segunda-feira, agosto 20, 2007






Festa de aniversário


Para a festa do Menino
peço com muito carinho
que as almas de todos nós
se vistam de lavadinho.
Que a lágrima turvada
de emoção, se torne pura
e a nova Luz nos encontre
abraçados em ternura!





Quem quer sonhos de papel?


Brado sonhos, os meus sonhos
Por tantos anos traçados
Muitos tenho, sempre poucos
Quem quer sonhos matizados?
Meus sonhos de papel feitos
Encobertos revelados
Sim, se os quiseres, dou-tos
Na minha alma embrulhados...





Prece da chuva


Chuva,
cai do céu
generosa
e
engravida
a terra nossa
como
infinito esperma!

Chuva,cai!
Traz
esperança
de pão, de paz
e bonança
frutifica
a sementeira
perdida
Tanta boca
sequiosa!

Ó benção
do céu vem!
Espalha
a promessa
e pureza
que tanto faltam
na Terra!




A riqueza do Poeta

Nus viémos, nus iremos.
A verdadeira riqueza
é essência em pureza!






Preciso


Aprender a dar
meu coração
Preciso
saltar de mim
Preciso
reinventar o amor
Preciso
caminhar
do efémero ser
almejando crescer
sem nunca me bastar
ter.




Saber amar


É um dom
que se dá

Se não se dá
é um dom
que se perde

Se não se dá
não se tem!




Navegando


Pelo mar inefável chegaste
e em amizade firmaste
vivenda no meu coração!





Estrela bendita!



Também abrigo na alma

Aquela estrela que sentes

de fantástica pureza

Fulge amizade e beleza

pelos rumos desta vida

indica-nos o caminho

da verdade e da poesia!



A transcendência da rosa



No gineceu, o perfume.
No poder de exalar, o lume.
Consolidando amizade,
Acesso a eternidade.








Em Amor


Bate
o meu coração no teu peito
e o teu coração no meu
Brilha
em meu olhar teu sorriso
e o meu sorriso no teu
Flúi
no ar a alegria
de ser tua e tu seres meu!

sexta-feira, junho 29, 2007








Poema Acróstico a Maria Petronilho
Pedro Valdoy

Muitas vezes vem a poesia
Ainda com o canto do rouxinol
Rumando até às estrelas
Indo pelo jardim da fantasia
Antes do Sol se pôr

Por entre os poetas
Entre as pétalas de uma flor
Tudo se clarifica na harmonia
Rumando por caminhos de cetim
Onde nos encontrámos
Na via da paz e da serenidade
Isto para os versos que semeamos
Longe das multidões
Havendo a amizade duradoura
Onde sempre existiu e renasce.

Junho 2007

Pedro Valdoy, Meu Irmão, Obrigada!

Puro diamante

É o teu coração

De ouro a tua alma

Rubis flúem nas tuas veias

Onde tanto amor reluz!



Vigilante poeta

Ao mundo e a nós

Lês as entrelinhas

Das nossas alegrias

Ou se há tristezas

Y Pedro a ajudar





Mensageiro do bem

Em quem confiar

Um braço no ombro



Iremos de mãos dadas

Rumo ao infinito

Marchetado de estrelas

Aonde iremos achar

Outro mundo maior



Onde reina a justiça

Brilha a felicidade

Riem os olhares

Igualmente animados

Gentilmente urdindo

Arco-íris de paz...

Deixa a orquestra tocando

A valsa da nossa amizade!



Profundamente comovida, abraço-te na minha alma com infinito carinho e fraterno amor!



Maria Petronilho

28 de Junho de 2007

quarta-feira, junho 27, 2007






Por que caminhos me levam?


Que opacidade é esta
aonde o meu ser sufoca?
Por que caminhos me leva
sem escolha esta aventura?
Porque é que o mar sussurra
apreensão que atordoa?

Quero a verdade nua
Quero a integridade viva!
Quero eleger minha rota
Ser dona da minha vida.


Maria Petronilho







Que bom foi viver-te!

