poetrix - A NOITE
parece que não fim
se o parceiro
é ruim
A noite morre calada
se só meu desejo
fala!
quarta-feira, fevereiro 04, 2004
DE SENSAÇÕES
NO MEIO DAS ONDAS
(CHEIRA A MORANGO VERMELHO)
SÓ VEJO AR
AZUL E ROSA
TUDO GIRA Á MINHA VOLTA.
ERGO-ME.
FIRMO OS JOELHOS
E FECHO COM FORÇA OS OLHOS.
LEVANTO-ME
ESTENDO OS BRAÇOS
PARA CIMA
PARA LÁ
PARA O CÉU.
FIRMO-ME.
ENTERRO OS PÉS NO SOLO
TRANSFORMA-SE O CHORO EM RISO:
MINHAS AS CORES DO MUNDO,
E QUEM MANDA EM MIM
SOU EU!
NO MEIO DAS ONDAS
(CHEIRA A MORANGO VERMELHO)
SÓ VEJO AR
AZUL E ROSA
TUDO GIRA Á MINHA VOLTA.
ERGO-ME.
FIRMO OS JOELHOS
E FECHO COM FORÇA OS OLHOS.
LEVANTO-ME
ESTENDO OS BRAÇOS
PARA CIMA
PARA LÁ
PARA O CÉU.
FIRMO-ME.
ENTERRO OS PÉS NO SOLO
TRANSFORMA-SE O CHORO EM RISO:
MINHAS AS CORES DO MUNDO,
E QUEM MANDA EM MIM
SOU EU!
Flores no vento
O mundo
é um novo já velho
a morte,
o nosso destino
a nossa única certeza
no fim do nosso caminho
De que servirá o medo?
Tememos o nascimento?
Nercer é começar segindo
da morte
o passo primeiro.
O sofrimento dói muito
e é humano temê-lo
a vida, cada momento
não traz em si sofrimento?
Cubram-nos na morte
o rosto
deêm-nos o esquecimento
vivamos
com dignidade
com carinho
sem tormento
somos hoje e seremos
flores
a tremer no vento!
O mundo
é um novo já velho
a morte,
o nosso destino
a nossa única certeza
no fim do nosso caminho
De que servirá o medo?
Tememos o nascimento?
Nercer é começar segindo
da morte
o passo primeiro.
O sofrimento dói muito
e é humano temê-lo
a vida, cada momento
não traz em si sofrimento?
Cubram-nos na morte
o rosto
deêm-nos o esquecimento
vivamos
com dignidade
com carinho
sem tormento
somos hoje e seremos
flores
a tremer no vento!
amadurar é crescer
estou aqui a pensar
quanto me custou chegar
aonde estou
e vencer.
a tempo de saborear
eu acabei de olhar
a vida
no seu lugar
vivi a vida a sonhar
agora quero ficar.
vivi a vida a correr
agora quero parar
em cada esquina onde houver
algo novo a aprender.
estou a amadurar
amadurar é crescer.
agora não quero correr
agora não quero morrer
quero é viver
viver!
ter tempo de vos mostrar
em versos, como calhar,
como é bonito chegar
se gostamos de viver.
olho em frente devagar
vejo o futuro chegar
o agora acontecer
agora quero é viver
quero lá saber dos anos!
anos são meros enganos,
meras contas de somar
e o meu destino é sonhar!
amando não se envelhece
quando o sonho permanece
permanece em nós a flor
do dar, do ser, do amor!
estou aqui a pensar
quanto me custou chegar
aonde estou
e vencer.
a tempo de saborear
eu acabei de olhar
a vida
no seu lugar
vivi a vida a sonhar
agora quero ficar.
vivi a vida a correr
agora quero parar
em cada esquina onde houver
algo novo a aprender.
estou a amadurar
amadurar é crescer.
agora não quero correr
agora não quero morrer
quero é viver
viver!
ter tempo de vos mostrar
em versos, como calhar,
como é bonito chegar
se gostamos de viver.
olho em frente devagar
vejo o futuro chegar
o agora acontecer
agora quero é viver
quero lá saber dos anos!
anos são meros enganos,
meras contas de somar
e o meu destino é sonhar!
amando não se envelhece
quando o sonho permanece
permanece em nós a flor
do dar, do ser, do amor!
Salvo Meu Sonho
Arame farpado
e do outro lado
o sol,
aberto num sorriso!
Com prejuízo
porque o temo
e ao mesmo tempo
o quero.
Medito
e leio e escrevo
e calo o choro
sofro,
mas não desisto
o sol brilha
do outro lado
dos picos
do arame farpado
que fere
por fora e por dentro.
