QUANTAS E QUANTAS VEZES
ME MORDO E ME VIOLO!
QUANTAS E QUANTAS VEZES
FINJO QUE NÃO ENTENDO!
QUANTAS E QUANTAS VEZES
ME DEIXAIS A ALMA SANGRANDO!
QUANTAS E QUANTAS VEZES
VOS AMO E ME TRÍS!
NO ENTANTO,
CONTINUO A DAR-ME.
NO ENTANTO,
SIRVO-VOS
E CONTINUO A SORRIR.
MAS NÃO É DE PEDRA
O MEU CORAÇÃO,
É LAVA, É FOGO, É ÉTER!
POR MAIS GELO QUE LHE DEITEM
NÃO CONSEGUIRÃO APAGAR ESTE FOGO,
O QUE ME CONSOME,
O QUE ME LEVA ALÉM!
CONTINUO A DAR-VOS
A PAISAGEM DO MEU SER
TRANSPARENTE
MAS DESEJO CAVAR
CADA VEZ MAIS FUNDO
A TOCA QUE É MEU REFÚGIO.
PARA ESCAPAR DA INVEJA
DO DESAMOR
DAS PALAVRAS FALSAS
COM QUE A TODA A HORA
ME CUSPIS!
segunda-feira, fevereiro 02, 2004
CORAGEM
IR POR AÍ
ÀS CLARAS
O ROSTO LEVANTADO
O SORRISO A FLORIR,
AO FIM DE TANTAS
TANTAS VEZES
A BOFETADA
ME TER ASSENTADO NO ROSTO
DE TANTAS E TANTAS VEZES
ME TEREM DERRUBADO
E DERRAMADO EM CHORO.
E DE TER CAÍDO
EM TANTO TANTO ENGANO.
DE ME TEREM ROUBADO
A CONFIANÇA
JUSTAMENTE NO INSTANTE
EM QUE PEDIA SOCORRO.
NÃO TER MEDO DE SER
VIAJANTE
VIAJEIRO
SEM ESTALAGEM NEM PERCURSO.
CORRER A VIDA SEM SEGURO,
SEM CERTEZA ALGUMA.
PINTAR O MEU RETRATO NO ESCURO
E ESPERAR O DIA
EM QUE SE ACABE TUDO
MAS AINDA ASSIM
DESINTERESSADAMENTE LUTAR
POR SER MELHOR
E REJEITAR O MAL,
CUSPIR-LHE UN NÃO
ROTUNDO
E ACEITAR O FUTURO
CAMINHANDO NO GUME.
NEGAR A SUGEIÇÃO
SEJA QUAL FOR O PREÇO
DE NÃO TER PREÇO!
NÃO PERDER NUNCA O MEU SONHO
O OLHAR FIXO
NO ALÉM TÃO PERTO!
IR POR AÍ
ÀS CLARAS
O ROSTO LEVANTADO
O SORRISO A FLORIR,
AO FIM DE TANTAS
TANTAS VEZES
A BOFETADA
ME TER ASSENTADO NO ROSTO
DE TANTAS E TANTAS VEZES
ME TEREM DERRUBADO
E DERRAMADO EM CHORO.
E DE TER CAÍDO
EM TANTO TANTO ENGANO.
DE ME TEREM ROUBADO
A CONFIANÇA
JUSTAMENTE NO INSTANTE
EM QUE PEDIA SOCORRO.
NÃO TER MEDO DE SER
VIAJANTE
VIAJEIRO
SEM ESTALAGEM NEM PERCURSO.
CORRER A VIDA SEM SEGURO,
SEM CERTEZA ALGUMA.
PINTAR O MEU RETRATO NO ESCURO
E ESPERAR O DIA
EM QUE SE ACABE TUDO
MAS AINDA ASSIM
DESINTERESSADAMENTE LUTAR
POR SER MELHOR
E REJEITAR O MAL,
CUSPIR-LHE UN NÃO
ROTUNDO
E ACEITAR O FUTURO
CAMINHANDO NO GUME.
NEGAR A SUGEIÇÃO
SEJA QUAL FOR O PREÇO
DE NÃO TER PREÇO!
NÃO PERDER NUNCA O MEU SONHO
O OLHAR FIXO
NO ALÉM TÃO PERTO!
POEMAS AO MAR
FECHO OS OLHOS
E VEJO MAR, E SINTO MAR...
SALGADO-DOCE
ASSUSTADORA ATRACÇÃO
QUE NOS AFOGA NUM SORRISO
SENDO PULSANTE VIDA
PROFUNDA TRANSPARÊNCIA
REFLEXO DO CÉU
FRÉMITO
ESCURO-SORRISO
PRINCÍPIO E FIM
CALMARIA E ABISMO
FONTE DO SONHO
NOITE-MANHÃ!
CADA VEZ MAIS
TE VEJO MAR, TE SINTO MAR!
SOU DE NOVO A MENINA ABSORTA
CAMINHANDO HORAS ESQUECIDA
DE SI-MESMA, QUE SONHAVA...
...jÁ QUASE SE FOI, A PRAIA!
MAS VIVE AINDA A MENINA
TEMEROSA E FASCINADA,
OLHAR ALÉM - TÃO PERDIDA
DE SI-MESMA, QUE SONHAVA...
SOL VIBRANTE NO MEU ROSTO
CABELOS SOLTOS NO VENTO
FASCÍNO
TERNURA
MEDO!
FECHO OS OLHOS
E VEJO MAR, E SINTO MAR...
SALGADO-DOCE
ASSUSTADORA ATRACÇÃO
QUE NOS AFOGA NUM SORRISO
SENDO PULSANTE VIDA
PROFUNDA TRANSPARÊNCIA
REFLEXO DO CÉU
FRÉMITO
ESCURO-SORRISO
PRINCÍPIO E FIM
CALMARIA E ABISMO
FONTE DO SONHO
NOITE-MANHÃ!
CADA VEZ MAIS
TE VEJO MAR, TE SINTO MAR!
SOU DE NOVO A MENINA ABSORTA
CAMINHANDO HORAS ESQUECIDA
DE SI-MESMA, QUE SONHAVA...
...jÁ QUASE SE FOI, A PRAIA!
MAS VIVE AINDA A MENINA
TEMEROSA E FASCINADA,
OLHAR ALÉM - TÃO PERDIDA
DE SI-MESMA, QUE SONHAVA...
SOL VIBRANTE NO MEU ROSTO
CABELOS SOLTOS NO VENTO
FASCÍNO
TERNURA
MEDO!
DO MEU SILÊNCIO
E AINDA QUE NÃO VENDO
VEREIS VÓS
DOS MEUS TORMENTOS
FAZEREM-SE VULCÕES MEUS OLHOS
QUE FORAM
ENSOMBRADOS LAGOS
DEIXAI-ME FICAR PRESA
QUIETA
SOLTA
NO ENCANTAMENTO
QUE NÃO VOS TOLHEREI OS PASSOS
NEM PEDIREI AUXÍLIO.
SUAVE, SUAVEMENTE
FICAREI SUSPENSA
NO MEU TERRAÇO FLORIDO
COM OS PÁSSAROS VOANDO
NAS GAIOLAS PRESOS
A OUVI-LOS CANTANDO
DOU-VOS O MEU AMOR
DEIXO-VOS O MEU SOSSEGO
E AINDA QUE NÃO VENDO
VEREIS VÓS
DOS MEUS TORMENTOS
FAZEREM-SE VULCÕES MEUS OLHOS
QUE FORAM
ENSOMBRADOS LAGOS
DEIXAI-ME FICAR PRESA
QUIETA
SOLTA
NO ENCANTAMENTO
QUE NÃO VOS TOLHEREI OS PASSOS
NEM PEDIREI AUXÍLIO.
SUAVE, SUAVEMENTE
FICAREI SUSPENSA
NO MEU TERRAÇO FLORIDO
COM OS PÁSSAROS VOANDO
NAS GAIOLAS PRESOS
A OUVI-LOS CANTANDO
DOU-VOS O MEU AMOR
DEIXO-VOS O MEU SOSSEGO
Reviver
reviver
como a água de um rio
que sempre existiu
que se evaporou
e depois choveu.
Reviver
como o verde da folhinha
que vivia escondida
no botão da planta.
Reviver
como o sol que desponta
e é sempre outro dia.
Reviver
como o mar
que ora traz sua água
ora a leva de volta.
Reviver
como a rã do deserto
que espera enterrada a chuva.
Reviver
como a flor oculta
na energia
da sua mãe semente.
Como o filho imaturo
no ventre da menina,
ao nascer!
reviver
como a água de um rio
que sempre existiu
que se evaporou
e depois choveu.
Reviver
como o verde da folhinha
que vivia escondida
no botão da planta.
Reviver
como o sol que desponta
e é sempre outro dia.
Reviver
como o mar
que ora traz sua água
ora a leva de volta.
Reviver
como a rã do deserto
que espera enterrada a chuva.
Reviver
como a flor oculta
na energia
da sua mãe semente.
Como o filho imaturo
no ventre da menina,
ao nascer!
AO TEMPO E AO VENTO
ABREM-SE AS PORTAS
AO VENTO QUE NAS MADRUGADAS
SIBILA Á MINHA VOLTA
E O TEMPO E O VENTO
E O MEDO
E O LUAR
MAIS O CANSAÇO DE ESTAR
RODOPIAM
DIGO AO TEMPO
DIGO AO ESPAÇO:
AQUIETAI-VOS UM POUCO,
ESTOU FARTA DE ME CURVAR
AO VENTO
E AO TEMPO
E AO PAI
E Á FILHA
E AO PODER
E AO SER
(INGRATO)
E AO POLÍCIA
E AO SOLDADO
E A TODOS
E EM TODO O LADO
QUERO SOL!
QUERO AZUL!
QUERO A VIDA!
QUERO-ME
FELIZ
ALGUM DIA!
ABREM-SE AS PORTAS
AO VENTO QUE NAS MADRUGADAS
SIBILA Á MINHA VOLTA
E O TEMPO E O VENTO
E O MEDO
E O LUAR
MAIS O CANSAÇO DE ESTAR
RODOPIAM
DIGO AO TEMPO
DIGO AO ESPAÇO:
AQUIETAI-VOS UM POUCO,
ESTOU FARTA DE ME CURVAR
AO VENTO
E AO TEMPO
E AO PAI
E Á FILHA
E AO PODER
E AO SER
(INGRATO)
E AO POLÍCIA
E AO SOLDADO
E A TODOS
E EM TODO O LADO
QUERO SOL!
QUERO AZUL!
QUERO A VIDA!
QUERO-ME
FELIZ
ALGUM DIA!
e sem outra ventura
entender
ouvir o não dito
perceber e aceitar
o oculto
humilhar-se e engrandecer
se dar e se confiar
abrir todo o coração
aos que só mostram janelas
chaves de segredo
que ora abrem ora não
corações de labirintos
a dizer-nos que o não são.
ver mais altos os contos
que as contas.
esconder o altruísmo
carecer e dizer não
fechar os olhos
deixar-se ver
e parecer cego.
Ser rosa
que no vento se desfolha
semente
perdida na terra
dura de pedra
a florir ternura
sem ortra ventura que esta
ser tida por louca
a poeta!
entender
ouvir o não dito
perceber e aceitar
o oculto
humilhar-se e engrandecer
se dar e se confiar
abrir todo o coração
aos que só mostram janelas
chaves de segredo
que ora abrem ora não
corações de labirintos
a dizer-nos que o não são.
ver mais altos os contos
que as contas.
esconder o altruísmo
carecer e dizer não
fechar os olhos
deixar-se ver
e parecer cego.
Ser rosa
que no vento se desfolha
semente
perdida na terra
dura de pedra
a florir ternura
sem ortra ventura que esta
ser tida por louca
a poeta!
Falta-me o tempo, foge-me a vida.
Falta-me o tempo,
Foge-me a vida.
Queria varrê-la agora
Com a vassoura de prata
De pontas entrelaçadas,
De bicos entretecida.
Mas falta-me o tempo,
A vida...
Queria fechar os laços
Que sangram na minha alma,
Queria secar a ferida,
Queria limpar a face
De lágrimas percorrida,
Mas falta-me o tempo, foge...
Fugindo, me leva a vida.
Queria dizer a todos
Que fiz do ódio Amor
E da pancada carícia,
De fel doce mel criei
Que floresci
Os espinhos
De minha vereda
Que rejeitei
Maus caminhos
Que segui
Os meus sentidos
Que fui Eu
Somente e ainda.
Mas sinto fugir-me a vida...
Sinto o frio
Sinto a terra
Fecho os olhos
O ar me falta
Breve o sol desaparece
Uma doce nuvem paira
Sinto em terna paz minha alma
Sinto-me desvanecer
Já quase não sinto nada!
Falta-me o tempo,
Foge-me a vida.
Queria varrê-la agora
Com a vassoura de prata
De pontas entrelaçadas,
De bicos entretecida.
Mas falta-me o tempo,
A vida...
