mas a saudade aguilhoa!




Maria






CAIS


Por mais que se saiba

Quanto é breve a vida

Que somos Centelhas

Flores cujas pétalas

Tremulam no tempo

Como dizer ao coração

Que se aquiete

E às lágrimas

Que se recolham

Aos salgados ninhos?!

Como deixaremos

De sofrer saudade

Daqueles que amamos?!


Olho o Imenso

E peço O conforto

De em nós aceitarmos

O cais da despedida

E a longa distância

Dos que já não vemos!


Maria Petronilho



MUELLES


Por más que se sepa

Cuán breve es la vida

Que somos Centellas

Flores cuyos pétalos

Se agitan en el tiempo

Cómo decirle al corazón

Que se aquiete

Y a las lágrimas

Que se recojan

En sus salados nidos?!

Cómo dejaremos

De sufrir nostalgias

De aquéllos que amamos?!


Miro lo Inmenso

Y pido el bienestar

De aceptarnos en nosotros

El muelle de la despedida

Es la enorme distancia

De los que ya no vemos!



Versión en español: Alberto Peyrano








A Voz da Palavra


O autêntico poeta

além do tempo respira

acordando letra a letra


Reinventando a leitura

ressalta em cada poema

a profunda consciência

de compromisso com a vida!



Maria

terça-feira, junho 05, 2007


Maria


Mulher. Nasci mulher,

e meu pai não me pôde afogar.

Berrei - e foi só a primeira pedra

na calçada da desobediência.

Criei-me à deriva, sem freio no sonho.

Prendiam-me, e era solta

Soltavam-me, e era mansa pomba.

Por caridade, passei fome,

ao desleixo, de casa em casa,

- e tanta fartura esbanjada!

Mas não há quem me queira,

criança a pedir tendo tanto,

a penar tendo nada....

Criei-me, criada da criada

que "trouxeram para mim"....


Não importa!

"sou uma princesa encantada,

vou p'ra longe..."

dia após dia aguardava

mas ninguém me resgatava,

masnem pai, nem príncipe, nem fada!


Fiz-me mulher, sempre odiada.

Fui tambor da festa.

Arraial de pancada

numa casaque parecia tudo,

menos o que era:

Uns a discutir com os outros.

Eu a servir todos

aliviando-lhes os braças do trabalho

e a raiva, de pancada.


Pior, eu ousava pensar

E era revolucionária.

Olhava o horror e o negava.

Dentro de mim o nojo enjoava.


A besta de carga arrepiou caminho:

Estudar... ai, não posso!

Preciso um emprego, se quero sair viva daqui!


Abri a porta da coragem e falei!


Abri a porta da gaiola de doidos

e abalei sem nada.


- Nada! - Má memória!


"Uma mulher que pensa não presta!

"Um homem sem riqueza não vale nada"

- Pois foi com o mais odiado por meu pai

que eu casei!


Ele fez de mim besta,

com cornos e de carga.

Sofri e calei até dizer

- BASTA!


Com uma filha pela mão ia caminhando

e todas as maleitas me iam seguindo

até cair, de exausta.


Com todas as forças me reergui.

A filha criada na sua vida instalei.


É pecado uma mulher amar, bem sei,

mas eu quis e foi, sim!

E amei, e amei

Até se descobrir que vivia uma farsa!


Meu pai morreu e fui eu que o enterrei

Meu pai deserdou-me

e eu fiz as honras da des-herança.


Penaque não me tenha deserdado

das sovas e maus-tratos que passei!


Às escuras me alumiei.

No Inverno vou na sombra.

No Verão suporto o sol.

Curtem-me a vida todas dores

de sal, de solidão,de silêncio,

da insolência dos outros,

das forças que me faltam

do tostão amargo

do sacrifício vão.


Mas tenho uma estrela cá dentro

que ninguém há-de apagar!

Mas tenho uns nervos de aço

que ninguém há-de torcer!

Mas tenho uma coragem de ouro

que me vem a acompanhar

- e é esse o meu tesouro,

que ninguém pode roubar,

que as intempéries não mudam,

que está infiltrado em meu sangue

ninguém mo pode tirar

mesmo morta, quando o sangue coalhar!

E tenho uma estrela por vela!

E tenho um alto sonhar,

de que mais vale pobre e honrada

que ter tanto e nada dar!


Fiz rimas com a minha vida:

que as venham buscar as ondas,

que eu já não posso ir ao mar.

