terça-feira, janeiro 27, 2004
morro de saudade
nada há que me console
poema algum que a lave
palavra alguma que role
tanta dor de ti silente
dentro da minha clausura
vibrante seta que fura
minha alma transparente
que neste silêncio grita
ais de mim e de lonjura
que partem de mim segura
se com a tua se encontra
se aos teus abraços se lança
como fonte de água pura.
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morro de saudade
nada há que me console
poema algum que a lave
palavra alguma que role
tanta dor de ti silente
dentro da minha clausura
vibrante seta que fura
minha alma transparente
que neste silêncio grita
ais de mim e de lonjura
que partem de mim segura
se com a tua se encontra
se aos teus abraços se lança
como fonte de água pura.
morro de saudade
nada há que me console
poema algum que a lave
palavra alguma que role
tanta dor de ti silente
dentro da minha clausura
vibrante seta que fura
minha alma transparente
que neste silêncio grita
ais de mim e de lonjura
que partem de mim segura
se com a tua se encontra
se aos teus abraços se lança
como fonte de água pura.
Vagueio
Entre terra e céu
Buscando um pouso
Tal um barco
Derivando
Procura um porto
Quero um farol
Que me ilumine
O desespero
Busco uma rota
Denego a âncora
Além ventura
Pende no mastro
A minha alma
Vela arriada
Como uma asa
Que se despena
Como uma flor
Que se desfolha
Na vaga aurora
Sem divisar
Sequer a sombra
Da sua queda.
Entre terra e céu
Buscando um pouso
Tal um barco
Derivando
Procura um porto
Quero um farol
Que me ilumine
O desespero
Busco uma rota
Denego a âncora
Além ventura
Pende no mastro
A minha alma
Vela arriada
Como uma asa
Que se despena
Como uma flor
Que se desfolha
Na vaga aurora
Sem divisar
Sequer a sombra
Da sua queda.
De passagem
venho falar-te da gralha
banhando-se
no fumo do teu cigarro
espanejando-se e saindo do teu cinzeiro abandonado
livre rebrilhando de negro azul qual fénix
para sair procurando seus pequenos cacos e nicos e ticos nadas
brilhos rebrilhos de azuis
usando ao inverso de ti e de mim
o mau para o bem
venho falar-te
da simples grandeza que existe na simplicidade
venho pedir-te. observa
há várias gerações que garça real pratica
na rã cirurgia genética
venho contar-te
de que tanto o gato doméstico se droga
na erva dos gatos que cresce espontânea no teu jardim
como o jaguar na trepadeira Iaga e livres prosperam
escondidos nas florestas da América do sul
enquanto os homens deixarem
em aparente contraste
venho falar-te
das renas
que escavam as neves espessas
em busca do cogumelo pintado de vermelho e branco
venho falar-te do povo sami
que vive na pré história em cadeia com a rena
e usa a sua urina para ter a ilusão que voa
tu fazes a festa do pai natal
qual de vos brinca de acreditar no quê?!
venho falar-te do lémur
embriagando-se na natureza
venho dizer-te que o pássaro do mel se alimenta mas nunca destroi a colmeia
venho pedir-te que acordes
sê és muito mais que uma besta humana
nota como todo o infinito se toca
pára e pensa!
venho falar-te da gralha
banhando-se
no fumo do teu cigarro
espanejando-se e saindo do teu cinzeiro abandonado
livre rebrilhando de negro azul qual fénix
para sair procurando seus pequenos cacos e nicos e ticos nadas
brilhos rebrilhos de azuis
usando ao inverso de ti e de mim
o mau para o bem
venho falar-te
da simples grandeza que existe na simplicidade
venho pedir-te. observa
há várias gerações que garça real pratica
na rã cirurgia genética
venho contar-te
de que tanto o gato doméstico se droga
na erva dos gatos que cresce espontânea no teu jardim
como o jaguar na trepadeira Iaga e livres prosperam
escondidos nas florestas da América do sul
enquanto os homens deixarem
em aparente contraste
venho falar-te
das renas
que escavam as neves espessas
em busca do cogumelo pintado de vermelho e branco
venho falar-te do povo sami
que vive na pré história em cadeia com a rena
e usa a sua urina para ter a ilusão que voa
tu fazes a festa do pai natal
qual de vos brinca de acreditar no quê?!
venho falar-te do lémur
embriagando-se na natureza
venho dizer-te que o pássaro do mel se alimenta mas nunca destroi a colmeia
venho pedir-te que acordes
sê és muito mais que uma besta humana
nota como todo o infinito se toca
pára e pensa!
Mãe,
De onde te veio esse sorriso
Na precaridade e no sofrimento?
