terça-feira, junho 05, 2007






Por ti!



Se vires estrelas

Luzir nos céus

São os meus olhos

Que andam cegos

Buscando os teus!

Não te achando,

Abre-se a aurora

Minha'alma chora

És sol, sorris!


Só bem te quero

Nenhuma nuvem

No teu caminho

Embace o brilho

Do teu esplendor!

Mesmo escondida

Nesta negrura

Guardo ternura

Por ti, Amor!



Maria Petronilho

segunda-feira, junho 04, 2007







Quem quer sonhos?


Brado sonhos, os meus sonhos
Por tantos anos traçados!
Tenho muitos, sempre poucos
Quem quer sonhos matizados?
Meus sonhos de papel feitos
Encobertos, revelados…
Sim, se os quiseres, dou-tos
Na minh' alma rabiscados!



Maria






Tocasse-te E...




Uma doce melodia

Desse toque surgiria

Uma canção soaria

Pairando no espaço imenso

Desse íntimo tão nosso

Seria um alegre canto

Seria um ridente brilho

Nossos corações tinindo

Um ao outro se entregando


Tocasse-te e nasceria
Uma nova melodia
Dos nossos corpos e almas

Em amor se completando!


Maria






Cumplicidades



Alvoroças-me em extasias
reciprocidade no enlevo
Satisfação sem reservas

Corpo e alma se enlaçam,
desejando entranhar-se
pois meiga é a sede e pura a oferenda

A felicidade transborda

Ao circularmos de mãos dadas pela rua
no olhar dos outros brilha ternura
divisando o fulgor da nossa aura

Exaltarei eternamente o Senhor
ter-nos olhado com brandura

norteado as abaladas mágoas ao júbilo
em que ambos exultamos.


Maria





Nunca passarás, Poeta!

Transcendes a morte em vida!
Vais além do visível, do finito
Tens a missão de sofrer o inaudito
Mas em poemas eternizas tua sina!


Maria Petronilho
27/3/2007





Balzaquiana?!

Ah se me colhesses quando eu era
a rosa pelos cravos cobiçada
e embora simulasse que não via
tirava do juízo ao que passava!

Perseguida,esquivava-me
e enfim o outro desanimava
num suspiro, percebendo
que não me alcançaria nem correndo
pois não sou lebre no prado
mas ígnea mente ardendo!

O corpo perdeu fulgor no tempo
mas amadurou, melhor discernindo
como se ofertar, doce, procurando
o teu prazer e no seu recolhendo
o teu néctar de nácar, no gesto meigo
de quem te entrega a alma num beijo!


Maria





Direito e avesso



Quem é esta sereia

que se afoga na água

e em terra não caminha?

Quem é que me habita

e contra mim conspira?

Quem se dá aos outros

mas a si se nega?

Quem em mim protesta

contra a injustiça

mas se mantém escrava?

Que me faz gaivota

com ninho na areia?

Porque tanto caminho

no escuro da terra

fitando a clara lua?


Maria

24/11/2002





Asas soltas


Sinfonias

Redescobertas

Cantam fonemas

Infinito jogo

Lúcido revérbero

Secreto mas nu

Nascente e foz

É verso o rio!



Maria




Ao Mestre, com carinho



Devo-te o pouco que sou

todo o meu pequeno céu

todo o bem que me calhou

e trago sempre comigo


tua extrema paciência

despertou a inteligência

com dedicado carinho

abrindo-me o caminho

que seria o meu futuro


E quando nos encontramos

olhos nos olhos sentimos

que um e outro crescemos

mas o tempo não passou!


Maria






Amor, difícil Amor!



Amor, difícil amor
Mas quem de amar fugir
Por ter medo de sofrer
Morrerá sem existir!

Maria







Amizade não tem fim


Pego os teus versos,
onde álgida tristeza transluz
como pendente de gelo
e ternamente os acolho
dentro do peito amigo
onde te guardo.
Não é distância o silêncio
se um forte sentimento
de fraterna união
nos mantiver aliados

Palavras caladas
falam tão alto!
Maria







Aleluia, cantarei!

Aleluia! Gritarei
Com quantas forças tiver
Quando o Bem ao Mal vencer!
Maria





Depois do Amor

Permanecer cingida contigo
Enlaçados, num suspiro de alívio
Entregues ao repouso perfumado
De jasmim e de açucena...
Ressumados,
Os nossos corpos fundidos
Finalmente descansados!


Maria





Ah, memórias…

Vagueiam perenes trazendo rostos
Noites em claro salgadas de angústias
Afogadas em extintas mas doces lembranças!


Maria





Dá-me...



Dá-me o arco de um abraço,

o encontro do teu coração!

Dá-me o brilho dos teus olhos

acesos. Não mais solidão!

Dá-me uma trova de esperança,

onde a minha alma delida

se renove em melodia…

Dá-me o vento das alturas,

o sol puro das manhãs!

E frescas, orvalhadas ervas

que extingam passadas vãs!


14/05/2007

Maria





Caio


pérola a pérola

pétala a pétala

aberta flor

transparente manhã

azul nácar

dourado alvor!


Ao Amigo e Poeta Caio Lucas



Maria Petronilho







A rosa que tu me deste!

A rosa que tu me deste
Donde foi que a trouxeste?
Persiste linda e viçosa.
E contra o que é costume,
Mantém um leve perfume,
Na aura deliciosa
Efémera será a flor,
Se bem seja invulgar
Porém, quando ela murchar
Hei-de as pétalas guardar
Intercalando poemas
Para que nunca se apague
A memória deste dia
Em que a poesia
Rimou com a alegria
Neste encontro de amizade!





A escrita



Foi a luz que me alumiou
Foi a bússola no meu percurso.
Sem ela
O ter sido e o Ser
Talvez nunca tivessem sido.
Talvez nunca me tivesse
Encontrado a Mim.
Talvez não tivesse nunca
Ocupado o meu espaço
No mundo nem na vida,

Dado que tudo me foi negado.

Em sã consciência afirmo,
Ter sido e ser
Minha escrita
O visível do meu poema

Minha estrela e minha espada.



Maria






Enamorados



Rosas trepadeiras

em cachos florindo

desvairados beijos!


A um amigo doente


Talvez um dia
Me transforme em cisne
E ao encontrar-te afaste
Com as minhas grandes asas
Os abutres que rondam
Em roda do teu pobre corpo.
Talvez surja nos teus sonhos
Mulher-ave
Mulher-branca,
Soprarei o pesadelo
Que em febre te consome.
Varrerei com o meu semblante
Essa aura negra de morte
Que envolve e ameaça
Tua vida indefesa

Porque sou da vida o começo,
Sagro a vida no meu seio!

Maria Petronilho