Queria fechar os laços
Que sangram na minha alma,
Queria secar a ferida,
Queria limpar a face
De lágrimas percorrida,
Mas falta-me o tempo, foge...
Fugindo, me leva a vida.
Queria dizer a todos
Que fiz do ódio Amor
E da pancada carícia,
De fel doce mel criei
Que floresci
Os espinhos
De minha vereda
Que rejeitei
Maus caminhos
Que segui
Os meus sentidos
Que fui Eu
Somente e ainda.
Mas sinto fugir-me a vida...
Sinto o frio
Sinto a terra
Fecho os olhos
O ar me falta
Breve o sol desaparece
Uma doce nuvem paira
Sinto em terna paz minha alma
Sinto-me desvanecer
Já quase não sinto nada!
ESCREVENDO
"Senhor, já que a dor é nossa
e a fraqueza que ela tem
dá-nos ao menos a força
de a não mostrar a ninguém"
Fernando Pessoa
escrevendo vivo
escrevendo sonho
escrevendo vivo meu sonho
escrevendo me sei vivendo
e escondo que vivo escrevendo
mas vê-se que vivo num sonho
mas vê-se que para além do mundo
vivo a minha verdade que é sonho
e o sonho de viver
escrevendo.
"Senhor, já que a dor é nossa
e a fraqueza que ela tem
dá-nos ao menos a força
de a não mostrar a ninguém"
Fernando Pessoa
escrevendo vivo
escrevendo sonho
escrevendo vivo meu sonho
escrevendo me sei vivendo
e escondo que vivo escrevendo
mas vê-se que vivo num sonho
mas vê-se que para além do mundo
vivo a minha verdade que é sonho
e o sonho de viver
escrevendo.
Se tu fosses diferente
Do Homem que és agora
Verias, crendo sómente
(Já que atento e consciente)
Que é quando a alma acorda
Da dor, eterna cadeia,
Que o nosso olhar se alteia
Vendo mais à nossa volta
Tanta coisa agora alheia:
Que adormecida paira
Inconsciente, a alegria!
Que tudo o que se cria
Não morre mas se transforma!
Que deus, onde estiver, cuida
Atento a sua obra!
Que o amor que se semeia
Há-de reflorir ainda!
Se tu fosses diferente
Quem sabe se alguém veria
Que é na palavra fluente
Do que ousa pensar diferente
Que a mudança principia!
Do Homem que és agora
Verias, crendo sómente
(Já que atento e consciente)
Que é quando a alma acorda
Da dor, eterna cadeia,
Que o nosso olhar se alteia
Vendo mais à nossa volta
Tanta coisa agora alheia:
Que adormecida paira
Inconsciente, a alegria!
Que tudo o que se cria
Não morre mas se transforma!
Que deus, onde estiver, cuida
Atento a sua obra!
Que o amor que se semeia
Há-de reflorir ainda!
Se tu fosses diferente
Quem sabe se alguém veria
Que é na palavra fluente
Do que ousa pensar diferente
Que a mudança principia!
A Papoila e a Rosa
E assim disse a rosa à papoila
Sai daí, fazes-me sombra!
A princípio, a papoila assombrada
Nem via quem lhe falava
Tão humilde e tão pequena
Flamejante em rubra chama
Tão efémera...
A rosa mostru-lhe espinhos:
Sou eu mesma quem te fala!
Moeer praí, bem me rala!
Nem se ralava a papoila,
Deixou-se cair no solo
Pétala a pétala, chorava!
E assim disse a rosa à papoila
Sai daí, fazes-me sombra!
A princípio, a papoila assombrada
Nem via quem lhe falava
Tão humilde e tão pequena
Flamejante em rubra chama
Tão efémera...
A rosa mostru-lhe espinhos:
Sou eu mesma quem te fala!
Moeer praí, bem me rala!
Nem se ralava a papoila,
Deixou-se cair no solo
Pétala a pétala, chorava!
SER
ONDE ESCONDER
MEUS BORDADOS
DE FLOR?
ONDE ESCONDER
MEUS TRINADOS
DE PÁSSARO- MULHER?
ONDE ESCONDER
O MEU CANTO
QUE VAI NO AR INDISCRETO?
ONDE ABAFAR AS VOZES
DO PRANTO E DO RISO?
PORQUE NEGAR
MEU GRITO DE AMOR?
PORQUE ESCONDER
O MEU TESOURO
SE NADA
NINGUÉM
O PODE NUNCA
ROUBAR?
O QUE FAREI
ÀS FOLHAS DO TEMPO
QUE NÃO ME CAEM
NO OUTONO?
À POALHA DE PRATA
MEU SOL
MEU LUAR?
NÃO NEGAREI MEU SER
MESMO QUE A RAIVA
CHOVA
MESMO QUE UIVE
A INVEJA
ESTENDEREI AO SOL GENEROSO
MINHAS FIRMES ASAS BRANCAS
E DEIXAR-VOS-EI
O MUNDO!
ONDE ESCONDER
MEUS BORDADOS
DE FLOR?
ONDE ESCONDER
MEUS TRINADOS
DE PÁSSARO- MULHER?
ONDE ESCONDER
O MEU CANTO
QUE VAI NO AR INDISCRETO?
ONDE ABAFAR AS VOZES
DO PRANTO E DO RISO?
PORQUE NEGAR
MEU GRITO DE AMOR?
PORQUE ESCONDER
O MEU TESOURO
SE NADA
NINGUÉM
O PODE NUNCA
ROUBAR?
O QUE FAREI
ÀS FOLHAS DO TEMPO
QUE NÃO ME CAEM
NO OUTONO?
À POALHA DE PRATA
MEU SOL
MEU LUAR?
NÃO NEGAREI MEU SER
MESMO QUE A RAIVA
CHOVA
MESMO QUE UIVE
A INVEJA
ESTENDEREI AO SOL GENEROSO
MINHAS FIRMES ASAS BRANCAS
E DEIXAR-VOS-EI
O MUNDO!
O MEU PAÍS
O MEU PAÍS É O MAR,
TÃO FEITO DE LONJURA,
DE SOL, DE ÁGUAS, DE ONDAS
SALTANDO DE ALÉM TERNURA
DE AVES BRANCAS, BRANCAS, BRANCAS,
DE OURO POLIDO A LUZIR
E RISADAS A EXPLODIR
NA VOZ PURA DAS CRIANÇAS
MEU CORAÇÃO, ELE O FEZ:
FADO,
MÁ SINA TALVEZ!
MAS NO OLHAR
UM RISO DE ASA,
OU NÃO FORA
PORTUGUÊS!
O MEU PAÍS É O MAR,
TÃO FEITO DE LONJURA,
DE SOL, DE ÁGUAS, DE ONDAS
SALTANDO DE ALÉM TERNURA
DE AVES BRANCAS, BRANCAS, BRANCAS,
DE OURO POLIDO A LUZIR
E RISADAS A EXPLODIR
NA VOZ PURA DAS CRIANÇAS
MEU CORAÇÃO, ELE O FEZ:
FADO,
MÁ SINA TALVEZ!
MAS NO OLHAR
UM RISO DE ASA,
OU NÃO FORA
PORTUGUÊS!
Poesia Viva
a poesia
é um fio
onde está suspenso
o meu sorriso
desde sempre
e para sempre!
mesmo quando
eu era areia
e o mar se afogava
no meu colo.
Mesmo quando
eu era rola
de olhos de espanto.
Mesmo quando eu era láparo
a correr de toca em toca
e só via mato cerrado
à volta!
Mesmo quando
eu era eco
dos encerrados vivos mortos
nas prisões das borboletas.
Mesmo quando
foi Abril
e eu desabrochei com os cravos!
Mesmo no tempo
dos liláses nos meus olhos.
Soa dentro de mim,
balada.
Soa dentro de mim,
búzio,som de mistério,
esse som de magia
que permanece
que fica
a pairar na música viva
compulsiva
que sonho e escrevo.
a poesia
é um fio
onde está suspenso
o meu sorriso
desde sempre
e para sempre!
mesmo quando
eu era areia
e o mar se afogava
no meu colo.
Mesmo quando
eu era rola
de olhos de espanto.
Mesmo quando eu era láparo
a correr de toca em toca
e só via mato cerrado
à volta!
Mesmo quando
eu era eco
dos encerrados vivos mortos
nas prisões das borboletas.
Mesmo quando
foi Abril
e eu desabrochei com os cravos!
Mesmo no tempo
dos liláses nos meus olhos.
Soa dentro de mim,
balada.
Soa dentro de mim,
búzio,som de mistério,
esse som de magia
que permanece
que fica
a pairar na música viva
compulsiva
que sonho e escrevo.
ESPERANÇA
ESPERANÇA!
ESPERAR SEMPRE
DESDE SEMPRE
E AINDA
ESTA FORÇA VERDE VIVA
A LUZIR AO FUNDO DA ALMA,
QUE SOFRE TANTO
E VAI SÓZINHA,
VENDO-SE NO ESPELHO
SÓ
DE SI-MESMA.
(COMO SE FORA FOARA AINDA A)
MENINA
QUE CRIA E INSISTIA
INSISTIA EM SORRIR)
ESPERANÇA!
LUZ VERDE VIVA
NA ALMA DORIDA
QUE ACREDITA
QUE NEM TODO O MAL
QUE HABITA
NA INCERTEZA
NOS FAZ SER MAUS,
DESACREDITAR
NA LÍMPIDA PUREZA
QUE SE PROCURA
ESPERANÇA!
ESPERAR SEMPRE
DESDE SEMPRE
E AINDA
ESTA FORÇA VERDE VIVA
A LUZIR AO FUNDO DA ALMA,
QUE SOFRE TANTO
E VAI SÓZINHA,
VENDO-SE NO ESPELHO
SÓ
DE SI-MESMA.
(COMO SE FORA FOARA AINDA A)
MENINA
QUE CRIA E INSISTIA
INSISTIA EM SORRIR)
ESPERANÇA!
LUZ VERDE VIVA
NA ALMA DORIDA
QUE ACREDITA
QUE NEM TODO O MAL
QUE HABITA
NA INCERTEZA
NOS FAZ SER MAUS,
DESACREDITAR
NA LÍMPIDA PUREZA
QUE SE PROCURA
Tão só de coisas pequenas
Se compõe, é feita a vida!
De grãozinhos e poeiras
É feito o deserto imenso.
É feito de gotas, o mar!
De breves enlaçados sons
Se compõe uma sinfonia,
De canções se fez a infância
(se se viveu a cantar)
De raios de luz brilhante
A luz que nos que ilumina
De que será feita a alma
Para assim se libertar?
De tanta lágrima a vida
Se se viveu a chorar!
De viva e firme coragem
Se se viveu a lutar
Assim se refaz o ser frágil
Se se ousa em versos cantar!
Se compõe, é feita a vida!
De grãozinhos e poeiras
É feito o deserto imenso.
É feito de gotas, o mar!
De breves enlaçados sons
Se compõe uma sinfonia,
De canções se fez a infância
(se se viveu a cantar)
De raios de luz brilhante
A luz que nos que ilumina
De que será feita a alma
Para assim se libertar?
De tanta lágrima a vida
Se se viveu a chorar!
De viva e firme coragem
Se se viveu a lutar
Assim se refaz o ser frágil
Se se ousa em versos cantar!
CANTAR CHORANDO
POR MAIS QUE O SOL ME AMARGURE
JAMAIS SEREI ESPADA.
POR MAIS QUE A NUVEM ME MOLHE
SEREI PARA SEMPRE POMBA.
POR MAIS ESCURO QUE O MAR ESTEJA
SEREI SEMPRE UMA ASA BRANCA
UMA CONCHINHA NA AREIA.
AINDA QUE MORRA A LUA
EU TEIMAREI EM SONHAR
QUE BRILHA NO CÉU LUA CHEIA
NA AUSÊNCIA DO LUAR
PODE A CIDADE SUBIR
PODE CADA UM QUERER
POR CIMA DO IRMÃO PASSAR!
CONTINUAREI MINHA SAGA
DE CRESCER JUNTINHO À ERVA.
TEIMANDO CUMPRIR
AI, QUANTAS VEZES EM DOR,
A OBRIGAÇÃO DE VIVER!
MAS VIVO SORRINDO SE APRENDO
MAS VIVO CANTANDO SE POSSO
DEGUSTAR O SAL E O MEL
E OLHAR...
OLHAR LONGE...
DO CANTINHO DONDE OBSERVO
UMA JANELINHA SEM NOME
DONDE VEJO COM ENCANTO
A BELEZA AO CÉU ERGUIDA
E AQUELA QUE VAI ESCONDIDA
COM VERGONHA DE APARECER.
VIVO CANTANDO SE ESCUTO
VIVO CANTANDO SE LEIO
SEM NUNCA DEIXAR DE SER
MEU CORAÇÃO O PULSAR
MEU CORAÇÃO O OLHAR
MEU CORAÇÃO O QUERER
DE MEU AMOR
VIVO E CANTO
ESTE CHORAR CONVULSIVO
EM QUE DOLORIDA CREIO
E SIGO
... MESMO SE CANTO NO PRANTO
DE TANTO MAL SE FAZER
E SEM LHE PODER VALER!
