terça-feira, janeiro 27, 2004

Na noite de breu
só há uma estrela
mas não está no céu
a guiar minha vela...

no negrume sem fim
vou sozinha
sozinha
que essa estrela única
é minha

levo-a eu, dentro de mim...

Manhã morreste, Mãe
Manhã ficaste...
Mas renasces dada dia
Dentro de mim,
Primavera

Ligamo-nos
Como as estações.
De mim, que não findei
Teu amor floriu
E achou do mundo
Mais que as cinzas e brumas
Em que te embalou

Tu caíste a prumo
Na glória de teus dias.
Eu, frutiquei
Um elo suspenso
No incógnito

Amor que nos uniu.


pleno
e tão
sincero
se faz
o sorriso!
Ainda
que esteja
escondida
a lua
e o céu
na colcha
de névoa
que leve
anuncia
a noite
do primeiro dia
do mês
de setembro,
cante leve
o vento
nas douradas
folhas
nas frutas
maduras...
bendigo
o outono
até nós chegando.
Que bom é
vivê-lo
total
fundo
intenso!
Íntima
certeza,
estação
do bom-senso,
mantendo
a centellha
do amor
e do sonho.
Fulgente
aurora
de onde
pura
solta
emerge
cantando
a poesia!
Paira
no céu alto
ténue
nevoeiro
...mas um fogo
imenso
renasce
no peito,
que mais
brilha
a esperança
que o ouro

e mantenho
límpido
o sorriso!

pleno
e tão
sincero
se faz
o sorriso!
Ainda
que esteja
escondida
a lua
e o céu
na colcha
de névoa
que leve
anuncia
a noite
do primeiro dia
do mês
de setembro,
cante leve
o vento
nas douradas
folhas
nas frutas
maduras...
bendigo
o outono
até nós chegando.
Que bom é
vivê-lo
total
fundo
intenso!
Íntima
certeza,
estação
do bom-senso,
mantendo
a centellha
do amor
e do sonho.
Fulgente
sorriso
aurora
de onde
pura
solta
emerge
cantando
a poesia!
Paira
no céu alto
ténue
nevoeiro
...mas um fogo
imenso
renasce
no peito,
que mais
brilha
a esperança
que o ouro
e mantenho
límpido
o sorriso!

Cerrar as pálpebras,
senti-las cair pesadas
como no outono
as pétalas às rosas...

Mas não!
Toma conta de mim
tal inquietação
tal delírio de prosas
tal aurora de poesias
soltas brisas,

que me quedo insone
voadora peregrina
na asa
da minha própria sombra

frágil
tão frágil e tão pequena
desassossegada
clamo ao que me cerca
e me assombra
de dor humana

Ser ínfima poeira
acordada
ver tanta injustiça e cegueira
e não poder fazer nada!

Habito numa árvore enorme
Em que cada animal dorme
Fechado em seu egoísmo

Moro numa selva nua
Anónima, desabitada
Onde tudo se atropela.

No meio do meu dilêncio
Ergo minha voz e canto
Ou, se há demais sofrimento,
Ninguém se ri do meu pranto.

Entre terra e céu construo
Meu jardim, e nele habito.
Chamo-lhe Éden e ninho
Canto alegre, meu recanto.

Pássaros chamam e eu digo
O que digo e vejo e escuto,
Meu carinho retribuído.

Crescem flores em todo o lado.
Tenho os rios num aquário
E o silêncio em que fico.

E há duas felinas mansas
Que vêm pedir-me mimo,
Como fazem as crianças.

Quando a dor é meu tormento
Vêm pousar-me no colo,
Consolar-me com carinho.

Lá fora, dizem, é o mundo!
Mas aqui dentro, acredito,
Meu oásis do deserto,

... chamo-lhe meu paraíso.


Chamarás desditoso ao grilo
por ser negro?
Quem canta às estrelas?
Quem na noite soa
E nos embala?
Quem trila que trila
Sem parar?

Ah, a saudade de estar
Numa janela qualquer
Numa aldeia junto ao mar
Quieta
No silêncio suspensa
Sobre o penhasco
Escutando
O grilo e o mar
Companheiros do meu choro
Vozes brandas murmurando
É cantar!
É cantar!
É cantar!

Ah, se eu pudesse
tranformar-me em borboleta
que secreta te seguisse,
escondida viajassse
na aba da tua sombra!


A frescura do teu dia,
centelha na noite escura!
No teu sorriso brilhasse!


Soubesse a mel a lembrança
que meu sabor te deixasse
e breve ausência bastasse
pr'a sonhar reencontrá-la!


FALAR DO AMOR
É FALAR AO SOL DA LUZ
PEDIR ÀS ESTRELAS QUE
SE AFOGUEM NA PAZ

FALAR DO AMOR
É FALAR NA SEDE DA FONTE
À TERRA ESBRASEADA P'LO CALOR

FALAR DO AMOR
É VER QUE OS MEUS OLHOS
BRILHAM MAIS INTENSOS
SE NELES REFLECTEM
A FOME IN(QUIETA) DOS TEUS.



NÃO TE PEÇO A QUIETUDE
RIBEIRINHA
TRANQÜILA
MANSA
ESVERDEADA
DA DOCE ÁGUA PARADA



PEÇO-TE ONDAS
PEÇO-TE SAL
PEÇO-TE EXALTADAS
ÂNSIAS
QUE SALTEM
DE ENCONTRO ÀS MINHAS



NÃO QUERO SER MARGEM
BRANQUINHA
tranqüila
PASSIVA


QUERO-TE MAR MINHA MARGEM
DE ARRIBA.
PERDIDAMENTE PERDIDA
ENSEADA.
ESCARPA
POLVILHADA
DE FÚLVEAS
GRITANTES
GAIVOTAS.