Com que olhares me criavas?
Que de mim esperarias?
De onde a força que levavas
Na vida-breve, tormento?
Como pudeste prosseguir sabendo
Que nada além de maior dor te esperava,
Que nunca me criarias, como dizias,
e eu sabia que sabias?
Tanto lias... mas porque bordavas
E como Penélope tecias infinitas rendas
Por um Ulisses que não merecia as prendas
Dessas mãos imaculadas
Tão finas, de unhas cuidadas,
Mãos de menina que eras,
Que menina findarias?
Olhando o teu olhar estremeço
De orgulho e se me vejo no espelho
No meu olhar vejo o nosso
Mãe coragem, atravesso
As altas chamas do mundo
E como tu vou cantando
O Fado que, nos calhando,
Na nossa voz reconheço,
E de coragem recobro
Do pouco de ti que lembro
Vamos, na vida e na morte, sorrindo!
Para minha mãe, Alice de Jesus Gouveia Petronilho, 1932-1958
De onde te veio esse sorriso
Na precaridade e no sofrimento?
Com que olhares me criavas?
Que de mim esperarias?
De onde a força que levavas
Na vida-breve, tormento?
Como pudeste prosseguir sabendo
Que nada além de maior dor te esperava,
Que nunca me criarias, como dizias,
e eu sabia que sabias?
Tanto lias... mas porque bordavas
E como Penélope tecias infinitas rendas
Por um Ulisses que não merecia as prendas
Dessas mãos imaculadas
Tão finas, de unhas cuidadas,
Mãos de menina que eras,
Que menina findarias?
Olhando o teu olhar estremeço
De orgulho e se me vejo no espelho
No meu olhar vejo o nosso
Mãe coragem, atravesso
As altas chamas do mundo
E como tu vou cantando
O Fado que, nos calhando,
Na nossa voz reconheço,
E de coragem recobro
Do pouco de ti que lembro
Vamos, na vida e na morte, sorrindo!
Para minha mãe, Alice de Jesus Gouveia Petronilho, 1932-1958
Para te dizer do enlevo
Que trago no coração
Faria de minha voz brisa
E rumor de maré calma
Cantaria no idioma
Das folhinhas que despontam
Ao calor da primavera
Riria como um riacho
Saltando de seixo em seixo
E a voz de mil passarinhos
Soaria a teus ouvidos
Junto do meu coração
Cantaria na voz livre
Das baleias e golfinhos
Divertindo se
Entre bolhas e sorrisos
Seria eu voz eterna
A cantar uma canção!
Que trago no coração
Faria de minha voz brisa
E rumor de maré calma
Cantaria no idioma
Das folhinhas que despontam
Ao calor da primavera
Riria como um riacho
Saltando de seixo em seixo
E a voz de mil passarinhos
Soaria a teus ouvidos
Junto do meu coração
Cantaria na voz livre
Das baleias e golfinhos
Divertindo se
Entre bolhas e sorrisos
Seria eu voz eterna
A cantar uma canção!
Sopro e semeio pombas
na terra cega de ira
voem pombas brancas contra
Os estrondos e as chamas
eu semeio pombas brancas
ao escuro céu numa prece:
que levem a toda a terra
pão, ternura e alegria
calem os tiros e os prantos
apaguem as fogueiras de ira
sopro e semeio pombas
no céu escuro dessa guerra
p’ ra que o dia novo traga,
numa alvorada de esperança,
todas as cores da paz
na terra cega de ira
voem pombas brancas contra
Os estrondos e as chamas
eu semeio pombas brancas
ao escuro céu numa prece:
que levem a toda a terra
pão, ternura e alegria
calem os tiros e os prantos
apaguem as fogueiras de ira
sopro e semeio pombas
no céu escuro dessa guerra
p’ ra que o dia novo traga,
numa alvorada de esperança,
todas as cores da paz
De Abraçar os Sonhos
Menina sonhadora
morrerás acreditando
que asas de anjos perpassam
altas horas, de mansinho
soprando os teus pesadelos
nas noites só solidão;
menina que te desintegras
em carinhos de ilusão;
menina de olhos vidrados
postos na imensidão;
menina porque é que caminhas
sempre no gume do abismo
entre o nada e a ingratidão?
Levas os braços abertos
mas fica tão alto o céu
quanto acerado é o chão!
Menina sonhadora
morrerás acreditando
que asas de anjos perpassam
altas horas, de mansinho
soprando os teus pesadelos
nas noites só solidão;
menina que te desintegras
em carinhos de ilusão;
menina de olhos vidrados
postos na imensidão;
menina porque é que caminhas
sempre no gume do abismo
entre o nada e a ingratidão?