TANTA FOME E DESAMOR
AO INVERSO DE LAMENTO
REVERTO EM CANTO O MEU CHORO
INSISTO EM SEGUIR CANTANDO.
POR MAIS QUE O SOL ME AMARGURE
JAMAIS SEREI ESPADA.
POR MAIS QUE A NUVEM ME MOLHE
SEREI PARA SEMPRE POMBA.
POR MAIS ESCURO QUE O MAR ESTEJA
SEREI SEMPRE UMA ASA BRANCA
UMA CONCHINHA NA AREIA.
AINDA QUE MORRA A LUA
EU TEIMAREI EM SONHAR
QUE BRILHA NO CÉU LUA CHEIA
NA AUSÊNCIA DO LUAR
PODE A CIDADE SUBIR
PODE CADA UM QUERER
POR CIMA DO IRMÃO PASSAR!
CONTINUAREI MINHA SAGA
DE CRESCER JUNTINHO À ERVA.
TEIMANDO CUMPRIR
AI, QUANTAS VEZES EM DOR,
A OBRIGAÇÃO DE VIVER!
MAS VIVO SORRINDO SE APRENDO
MAS VIVO CANTANDO SE POSSO
DEGUSTAR O SAL E O MEL
E OLHAR...
OLHAR LONGE...
DO CANTINHO DONDE OBSERVO
UMA JANELINHA SEM NOME
DONDE VEJO COM ENCANTO
A BELEZA AO CÉU ERGUIDA
E AQUELA QUE VAI ESCONDIDA
COM VERGONHA DE APARECER.
VIVO CANTANDO SE ESCUTO
VIVO CANTANDO SE LEIO
SEM NUNCA DEIXAR DE SER
MEU CORAÇÃO O PULSAR
MEU CORAÇÃO O OLHAR
MEU CORAÇÃO O QUERER
DE MEU AMOR
VIVO E CANTO
ESTE CHORAR CONVULSIVO
EM QUE DOLORIDA CREIO
E SIGO
... MESMO SE CANTO NO PRANTO
DE TANTO MAL SE FAZER
E SEM LHE PODER VALER!
TANTA FOME E DESAMOR
AO INVERSO DE LAMENTO
REVERTO EM CANTO O MEU CHORO
INSISTO EM SEGUIR CANTANDO.
É O SONHO QUE NOS LEVA
Volatilizo-me
No éter etéreo
Pairo
Como orvalho
A partida
Aguardo!
Nem venham
Falar-me
De barreiras
Nem da inconveniência
De me encontrar
Dispersa
Suspensa
Em minúsculas
Gotículas
De brevidade!
Não conheço
Paredes
Fronteiras
Cadeados
Ou telhas
Pairo
Em nuvens
Que me semeiam
Indistintos
os
Pomares
Cerejeiras
Oliveiras
Laranjeiras
Não conheço
As cores
Mas os aromas
No ar vamos
Do ar somos
Tão longe
Da realidade
Crua
Tão perto
Da negra
terra!
Cessem
vãs ilusões
Aqueles
Que se acham
Correctos
Infalíveis
Seguros
Hoje
Ainda
e
Sempre
Deus queira
É
o sonho
Que nos leva!
Volatilizo-me
No éter etéreo
Pairo
Como orvalho
A partida
Aguardo!
Nem venham
Falar-me
De barreiras
Nem da inconveniência
De me encontrar
Dispersa
Suspensa
Em minúsculas
Gotículas
De brevidade!
Não conheço
Paredes
Fronteiras
Cadeados
Ou telhas
Pairo
Em nuvens
Que me semeiam
Indistintos
os
Pomares
Cerejeiras
Oliveiras
Laranjeiras
Não conheço
As cores
Mas os aromas
No ar vamos
Do ar somos
Tão longe
Da realidade
Crua
Tão perto
Da negra
terra!
Cessem
vãs ilusões
Aqueles
Que se acham
Correctos
Infalíveis
Seguros
Hoje
Ainda
e
Sempre
Deus queira
É
o sonho
Que nos leva!
NA ALMA QUE CANTA
A voz do poeta é um rio
que brota fino
e cristalino
Os olhos do poeta
trazem
outras águas
colorindo as margens,
sem nome. Adorno.
Só se veêm se se encontram
os rios que correm
pelas prais reviradas das idéias
cantando como
onda que rola e se transporta
se transforma
cai limpa e clara
na alma que canta.
A voz do poeta é um rio
que brota fino
e cristalino
Os olhos do poeta
trazem
outras águas
colorindo as margens,
sem nome. Adorno.
Só se veêm se se encontram
os rios que correm
pelas prais reviradas das idéias
cantando como
onda que rola e se transporta
se transforma
cai limpa e clara
na alma que canta.
AS PALAVRAS DOS POETAS
como nascem
já rimadas,
ritmadas,
alinhadas,
as palavras dos poetas?
Com olhos de deuses veêm?
Como nascem já contadas,
encantadas,
embaladas,
as palavras dos poetas?
Com alma de humanos sentem?
Como olham pra tão longe
olhar doce tão doído
tão atento
tão sofrido
As palavras dos poetas!
como nascem
já rimadas,
ritmadas,
alinhadas,
as palavras dos poetas?
Com olhos de deuses veêm?
Como nascem já contadas,
encantadas,
embaladas,
as palavras dos poetas?
Com alma de humanos sentem?
Como olham pra tão longe
olhar doce tão doído
tão atento
tão sofrido
As palavras dos poetas!
Meu amor, meu amigo
Como adormecer sem teu ser alado
Sem o teu sol no meu peito
A caricia do teu riso
Como partir
para o desconhecido
mundo do sono
sem sonho levar comigo?
Sem te dizer adeus
Com Deus a nosso lado
neste amor verdadeiro
Que me leva até onde estejas
leve como a brisa
que vem, te acaricia?
Meus braços pendem
esperando os teus
meu sangue reclama
o doce fluir e pulsar
em mim
de ti
caminho cega de amor
pela estrada do tempo
esperando com ternura
o dia
do nosso encontro
Como adormecer sem teu ser alado
Sem o teu sol no meu peito
A caricia do teu riso
Como partir
para o desconhecido
mundo do sono
sem sonho levar comigo?
Sem te dizer adeus
Com Deus a nosso lado
neste amor verdadeiro
Que me leva até onde estejas
leve como a brisa
que vem, te acaricia?
Meus braços pendem
esperando os teus
meu sangue reclama
o doce fluir e pulsar
em mim
de ti
caminho cega de amor
pela estrada do tempo
esperando com ternura
o dia
do nosso encontro
Chamo-lhe Meu Paraiso...
Habito numa árvore enorme
Em que cada animal dorme
Fechado em seu egoísmo
Moro numa selva nua
Anónima, desabitada
Onde tudo se atropela.
No meio do meu dilêncio
Ergo minha voz e canto
Ou, se há demais sofrimento,
Ninguém se ri do meu pranto.
Entre terra e céu construo
Meu jardim, e nele habito.
Chamo-lhe Éden e ninho
Canto alegre, meu recanto.
Pássaros chamam e eu digo
O que digo e vejo e escuto,
Meu carinho retribuído.
Crescem flores em todo o lado.
Tenho os rios num aquário
E o silêncio em que fico.
E há duas felinas mansas
Que vêm pedir-me mimo,
Como fazem as crianças.
Quando a dor é meu tormento
Vêm pousar-me no colo,
Consolar-me com carinho.
Lá fora, dizem, é o mundo!
Mas aqui dentro, acredito,
Meu oásis do deserto,
... chamo-lhe meu paraíso.
Habito numa árvore enorme
Em que cada animal dorme
Fechado em seu egoísmo
Moro numa selva nua
Anónima, desabitada
Onde tudo se atropela.
No meio do meu dilêncio
Ergo minha voz e canto
Ou, se há demais sofrimento,
Ninguém se ri do meu pranto.
Entre terra e céu construo
Meu jardim, e nele habito.
Chamo-lhe Éden e ninho
Canto alegre, meu recanto.
Pássaros chamam e eu digo
O que digo e vejo e escuto,
Meu carinho retribuído.
Crescem flores em todo o lado.
Tenho os rios num aquário
E o silêncio em que fico.
E há duas felinas mansas
Que vêm pedir-me mimo,
Como fazem as crianças.
Quando a dor é meu tormento
Vêm pousar-me no colo,
Consolar-me com carinho.
Lá fora, dizem, é o mundo!
Mas aqui dentro, acredito,
Meu oásis do deserto,
... chamo-lhe meu paraíso.
Que farei do mel que transborda
de mim inteira
clamando alto por ti
que não bebes, desperdiças
como se a vida fosse um rio sem foz?
Que faço dos segredos
que quero dividir contigo?
Que faço desta alma solitária
que navega insegura
pelos mares infindos
do desespero?
Para que servem meus
lençois imaculados
se não te abrigam?
Para que cai esta cambria
da minha alma
no chão fulgindo?
Para onde conduzimos nossas vidas
como se não existisse termo?
Onde guardarei tanta ternura
que te entrego?
tantos sonhos
em vão, meu amor, em vão!
sabendo que contigo
é tão doce o amor
aquele sossego onde
nossas almas e corpos se encontram
em tamanha felicidade e paz?
meu querer por ti é tanto,
como não vês
a urgência de que te falam os meus olhos,
que em vão escondo
sendo que tudo te vou mostrando:
inteira mulher de corpo e alma
palpitante e ansiosa que
num dia se sol olhaste perto
e que em silêncio, no fundo da sua consiência
com a tua se encontrou?
ai, perder-se a vida uma vez única,
a um passo da coragem
para transpor a porta desnuda
do nosso paraíso!
de mim inteira
clamando alto por ti
que não bebes, desperdiças
como se a vida fosse um rio sem foz?
Que faço dos segredos
que quero dividir contigo?
Que faço desta alma solitária
que navega insegura
pelos mares infindos
do desespero?
Para que servem meus
lençois imaculados
se não te abrigam?
Para que cai esta cambria
da minha alma
no chão fulgindo?
Para onde conduzimos nossas vidas
como se não existisse termo?
Onde guardarei tanta ternura
que te entrego?
tantos sonhos
em vão, meu amor, em vão!
sabendo que contigo
é tão doce o amor
aquele sossego onde
nossas almas e corpos se encontram
em tamanha felicidade e paz?
meu querer por ti é tanto,
como não vês
a urgência de que te falam os meus olhos,
que em vão escondo
sendo que tudo te vou mostrando:
inteira mulher de corpo e alma
palpitante e ansiosa que
num dia se sol olhaste perto
e que em silêncio, no fundo da sua consiência
com a tua se encontrou?
ai, perder-se a vida uma vez única,
a um passo da coragem
para transpor a porta desnuda
do nosso paraíso!
PERPASSAS
LUMINOSO
NO CÉU!
AH, COMO EU ANSEIO
UM REFLEXO TEU!
TÃO PERDIDA DE MIM
ME ENCONTRO NESTE VAGO SENTIDO
QUANDO
UM RAIO DE LUZ
VERDADEIRO
ILUMIRÁ
MEU PRANTO?
QUANDO O AZUL DO TEU CÉU?
QUANDO SENTIREI
TUA FRESCA BRISA
REFRESCAR MINHAS ENSEADAS
EM ÂNSIA?
NO FUNDO DE MIM
GRITA UMA VOZ
ANSIOSA
SEQUIOSA
AFLITA
MINHA VOZ SEGUE SILENCIOSA
E ACOLHE-SE NO POEMA
LUMINOSO
NO CÉU!
AH, COMO EU ANSEIO
UM REFLEXO TEU!
TÃO PERDIDA DE MIM
ME ENCONTRO NESTE VAGO SENTIDO
QUANDO
UM RAIO DE LUZ
VERDADEIRO
ILUMIRÁ
MEU PRANTO?
QUANDO O AZUL DO TEU CÉU?
QUANDO SENTIREI
TUA FRESCA BRISA
REFRESCAR MINHAS ENSEADAS
EM ÂNSIA?
NO FUNDO DE MIM
GRITA UMA VOZ
ANSIOSA
SEQUIOSA
AFLITA
MINHA VOZ SEGUE SILENCIOSA
E ACOLHE-SE NO POEMA
CRAVOS RUBROS, ONDE A ESPERAÇA?
