segunda-feira, fevereiro 02, 2004

Que farei do mel que transborda
de mim inteira
clamando alto por ti
que não bebes, desperdiças
como se a vida fosse um rio sem foz?
Que faço dos segredos
que quero dividir contigo?
Que faço desta alma solitária
que navega insegura
pelos mares infindos
do desespero?

Para que servem meus
lençois imaculados
se não te abrigam?
Para que cai esta cambria
da minha alma
no chão fulgindo?
Para onde conduzimos nossas vidas
como se não existisse termo?

Onde guardarei tanta ternura
que te entrego?
tantos sonhos
em vão, meu amor, em vão!

sabendo que contigo
é tão doce o amor

aquele sossego onde
nossas almas e corpos se encontram
em tamanha felicidade e paz?

meu querer por ti é tanto,
como não vês
a urgência de que te falam os meus olhos,
que em vão escondo
sendo que tudo te vou mostrando:
inteira mulher de corpo e alma
palpitante e ansiosa que
num dia se sol olhaste perto
e que em silêncio, no fundo da sua consiência
com a tua se encontrou?

ai, perder-se a vida uma vez única,
a um passo da coragem
para transpor a porta desnuda
do nosso paraíso!



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