Que as façam arder na pira

onde me hão-de queimar.

Que as cerrem no meu caixão

Para ter enfim companhia

que tanto lutei sozinha

e ninguém me dá valor!

Maria Petronilho _ 1999





Em aprazível doçura


A imersão balsâmica

De alfazema e de rosa

Há tanto que te aguarda!

Ideei iguarias afrodisíacas

Para refazer-nos à ceia…


Alongam-se meus olhos

Na longa estrada vazia

E quedo-me sonhadora

Antecipando a centelha

Do teu corpo que ao roçar-me

De pronto me incendeia,

Numa ânsia indefinida

Donde assomo renascida


Onde estás, que te detém?

Escuta bramir o silêncio,

Segue o mudo apelo: vem!

Despe-me as diáfanas sedas

Que prendem a ninfa agitada

Por achar-se libertada!


Aquieta-se a tarde calma

O sol cai, trazendo escusa

De amanhecer nos teus braços

Em aprazível doçura!


Maria







De Maio



maio é o mês de Maria

e eu Maria me chamo

em maio é lindo o campo

em flores desabrochando

maio é meia primavera

maio é o mês da espiga

maio é o mês da rosa

maio é o mês da mãe

o dia de maio é longo

maio é o mês da luz

da moderada ternura

entre o inverno e o verão



Maria






Vazios


Os Côncavos

De tuas mãos,

Esperando

Carícias

Meus seios.

Vazios

Teus lábios

Fechados

E os meus,

Esperando

Teus beijos.

Vazio o Silêncio...o silêncio!

Vazio de ti,

A meu lado,

O lençol bordado

Que me cobre

O leito...



Maria Petronilho



Vacíos


Los Cóncavos

De tus manos

Esperando

Caricias

Mis senos.

Vacíos

Tus labios cerrados

E los míos

Esperando

Tus besos.

Vacío el Silencio¡... el silencio!

Vacío de ti,

A mi lado,

La sabana bordada

Que me cubre el lecho...




Tradução para espanholPatrícia Andreia Rodriguez







Cantiga de embalar o menino Jesus



Ó meu Jesus pequenino,

Minha estrela, enleio, encanto,

Voz da Paz e da doçura

Embalo-te no meu seio

De mãe, Maria, calando

No peito, tanta amargura!

É Natal, mas fria a rua

Onde o desamparo reina

Embala-nos Tu, na esperança

De que haja amor nesta festa!

Dorme, dorme, meu menino,

Meu Jesus tão pequenino

Que está chegando a hora

De nos valeres, porquanto

A terra explode em guerra!

Dorme, Jesus, entretanto

Em meu colo te acalento

Que sou mãe e sou Maria!

Nana, meu Menino em espera!


Maria Petronilho







...Toda a vida te esperei!

Vem aos meus braços ansiosos, sem cansaço de esperar!
Destinei a vida inteira à esperança de te abraçar
Segue o lucilar das estrelas que esboçam rumos no mar!

Maria Petronilho




ALMA ALENTEJANA


Alentejo é mais que solo

Linda planície a luzir

Mar de esperanças a florir

Amor na palma da mão


Aqui o meu coração

Lavrou os campos sem fim

Enraizados em mim

Não tem poiso a vida humana

Tudo o que é belo acrescenta

Essência. Há que guardá-la

Jamais se perca tal flama!

Alentejo donde emana

Na lonjura mas eterna

Alma e vida alentejana!



Maria Petronilho





Por ti!



Se vires estrelas

Luzir nos céus

São os meus olhos

Que andam cegos

Buscando os teus!

Não te achando,

Abre-se a aurora

Minha'alma chora

És sol, sorris!


Só bem te quero

Nenhuma nuvem

No teu caminho

Embace o brilho

Do teu esplendor!

Mesmo escondida

Nesta negrura

Guardo ternura

Por ti, Amor!



Maria Petronilho

segunda-feira, junho 04, 2007







Quem quer sonhos?


Brado sonhos, os meus sonhos
Por tantos anos traçados!
Tenho muitos, sempre poucos
Quem quer sonhos matizados?
Meus sonhos de papel feitos
Encobertos, revelados…
Sim, se os quiseres, dou-tos
Na minh' alma rabiscados!



Maria






Tocasse-te E...