Levas os braços abertos
mas fica tão alto o céu
quanto acerado é o chão!
Do Fim do Amor
que nenhum amor se acabe
como uma ventania
que o coração nos arranca
que a nossa mente arrasta
para o vago longe nada
que o fim de um amor seja
tão suave como a brisa
colhendo uma por uma
as folhas cor de laranja
entre-o-amor construída
Que nenhum amor se acabe
como uma chuvada que inunda
destruindo a nossa alma
deixando-a pesada de lama
sem forma nem formosura
Que o fim do amor seja
chuva que cai pinga a pinga
no fim de numa tarde morna
em que a gota no chão forma
uma nuvem que se evola
Que Amor findaria nunca?
amar é o acto de Ser
e Ser É continuar!
que nenhum amor se acabe
como uma ventania
que o coração nos arranca
que a nossa mente arrasta
para o vago longe nada
que o fim de um amor seja
tão suave como a brisa
colhendo uma por uma
as folhas cor de laranja
entre-o-amor construída
Que nenhum amor se acabe
como uma chuvada que inunda
destruindo a nossa alma
deixando-a pesada de lama
sem forma nem formosura
Que o fim do amor seja
chuva que cai pinga a pinga
no fim de numa tarde morna
em que a gota no chão forma
uma nuvem que se evola
Que Amor findaria nunca?
amar é o acto de Ser
e Ser É continuar!
azul nascente
ergue-se o cisne
espreguiça as torpes asas
e pensa nas gostosas percas
desce a relva luzidia
aos solavancos chega
mas subito pára
e se queda
de puro assombro
será numa esmeralda que desço?
serão as cores de opala
os tons irisados que vejo?
pelo sim pelo não mudo,
interroga c'o pescoço
sou cisne bravo perdido
esta água não conheço
brilha de um estranho brilho
ergue as asas estremecendo
ensaiando outro voo
rumo ao poente vermelho
ergue-se o cisne
espreguiça as torpes asas
e pensa nas gostosas percas
desce a relva luzidia
aos solavancos chega
mas subito pára
e se queda
de puro assombro
será numa esmeralda que desço?
serão as cores de opala
os tons irisados que vejo?
pelo sim pelo não mudo,
interroga c'o pescoço
sou cisne bravo perdido
esta água não conheço
brilha de um estranho brilho
ergue as asas estremecendo
ensaiando outro voo
rumo ao poente vermelho
ROSÉ
ROSÉ, QUE A VIDA SÃO DOIS DIAS
JÁ PASSÁMOS TANTAS
TANTAS INJUSTIÇAS
E INCERTEZAS
CAMINHEMOS
NO LADO DA LUZ
PARA OS QUEREM LUZ
NO LADO DO SIM
PARA OS QUEREM SIM
NO LADO DO BEM
PARA OS QUEREM MAL
MAS CAMINHEMOS
Ó VIDA TÃO ALEGRE
QUE BRINCAS
NAS SIMPLES POÇAS DE CHUVA
CAMINHEMOS NO NOSSO CAMINHO
À NOSSA MANEIRA
EMBRIAGUEMO-NOS COM
DOCE ROSÉ!
ROSÉ, QUE A VIDA SÃO DOIS DIAS
JÁ PASSÁMOS TANTAS
TANTAS INJUSTIÇAS
E INCERTEZAS
CAMINHEMOS
NO LADO DA LUZ
PARA OS QUEREM LUZ
NO LADO DO SIM
PARA OS QUEREM SIM
NO LADO DO BEM
PARA OS QUEREM MAL
MAS CAMINHEMOS
Ó VIDA TÃO ALEGRE
QUE BRINCAS
NAS SIMPLES POÇAS DE CHUVA
CAMINHEMOS NO NOSSO CAMINHO
À NOSSA MANEIRA
EMBRIAGUEMO-NOS COM
DOCE ROSÉ!
o tempo que
antes
o tempo
anuncia
é benção
é primavera
risonha amizde que fica
dentro do peito acolhida
como a folhinha enrolada
no escuro gomo escondida
plantemos amor carinho
com suave atenção
aos males
alheios
e aos
nossos
sigamos de mão na mão
como que voz nós poderemos
a poesia cantar
se entre nós não soubermermos
esse verbo conjugar?!
antes
o tempo
anuncia
é benção
é primavera
risonha amizde que fica
dentro do peito acolhida
como a folhinha enrolada
no escuro gomo escondida
plantemos amor carinho
com suave atenção
aos males
alheios
e aos
nossos
sigamos de mão na mão
como que voz nós poderemos
a poesia cantar
se entre nós não soubermermos
esse verbo conjugar?!
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