segunda-feira, junho 04, 2007






Direito e avesso



Quem é esta sereia

que se afoga na água

e em terra não caminha?

Quem é que me habita

e contra mim conspira?

Quem se dá aos outros

mas a si se nega?

Quem em mim protesta

contra a injustiça

mas se mantém escrava?

Que me faz gaivota

com ninho na areia?

Porque tanto caminho

no escuro da terra

fitando a clara lua?


Maria

24/11/2002





Asas soltas


Sinfonias

Redescobertas

Cantam fonemas

Infinito jogo

Lúcido revérbero

Secreto mas nu

Nascente e foz

É verso o rio!



Maria




Ao Mestre, com carinho



Devo-te o pouco que sou

todo o meu pequeno céu

todo o bem que me calhou

e trago sempre comigo


tua extrema paciência

despertou a inteligência

com dedicado carinho

abrindo-me o caminho

que seria o meu futuro


E quando nos encontramos

olhos nos olhos sentimos

que um e outro crescemos

mas o tempo não passou!


Maria






Amor, difícil Amor!



Amor, difícil amor
Mas quem de amar fugir
Por ter medo de sofrer
Morrerá sem existir!

Maria







Amizade não tem fim


Pego os teus versos,
onde álgida tristeza transluz
como pendente de gelo
e ternamente os acolho
dentro do peito amigo
onde te guardo.
Não é distância o silêncio
se um forte sentimento
de fraterna união
nos mantiver aliados

Palavras caladas
falam tão alto!
Maria







Aleluia, cantarei!

Aleluia! Gritarei
Com quantas forças tiver
Quando o Bem ao Mal vencer!
Maria





Depois do Amor

Permanecer cingida contigo
Enlaçados, num suspiro de alívio
Entregues ao repouso perfumado
De jasmim e de açucena...
Ressumados,
Os nossos corpos fundidos
Finalmente descansados!


Maria





Ah, memórias…

Vagueiam perenes trazendo rostos
Noites em claro salgadas de angústias
Afogadas em extintas mas doces lembranças!


Maria





Dá-me...



Dá-me o arco de um abraço,

o encontro do teu coração!

Dá-me o brilho dos teus olhos

acesos. Não mais solidão!

Dá-me uma trova de esperança,

onde a minha alma delida

se renove em melodia…

Dá-me o vento das alturas,

o sol puro das manhãs!

E frescas, orvalhadas ervas

que extingam passadas vãs!


14/05/2007

Maria





Caio


pérola a pérola

pétala a pétala

aberta flor

transparente manhã

azul nácar

dourado alvor!


Ao Amigo e Poeta Caio Lucas



Maria Petronilho







A rosa que tu me deste!

A rosa que tu me deste
Donde foi que a trouxeste?
Persiste linda e viçosa.
E contra o que é costume,
Mantém um leve perfume,
Na aura deliciosa
Efémera será a flor,
Se bem seja invulgar
Porém, quando ela murchar
Hei-de as pétalas guardar
Intercalando poemas
Para que nunca se apague
A memória deste dia
Em que a poesia
Rimou com a alegria
Neste encontro de amizade!





A escrita



Foi a luz que me alumiou
Foi a bússola no meu percurso.
Sem ela
O ter sido e o Ser
Talvez nunca tivessem sido.
Talvez nunca me tivesse
Encontrado a Mim.
Talvez não tivesse nunca
Ocupado o meu espaço
No mundo nem na vida,

Dado que tudo me foi negado.

Em sã consciência afirmo,
Ter sido e ser
Minha escrita
O visível do meu poema

Minha estrela e minha espada.



Maria






Enamorados



Rosas trepadeiras

em cachos florindo

desvairados beijos!


A um amigo doente


Talvez um dia
Me transforme em cisne
E ao encontrar-te afaste
Com as minhas grandes asas
Os abutres que rondam
Em roda do teu pobre corpo.
Talvez surja nos teus sonhos
Mulher-ave
Mulher-branca,
Soprarei o pesadelo
Que em febre te consome.
Varrerei com o meu semblante
Essa aura negra de morte
Que envolve e ameaça
Tua vida indefesa

Porque sou da vida o começo,
Sagro a vida no meu seio!

Maria Petronilho


Asa de Lua


Que essa asa de lua

Que me saúda e que passa

Para se encontrar com a tua

Na manhã que recomeça

Nos traga da paz a esperança

Leve longe a ameaça

Que sobre todos nós paira



Que Deus ilumine os sonhos

Dos Senhores da Desgraça

Ilumine as suas almas

Como essa asa de lua

Que no céu divino passa

Lhes traga de novo ao peito

Seus corações de criança.



Dedicado a DD/9/3/2003

Maria Petronilho




SUSANA

S ê flor, mesmo quando as geadas virem
U surpar-nos o fulgor do sol… brinca
S abendo que nada se repete e que agora
A ma com deleite, degustando lentamente
N ada te impeça de prosseguir alegre e ditosa
A ssim! Bendigo este dia e brindo ao futuro!



Glória ao dia em que nasceste
arrojada poeta com asas no vento e pés no caminho
que desenhas!

com muito carinho,
Maria Petronilho





















sexta-feira, fevereiro 23, 2007


Transição

A leve brisa perpassa
Soltando a folha amarela
Que enquanto rodopia
Exulta no ocaso e sonha
Ter-se tornado perfeita
Ressurgindo noutra vida
Em forma de borboleta.


Maria petronilho,
Lisboa, 7/8/2004


O MEU GRITO

Tal como um raio revela
A sobeja cobardia
Que perfidamente intenta
Emaranhar a lisura
Em jogos de infame intriga,
O grito incontido desvenda
O perverso estratagema
Do calculista na sombra
Que o meu grito estraçalha
Na caverna onde se acoita
Rasgo a mudez do silêncio
Do meu grito se faz eco
E tal eco se faz canto
Alastrando no céu limpo
Revelo a nítida auréola
E o meu grito desabrocha
Em flor, borboleta que voa
Transluzindo evidência
Isento esplendor da alma!

Maria Petronilho















QUE O SILÊNCIO FLORESÇA!



Abra janelas de esperança


para estradas de bonança


onde um dia esqueceremos


os espinhos que calcámos


nas flores que ora bordam


e perfumam os passeios






Merecemos, pois lutámos


contra forças desmedidas


Mostrengos, Fúrias, mentiras


chegaremos ao oásis



com o qual sempre sonhámos!

Maria Petronilho

sexta-feira, agosto 04, 2006





APAIXONADO

De repente o teu sorriso
alegre pardal vadio
no meu coração se aninhou!

Maria Petronilho