Uma doce melodia

Desse toque surgiria

Uma canção soaria

Pairando no espaço imenso

Desse íntimo tão nosso

Seria um alegre canto

Seria um ridente brilho

Nossos corações tinindo

Um ao outro se entregando


Tocasse-te e nasceria
Uma nova melodia
Dos nossos corpos e almas

Em amor se completando!


Maria






Cumplicidades



Alvoroças-me em extasias
reciprocidade no enlevo
Satisfação sem reservas

Corpo e alma se enlaçam,
desejando entranhar-se
pois meiga é a sede e pura a oferenda

A felicidade transborda

Ao circularmos de mãos dadas pela rua
no olhar dos outros brilha ternura
divisando o fulgor da nossa aura

Exaltarei eternamente o Senhor
ter-nos olhado com brandura

norteado as abaladas mágoas ao júbilo
em que ambos exultamos.


Maria





Nunca passarás, Poeta!

Transcendes a morte em vida!
Vais além do visível, do finito
Tens a missão de sofrer o inaudito
Mas em poemas eternizas tua sina!


Maria Petronilho
27/3/2007





Balzaquiana?!

Ah se me colhesses quando eu era
a rosa pelos cravos cobiçada
e embora simulasse que não via
tirava do juízo ao que passava!

Perseguida,esquivava-me
e enfim o outro desanimava
num suspiro, percebendo
que não me alcançaria nem correndo
pois não sou lebre no prado
mas ígnea mente ardendo!

O corpo perdeu fulgor no tempo
mas amadurou, melhor discernindo
como se ofertar, doce, procurando
o teu prazer e no seu recolhendo
o teu néctar de nácar, no gesto meigo
de quem te entrega a alma num beijo!


Maria





Direito e avesso



Quem é esta sereia

que se afoga na água

e em terra não caminha?

Quem é que me habita

e contra mim conspira?

Quem se dá aos outros

mas a si se nega?

Quem em mim protesta

contra a injustiça

mas se mantém escrava?

Que me faz gaivota

com ninho na areia?

Porque tanto caminho

no escuro da terra

fitando a clara lua?


Maria

24/11/2002





Asas soltas


Sinfonias

Redescobertas

Cantam fonemas

Infinito jogo

Lúcido revérbero

Secreto mas nu

Nascente e foz

É verso o rio!



Maria




Ao Mestre, com carinho



Devo-te o pouco que sou

todo o meu pequeno céu

todo o bem que me calhou

e trago sempre comigo


tua extrema paciência

despertou a inteligência

com dedicado carinho

abrindo-me o caminho

que seria o meu futuro


E quando nos encontramos

olhos nos olhos sentimos

que um e outro crescemos

mas o tempo não passou!


Maria






Amor, difícil Amor!



Amor, difícil amor
Mas quem de amar fugir
Por ter medo de sofrer
Morrerá sem existir!

Maria







Amizade não tem fim


Pego os teus versos,
onde álgida tristeza transluz
como pendente de gelo
e ternamente os acolho
dentro do peito amigo
onde te guardo.
Não é distância o silêncio
se um forte sentimento
de fraterna união
nos mantiver aliados

Palavras caladas
falam tão alto!
Maria







Aleluia, cantarei!

Aleluia! Gritarei
Com quantas forças tiver
Quando o Bem ao Mal vencer!
Maria





Depois do Amor

Permanecer cingida contigo
Enlaçados, num suspiro de alívio
Entregues ao repouso perfumado
De jasmim e de açucena...
Ressumados,
Os nossos corpos fundidos
Finalmente descansados!


Maria





Ah, memórias…

Vagueiam perenes trazendo rostos
Noites em claro salgadas de angústias
Afogadas em extintas mas doces lembranças!


Maria





Dá-me...



Dá-me o arco de um abraço,

o encontro do teu coração!

Dá-me o brilho dos teus olhos

acesos. Não mais solidão!

Dá-me uma trova de esperança,

onde a minha alma delida

se renove em melodia…

Dá-me o vento das alturas,

o sol puro das manhãs!

E frescas, orvalhadas ervas

que extingam passadas vãs!


14/05/2007

Maria





Caio


pérola a pérola

pétala a pétala

aberta flor

transparente manhã

azul nácar

dourado alvor!


Ao Amigo e Poeta Caio Lucas



Maria Petronilho







A rosa que tu me deste!