Quieta,
sigo pisando
o meu próprio
caminho
e não
pelo trilho imposto
cerco
de arame farpado
que me enreda
o destino.
Desvio-me
do fogo solto
como se fora
um soldado
aqui caio
lá me levanto,
mas sigo
na rota do vento.
A salvo,
meu sonho!
Ao alto!
Arame farpado
e do outro lado
o sol,
aberto num sorriso!
Com prejuízo
porque o temo
e ao mesmo tempo
o quero.
Medito
e leio e escrevo
e calo o choro
sofro,
mas não desisto
o sol brilha
do outro lado
dos picos
do arame farpado
que fere
por fora e por dentro.
Quieta,
sigo pisando
o meu próprio
caminho
e não
pelo trilho imposto
cerco
de arame farpado
que me enreda
o destino.
Desvio-me
do fogo solto
como se fora
um soldado
aqui caio
lá me levanto,
mas sigo
na rota do vento.
A salvo,
meu sonho!
Ao alto!
Este poema de dor
é a paga do amor
que te dei
e agradeceste
como se a alma doesse
e cada um a chorar
do outro se condoesse
por amor nada dissesse
ficasse em si
a chorar
se te dei
tudo o que sou
que garra te magoou
no lar quente
do meu peito
onde o pobre coração
coloquei na tua mão
e nela se viu desfeito?
quem é que te enganou
onde a mentira que sou
que vês tu que não conheço
onde veneno encontraste
nesta boca que beijaste
e tudo por ti deixou
a rosa que desejaste
no momento que a colheste
e por ti se coloriu
das rubras cores da paixão
que vive no coração
que por ti
quase morreu?
é a paga do amor
que te dei
e agradeceste
como se a alma doesse
e cada um a chorar
do outro se condoesse
por amor nada dissesse
ficasse em si
a chorar
se te dei
tudo o que sou
que garra te magoou
no lar quente
do meu peito
onde o pobre coração
coloquei na tua mão
e nela se viu desfeito?
quem é que te enganou
onde a mentira que sou
que vês tu que não conheço
onde veneno encontraste
nesta boca que beijaste
e tudo por ti deixou
a rosa que desejaste
no momento que a colheste
e por ti se coloriu
das rubras cores da paixão
que vive no coração
que por ti
quase morreu?
A menina a sua mãe
Mãe porque é que partiste
nessa manhã-noite-negra?
E porque é que me deixaste?
Era leve e pequenina
porque é que não que não me agarraste
e me levaste contigo?
E lembras-te, ao outro dia
das tantas flores que levaste?
Eram lírios, eram rosas
e açucenas, grinaldas
tão lindas! Mas tu dormias!
Como o Barrocal estava triste!
Até o chão percebeu
que tu nunca mais voltavas
Nesse tempo em que eu era
a tua menina pequena
te guardava e me guardavas
Mãe porque é que partiste
nessa manhã-noite-negra?
E porque é que me deixaste?
Era leve e pequenina
porque é que não que não me agarraste
e me levaste contigo?
E lembras-te, ao outro dia
das tantas flores que levaste?
Eram lírios, eram rosas
e açucenas, grinaldas
tão lindas! Mas tu dormias!
Como o Barrocal estava triste!
Até o chão percebeu
que tu nunca mais voltavas
Nesse tempo em que eu era
a tua menina pequena
te guardava e me guardavas
Nús ao Vento
Agora
Passamos às vezes
pelas veredas fechadas
em busca de outros tempos.
Pegamos nossos sorrisos
e alongamos os braços
Para tentar que eles voem
por cima dos muros negros
para os campos
além das montanhas
vermelhas e azuis
onde a aurora nasce.
As nossas vozes sussurram
como se fossemos pássaros
pressentindo
o acordar das serpentes
Agora
Passamos às vezes
pelas veredas fechadas
em busca de outros tempos.
Pegamos nossos sorrisos
e alongamos os braços
Para tentar que eles voem
por cima dos muros negros
para os campos
além das montanhas
vermelhas e azuis
onde a aurora nasce.
As nossas vozes sussurram
como se fossemos pássaros
pressentindo
o acordar das serpentes
Lá longe uma estrela
A gente tropeça nas pedras
Que nos mancham o caminho.
Nossos olhos brilham febres...
Nossos joelhos rasgados
Estão a narrar nossas quedas.
Nossos lábios secos pedem,
Nossas mãos gretadas doem.
Nossos corpos alquebrados
Cantam nosso desespero
Mas os nossos olhos brilham
A febre doida da Esperança.
No escuro erguemos a fronte
Porque cremos que lá longe
Brilha uma estrela nossa.
A gente tropeça nas pedras
Que nos mancham o caminho.
Nossos olhos brilham febres...
