terça-feira, janeiro 27, 2004

de Fernando Pessoa
O Poeta é Um Fingidor


" O Poeta é um fingidor
Finje tão completamente
Que chega a fingir que é Dor
A Dor que deveras sente!"


*

Não sei que me vai cá dentro
Me leva na imensidão

Alguns julgarão que minto
Mas Tu bem sabes que não!

AMAR É IR LUZ DENTRO.
É SER MAIS LESTO.
IR MAIS ALÉM EM BUSCA
DO PARAÍSO.



É CRIAR.
INVENTAR EM SI O AMOR.
DESCOBRIR COMO SE DAR.



IMPROVISAR!
TER TUDO SEM NADA TER
MAIS DO QUE O SENTIR AMOR!



AMAR É SER
ESPÍRITO SECRETO DADO
ETÉREO TANTO E TÃO POUCO.



NUM SEGUNDO
TODO O ESCURO E TODA A LUZ
ACONTECER!



LUZINHA DE VELA
SENTINDO
O AMOR DE OUTRA LUZ LUZINDO



SE EXPONDO.
ENCHENDO O INFINDO
TANTO,



QUANTO SE APAGA DE UM SOPRO!














Do casulo

Flutua

A abelha

Dourada

Ainda

Sonha

Chamo-lhe

Alma

Chama

Pergunta

In flama

Se eleva

Pena

Tece

A sã

Ternura

Fraterna

Arde

Espontânea

Semeia

Ventura

Segue

Navega

Dissolve se

condensa se

E

Brilha











Do casulo

Flutua

A abelha

Dourada

Ainda

Sonha

Chamo-lhe

Alma

Chama

Pergunta

In flama

Se eleva

Pena

Tece

A sã

Ternura

Fraterna

Arde

Espontânea

Semeia

Ventura

Segue

Navega

Dissolvendo se

condensa se

E

Brilha











Do casulo flutua

A abelha

Dourada ainda

Sonha

Chamo-lhe Alma

Chama

Pergunta

In flama

Se eleva

Pena

Tece

A sã

Ternura

Fraterna

Arde

Espontânea

Semeia

Ventre ventura

Segue viagem

Navega

Dissolvendo se

condensa e



Brilha











Do casulo flutua

A abelha

Dourada ainda

Sonha

Chamo-lhe Alma

Chama

Pergunta

Inflama

Se eleva

Pena

Trabalha

Fabrica tece

A sã ternura

Fraterna

Arde

Espontânea

Semeia

Ventre ventura

Segue viagem

Navega

Dissolvendo se

condensa

e

Brilha


Quero o Sorriso em Flor

Na face

Calma e doce quero ir

Pelas margens do Rio

Entoando Contigo

O cântico do riso,

Calando porque insisto,

o plangente choro




Às vezes estendemos as mãos no vento
sem outro propósito que sentir
frescura perpassando


buscamos um não sei quê de etéreo...


ao recolher de novo as mãos
encontramos perfumes inesperados
deles renascemos


queremos e cremos
que há tanta beleza
além do que vemos!



Gotas germinam




na pedra nua



irisada



Água acesa



pérolas da lua



transparente gládio



fio de ternura



tremeluzente



fita de espuma



entre cinza e prata



entrelaçada



esperto



regaço



desfeito



aonde deito



a minha vida



ora chispa ora causa



germe



que me



refaz nacarada



água terna



na aurora



ressurgida



De me que serve a saudade
de ser alguém que não fui?

O que faz a nostalgia
senão a pena
de sentir distância?

Porque olhar para trás
se o tempo não torna
nunca jamais
ao ponto de partida?

Sou barco, não cais.

Entendi a minha voz:
era de vento e de água
de ar e de luz
Dizia:

Não pares!


Embalo.

Quebranto

Levando

A ternura

De longe estar



Escutar o sentir



Ir

Além do olhar

Ficar



Luz acesa

Ténue na penumbra



Existir



Na saudade de amar

Esta sinfonia

Na alma calada

Que chora a cantar


O meu coração dançava

Em círculos de alegria

Toda eu estremecia

Como água se tocada

(A pedra que rodopia

Tolda do rio a fundura)

Ao romper a luz do dia

No escuro eu-tão-só luzia

Tal pedra atirada à lua!



...SER BÚZIO ENTERRADO
EM FRIA AREIA
SONHANDO A TREMER
COM A MARÉ CHEIA
EM TURBILHÕES DE FRESCURA
E ÂNSIA
E VIDA
E
RECOLHER-ME
EM MINHA CONCHA
DOLORIDA
RECEANDO
E
QUERENDO O MAR!






Pétala a pétala
A redonda rosa
Do dia se fecha

Entre o sonho e a ânsia
O querer e a dúvida
Primavera insana
Que em ondas me leva

Desmaiada dormia

E acordo colorida
pela voz do poeta,
mais não sou quem era!

Desperto ansiosa
Vento alteia a chama
sussurra
Suspira
inquieta

A Poesia.



Asa de mar
minha barca
arvorada
na nua crista da onda


lançada
nua e plena
minha ânsia
minha mágoa


De vida iluminada


ai do que saiba
ficar levantado
ma borrasca
virar a crista da onda


com o sonho atrás do olhar
deixar sem pena ou perda
a branca praia

ai perder-se a vida
uma vez única!!!