NÃO FALEM DA DOÇURA DAS MORDAÇAS
CERTA MANHÃ DE ABRIL
ARRANCADAS
FALEM DAS ESPERANÇAS ESMAGADAS
DE NOSSAS QUIMERAS QUEIMADAS
DAS VÃS FALHADAS PROMESSAS
DESSAS SENHORIAS
DANDO-NOS POR PÃO PALAVRAS
ILUSÕES, FAVAS CONTADAS
FALEM DESTAS VIVAS CHAGAS
NO LUGAR DAS NOSSAS ESPERANÇAS
DAS LUTAS DESESPERADAS
FALEM DO PODER E DA GULA
DA VAIDADE E DA SOBERBA
DELATAEM QUEM NOS ENGANA
DE QUEM ESBANJA À NOSSA MESA
O PÃO NOSSO QUE NOS FALTA
E RI DA NOSSA DESGRAÇA
FALEM NA POPREZA ESCONDIDA
FALEM NO POVO QUE EMPENHA
A VIDA EM TROCA DE NADA
FALEM DA MISÉRIA NA SOMBRA
DO ADEVIR NA PENHORA
DO IMPÉRIO DE IMPOSTURA
AH, PÉTALAS DE CRAVOS RUBROS
TÃO PERFUMADOS DE ESPERANÇA
QUE É DA VOSSA RUBRA CHAMA?
NÃO FALEM DA DOÇURA DAS MORDAÇAS
CERTA MANHÃ DE ABRIL
ARRANCADAS
FALEM DAS ESPERANÇAS ESMAGADAS
DE NOSSAS QUIMERAS QUEIMADAS
DAS VÃS FALHADAS PROMESSAS
DESSAS SENHORIAS
DANDO-NOS POR PÃO PALAVRAS
ILUSÕES, FAVAS CONTADAS
FALEM DESTAS VIVAS CHAGAS
NO LUGAR DAS NOSSAS ESPERANÇAS
DAS LUTAS DESESPERADAS
FALEM DO PODER E DA GULA
DA VAIDADE E DA SOBERBA
DELATAEM QUEM NOS ENGANA
DE QUEM ESBANJA À NOSSA MESA
O PÃO NOSSO QUE NOS FALTA
E RI DA NOSSA DESGRAÇA
FALEM NA POPREZA ESCONDIDA
FALEM NO POVO QUE EMPENHA
A VIDA EM TROCA DE NADA
FALEM DA MISÉRIA NA SOMBRA
DO ADEVIR NA PENHORA
DO IMPÉRIO DE IMPOSTURA
AH, PÉTALAS DE CRAVOS RUBROS
TÃO PERFUMADOS DE ESPERANÇA
QUE É DA VOSSA RUBRA CHAMA?
ESTA ÂNSIA DENTRO
ANDAM CAVALOS À SOTA
NO MEU PEITO
ANDAM PÁSSAROS À SOLTA
NO MEU CÉREBRO
TODA EU CORRO E ME ELEVO
É MEU O HORIZONTE IMENSO
ONDE ME PERCO
ONDE ME ENCONTRO
ONDE NÃO PÁRO.
VAI À DESFILADA O MEU PENSAMENTO
NOS MEUS OLHOS DE ÁGUA
MINHAS ASAS DE VENTO
NAVEGO
E VOU BEBENDO AS ILHAS QUE ENCONTRO
NÃO QUERO NEVOEIRO SOB O FIRMAMENTO
QUERO O AZUL-NEGRO NÍTIDO
QUERO AS ESTRELAS TODAS
DENTRO DO MEU PEITO
QUE FAÇO EU NESTE CHÃO CINZENTO
ONDE NADA É MEU,
ONDE NÃO PERTENÇO?!
ANDAM CAVALOS À SOTA
NO MEU PEITO
ANDAM PÁSSAROS À SOLTA
NO MEU CÉREBRO
TODA EU CORRO E ME ELEVO
É MEU O HORIZONTE IMENSO
ONDE ME PERCO
ONDE ME ENCONTRO
ONDE NÃO PÁRO.
VAI À DESFILADA O MEU PENSAMENTO
NOS MEUS OLHOS DE ÁGUA
MINHAS ASAS DE VENTO
NAVEGO
E VOU BEBENDO AS ILHAS QUE ENCONTRO
NÃO QUERO NEVOEIRO SOB O FIRMAMENTO
QUERO O AZUL-NEGRO NÍTIDO
QUERO AS ESTRELAS TODAS
DENTRO DO MEU PEITO
QUE FAÇO EU NESTE CHÃO CINZENTO
ONDE NADA É MEU,
ONDE NÃO PERTENÇO?!
Alma em ânsia
Dói-me quanto de MIM me ultrapassa
E se perde num vazio sem retorno,
Sem esperança de resposta.
Dói-me a nua alma insatisfeita
Dobrada em si mas quendo voar
A mim mesma rompendo num grito sem eco.
Saber que jamais viverei tanto quanto
Me pede esta ânsia que saiba.
Viver viajando
Ao largo de meu ser concreto,
A busca.
Dói-me quanto de MIM me ultrapassa
E se perde num vazio sem retorno,
Sem esperança de resposta.
Dói-me a nua alma insatisfeita
Dobrada em si mas quendo voar
A mim mesma rompendo num grito sem eco.
Saber que jamais viverei tanto quanto
Me pede esta ânsia que saiba.
Viver viajando
Ao largo de meu ser concreto,
A busca.
SOBRE PÉTALAS DE ROSA
QUE A MANHÃ ME OFERECEU
E O VENTO LESTE EMBALOU
E O NEGRO MELRO CANTOU
EU ESCREVI O MEU POEMA
DE UM SONHO
DE ALGO IMATERIAL
RISONHO
DE ALGO QUE NÃO EXISTE
E QUERO
MAS ÀS PÉTALAS DE ROSA
A TARDE ROXA AS ROUBOU
E O VENTO LESTE AS SOLTOU
E O NEGRO MELRO AS CHOROU
... E EU JÁ NÃO SEI O POEMA!
QUE A MANHÃ ME OFERECEU
E O VENTO LESTE EMBALOU
E O NEGRO MELRO CANTOU
EU ESCREVI O MEU POEMA
DE UM SONHO
DE ALGO IMATERIAL
RISONHO
DE ALGO QUE NÃO EXISTE
E QUERO
MAS ÀS PÉTALAS DE ROSA
A TARDE ROXA AS ROUBOU
E O VENTO LESTE AS SOLTOU
E O NEGRO MELRO AS CHOROU
... E EU JÁ NÃO SEI O POEMA!
E NÃO VENHAS PEDIR-ME QUE NÃO TE FALE DE AMOR!
Não te quero triste nem me quero triste
A voz do amor solta se ergue
o meu sonho te procura e segue
certo no tempo incerto
incessantemente ao teu encontro
volta vazio de teu olhar
saudoso do teu sorriso
do teu cheiro no meu cabelo solto derramado no teu peito
ah, como é leve e inevitável seguir este fio!
como todos os caminhos da ternura
vão do meu para o teu coração!
meus ouvidos enlevados repetem a tua voz vezes sem conta
mas todos os meus poros anseiam pelos teus dedos
e a minha boca perdeu o dom de sorrir
pela tua inquieta...
e não venhas pedir-me que não te fale de amor!
Não te quero triste nem me quero triste
A voz do amor solta se ergue
o meu sonho te procura e segue
certo no tempo incerto
incessantemente ao teu encontro
volta vazio de teu olhar
saudoso do teu sorriso
do teu cheiro no meu cabelo solto derramado no teu peito
ah, como é leve e inevitável seguir este fio!
como todos os caminhos da ternura
vão do meu para o teu coração!
meus ouvidos enlevados repetem a tua voz vezes sem conta
mas todos os meus poros anseiam pelos teus dedos
e a minha boca perdeu o dom de sorrir
pela tua inquieta...
e não venhas pedir-me que não te fale de amor!
A MULHER IANOMANI
Deitou-se na rede
abriu a janela
e o ar da tarde veio ter com ela:
beijou-a na face,
entrou-lhe no ventre
e deixou a semente
que seus frutos deu
......
morreu. E após dez anos
limparam-lhe os ossos
com honras, almoços,
benzeram-na REI.
rei posto e deposto
que reinou já morto
No vento da tarde
a tribo se recolhe
e no céu que arde
a vida a esperança morre
Poderosos Deuses
que tão longe estais
guardai nossas redes
sobram, são demais
um a se foram um a um se vão
os pés que pisaram
amaram este chão.
Deitou-se na rede
abriu a janela
e o ar da tarde veio ter com ela:
beijou-a na face,
entrou-lhe no ventre
e deixou a semente
que seus frutos deu
......
morreu. E após dez anos
limparam-lhe os ossos
com honras, almoços,
benzeram-na REI.
rei posto e deposto
que reinou já morto
No vento da tarde
a tribo se recolhe
e no céu que arde
a vida a esperança morre
Poderosos Deuses
que tão longe estais
guardai nossas redes
sobram, são demais
um a se foram um a um se vão
os pés que pisaram
amaram este chão.
VIVER É AGORA!
TENHO OLHOS PARA VER
TENHO MENTE PRA PENSAR
TENHO PERNAS PARA ANDAR
TENHO PÉS PARA CORRER
TENHO BRAÇOS PRA ABRAÇAR
TENHO BOCA PRA FALAR
TENHO BOCA PRA BEIJAR
NÃO TA VOU DEIXAR CALAR
NÃO TE VOU OBEDECER
NÃO VOU OS OLHOS FECHAR
NÃO VOU MEUS SONHOS CORTAR
NÃO VOU PARAR DE ANDAR
NÃO VOU PARAR DE CORRER
TENHO OLHOS PARA VER
TENHO BOCA PRA FALAR
NADA ME FARÁ PARAR
HÁ UM MUNDO PRA MUDAR
VOU CORRER, QUERER, OLHAR,
NÃO VOU A BOCA CALAR
NÃO TA VOU DEIXAR MORDER
HÁ UMA SORTE A MUDAR
HÁ UMA VIDA A VIVER
HÁ UMA VIDA A PASSAR
E A VIDA PASSA A CORRER.
TENHO OLHOS PARA VER
TENHO MENTE PRA PENSAR
TENHO PERNAS PARA ANDAR
TENHO PÉS PARA CORRER
TENHO BRAÇOS PRA ABRAÇAR
TENHO BOCA PRA FALAR
TENHO BOCA PRA BEIJAR
NÃO TA VOU DEIXAR CALAR
NÃO TE VOU OBEDECER
NÃO VOU OS OLHOS FECHAR
NÃO VOU MEUS SONHOS CORTAR
NÃO VOU PARAR DE ANDAR
NÃO VOU PARAR DE CORRER
TENHO OLHOS PARA VER
TENHO BOCA PRA FALAR
NADA ME FARÁ PARAR
HÁ UM MUNDO PRA MUDAR
VOU CORRER, QUERER, OLHAR,
NÃO VOU A BOCA CALAR
NÃO TA VOU DEIXAR MORDER
HÁ UMA SORTE A MUDAR
HÁ UMA VIDA A VIVER
HÁ UMA VIDA A PASSAR
E A VIDA PASSA A CORRER.
!
E
AOS
NOSSOS
DE AGORA E SEMPRE
AMIGOS QUERIDOS TÃO PERTO
PASSO ESTA FRASE TÃO LINDA PARA AS PESSOAS
QUE COM A VIVA MEMÓRIA DO QUE SENTIRAM
FAZEM SURGIR A BELEZA OCULTA
TORNAM O NOSSO MUNDO
E A NOSSA VIDA
MAIS BELOS!
AMIGA
TUA
A
!
!
é
certo:
"Todos sentem.
Mas somente a alguns seres é dado guardar,
como um tesouro, a memória viva do que sentiram.
Creio que esses são os poetas".
(Gustavo Béquer)
beijinhos
Maria
eu
!
E
AOS
NOSSOS
DE AGORA E SEMPRE
AMIGOS QUERIDOS TÃO PERTO
PASSO ESTA FRASE TÃO LINDA PARA AS PESSOAS
QUE COM A VIVA MEMÓRIA DO QUE SENTIRAM
FAZEM SURGIR A BELEZA OCULTA
TORNAM O NOSSO MUNDO
E A NOSSA VIDA
MAIS BELOS!
AMIGA
TUA
A
!
!
é
certo:
"Todos sentem.
Mas somente a alguns seres é dado guardar,
como um tesouro, a memória viva do que sentiram.
Creio que esses são os poetas".
(Gustavo Béquer)
beijinhos
Maria
eu
!
Mas Rir e Chorar de Contente!
Ah, a dor de ser diferente!
Ser cisne...
Ser pombo entre as águias
Guardar no coração as mágoas
Mas rir e chorar de contente!
Caminhar por entre nuvens!
Ser dos sonhos mensageiro!
Fazer da luz meu dinheiro
E riqueza de poemas!
Caminhar certo no escuro
Andar aos tombos na luz...
O ser diferente produz
Um qualquer mal-estar latente
Que um poeta somente
Ao ser-seu-igual consente
Dizer, em Arte, que sente!
Ah, a dor de ser diferente!
Ser cisne...
Ser pombo entre as águias
Guardar no coração as mágoas
Mas rir e chorar de contente!
Caminhar por entre nuvens!
Ser dos sonhos mensageiro!
Fazer da luz meu dinheiro
E riqueza de poemas!
Caminhar certo no escuro
Andar aos tombos na luz...