A rosa que tu me deste
Donde foi que a trouxeste?
Persiste linda e viçosa.
E contra o que é costume,
Mantém um leve perfume,
Na aura deliciosa
Efémera será a flor,
Se bem seja invulgar
Porém, quando ela murchar
Hei-de as pétalas guardar
Intercalando poemas
Para que nunca se apague
A memória deste dia
Em que a poesia
Rimou com a alegria
Neste encontro de amizade!





A escrita



Foi a luz que me alumiou
Foi a bússola no meu percurso.
Sem ela
O ter sido e o Ser
Talvez nunca tivessem sido.
Talvez nunca me tivesse
Encontrado a Mim.
Talvez não tivesse nunca
Ocupado o meu espaço
No mundo nem na vida,

Dado que tudo me foi negado.

Em sã consciência afirmo,
Ter sido e ser
Minha escrita
O visível do meu poema

Minha estrela e minha espada.



Maria






Enamorados



Rosas trepadeiras

em cachos florindo

desvairados beijos!


A um amigo doente


Talvez um dia
Me transforme em cisne
E ao encontrar-te afaste
Com as minhas grandes asas
Os abutres que rondam
Em roda do teu pobre corpo.
Talvez surja nos teus sonhos
Mulher-ave
Mulher-branca,
Soprarei o pesadelo
Que em febre te consome.
Varrerei com o meu semblante
Essa aura negra de morte
Que envolve e ameaça
Tua vida indefesa

Porque sou da vida o começo,
Sagro a vida no meu seio!

Maria Petronilho


Asa de Lua


Que essa asa de lua

Que me saúda e que passa

Para se encontrar com a tua

Na manhã que recomeça

Nos traga da paz a esperança

Leve longe a ameaça

Que sobre todos nós paira



Que Deus ilumine os sonhos

Dos Senhores da Desgraça

Ilumine as suas almas

Como essa asa de lua

Que no céu divino passa

Lhes traga de novo ao peito

Seus corações de criança.



Dedicado a DD/9/3/2003

Maria Petronilho




SUSANA

S ê flor, mesmo quando as geadas virem
U surpar-nos o fulgor do sol… brinca
S abendo que nada se repete e que agora
A ma com deleite, degustando lentamente
N ada te impeça de prosseguir alegre e ditosa
A ssim! Bendigo este dia e brindo ao futuro!



Glória ao dia em que nasceste
arrojada poeta com asas no vento e pés no caminho
que desenhas!

com muito carinho,
Maria Petronilho





















sexta-feira, fevereiro 23, 2007


Transição

A leve brisa perpassa
Soltando a folha amarela
Que enquanto rodopia
Exulta no ocaso e sonha
Ter-se tornado perfeita
Ressurgindo noutra vida
Em forma de borboleta.


Maria petronilho,
Lisboa, 7/8/2004


O MEU GRITO

Tal como um raio revela
A sobeja cobardia
Que perfidamente intenta
Emaranhar a lisura
Em jogos de infame intriga,
O grito incontido desvenda
O perverso estratagema
Do calculista na sombra
Que o meu grito estraçalha
Na caverna onde se acoita
Rasgo a mudez do silêncio
Do meu grito se faz eco
E tal eco se faz canto
Alastrando no céu limpo
Revelo a nítida auréola
E o meu grito desabrocha
Em flor, borboleta que voa
Transluzindo evidência
Isento esplendor da alma!

Maria Petronilho















QUE O SILÊNCIO FLORESÇA!



Abra janelas de esperança


para estradas de bonança


onde um dia esqueceremos


os espinhos que calcámos


nas flores que ora bordam


e perfumam os passeios






Merecemos, pois lutámos


contra forças desmedidas


Mostrengos, Fúrias, mentiras


chegaremos ao oásis



com o qual sempre sonhámos!

Maria Petronilho

sexta-feira, agosto 04, 2006





APAIXONADO

De repente o teu sorriso
alegre pardal vadio
no meu coração se aninhou!

Maria Petronilho

sábado, julho 15, 2006


ENFIM POETA E MULHER














STAR-OF-HEAVEN-Eduard Hughes




Espero merecer morrer num dia de intenso sol
sem ninguém se aperceber que a minha alma se vai
presa num dos tantos raios que ligam a terra e o céu
e que alfim me guiarão para um espaço além dor
para um lugar só de amor onde poderei ousar
ser poeta e mulher sem ninguém me estranhar

num lugar onde não cabem arrogância e poder

ao resto de mim que ficar não importa o acontecer
não será meu sequer será resto a fecundar
o chão donde há-de nascer nova vida a luzir

o eu que sou há-de estar num cosmos a acordar
sem ninguém me censurar o ser poeta e mulher!