Acordavam sorrindo as manhãs
e os dias passavam lindos como
o fluido de um ribeiro manso.
O sol balançava em fios de oiro
quando se deitava na macia capa
de cada tardinha…até amanhã, dizia.
E tu, sorrindo, acenavas-lhe adeus
iluminavam-te sonhos risonhos
que me descobrias como se auroras.
Eram cantos e usos de mundos
aonde não havia desencantos
nem guerra, meninos famintos,
velhinhos morrendo prostrados...
Mas leite e mel correndo abundantes
milheiros de flores, limpos horizontes,
sorrisos abertos e mãos estendidas

Eu tudo escutava e arrecadava
no meu espírito vigilante sabendo
como é curto o momento
que soa esperança e pura magia!


Maria Petronilho

domingo, junho 17, 2007








Magusto

Juntando a lenha e as folhas, acende-se a fogueira
Atiram-se nela as castanhas e começa a carreira!
Porque virgens corações, ao sentirem-se ateadas,
Pulam, gritam, em explosões… Recusando ser assadas!
E à volta a rapaziada, de copo de jeropiga
Salta e ri, em algazarra, desata o nó á cantiga
Uma a uma as castanhas, imoladas, são comidas
E golinho a golinho vai descendo a bebida
Reina alegria tamanha nos magustos, ai meu deus!
Até o bom S. Martinho se ri com gosto nos céus!


Maria Petronilho




Manhã de névoa

Jaz encantada em diáfano manto
como se uma fada por aqui passando
tivesse espalhando poeira no tempo.

O rio velou-se, como dormindo,
afadigado de correr tanto.

O ar ilude a manhã vagueando
silhuetas brandas no mudo esfumado.
suave e cinza, embebida em sonho
a manhã quieta mantém-se dormindo.


Maria Petronilho




Ao sabor do vento

Ao sabor do vento
Estendo os braços,
corro ao teu encontro
vacilo num fio
de tristeza azul
de verde esperança
de rósea ternura

Maria Petronilho

terça-feira, junho 12, 2007







Mater Dolorosa

Minha alma traja de lírios
Sou a Madre trespassada
Por flechas, memoriais sinos
Que ecoam na tarde roxa
Ao rematar minha vida

De intrépida luta, tanta!

Eleva-se a ofensa erguida
Como bandeira rasgada
Sobre a terra conquistada
No fragor de uma batalha
Por uma grei esquecida.

No inescrutável espanto.

Maria de todas as dores
Desponta em meu peito o soluço
Que adoçaste com o teu pranto!



Maria Petronilho




Ah, ditosa musa
Que te acompanha na Ilha
Onde te ocultas …
No teu peculiar desterro
Vais desfiando colares
De pérolas caídas
Dos teus olhos exaltados!
Feliz da musa
Que veladamente cantas
Na tua diamantina voz
Que reluz! Iluminas
As almas retraídas no eleito
Mas dolorido silêncio!


Maria Petronilho






Do mar


Vai e vem
É branca a espuma
É verde o mar
Vai e vem
E quando rola
A areia se evola
Na água salgada
Meu mar
Maré cheia
Vem
Maré baixa
Vai
O mar



Na orla
Espero
Descalça
O teu voltar!

Maria Petronilho



Del mar

Viene y se va
Es blanca la espuma
Es verde la mar
Viene y se va
Y cuando rueda
La arena se marcha
En el agua-sal
Mi mar
Marea alta
Viene
Marea baja
Se va
El mar



En la orilla
Espero
Descalza
Tu retorno



Tradução para espanhol: Alberto Peyrano

domingo, junho 10, 2007

SE FORES AO ALENTEJO - quadra & glosa















Se fores ao Alentejo,

ante a beleza infinita

tranquila, clara, bendita

sem querer vais semear,

do teu olhar comovido

lágrimas no fértil solo

a semente do teu beijo

se fará meigo trigal

e um belo madrigal

o desejo do teu olhar.

se elevará rumo ao sol

quando sonha o rouxinol.





Aires Plácido & Maria Petronilho

10/6/2007