O ser diferente produz
Um qualquer mal-estar latente
Que um poeta somente
Ao ser-seu-igual consente
Dizer, em Arte, que sente!
É Pesadelo
é pesadelo
o sonhar
não me perder
gota
em tal mar
esplêndido
belo!
nada
se queira perfeito!
perfeição
é não-ser!
mas navegar
em teu
porque oculto
se tão revolto
luminoso mar...
é pesadelo
perder...
ai perder-me!
deter teu fluxo
de ser
vaguear
te reter
conter!
ficar
com teu cio
no meu colo!
é pesadelo
o sonhar
não me perder
gota
em tal mar
esplêndido
belo!
nada
se queira perfeito!
perfeição
é não-ser!
mas navegar
em teu
porque oculto
se tão revolto
luminoso mar...
é pesadelo
perder...
ai perder-me!
deter teu fluxo
de ser
vaguear
te reter
conter!
ficar
com teu cio
no meu colo!
Toma a minha mão.
Agarra-a com força,
até sentires que te pertence,
e leva-me estrada fora
em busca do ar puro
da erva, da mimosa
que em soiszinhos de oiro desabrocha,
que o grande sol aquece!
E que de lá se aviste a duna!
E aquele mar azul longe longe,
que se escute!
E que se sinta a areia!
E que se se sinta o sal, o frio, a espuma!
E que se mate em mim esta saudade de além!
Que o vento seque este sal,
que em choro me lava o rosto!
E que morra, ao menos por ora,
na minha alma
a inquietação!
Este esperar sem esperança
em que me desespero!
Esta dúvida em chaga viva
no meu coração!
Agarra-a com força,
até sentires que te pertence,
e leva-me estrada fora
em busca do ar puro
da erva, da mimosa
que em soiszinhos de oiro desabrocha,
que o grande sol aquece!
E que de lá se aviste a duna!
E aquele mar azul longe longe,
que se escute!
E que se sinta a areia!
E que se se sinta o sal, o frio, a espuma!
E que se mate em mim esta saudade de além!
Que o vento seque este sal,
que em choro me lava o rosto!
E que morra, ao menos por ora,
na minha alma
a inquietação!
Este esperar sem esperança
em que me desespero!
Esta dúvida em chaga viva
no meu coração!
A inquietação
O desassossego.
Este procurar sem termo
o quê e o porquê de tudo.
O porquê das crenças.
O porquê das coisas.
Penetrar além das brumas
para entender as almas
escondidas, disfarçadas
que morrem de medo de ser.
Coragem em mim persistindo,
sonho que acordada me levas,
minha razão de viver.
Quero ainda ir.
Descobrir atrás de caras fechadas
postiços olhares de viés.
Sorrisos que são dentolas.
Quero descobrir primaveras,
mares repletos de ondas
onde altaneiras velas
sejam sonhos
Além
caravelas encantadas
O desassossego.
Este procurar sem termo
o quê e o porquê de tudo.
O porquê das crenças.
O porquê das coisas.
Penetrar além das brumas
para entender as almas
escondidas, disfarçadas
que morrem de medo de ser.
Coragem em mim persistindo,
sonho que acordada me levas,
minha razão de viver.
Quero ainda ir.
Descobrir atrás de caras fechadas
postiços olhares de viés.
Sorrisos que são dentolas.
Quero descobrir primaveras,
mares repletos de ondas
onde altaneiras velas
sejam sonhos
Além
caravelas encantadas
ESPELHO
atrás do brilho do espelho
onde se quebra o olhar do mundo
há um universo
de almas ardentes
Incenso
flores e música, mar fundo
há o verdadeiro sorriso
há a mão que se estende
Amigo
há o nada qu'rer, por se ter tudo
e tudo é este olhar molhado e mudo
este sangue a pulssar intenso
este amar as utopias
Genuíno
este olhar de ver e entender tudo
esta raíz funda a florir outono
esta dádiva do interior tão claro e fluido
este ressoar indefenido
Solo de violino
que te encontra e se te dá
Se dispersando,
volátil, a Poesia nos envolvendo.
atrás do brilho do espelho
onde se quebra o olhar do mundo
há um universo
de almas ardentes
Incenso
flores e música, mar fundo
há o verdadeiro sorriso
há a mão que se estende
Amigo
há o nada qu'rer, por se ter tudo
e tudo é este olhar molhado e mudo
este sangue a pulssar intenso
este amar as utopias
Genuíno
este olhar de ver e entender tudo
esta raíz funda a florir outono
esta dádiva do interior tão claro e fluido
este ressoar indefenido
Solo de violino
que te encontra e se te dá
Se dispersando,
volátil, a Poesia nos envolvendo.
APOCALIPSE
E NO FIM
QUE AO POETA SEJA PERMITIDO
OLHAR
O SOL DESPEDAÇADO A CHORAR
SEU FOGO DISPERSO,
A TERRA MORRER DE SAUDADES
DE AMOR,
A LUA A FUGIR GRITANDO
DE SOLIDÃO,
AS ESTRELAS ESPANTADAS
COM TANTA DOR
DA IMENSA EXPLOSÃO VERMELHA.
QUE AO POETA SEJA PERMITIDO
SORVER ATÉ AO FIM
TODA A DOR
TODA A DOR.
QUE AO POETA SEJA PERMITIDO
ASSISTIR AO FIM
PARA CANTAR
NÃO CHORAR
MAS CANTAR
TODA A CONFUSÃO
DO UNIVERSO EM CONVULSÃO.
QUE AO POETA SEJA PERMITIDO
SER O ÚLTIMO
A MORRER
NUM SORRISO
DE DESILUSÃO.
E NO FIM
QUE AO POETA SEJA PERMITIDO
OLHAR
O SOL DESPEDAÇADO A CHORAR
SEU FOGO DISPERSO,
A TERRA MORRER DE SAUDADES
DE AMOR,
A LUA A FUGIR GRITANDO
DE SOLIDÃO,
AS ESTRELAS ESPANTADAS
COM TANTA DOR
DA IMENSA EXPLOSÃO VERMELHA.
QUE AO POETA SEJA PERMITIDO
SORVER ATÉ AO FIM
TODA A DOR
TODA A DOR.
QUE AO POETA SEJA PERMITIDO
ASSISTIR AO FIM
PARA CANTAR
NÃO CHORAR
MAS CANTAR
TODA A CONFUSÃO
DO UNIVERSO EM CONVULSÃO.
QUE AO POETA SEJA PERMITIDO
SER O ÚLTIMO
A MORRER
NUM SORRISO
DE DESILUSÃO.
A POESIA ETERNA E BREVE
QUEIRA OU NÃO QUEIRA
ME ACONTECE
UMA PALAVRA MAIS E EIS QUE
O MEU OLHAR DA MENTE VAI
ALÉM DE MIM, ALÉM DE TI E ALÉM DE
QUE DOM ME DEU O MAL O BEM O SE
EU FORA FELIZ... FELIZ APENAS SE
EU FOSSE TERRA E PEDRA NUA EM VEZ DE
UM SER ETÉREO QUE VÊ E CRÊ
E NADA MAIS QUER DO QUE O QUE É:
LEGÍTIMA ÊSSENCIA DE SER IGUAL A SI.
QUEIRA OU NÃO QUEIRA
ME ACONTECE
UMA PALAVRA MAIS E EIS QUE
O MEU OLHAR DA MENTE VAI
ALÉM DE MIM, ALÉM DE TI E ALÉM DE
QUE DOM ME DEU O MAL O BEM O SE
EU FORA FELIZ... FELIZ APENAS SE
EU FOSSE TERRA E PEDRA NUA EM VEZ DE
UM SER ETÉREO QUE VÊ E CRÊ
E NADA MAIS QUER DO QUE O QUE É:
LEGÍTIMA ÊSSENCIA DE SER IGUAL A SI.
CÓMODO É ESTAR ENTRE OS INDIFERENTES.
JÁ NASCI CONTESTAT´RIA
- OBRIGADA, REBELDIA!
COM A SINA QUE ME DERAM,
RESIGNADA, QUEM SERIA?!
CRIEI-ME ENROLADA NA ONDA
CRESCI NUMA VENTANIA.
DA MÃE QUE LOGO PARTIU
AO PAI QUE NÃO ME QUERIA
-ANTES ME LEVASSE A VIDA!
MINHA ALMA SALVA ERGO
APESAR DA TRISTE SINA
LÁGRIMAS DE DOR SÓ DOR
-QUE TANTO SOFREU MARIA!
TERNURAS DE CASCAVEL
FUÇADAS DE JAVALI
ANULAR-ME, NÃO PUDERAM
NEM LÁ NEM NUNCA E AQUI
JÁ NASCI CONTESTAT´RIA
- OBRIGADA, REBELDIA!
COM A SINA QUE ME DERAM,
RESIGNADA, QUEM SERIA?!
CRIEI-ME ENROLADA NA ONDA
CRESCI NUMA VENTANIA.
DA MÃE QUE LOGO PARTIU
AO PAI QUE NÃO ME QUERIA
-ANTES ME LEVASSE A VIDA!
MINHA ALMA SALVA ERGO
APESAR DA TRISTE SINA
LÁGRIMAS DE DOR SÓ DOR
-QUE TANTO SOFREU MARIA!
TERNURAS DE CASCAVEL
FUÇADAS DE JAVALI
ANULAR-ME, NÃO PUDERAM
NEM LÁ NEM NUNCA E AQUI
NAS MINHAS HORAS DE ESTUDO
HÁ SEMPRE UMA BORBOLETA BRANCA
BRANCA E PEQUENINA
QUE DOCEMENTE ME CANTA
ESTRANHAS CANÇÕES
DE UM PAÍS ONDE VIVEU
ANTES DE VIR PARA O MEU QUARTO
E EU RECLINO A CABEÇA
AJEITO A ROUPA DA CAMA
PONHO A LUZ MUITO BAIXIINHA
COMO SE FOSSE LUAR
E FICO HORAS E HORAS QUIETA
A SORRIR E A VÊ-LA
GIRAR EM REDOR DE MIM
E O MEU LIVRO DE HISTÓRIA
E MAIS O DE GEOGRAFIA
FICAM OS DOIS RESMUNGANDO
E CHAMANDO-ME BAIXINHO
E A BORBOLETA A CANTAR
E A DANÇAR EM MEU REDOR
O FOLCLOR DAQUELE PAÍS
DEPOIS PELA MADRUGADA
VEM O SONO INFIEL
ATRELANDO EM SI O SONHO
ENTÃO MUITO DE MANSINHO
FAÇO CLIC, APAGO A LUZ
DIGO ADEUS À BORBOLETA
CERRO OS OLHOS, PUXO A ROUPA
E VOU NOUTRO SONHO AO LUGAR
DE ONDE VEIO A BORBOLETA.....
HÁ SEMPRE UMA BORBOLETA BRANCA
BRANCA E PEQUENINA
QUE DOCEMENTE ME CANTA
ESTRANHAS CANÇÕES
DE UM PAÍS ONDE VIVEU
ANTES DE VIR PARA O MEU QUARTO
E EU RECLINO A CABEÇA
AJEITO A ROUPA DA CAMA
PONHO A LUZ MUITO BAIXIINHA
COMO SE FOSSE LUAR
E FICO HORAS E HORAS QUIETA
A SORRIR E A VÊ-LA
GIRAR EM REDOR DE MIM
E O MEU LIVRO DE HISTÓRIA
E MAIS O DE GEOGRAFIA
FICAM OS DOIS RESMUNGANDO
E CHAMANDO-ME BAIXINHO
E A BORBOLETA A CANTAR
E A DANÇAR EM MEU REDOR
O FOLCLOR DAQUELE PAÍS
DEPOIS PELA MADRUGADA
VEM O SONO INFIEL
ATRELANDO EM SI O SONHO
ENTÃO MUITO DE MANSINHO
FAÇO CLIC, APAGO A LUZ
DIGO ADEUS À BORBOLETA
CERRO OS OLHOS, PUXO A ROUPA
E VOU NOUTRO SONHO AO LUGAR
DE ONDE VEIO A BORBOLETA.....
NÃO QUERIA ESCREVER VERSOS!
SE ACASO QUIS MINHA SINA
QUE EU TANTO PADECESSE
E AO MUNDO VERSOS ESVREVESSE
É CULPA DELA, NÃO MINHA!
SE NOS CÉUS O SENHOR NOSSO
ESTE DESTINO ME DEU
FOI SIMPLES DESEJO SEU
E CONTRA O QUAL NADA POSSO!
COMO QUERIA SER VULGAR
RIR COM AS DEMAIS RAPARIGAS
LANÇAR NO AR MIL CANTIGAS
TER PAIS E IRMÃOS PARA AMAR!
E BRINCAR COM A POESIA
E FAZER TROÇA DO AMOR
SEM DÓ ESMAGAR UMA FLOR...
AH, QUE FELIZ EU SERIA!