Lisboa, 27/1/2004




Al Fin Poeta y Mujer

Maria Petronilho
Versão em espanhol: Alberto Peyrano

Espero merecer morir un día de intenso sol
sin que nadie se dé cuenta que mi alma ya se va
abrazada de algún rayo que liga la tierra al cielo
y que al final me guiará muy distante del dolor
hacia el reino del amor donde al fin me atreveré
a ser poeta y mujer sin que ninguno me extrañe

un lugar donde no caben ni arrogancia ni poder

y a lo que de mí va a quedar no importa lo que suceda
pues eso no seré yo será un resto que fecunda
el suelo para dar más nueva vida y nueva luz

lo que yo soy ha de estar en el cosmos despertando
sin que nadie me censure si soy poeta y mujer!

Lisboa, 27/1/2004

domingo, fevereiro 12, 2006





















Mãe Eterna



Pomba branca,

tão breve, tão corajosa

ave linda que Deus trouxe

por um átimo à terra

astro que foste

cometa

e atrás de ti deixaste

no esmo frágil centelha

em soledade ferida



ah, mãe como eu aspirava

cobrir-te de rosas brancas

neste dia de lembranças!

mas relembro só de mágoas

as tantas flores que levavas


como se fosse este instante


como se do além pudesse

erguer-te mais que lembrar-te

ouvir-te e ter-te presente


beijo, amada, a tua sombra

aonde o céu te mantenha

esperando a tua filha

desvalida e pequena


desde que te foste embora

uma densa nuvem negra

abafou sua vida


Maria Petronilho
7/5/2005

sábado, setembro 10, 2005



A SAUDADE É UM PORTO DE PARTIDA

A saudade é uma vela
translúcida, vibrante, acesa

representando uma estrela
tanto arde e não se queima!
não é de terra nem de água

mas é transparente, voa!

É ponte que nos mantém
unidos além donde somos
sempiternos viageiros

Saudade é flor de arco íris
luze no céu e revemos
o ser amado presente.

No imo das nossas almas

.. saudade é uma dor doce

não um barco mas um porto
donde se parte e se chega
prevendo que nos abriga



Almada, 14/11/2004

quinta-feira, setembro 01, 2005






INJUSTIÇA

Quando o homem rico
faz mal
todos acodem a descupá-lo
porque têm medo dele.
Quando o homem rico
erra
Todos dizem não errou
e sorriem
e o caso passa.
Mas se o homem pobre
faz mal
todos, todos o acusam
para agradar ao homem rico.
Mas se o homem pobre
erra
é preso, torturado, morto
e os outros, indiferentes,
encolhem os ombros e dizem
"era um pobre diabo"
e a vida continua.

porque tem de ser assim?
Quando acabará a diferença?
Homem pobre, porque esperas?
Sacode de ti esse jugo!
Tens direitos como o rico
luta por eles, por ti!

Maria Petronilho

quarta-feira, julho 13, 2005





angústia


presa vela
no rio
vejo os sonhos
que não tenho

não me deixa
navegar
para longe
deste esmo

que angústia
me enlaça?
parada
na lua nova?


16/6/2003



















Sinfonia da saudade

Embalo
Quebranto
Levando
A ternura
De longe estar

Escutar o sentir

Ir
Além do olhar

Ficar
Luz acesa
Na penumbra

Na saudade de amar
Esta sinfonia
Na alma calada
Que chora a cantar


Maria Petronilho
Luar Adentro


Porque varar madrugadas
De olhos abertos no escuro
Sabendo quanto me sonhas
E os teus sonhos pressentindo

Distintos doces murmúrios
Ao descortinar da sombra
Purpurina que fascina

Vão se emanando os dias
Nós amplas rosas abertas
Velando o zimbório de estrelas

Fúlgidas breves eternas
Esvoaçando desatadas

Meditando que as cadeias
São meras ilusões apenas,

A vida corre e nós nelas!



