sinto-me
tão-só
centelha
como se me diluísse
não mais ser
me contivesse
tão-só
como outrora fosse
luz divina
que pairassse
que outro ser me emprestasse
e já de si tão alheia
apenas
luz se perdesse
nada do que fui
soubesse,
do que serei
me pesasse!
terça-feira, janeiro 27, 2004
Hei-de Cantar!
Quero que a canção
permaneça
em meu coração
em meu verso
em meu tormento
minha desolação.
Quero que a canção
não estanque
seja para sempre
artéria a brilhar
escarlate
até que meu ser se esgote
Hei-de cantar!
ai, vou cantar!
Digam que não posso
nem devo,
deixai-os dizer!
desobedecendo fui e irei!
Hei-de continuar
cantando!!!!
Quero que a canção
permaneça
em meu coração
em meu verso
em meu tormento
minha desolação.
Quero que a canção
não estanque
seja para sempre
artéria a brilhar
escarlate
até que meu ser se esgote
Hei-de cantar!
ai, vou cantar!
Digam que não posso
nem devo,
deixai-os dizer!
desobedecendo fui e irei!
Hei-de continuar
cantando!!!!
De olhos abertos
Bem podeis amordaçar-me!
Que me importa,
se estou viva
e tenho um coração que canta?
Bem podeis ir buscar cordas
e amarrar-me ainda mais,
que importa
se sou livre
e o meu espírito tem asas?
Bem podeis meter-me em masmorras,
nada importa!
Continuarei a gritar
que é meu o universo.
Bem podeis cortar-me a garganta,
nem isso importa!
À terra grande e livre
legarei meu corpo:
Morrerei de olhos abertos!
Bem podeis amordaçar-me!
Que me importa,
se estou viva
e tenho um coração que canta?
Bem podeis ir buscar cordas
e amarrar-me ainda mais,
que importa
se sou livre
e o meu espírito tem asas?
Bem podeis meter-me em masmorras,
nada importa!
Continuarei a gritar
que é meu o universo.
Bem podeis cortar-me a garganta,
nem isso importa!
À terra grande e livre
legarei meu corpo:
Morrerei de olhos abertos!
As Pontes
Vejo o sol que amanhece no céu sereno.
A terra canta em silêncio nas margens do rio
se pontes servirem de passagem entre margens
que não transpostas a ferro e fogo
em violento desafio, pela arrogância de dizer eu venço,
eu tenho, eu mando - eu mando! - eu posso;
de nada servirão. Que caiam inteiras.
Para que as pontes entre os que não procuram o encontro?
Mero engano de que rio; mero engano por que choro
com as vítimas inocentes deste jogo
jogadas como peças no desumano desvario.
No horizonte envenenado de cinzento o sol renasce entretanto
escondido, esquecido seu ouro vivo de sempre-eterno encanto
Vejo o sol que amanhece no céu sereno.
A terra canta em silêncio nas margens do rio
se pontes servirem de passagem entre margens
que não transpostas a ferro e fogo
em violento desafio, pela arrogância de dizer eu venço,
eu tenho, eu mando - eu mando! - eu posso;
de nada servirão. Que caiam inteiras.
Para que as pontes entre os que não procuram o encontro?
Mero engano de que rio; mero engano por que choro
com as vítimas inocentes deste jogo
jogadas como peças no desumano desvario.
No horizonte envenenado de cinzento o sol renasce entretanto
escondido, esquecido seu ouro vivo de sempre-eterno encanto
Filha de deus menor
Quando me chamam poeta
Sorrio e penso:
... mas filha de um deus menor.
Calo o espanto
De me ver descoberta sem esforço
Por outro lado,
Se existe um Deus Menino
E tudo o que vive cresce,
É justo que Deus
Também assuma a idade
Que eu assumo quando cresço,
Para me assemelhar à imagem
Da qual o Homem foi feito
Ou que o Homem cria
No lado bom de si mesmo.