MAS EM VEZ DISSO TUDO CHORO
AH MEU POBRE CORAÇÃO
SÓ VIVES DA ILUSÃO
TUDO O MAIS P'RA TI É SONHO....
SE ACASO QUIS MINHA SINA
QUE EU TANTO PADECESSE
E AO MUNDO VERSOS ESVREVESSE
É CULPA DELA, NÃO MINHA!
SE NOS CÉUS O SENHOR NOSSO
ESTE DESTINO ME DEU
FOI SIMPLES DESEJO SEU
E CONTRA O QUAL NADA POSSO!
COMO QUERIA SER VULGAR
RIR COM AS DEMAIS RAPARIGAS
LANÇAR NO AR MIL CANTIGAS
TER PAIS E IRMÃOS PARA AMAR!
E BRINCAR COM A POESIA
E FAZER TROÇA DO AMOR
SEM DÓ ESMAGAR UMA FLOR...
AH, QUE FELIZ EU SERIA!
MAS EM VEZ DISSO TUDO CHORO
AH MEU POBRE CORAÇÃO
SÓ VIVES DA ILUSÃO
TUDO O MAIS P'RA TI É SONHO....
A ONDA QUE BATE NA ROCHA
O LUAR QUE BORDA A ESPUMA
A AREIA QUE ESVOAÇA
UMA GAIVOTA QUE GRITA
- TUDO FAZ PARTE DA VIDA!
UNA FLOR QUE DESABROCHA
UM PASSARINHO QUE CANTA
UMA MÃE QUE O FILHO EMBALA
UM RIACHO QUE QUEBRANTA
- TUDO ISTO É POESIA!
O LUZIR ALTO DA ESTRELA
O APARECER DA LUA
UMA FRASE DE CARÍCIA
UMA LÁGRIMA QUE DESLISA
- TUDO ISTO É MELODIA!
O LUAR QUE BORDA A ESPUMA
A AREIA QUE ESVOAÇA
UMA GAIVOTA QUE GRITA
- TUDO FAZ PARTE DA VIDA!
UNA FLOR QUE DESABROCHA
UM PASSARINHO QUE CANTA
UMA MÃE QUE O FILHO EMBALA
UM RIACHO QUE QUEBRANTA
- TUDO ISTO É POESIA!
O LUZIR ALTO DA ESTRELA
O APARECER DA LUA
UMA FRASE DE CARÍCIA
UMA LÁGRIMA QUE DESLISA
- TUDO ISTO É MELODIA!
na aresta viva
se ainda vivo
(sobrevivo)
é porque na inquietação que voa
persisto na desigual luta
faço meu passo subindo
na inversa escada que rola
onda alta que me leva
nesta maré que se arrasta
a cada asa quebrada
me nasce uma asa nova
que me leva vida afora
na lei da sobrevivência
vou por aí transparência
enfrento o a infecta chuva
que o ácido me não corroa
só a coragem comigo
de mão dada vai gritando
avança, não quebres nunca!
e sigo na aresta viva
clara a luz que me transporta
à tona da negra vida
se ainda vivo
(sobrevivo)
é porque na inquietação que voa
persisto na desigual luta
faço meu passo subindo
na inversa escada que rola
onda alta que me leva
nesta maré que se arrasta
a cada asa quebrada
me nasce uma asa nova
que me leva vida afora
na lei da sobrevivência
vou por aí transparência
enfrento o a infecta chuva
que o ácido me não corroa
só a coragem comigo
de mão dada vai gritando
avança, não quebres nunca!
e sigo na aresta viva
clara a luz que me transporta
à tona da negra vida
MULHER. NASCI MULHER,
E MEU PAI NÃO ME PÔDE AFOGAR.
BERREI - E FOI SÓ A PRIMEIRA PEDRA
NA CALÇADA DA DESOBEDIÊNCIA.
CRIEI-ME À DERIVA, SEM FREI NO SONHO.
PRENDIAM-ME, E ERA SOLTA
SOLTAVAM-ME, E ERA MANSA POMBA.
POR CARIDADE
PASSEI FOME, AO DESLEIXO,
DE CASA EM CASA,
- E TANTA FARTURA ESBANJADA!
MAS, NÃO HÁ QUEM ME QUEIRA, CRIANÇA
A PEDIR TENDO TANTO, A PENAR TENDO NADA...
CRIEI-ME, CRIADA DA CRIADA
QUE "TROUXERAM PARA MIM"!
NÃO IMPORTA!
"SOU UMA PRINCESA ENCANTADA,
VOU PRA LONGE..."
DIA APÓS DIA AGUARDAVA
MAS NINGUÉM ME RESGATAVA, MAS
NEM PAI, NEM PRINCIPE, NEM FADA!
FIZ-ME MULHER, SEMPRE ODIADA.
FUI TAMBOR DA FESTA.
ARRAIAL DE PANCADA NUMA CASA
QUE PARECIA TUDO, MENOS O QUE ERA:
UNS A DISCUTIR COM OS OUTROS.
EU A SERVIR TODOS
ALIVIANDO-LHES OS BRAÇOS DO TRABALHO
E A RAIVA, COM PANCADA.
PIOR! EU OUSAVA PENSAR
E ERA REVOLUCIONÁRIA
OLHAVA O HORROR E O NEGAVA
DENTRO DE MIM O NOJO ENJOAVA.
A BESTA DE CARGA ARREPIOU CAMINHO:
ESTUDAR, AI... NÃO POSSO!
PRECISO UM EMPREGO, SE QUERO SAIR VIVA DAQUI!
ABRI A PORTA DA CORAGEM E FALEI.
ABRI A PORTA DA GAIOLA DE DOIDOS
E ABALEI, SEM NADA.
NADA - MÁ MEMÓRIA!
"UMA MULHER QUE PENSA NÃO PRESTA
UM HOMEM SEM RIQUEZA NÃO VALE NADA"
- POIS FOI COM O MAIS ODIADO POR MEU PAI
QUE EU CASEI!
ELE FEZ DE MIM BESTA COM CORNOS E DE CARGA.
SOFRI E CALEI ATÉ DIZER - BASTA!
COM UMA FILHA PELA MÃO IA CAMINHANDO
E TODAS AS MALEITAS ME IAM SEGUINDO
ATÉ CAIR, DE EXAUSTA.
COM TODAS AS FORÇAS ME REERGUI.
A FILHA CRIADA NA SUA VIDA INSTALEI.
É PECADO UMA MULHER AMAR, BEM SEI,
MAS EU QUIZ E FOI, SIM!
E AMEI, E AMEI
ATÉ SE DESCOBRIR QUE VIVIA UMA FARSA!
MEU PAI MORREU E FUI EU QUE O ENTERREI.
MEU PAI DESERDOU-ME E EU FIZ-LHE AS HONRAS DA DESERANÇA
PENA
QUE NÃO ME TENHA
DESERDADO
DAS SOVAS E MAUS TRATOS QUE PASSEI.
ÀS ESCURAS ME ALUMIEI.
NO INVERNO VOU NA SOMBRA.
NO VERÃO SUPORTO O SOL.
CURTEM-ME A VIDA TODAS AS DORES
DE SAL, DE SOLIDÃO,
DE SILÊNCIO, DA INSOLÊNCIA DOS OUTROS,
DAS FORÇAS QUE ME FALTAM,
DO TOSTÃO AMARGO,
DO SACRIFÍCIO VÃO.
MAS TENHO UMA ESTRELA CÁ DENTRO
QUE NINGUÉM HÁ-DE APAGAR!
MAS TENHO UNS NERVOS DE AÇO
QUE NINGUÉM HÁ-DE TORCER!
MAS TENHO UMA CORAGEM DE OURO
QUE ME VEM A ACOMPANHAR
- E É ESSE O MEU TESOURO,
NINGUÉM MO PODE ROUBAR!
QUE AS INTEMPÉRIES NÃO MUDAM,
QUE ESTÁ INFILTRADO EM MEU SANGUE,
NINGUÉM MO PODE TIRAR,
MESMO MORTA
QUANDO O SANGUE COALHAR!
E TENHO UMA ESTRELA POR VELA!
E TENHO UM ALTO SONHAR
QUE MAIS VALE SER POBRE E HONRADA
QUE TER TANTO E NADA DAR!
FIZ RIMAS COM A MINHA VIDA:
QUE AS VENHAM BUSCAR AS ONDAS,
QUE EU JÁ NÃO POSSO IR AO MAR!
QUE AS FAÇAM ARDER NA PIRA
ONDE ME HÃO-DE QUEIMAR!
QUE AS CERREM NO MEU CAIXÃO,
PARA TER ENFIM COMPANHIA,
QUE TANTO LUTEI SOZINHA
E NINGUÉM ME DÁ VALOR!
E MEU PAI NÃO ME PÔDE AFOGAR.
BERREI - E FOI SÓ A PRIMEIRA PEDRA
NA CALÇADA DA DESOBEDIÊNCIA.
CRIEI-ME À DERIVA, SEM FREI NO SONHO.
PRENDIAM-ME, E ERA SOLTA
SOLTAVAM-ME, E ERA MANSA POMBA.
POR CARIDADE
PASSEI FOME, AO DESLEIXO,
DE CASA EM CASA,
- E TANTA FARTURA ESBANJADA!
MAS, NÃO HÁ QUEM ME QUEIRA, CRIANÇA
A PEDIR TENDO TANTO, A PENAR TENDO NADA...
CRIEI-ME, CRIADA DA CRIADA
QUE "TROUXERAM PARA MIM"!
NÃO IMPORTA!
"SOU UMA PRINCESA ENCANTADA,
VOU PRA LONGE..."
DIA APÓS DIA AGUARDAVA
MAS NINGUÉM ME RESGATAVA, MAS
NEM PAI, NEM PRINCIPE, NEM FADA!
FIZ-ME MULHER, SEMPRE ODIADA.
FUI TAMBOR DA FESTA.
ARRAIAL DE PANCADA NUMA CASA
QUE PARECIA TUDO, MENOS O QUE ERA:
UNS A DISCUTIR COM OS OUTROS.
EU A SERVIR TODOS
ALIVIANDO-LHES OS BRAÇOS DO TRABALHO
E A RAIVA, COM PANCADA.
PIOR! EU OUSAVA PENSAR
E ERA REVOLUCIONÁRIA
OLHAVA O HORROR E O NEGAVA
DENTRO DE MIM O NOJO ENJOAVA.
A BESTA DE CARGA ARREPIOU CAMINHO:
ESTUDAR, AI... NÃO POSSO!
PRECISO UM EMPREGO, SE QUERO SAIR VIVA DAQUI!
ABRI A PORTA DA CORAGEM E FALEI.
ABRI A PORTA DA GAIOLA DE DOIDOS
E ABALEI, SEM NADA.
NADA - MÁ MEMÓRIA!
"UMA MULHER QUE PENSA NÃO PRESTA
UM HOMEM SEM RIQUEZA NÃO VALE NADA"
- POIS FOI COM O MAIS ODIADO POR MEU PAI
QUE EU CASEI!
ELE FEZ DE MIM BESTA COM CORNOS E DE CARGA.
SOFRI E CALEI ATÉ DIZER - BASTA!
COM UMA FILHA PELA MÃO IA CAMINHANDO
E TODAS AS MALEITAS ME IAM SEGUINDO
ATÉ CAIR, DE EXAUSTA.
COM TODAS AS FORÇAS ME REERGUI.
A FILHA CRIADA NA SUA VIDA INSTALEI.
É PECADO UMA MULHER AMAR, BEM SEI,
MAS EU QUIZ E FOI, SIM!
E AMEI, E AMEI
ATÉ SE DESCOBRIR QUE VIVIA UMA FARSA!
MEU PAI MORREU E FUI EU QUE O ENTERREI.
MEU PAI DESERDOU-ME E EU FIZ-LHE AS HONRAS DA DESERANÇA
PENA
QUE NÃO ME TENHA
DESERDADO
DAS SOVAS E MAUS TRATOS QUE PASSEI.
ÀS ESCURAS ME ALUMIEI.
NO INVERNO VOU NA SOMBRA.
NO VERÃO SUPORTO O SOL.
CURTEM-ME A VIDA TODAS AS DORES
DE SAL, DE SOLIDÃO,
DE SILÊNCIO, DA INSOLÊNCIA DOS OUTROS,
DAS FORÇAS QUE ME FALTAM,
DO TOSTÃO AMARGO,
DO SACRIFÍCIO VÃO.
MAS TENHO UMA ESTRELA CÁ DENTRO
QUE NINGUÉM HÁ-DE APAGAR!
MAS TENHO UNS NERVOS DE AÇO
QUE NINGUÉM HÁ-DE TORCER!
MAS TENHO UMA CORAGEM DE OURO
QUE ME VEM A ACOMPANHAR
- E É ESSE O MEU TESOURO,
NINGUÉM MO PODE ROUBAR!
QUE AS INTEMPÉRIES NÃO MUDAM,
QUE ESTÁ INFILTRADO EM MEU SANGUE,
NINGUÉM MO PODE TIRAR,
MESMO MORTA
QUANDO O SANGUE COALHAR!