Lisboa, 12/9/2004
DA OCIDENTAL TERRA LUSITANA


ARDE O POUCO QUE INDA RESTA
DA NOSSA TERRA BENDITA
NINGUÉM ESTRANHA, NINGUÉM GRITA
ALÉM DA NOSSA DESDITA
TUDO VARRE A LABAREDA
NESTA TERRA RESSEQUIDA
SÓ A CINZA COBRE A TERRA
POVO AMADO, QUE SOU EU
INDAGO PARA COMIGO
QUEM FOI QUE TE CONDENOU
A TÃO INFAME CASTIGO?

FOME... SEDE... DESEMPREGO

ATÉ O CHÃO SE CONDOE
AO VER A GENTE SOFRENDO
ARROSTANDO O DESALENTO
MAS PERSISTINDO LUTANDO

HERÓIS DO MAR SEM NAVIO!




DE LA OCCIDENTAL TIERRA LUSITANA

ARDE LO POCO QUE AÚN RESTA
DE NUESTRA TIERRA BENDITA
A NADIE EXTRAÑA, NADIE GRITA.
MÁS ALLÁ DE NUESTRA DESDICHA
SE EXTINGUE LA LLAMARADA
DE ESTA TIERRA YA RESECA
CUBIERTA POR LA CENIZA.
PUEBLO AMADO, QUE SOY YO,
INDAGO PARA CONMIGO
¿QUIÉN FUE QUE TE CONDENÓ
A TAN INFAME CASTIGO?

HAMBRE... SED... EL DESEMPLEO

HASTA EL SUELO SE CONMUEVE
AL VER LA GENTE SUFRIENDO
AFRONTANDO EL DESALIENTO
Y EN LA LUCHA PERSISTIENDO

HÉROES DEL MAR SIN NAVÍO!


8/7/2005
Maria Petronilho
Versão em castelhano: Alberto Peyrano

terça-feira, julho 12, 2005

GATA FELIZ

Feliz, feliz, feliz!
Quero-te eternamente feliz
como te guardo no peito
do lado esquerdo
aonde bate o coração traiçoeiro
mas nós insistimos em fintá-lo
pois somos e seremos
felizes, felizes, felizes
pra sempre

E gatas... ocasionalmente!



(Parabéns, amiga Gata Feliz!)

11/7/2005
Lilases e rosas


Noite de perfumes misturados,
que permanecem jungidos
na alquimia dos corpos,
saciados mas não exaustos
pois a cercania basta
para estimular a chama

noite recamada de brilhos

diademas de luz,
propícios berços etéreos
aonde nos embalamos
abraçados e enfim lassos
enleamos nossos braços
cerramos os olhos risonhos
resvalam dos nossos sorrisos
indícios do amor que nos demos
ternamente nos deitamos
na doce teia de sonhos
enredados por Morfeu

Amanhecerão enlaçados os lilases viçosos e as rosas molhadas de ondas ansiosas


11/7/2005

Jacek Yerka


Choro de Alerta... !

Rebrilham intensas chamas
Incêndios devoram florestas
ardem casas e aldeias
desarvoram as pessoas
ateadas as fogueiras
são lançadassobre as copas
semeaduras e matas
nas sedentas serras reacendem as chamas
atabafadas
gentes animais e plantas
perecem incineradas
baldadaslágrimas
suores cansaços tantas dores escusadas
crepitam choros aflitos
o fumo afoga os gritos
não chegam suor e prantos
para debelar fogos postos
ardem as nossas florestas
consomem-se as nossas esperanças
com tanto amor semeadas
lutamos ao extremo exaustos
enquanto de longe outros
se riem dos nossos esforços
e refastelados se esbaldam
nas piscinas





LLANTO DE ALERTA...!

Brillan las intensas llamas
El fuego devora el bosque
Arden Las casas y aldeas.
Envuelta en llamas, la gente.
Sobre las copas de los árboles
Las hogueras son lanzadas arden los campos, los bosques,
Hasta en las sierras sedientas se avivan
Las llamas enloquecidas
Gente, animales y plantas
Perecen incinerados
frustraciones lágrimas sudores cansancios
tantos dolores
sin sentido crepitan llantos
aflicciones
el humo ahoga los gritos
no llegan sudor y llantos a dominar ese fuego
Arden enteros los bosques
Consumiendo la esperanza
Con la que fueron sembrados
Luchamos hasta el extremo
exhaustos
mientras a lo lejos, otros,
se ríen de nuestro esfuerzo
y suntuosamente se alivian en sus piscinas.


Versão libre em espanhol Alberto Peyrano (Argentina)
3/3/2003