Fico no desconforto
esperando
Encontrar um braço do rio
Do conhecimento,
Um cais de onde me lance
no encontro
e me seja permitido beber um pouco
Ah ao menos um pouco,
Matar esta sede que sinto!
Quando me chamam poeta
Sorrio e penso:
... mas filha de um deus menor.
Calo o espanto
De me ver descoberta sem esforço
Por outro lado,
Se existe um Deus Menino
E tudo o que vive cresce,
É justo que Deus
Também assuma a idade
Que eu assumo quando cresço,
Para me assemelhar à imagem
Da qual o Homem foi feito
Ou que o Homem cria
No lado bom de si mesmo.
Fico no desconforto
esperando
Encontrar um braço do rio
Do conhecimento,
Um cais de onde me lance
no encontro
e me seja permitido beber um pouco
Ah ao menos um pouco,
Matar esta sede que sinto!
Das Idades
A velhice é um rompimento
Do compromisso
Entre a alma e o corpo,
Divórcio adiado.
Às vezes adormeço quieta
Na juventude tão certa...
De noite algo de transcendente acontece:
Acordo nas garras de mil anos
Que me carregam os ossos.
Enquanto os olhos lentamente despertam,
Peço encarecida aos nervos
Que me reconheçam
Me ressuscitem
Me sustenham e reunam
Geralmente me sinto menina pequena,
Como pareço.
Passo assim as largas horas brincando.
Esquecida de quanto sou breve,
Procuro
Ir aprendendo à revelia dos mestres,
Das primaveras, das chuvas.
Reconheço que é raro
Medir-me e saber-me na idade que, dizem,
Tenho
Embora seja estranho;
porque de atingi-la e vivê-la,
Em coerência com a minha poesia,
É das poucas proezas de que me orgulho.
A velhice é um rompimento
Do compromisso
Entre a alma e o corpo,
Divórcio adiado.
Às vezes adormeço quieta
Na juventude tão certa...
De noite algo de transcendente acontece:
Acordo nas garras de mil anos
Que me carregam os ossos.
Enquanto os olhos lentamente despertam,
Peço encarecida aos nervos
Que me reconheçam
Me ressuscitem
Me sustenham e reunam
Geralmente me sinto menina pequena,
Como pareço.
Passo assim as largas horas brincando.
Esquecida de quanto sou breve,
Procuro
Ir aprendendo à revelia dos mestres,
Das primaveras, das chuvas.
Reconheço que é raro
Medir-me e saber-me na idade que, dizem,
Tenho
Embora seja estranho;
porque de atingi-la e vivê-la,
Em coerência com a minha poesia,
É das poucas proezas de que me orgulho.
Não olhes mais meus olhos
Não, não olhes!
Tristes de ti por ti
Te farão triste
De tal amor, tão louco amor
Que semeaste
Em coração de fértil dar
Mas não colheste.
Lágrima solta vadia
Deixa correr
Que tanto seus caminhos sabe
A de sofrer
Deixa que sonhe e pense
Quem deveria
Nem nunca sequer ousado
Sequer nascer.
Não, não olhes!
Tristes de ti por ti
Te farão triste
De tal amor, tão louco amor
Que semeaste
Em coração de fértil dar
Mas não colheste.
Lágrima solta vadia
Deixa correr
Que tanto seus caminhos sabe
A de sofrer
Deixa que sonhe e pense
Quem deveria
Nem nunca sequer ousado
Sequer nascer.
singular silhueta
Que soprem diáfanos e brancos
os ventos de mudança
que varram a tristeza sem nome
que por mim passa
que se percam no longe
nos confins
onde a esperança
houvera dar por si renascida
que se erga imensa e clara
a figura
única
de minha alma com a tua
singular
silhueta
de dádiva
cúmplice como outrora!
Que soprem diáfanos e brancos
os ventos de mudança
que varram a tristeza sem nome
que por mim passa
que se percam no longe
nos confins
onde a esperança
houvera dar por si renascida
que se erga imensa e clara
a figura
única
de minha alma com a tua
singular
silhueta
de dádiva
cúmplice como outrora!