E TENHO UMA ESTRELA POR VELA!
E TENHO UM ALTO SONHAR
QUE MAIS VALE SER POBRE E HONRADA
QUE TER TANTO E NADA DAR!
FIZ RIMAS COM A MINHA VIDA:
QUE AS VENHAM BUSCAR AS ONDAS,
QUE EU JÁ NÃO POSSO IR AO MAR!
QUE AS FAÇAM ARDER NA PIRA
ONDE ME HÃO-DE QUEIMAR!
QUE AS CERREM NO MEU CAIXÃO,
PARA TER ENFIM COMPANHIA,
QUE TANTO LUTEI SOZINHA
E NINGUÉM ME DÁ VALOR!
era uma vez um anjo
de grandes asas brancas
que num dia de aragens brandas
à triste terra desceu
e em figura humana
viveu sofreu e penou
até que p'ró céu voltou
já passaram tantos anos!
mas desse anjo ficou
uma pobre recordação
uma alma um coração
num só corpo sofredor
e se quiserdes saber
a quem quero tanto bem
dir-vos-ei: a minha mãe
que na terra me pousou!
de grandes asas brancas
que num dia de aragens brandas
à triste terra desceu
e em figura humana
viveu sofreu e penou
até que p'ró céu voltou
já passaram tantos anos!
mas desse anjo ficou
uma pobre recordação
uma alma um coração
num só corpo sofredor
e se quiserdes saber
a quem quero tanto bem
dir-vos-ei: a minha mãe
que na terra me pousou!
DIA DA MÃE
MÃE, QUERERIA DAR-TE
TODO O BEM, TUDO O QUE EXISTE
MAS NADA POSSO OFERTAR-TE
PORQUE, MINHA MÃE, PARTISTE!
AH, COMO EU DARIA A VIDA
PARA A TUA LIBERTAR
QUE INTERESSAVA SER ESQUECIDA
SE TINHA UMA MÃE P'RA AMAR?!
MEU DEUS, PORQUE A LEVASTE
PARA O TEU REINO DE ESTRELAS
E NA TERRA ME DEIXASTE?!
E HOJE É O DIA DA MÃE...
MEU DEUS, DÁ-LHE ESTA SAUDADE
E ESTA ORAÇÃO TAMBÉM!
MÃE, QUERERIA DAR-TE
TODO O BEM, TUDO O QUE EXISTE
MAS NADA POSSO OFERTAR-TE
PORQUE, MINHA MÃE, PARTISTE!
AH, COMO EU DARIA A VIDA
PARA A TUA LIBERTAR
QUE INTERESSAVA SER ESQUECIDA
SE TINHA UMA MÃE P'RA AMAR?!
MEU DEUS, PORQUE A LEVASTE
PARA O TEU REINO DE ESTRELAS
E NA TERRA ME DEIXASTE?!
E HOJE É O DIA DA MÃE...
MEU DEUS, DÁ-LHE ESTA SAUDADE
E ESTA ORAÇÃO TAMBÉM!
NOSSO CASULO DOURADO
Á margem do mundo
mum casulo dourado
nele inteiros tu e eu
deixa que lá fora tudo
corra e se atropele
nós dois aqui tão felizes
nos encaixando
completando
nós ... nada mais
embala-me
vem a mim,
entra em mim
permanece em mim
para que eu te embale
deixa ser fluir acontecer
deixa lá....
nosso mundo é tão perfeito
quando nos damos
meninos puros.
Á margem do mundo
mum casulo dourado
nele inteiros tu e eu
deixa que lá fora tudo
corra e se atropele
nós dois aqui tão felizes
nos encaixando
completando
nós ... nada mais
embala-me
vem a mim,
entra em mim
permanece em mim
para que eu te embale
deixa ser fluir acontecer
deixa lá....
nosso mundo é tão perfeito
quando nos damos
meninos puros.
ODE A FREDERICO GARCIA LORCA
(1898-1936)
AH, FREDERICO GARCIA LORCA,
MALDITA A HORA
EM QUE INUNDARAM SE SANGUE
A TUA PALAVRA!
CONTINUA PRESENTE E ECOA
NA MINHA ALMA TUA PALAVRA
MAS A TI, FREDERICO, UMA BALA
FECHOU-TE OS OLHOS E A BOCA!
RE - ACENDEREMOS A IDÉIA
QUE TE EMPENHOU VIDA FORA
CHAMA LINDA E PURA E CLARA,
QUE NEM O FUMO MAIS NEGRO
NEM A MAIS NEGRA CAMISA
NEM A ASSASSINA ARMA
TUA VIDA CALOU, CALA!
CORAÇÃO COMUM, SE ESPELHA!
BATE -ME CÁ DENTRO AINDA!
NINGUÉM PODERÁ NA VIDA
MATAR ESSA CHAMA CLARA
QUE TANTO SE ERGUEU EM GRANADA!
(1898-1936)
AH, FREDERICO GARCIA LORCA,
MALDITA A HORA
EM QUE INUNDARAM SE SANGUE
A TUA PALAVRA!
CONTINUA PRESENTE E ECOA
NA MINHA ALMA TUA PALAVRA
MAS A TI, FREDERICO, UMA BALA
FECHOU-TE OS OLHOS E A BOCA!
RE - ACENDEREMOS A IDÉIA
QUE TE EMPENHOU VIDA FORA
CHAMA LINDA E PURA E CLARA,
QUE NEM O FUMO MAIS NEGRO
NEM A MAIS NEGRA CAMISA
NEM A ASSASSINA ARMA
TUA VIDA CALOU, CALA!
CORAÇÃO COMUM, SE ESPELHA!
BATE -ME CÁ DENTRO AINDA!
NINGUÉM PODERÁ NA VIDA
MATAR ESSA CHAMA CLARA
QUE TANTO SE ERGUEU EM GRANADA!
jardim de mim
há um jardim, de grades entreabertas
que espera do jardineiro, seu cultor
que em serenas e mansas descobertas
vá descobrindo uma a uma todas
as pétalas e verdes ausencias
de brilho em cada flor
que o mel do amor lhes dê e vá bebendo
levando sua força em as tragando
juntando delas em si o vigor ao vigor
e todas as gotas e essências
para bem do sorriso, terno amor
jardineiro que chegue de mansinho,
acariciando uma a uma todas as pétalas
e fazendo-as vibrar em ondas,
de um céu feliz , etéreo ardor
nsses vívidos momentos sonhados
deixe seus canteiros cuidados
a vicejar alegria e paz e cor!
polém seu semeie nesses rios
reentrâncias tão só suas e sedentas
fertilize com ternura todas as carências
e vendo sua obra tranquila sinta amor
se o jardineiro tocar de mansinho
os caules tenros e fechadas folhas
que se mantêm tão quietas umas e outras intocadas
esperando seus carinhos
com ansiada dor,
nada viola do jardim que se oferece
em retribuída troca busca em procura
por frescura e sombra, o sol...
folhinhas ressecando abindo-se à chuva
buscando a vida que enquanto salva
alento novo dão a esse cultor!
há um jardim, de grades entreabertas
que espera do jardineiro, seu cultor
que em serenas e mansas descobertas
vá descobrindo uma a uma todas
as pétalas e verdes ausencias
de brilho em cada flor
que o mel do amor lhes dê e vá bebendo
levando sua força em as tragando
juntando delas em si o vigor ao vigor
e todas as gotas e essências
para bem do sorriso, terno amor
jardineiro que chegue de mansinho,
acariciando uma a uma todas as pétalas
e fazendo-as vibrar em ondas,
de um céu feliz , etéreo ardor
nsses vívidos momentos sonhados
deixe seus canteiros cuidados
a vicejar alegria e paz e cor!
polém seu semeie nesses rios
reentrâncias tão só suas e sedentas
fertilize com ternura todas as carências
e vendo sua obra tranquila sinta amor
se o jardineiro tocar de mansinho
os caules tenros e fechadas folhas
que se mantêm tão quietas umas e outras intocadas
esperando seus carinhos
com ansiada dor,
nada viola do jardim que se oferece
em retribuída troca busca em procura
por frescura e sombra, o sol...
folhinhas ressecando abindo-se à chuva
buscando a vida que enquanto salva
alento novo dão a esse cultor!
A MINHA MÃE
MANHÃ MORRESTE, MÃE
MANHÃ FICASTE...
MAS RENASCES DADA DIA
DENTRO DE MIM,
PRIMAVERA
LIGAMO-NOS
COMO AS ESTAÇÕES.
DE MIM, QUE NÃO FINDEI
TEU AMOR FLORIU
E ACHOU DO MUNDO
MAIS QUE AS CINZAS E BRUMAS
EM QUE TE EMBALOU
TU CAÍSTE A PRUMO
NA GLÓRIA DE TEUS DIAS.
EU, FRUTIQUEI
UM ELO SUSPENSO
NO INCÓGNITO
AMOR QUE NOS UNIU.
MANHÃ MORRESTE, MÃE
MANHÃ FICASTE...
MAS RENASCES DADA DIA
DENTRO DE MIM,
PRIMAVERA
LIGAMO-NOS
COMO AS ESTAÇÕES.
DE MIM, QUE NÃO FINDEI
TEU AMOR FLORIU
E ACHOU DO MUNDO
MAIS QUE AS CINZAS E BRUMAS
EM QUE TE EMBALOU
TU CAÍSTE A PRUMO
NA GLÓRIA DE TEUS DIAS.
EU, FRUTIQUEI
UM ELO SUSPENSO
NO INCÓGNITO
AMOR QUE NOS UNIU.
e sem outra ventura
entender
ouvir o não dito
perceber e aceitar
o oculto
humilhar-se e engrandecer
se dar e se confiar
abrir todo o coração
aos que só mostram janelas
chaves de segredo
que ora abrem ora não
corações de labirintos
a dizer-nos que o não são.
ver mais altos os contos
que as contas.
esconder o altruísmo
carecer e dizer não
fechar os olhos
deixar-se ver
e parecer cego.
Ser rosa
que no vento se desfolha
semente
perdida na terra
dura de pedra
a florir ternura
sem ortra ventura que esta
ser tida por louca
a poeta
entender
ouvir o não dito
perceber e aceitar
o oculto
humilhar-se e engrandecer
se dar e se confiar
abrir todo o coração
aos que só mostram janelas
chaves de segredo
que ora abrem ora não
corações de labirintos
a dizer-nos que o não são.
ver mais altos os contos
que as contas.
esconder o altruísmo
carecer e dizer não
fechar os olhos
deixar-se ver
e parecer cego.
Ser rosa
que no vento se desfolha
semente
perdida na terra
dura de pedra
a florir ternura
sem ortra ventura que esta
ser tida por louca
a poeta
Quero reverter em sorriso
Quero reverter a tristeza
na alegria de chegar depressa
à última gota da taça
amargurada taça a minha
finda a taça, finda a vida,
findo o sofrimento e a desgraça!
Quero reaver minha alegria
reaver o meu sossego
deixar compassiva o mundo
que só me deu dor, sacrifício.
Será bom voltar ao início
do nada voltar ao nada
sem drama,
com um sorriso....
Quero reverter a tristeza
na alegria de chegar depressa
à última gota da taça
amargurada taça a minha
finda a taça, finda a vida,
findo o sofrimento e a desgraça!
Quero reaver minha alegria
reaver o meu sossego
deixar compassiva o mundo
que só me deu dor, sacrifício.
Será bom voltar ao início
do nada voltar ao nada
sem drama,
com um sorriso....
AMAR
AMAR É IR LUZ DENTRO.
É SER MAIS LESTO.
IR MAIS ALÉM EM BUSCA
DO PARAÍSO.
É CRIAR.
INVENTAR EM SI O AMOR.
DESCOBRIR COMO SE DAR.
IMPROVISAR!
TER TUDO SEM NADA TER
MAIS DO QUE O SENTIR AMOR!
AMAR É SER
ESPÍRITO SECRETO DADO
ETÉREO TANTO E TÃO POUCO.
NUM SEGUNDO
TODO O ESCURO E TODA A LUZ
ACONTECER!
LUZINHA DE VELA
SENTINDO
O AMOR DE OUTRA LUZ LUZINDO
SE EXPONDO
ENCHENDO O INFINDO
TANTO,
QUANTO SE APAGA DE UM SOPRO!
AMAR É IR LUZ DENTRO.
É SER MAIS LESTO.
IR MAIS ALÉM EM BUSCA
DO PARAÍSO.
É CRIAR.
INVENTAR EM SI O AMOR.
DESCOBRIR COMO SE DAR.
IMPROVISAR!
TER TUDO SEM NADA TER
MAIS DO QUE O SENTIR AMOR!
AMAR É SER
ESPÍRITO SECRETO DADO
ETÉREO TANTO E TÃO POUCO.
NUM SEGUNDO
TODO O ESCURO E TODA A LUZ
ACONTECER!