Nossos joelhos rasgados
Estão a narrar nossas quedas.
Nossos lábios secos pedem,
Nossas mãos gretadas doem.
Nossos corpos alquebrados
Cantam nosso desespero
Mas os nossos olhos brilham
A febre doida da Esperança.
No escuro erguemos a fronte
Porque cremos que lá longe
Brilha uma estrela nossa.
Cachopa da Beira-Rio
Cachopa da beira rio
dei meu coração ao mar
sou filha da foz do Tejo
passo a vida a navegar
meu coração um veleiro
com velas de ir e voltar
peregrenino companheiro
está partido e a chorar
de si só guardo metade
onde a outra irei buscar?
num paraíso distante
Vera Cruz, hei-de chegar!
cachopa da beira rio
com saudades de abalar
e encontrar essa metade
que tanto choro a cantar
meu fado é esta tristeza
quando te irei encontrar?
só perto do meu olhar!
Cachopa da beira rio
dei meu coração ao mar
sou filha da foz do Tejo
passo a vida a navegar
meu coração um veleiro
com velas de ir e voltar
peregrenino companheiro
está partido e a chorar
de si só guardo metade
onde a outra irei buscar?
num paraíso distante
Vera Cruz, hei-de chegar!
cachopa da beira rio
com saudades de abalar
e encontrar essa metade
que tanto choro a cantar
meu fado é esta tristeza
quando te irei encontrar?
só perto do meu olhar!
A Amália Rodrigues
Esta noite,
enquanto a noite dormia,
Amália deixou a vida.
Fechou pela última vez
aqueles olhos tão seus,
tão meus,
tão nossos, tão negros!
Na sua garganta
Calou-se a voz imensa,
mas não se calou Amália!
Mulher de vida sofrida
chorava quanto cantava!
Mulher de intensa vivia
e tanto amava a vida
Parou
Docemente, num instante
Deixou de ser
Cansada talvez de ser tanto
deixou-nos em denso pranto
correndo do peito aberto
sofro
não choro a morte de Amália
que Amália não morreu
amália sofreu a sina
seu fado no próprio nome
cantou
cantou
desde o nascimento à morte
Amália, do verbo Amar!
6/10/1999
"não sei que paixão, candente como um ferro sobre a birgorna ou que tristeza mansa como cândida onda que um menino colhesse entre as mãos, erguia o seu jorro naquela garganta"
Escrevi à margem, na hora da triste notícia, este trecho do poema Pranto da Filha de Jefté, de Pablo Garcia Baena
Com todo o meu amor,
Lisboa - Portugal
Esta noite,
enquanto a noite dormia,
Amália deixou a vida.
Fechou pela última vez
aqueles olhos tão seus,
tão meus,
tão nossos, tão negros!
Na sua garganta
Calou-se a voz imensa,
mas não se calou Amália!
Mulher de vida sofrida
chorava quanto cantava!
Mulher de intensa vivia
e tanto amava a vida
Parou
Docemente, num instante
Deixou de ser
Cansada talvez de ser tanto
deixou-nos em denso pranto
correndo do peito aberto
sofro
não choro a morte de Amália
que Amália não morreu
amália sofreu a sina
seu fado no próprio nome
cantou
cantou
desde o nascimento à morte
Amália, do verbo Amar!
6/10/1999
"não sei que paixão, candente como um ferro sobre a birgorna ou que tristeza mansa como cândida onda que um menino colhesse entre as mãos, erguia o seu jorro naquela garganta"
Escrevi à margem, na hora da triste notícia, este trecho do poema Pranto da Filha de Jefté, de Pablo Garcia Baena
Com todo o meu amor,
Lisboa - Portugal
LÁGRIMA
lágrima
escondo
o
encanto,
desvio
calada
o
pranto,
desdigo
a
cor
do riso.
fonte
tremente,
vela
no rosto
à
deriva.
rio
fluindo,
desvendo
a
raiz
de mim,
roxo lírio.
levo
o
desfeito
mar
magoado
e
exponho
o
querer
sonhado
se
em minha fonte
surgira
a
esperança
o
brilho
claro
que fora
a
ventura
o
arco íris
a
opala
o
claro resplendor
da
aurora.
lágrima
escondo
o
encanto,
desvio
calada
o
pranto,
desdigo
a
cor
do riso.
fonte
tremente,
vela
no rosto
à
deriva.
rio
fluindo,
desvendo
a
raiz
de mim,
roxo lírio.
levo
o
desfeito
mar
magoado
e
exponho
o
querer
sonhado
se
em minha fonte
surgira
a
esperança
o
brilho
claro
que fora
a
ventura
o
arco íris
a
opala
o
claro resplendor
da
aurora.
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