Tentando reencontrar-me
percorro
um a um
todos
os caminhos antes percorridos
tantos escolhos
tantos espinhos
suponho
deveriam meus pés
acostumados
a nenhuns desvelos
incólumes percorrê-los
Mas não!
é vão pensar-se
que existam antídotos
fabricados
de sofrimentos passados
erro num ermo
eterno
mas vou
(talvez no engano)
desesperado
de vir a ver a luz
o branco nenúfar
a clara
fulgurante
mágica
verdade
de que se faz
minha ideia
ávida
de bonança.
percorro
um a um
todos
os caminhos antes percorridos
tantos escolhos
tantos espinhos
suponho
deveriam meus pés
acostumados
a nenhuns desvelos
incólumes percorrê-los
Mas não!
é vão pensar-se
que existam antídotos
fabricados
de sofrimentos passados
erro num ermo
eterno
mas vou
(talvez no engano)
desesperado
de vir a ver a luz
o branco nenúfar
a clara
fulgurante
mágica
verdade
de que se faz
minha ideia
ávida
de bonança.
Falta-me o tempo,
Foge-me a vida.
Queria varrê-la agora
Com a vassoura de prata
De pontas entrelaçadas,
De bicos entretecida.
Mas falta-me o tempo,
A vida...
Queria fechar os laços
Que sangram na minha alma,
Queria secar a ferida,
Queria limpar a face
De lágrimas percorrida,
Mas falta-me o tempo, foge...
Fugindo, me leva a vida.
Queria dizer a todos
Que fiz do ódio Amor
E da pancada carícia,
De fel doce mel criei
Que floresci
Os espinhos
De minha vereda
Que rejeitei
Maus caminhos
Que segui
Os meus sentidos
Que fui Eu
Somente e ainda.
Mas sinto fugir-me a vida...
Sinto o frio
Sinto a terra
Fecho os olhos
O ar me falta
Breve o sol desaparece
Uma doce nuvem paira
Sinto em terna paz minha alma
Sinto-me desvanecer
Já quase não sinto nada!
Foge-me a vida.
Queria varrê-la agora
Com a vassoura de prata
De pontas entrelaçadas,
De bicos entretecida.
Mas falta-me o tempo,
A vida...
Queria fechar os laços
Que sangram na minha alma,
Queria secar a ferida,
Queria limpar a face
De lágrimas percorrida,
Mas falta-me o tempo, foge...
Fugindo, me leva a vida.
Queria dizer a todos
Que fiz do ódio Amor
E da pancada carícia,
De fel doce mel criei
Que floresci
Os espinhos
De minha vereda
Que rejeitei
Maus caminhos
Que segui
Os meus sentidos
Que fui Eu
Somente e ainda.
Mas sinto fugir-me a vida...
Sinto o frio
Sinto a terra
Fecho os olhos
O ar me falta
Breve o sol desaparece
Uma doce nuvem paira
Sinto em terna paz minha alma
Sinto-me desvanecer
Já quase não sinto nada!
lágrima
escondo
o
encanto,
desvio
calada
o
pranto,
desdigo
a
cor
do riso.
fonte
tremente,
vela
no rosto
à
deriva.
rio
fluindo,
desvendo
a
raiz
de mim,
roxo lírio.
levo
o
desfeito
mar
magoado
e
exponho
o
querer
sonhado
se
em minha fonte
surgira
a
esperança
o
brilho
claro
que fora
a
ventura
o
arco íris
a
opala
o
claro resplendor
da
aurora.
escondo
o
encanto,
desvio
calada
o
pranto,
desdigo
a
cor
do riso.
fonte
tremente,
vela
no rosto
à
deriva.
rio
fluindo,
desvendo
a
raiz
de mim,
roxo lírio.
levo
o
desfeito
mar
magoado
e
exponho
o
querer
sonhado
se
em minha fonte
surgira
a
esperança
o
brilho
claro
que fora
a
ventura
o
arco íris
a
opala
o
claro resplendor
da
aurora.
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