MAS VEM DE MANSO,
MARÉ BAIXA,
DEIXA QUE A ROCHA
TÃO SECA
A TI SE ABRA,
FAMINTA
DA TUA
PROCURA.


DEIXA-ME ENCONTRAR
A TUA SEDE
NA MINHA,
DEIXA ACONTECER,
FLUIR MEU SER



ATÉ TEU QUERER ENCONTRAR.



RUBRA FLOR
DE MIM EM MIM
ESCONDIDA
PÉTALAS DE CRAVO NEGRO
CÁLICE DE RUBRA ROSA

FLOR DE ONDE A VIDA EMANA
QUE EM SI MESMA PULSA VIDA
QUANDO A PAIXÃO SOA
TOCA SEU VELUDO
DE MISTÉRIO DE BÚZIO

CORPO DE BILHA INVERTIDA
POR ONDE A SEIVA SE INFILTRA
RENASCENDO VIVA VIVA
GRITA EXALTA-SE RESPIRA

FLOR DE MIM QUE SOLUÇA SOLITÁRIA
VAZIA DE NÉCTAR DE AMBRÓSIA
VIERA INUNDÁ-LA AURORA
PERFUMÁ-LA A MARESIA

FLOR SAGRADA FLOR
MÃO ESTENDIDA
FONTE PUJANTE
LÍMPIDA RIA
DELTA DE MIM QUE SOU FEITA
À IMAGEM DA MÃE TERRA
LUA LIRA

CRAVO NEGRO
RUBRA ROSA
MEU CÁLICE
EM FLOR
ORQUÍDEA.


Todo o poema é feito de alma
na tela
na torre que se ergue ao céu
na figura descoberta
tirado o excesso de pedra
de madeira que o escondia
todo o poema é voz
que vivia escondida
e se lança irreprimível
solta canta canta e voa
da mão da voz
poeta sofredor
sê o instrumento
da poesia flama!

Entender
ouvir o não dito
perceber e aceitar
o oculto
humilhar-se e engrandecer
se dar e se confiar
abrir todo o coração
aos que só mostram janelas
chaves de segredo
que ora abrem ora não
corações de labirintos
a dizer-nos que o não são.

ver mais altos os contos
que as contas.
esconder o altruísmo
carecer e dizer não
fechar os olhos
deixar-se ver
e parecer cego.

Ser rosa
que no vento se desfolha
semente
perdida na terra
dura de pedra

a florir ternura
sem outra ventura que esta
ser tida por louca
a poeta!


O meu país é o mar,
Tão cheio de lonjura!
De sol, de águas, de ondas
Saltando de além-ternura!

De aves brancas, brancas, brancas,
De ouro polido a luzir
E risadas a explodir
Na voz pura das crianças!

Meu coração, ele o fez:
Fado,
Má sina, talvez!
Mas no olhar,
Um riso de asa,
Ou não fora
Português!
ESPERANÇA!
ESPERAR SEMPRE
DESDE SEMPRE
E AINDA

ESTA FORÇA VERDE VIVA
A LUZIR AO FUNDO DA ALMA,
QUE SOFRE TANTO
E VAI SOZINHA,
VENDO-SE NO ESPELHO
SÓ
DE SI-MESMA.
(COMO SE FORA AINDA
A
MENINA
QUE CRIA E INSISTIA
INSISTIA EM SORRIR)

ESPERANÇA!
LUZ VERDE VIVA
NA ALMA DORIDA
QUE ACREDITA
QUE NEM TODO O MAL
QUE HABITA
NA INCERTEZA

NOS FAZ SER MAUS,
DESACREDITAR
NA LÍMPIDA PUREZA
QUE SE PROCURA.

Meu sonho
esvaiu-se
no vento
voou
como um pensamento,
não sei
onde foi
parar.
Meu breve sonho
sorrindo
aos poucos
se foi
sumindo
não sei onde
o vou achar.
Meu sonho tão breve
ardeu
a tristeza
o varreu.


... tenho medo
de sonhar.


Eu bem canto o meu poema
de revolta e de alerta
mas os surdos não me ouvem
mas os mortos não reagem
e os obstáculos não deixam
que as ondas do eco passem!
eu bem grito o meu apelo
de justiça para todos
mas monstros devoram meus sons
e não há ninguém que venha!
e fico rouca, cansada
de cantar para tantos surdos
de lutar com tantos monstros
mas, contudo, tenho esperança
de que um dia o eco surta
e que os mortos ressuscitem!
por isso sigo, cantando
meu poema feito grito!


QUERIA DAR A MEUS VERSOS
O TOM MELANCÓLICO
DA CHUVA A CAIR NO SOLO.
QUERIA DAR-LHES TONS RUBROS
DE LABAREDAS EM NOITE NEGRA,
MAS NINGUÉM ENTENDERIA!
OS MEUS VERSOS
NÃO PASSAM DE CHORO CONTIDO,
DE LÁGRIMAS QUE NÃO VAZEI
SENÃO PARA DENTRO DE MIM,
OU EM LETRAS NO PAPEL.

guardai glórias
e fortunas
escondidas atrás de vidros
de cortinas
de janelas

enseadas primaveras escondidas
negais-vos ser margaridas
negais-vos ser som
quimeras

en-cantadas
e
em
cantadas

incontidas
almas

brilhai sem medo
na aurora

que importa
ser o agora

se o nu Nada
além nos espera?

Soltai E sede
cantai cantai

o Ser

está á espera

e faz tanta tanta falta!
Minha sina
Ser Mulher
Etéreo suave ser
Como um insecto
Uma flor
Minha essência
Voar
E
Sorrir
Multiplicar
Em mim cultivar
Amor!