LUZINHA DE VELA
SENTINDO
O AMOR DE OUTRA LUZ LUZINDO
SE EXPONDO
ENCHENDO O INFINDO
TANTO,
QUANTO SE APAGA DE UM SOPRO!
Nem o Mar
Nem o mar soa
nos búzios de meus dias!
Sinal de quietas ondas!
Sinal de suaves brisas!
Nada nem ninguém me chama...
Olha-me e vale-me,
gritam!
Gritam-me quando aflittos
os marinheiros
das marés vidas
nos dias em que não
recolhem as redes plenas
de olorosas maresias!
Que a vossa bonança dure,
Que me pendam
pequeninas e vazias
as mãos que vos estendo quando
em vossos ais, penas minhas!
Melhor sol vos trate as agonias
em
meu merecido crepúsculo
de lírios, sem ouro,
roxo entardecer calmo
repousando inocentes
minhas conchas vazias,
tão fartas de repouso e sono!
Queimados em só dor meus dias!
Nem o mar soa
nos búzios de meus dias!
Sinal de quietas ondas!
Sinal de suaves brisas!
Nada nem ninguém me chama...
Olha-me e vale-me,
gritam!
Gritam-me quando aflittos
os marinheiros
das marés vidas
nos dias em que não
recolhem as redes plenas
de olorosas maresias!
Que a vossa bonança dure,
Que me pendam
pequeninas e vazias
as mãos que vos estendo quando
em vossos ais, penas minhas!
Melhor sol vos trate as agonias
em
meu merecido crepúsculo
de lírios, sem ouro,
roxo entardecer calmo
repousando inocentes
minhas conchas vazias,
tão fartas de repouso e sono!
Queimados em só dor meus dias!
Para flutuar leve
Preciso te contar
do conforto
de sentir tua pele
tocar a minha pele
do gosto do teu ser
do doce contacto
da palma da tua mão
fundamente acentuando
o veio das minhas costas
nem falo dos delírios
a que me levas
e de que meio consciente
te sei sabendo!
Mas falo-te de quanto
sinto e calo no momento
falo do precioso instinto
de meu corpo e coração te querendo
no mais fundo de mim te aceitando
de novo me deixar ir
tal menina divagando
de te acolher e entender
mais do que nunca
contigo partilhando
minha vida e meu ser
sentir-me e sentindo-te ser
maria plena mulher
Preciso te contar
do conforto
de sentir tua pele
tocar a minha pele
do gosto do teu ser
do doce contacto
da palma da tua mão
fundamente acentuando
o veio das minhas costas
nem falo dos delírios
a que me levas
e de que meio consciente
te sei sabendo!
Mas falo-te de quanto
sinto e calo no momento
falo do precioso instinto
de meu corpo e coração te querendo
no mais fundo de mim te aceitando
de novo me deixar ir
tal menina divagando
de te acolher e entender
mais do que nunca
contigo partilhando
minha vida e meu ser
sentir-me e sentindo-te ser
maria plena mulher
Tu sabes lá
o que é ser-se
uma mulher solitária!
Ter tanta coisa a dizer
e ninguém para escutar!
O corpo e a alma a tremer
e ninguém nos encontrar!
Andar às cegas na luz
e ver bem na escuridão!
Até um olhar se agradece,
até nos enleva um sorriso!
Não é a solidão que dói,
que a solidão não existe!
É bom falar com si mesma,
a solidão não é triste!
É um vazio qualquer,
uma cadeira a sobrar,
uma ânsia de pedir
com vergonha de aceitar!
o que é ser-se
uma mulher solitária!
Ter tanta coisa a dizer
e ninguém para escutar!
O corpo e a alma a tremer
e ninguém nos encontrar!
Andar às cegas na luz
e ver bem na escuridão!
Até um olhar se agradece,
até nos enleva um sorriso!
Não é a solidão que dói,
que a solidão não existe!
É bom falar com si mesma,
a solidão não é triste!
É um vazio qualquer,
uma cadeira a sobrar,
uma ânsia de pedir
com vergonha de aceitar!
SEM MAIS
SEM MAIS UM SÚBITO CLARÃO ME DEIXOU CEGA!
SEM MAIS, DESPERTARAM TODAS
AS AVES DOS CÉUS
TODAS AS CORES E ONDAS
E TODAS AS ÁGUAS
E BORBOLETAS
E SOARAM AS MAIS BELAS MÚSICAS,
E MEU CORAÇÃO EMBARCOU EMBARCOU LOUCAMENTE FELIZ!
SEM MAIS O ECLIPSE FEZ-SE.
EU CEGA,
PROCURO NO OCASO QUE DEIXEI
O SILÊNCIO. AQUELE SILÊNCIO ONDE ME OUVIA
EM QUE MUDA SEGUIA
NA CAUDA
AZUL
DE UMA PEQUENA ESTRELA.
SEM MAIS UM SÚBITO CLARÃO ME DEIXOU CEGA!
SEM MAIS, DESPERTARAM TODAS
AS AVES DOS CÉUS
TODAS AS CORES E ONDAS
E TODAS AS ÁGUAS
E BORBOLETAS
E SOARAM AS MAIS BELAS MÚSICAS,
E MEU CORAÇÃO EMBARCOU EMBARCOU LOUCAMENTE FELIZ!
SEM MAIS O ECLIPSE FEZ-SE.
EU CEGA,
PROCURO NO OCASO QUE DEIXEI
O SILÊNCIO. AQUELE SILÊNCIO ONDE ME OUVIA
EM QUE MUDA SEGUIA
NA CAUDA
AZUL
DE UMA PEQUENA ESTRELA.
TRAZES-ME LOUCA!
AVOADA....
NA DOCE SOMBRA QUE GUARDA
TEU GOSTO DE MARESIA,
SAUDADE NA MINHA BOCA!
TEU CARINHO
MINHA ESPERANÇA
TEU SER MEU DESASSOGO
EM QUE A SORRIR NAVEGO
SOLTA, ENVOLTA,
A MINHA ALMA!
NAVEGA EM MIN, NAU ABERTA
SEM PENA NEM MÁGOA!
FAZ DE MINHA NUVEM BRANCA
TUA ASA,
DE MINHA VELA ROSA
TUA BARCA!
AVOADA....
NA DOCE SOMBRA QUE GUARDA
TEU GOSTO DE MARESIA,
SAUDADE NA MINHA BOCA!
TEU CARINHO
MINHA ESPERANÇA
TEU SER MEU DESASSOGO
EM QUE A SORRIR NAVEGO
SOLTA, ENVOLTA,
A MINHA ALMA!
NAVEGA EM MIN, NAU ABERTA
SEM PENA NEM MÁGOA!
FAZ DE MINHA NUVEM BRANCA
TUA ASA,
DE MINHA VELA ROSA
TUA BARCA!
ENSINA AOS MEUS LÁBIOS
ONDE
OS TEUS FOGOS ACESOS!
ENSINA ÀS MINHAS MÃOS
COMO
ENCONTRAR TEUS DESEJOS!
DIR-TE-EI OS RUMOS
PARA ENCHERES DE ESTRELAS...
MINHAS DUNAS,
MINHAS ENSEADAS
E ÂNFORAS!
CAMINHEMOS
LUZES-GÉMEAS NA MANHÃ
SORRISO EM FLOR DE ROMÃ
TEU ROSTO O ESPELHO
ONDE MULHER ME VEJO
TANTO ENFIM!
AO FIM DE TANTO TEMPO!
ME QUERO TE QUERO
REVER!
EM AMOR PURO E PLENO!
ONDE
OS TEUS FOGOS ACESOS!
ENSINA ÀS MINHAS MÃOS
COMO
ENCONTRAR TEUS DESEJOS!
DIR-TE-EI OS RUMOS
PARA ENCHERES DE ESTRELAS...
MINHAS DUNAS,
MINHAS ENSEADAS
E ÂNFORAS!
CAMINHEMOS
LUZES-GÉMEAS NA MANHÃ
SORRISO EM FLOR DE ROMÃ
TEU ROSTO O ESPELHO
ONDE MULHER ME VEJO
TANTO ENFIM!
AO FIM DE TANTO TEMPO!
ME QUERO TE QUERO
REVER!
EM AMOR PURO E PLENO!
EU SOU DO MUNDO DALÉM
ESTOU DE PARTIDA
DE PARTIDA....
JÁ PROVEI
E ENGOLI
DEMASIADA
INJÚRIA
NUNCA MAIS
ME ABAIXAREI
PARA AFAGAR
O EGO DE NINGUÉM!
DE VERDADE E DE FACTO
POR NÃO ACEITAR
SER O TAPETE
SEJA DE QUEM FOR,
É QUE SOU A TAL
DA OUTRA MARGEM.
E AINDA BEM!
EU CÁ,
SOU DO MUNDO DALÉM!
ROENDO RAÍZES E TERRA,
LAMBENDO GOTA DE CHUVA,
CRESCI
E FUI
ALGUÉM, MAS
EU SOU DO MUNDO DALÉM!
NOGENTA QUE NEM UM BICHO
DANADA QUE NEM A PESTE
IGNORADA QUE NEM
A PÉGADA
DESCONHECIDA.
É ESCUSADO TENTAR DAR
O QUE NINGUÉM QUER ACEITAR
DE UMA ESTRANHA:
UM BEIJO NA TESTA,
UM ABRAÇO FRATERNO.
COMO APÁTRIDA
QUE SOU,
ME SINTO EMPURRADA
TODA A VEZ QUE VOU
AO VOSSO ENCONTRO.
EU SOU DO MUNDO DALÉM,
ONDE NÃO HÁ ESCRAVO,
ONDE NINGUÉM É SENHOR
NEM SERVO
NEM FALSO.
AINDA BEM!
EU NÃO MEÇO
AS DISTÂNCIAS
CONVENIENTES
ENTRE O PÓ E O DOUTOR.
NÃO USO RÉGUA
NEM ESQUADRO.
EU PEGO-ME AOS SERES
QUE NEM BABA.
EU NÃO PRESTO
NO VOSSO MUNDO,
AINDA BEM!
É QUE ESTOU NOUTRA!,
COMO DIZEM.
EU SOU É OUTRA!,
DIGO EU.
NÃO SEI COMO
NASCI DO NADA
E FIQUEI
PRA SEMPRE A SER
A DO MUNDO DALÉM.
AINDA BEM!
EU PARI
E CRIEI COM ESFORÇO
A FILHA ESTRANHA
DE UM ESTRANHO
DO VOSSO MUNDO.
SOZINHA.
NO MAIOR SACRIFÍCIO.
NO TOTAL DESESPERO.
ACABEI A TAREFA.
ELE FOI-SE, E EU FIQUEI!
ELA FOI-SE, E EU FIQUEI!
SÃO TODOS FELIZES
EU SÓ SOFRO.
MAS NÃO HÁ NO MUNDO
NEM MAL NEM BEM
QUE ME CALE.
QUE ME APAZIGUE A FOME
QUE ACUMULEI.
DE NADA SERVE TENTAR
SER CONIVENTE
COM AQUILO QUE REPUDIO
NO MEU VENTRE
NO MEU SER
NO FUNDO MAIS FUNDO
DE MIM.
DO EU.
DO EU MAIS PRIMEVO
QUE COMIGO NASCEU.
EU NÃO NADA AQUI!
EU SOU A TAL DALÉM,
NÃO SEI DONDE!
NÃO ESTUDEI OS VOSSOS CÓDIGOS,
NÃO EQUACIONEI OS VOSSOS FACTORES.
ESTRANHO MUNDO NUMÉRICO
ONDE NEM ZERO SOU!
EU SOU DALÉM!
NÃO PERTENÇO A LUGAR NENHUM
NEM PERTENÇO A NINGUÉM.
ESTOU SÓ.
DOLOROSAMENTE SÓ.
COMIGO.
DOBRO-ME SOBRE MIM
COMO UM VERME
E CHORO
PORQUE NEM VERME SOU.
OLHO DE LÁ DE MIM
E SINTO ORGULHO.
INQUALIFICADA,
NEM EXISTO
EM NENHUM CATÁLOGO.
SOU ESTRANHA A TUDO
E EM TODO O LADO.
EU SOU DO MUNDO DALÉM,
E AINDA BEM!
ESTOU DE PARTIDA
DE PARTIDA....
JÁ PROVEI
E ENGOLI
DEMASIADA
INJÚRIA
NUNCA MAIS
ME ABAIXAREI
PARA AFAGAR
O EGO DE NINGUÉM!
DE VERDADE E DE FACTO
POR NÃO ACEITAR
SER O TAPETE
SEJA DE QUEM FOR,
É QUE SOU A TAL
DA OUTRA MARGEM.
E AINDA BEM!
EU CÁ,
SOU DO MUNDO DALÉM!
ROENDO RAÍZES E TERRA,
LAMBENDO GOTA DE CHUVA,
CRESCI
E FUI
ALGUÉM, MAS
EU SOU DO MUNDO DALÉM!
NOGENTA QUE NEM UM BICHO
DANADA QUE NEM A PESTE
IGNORADA QUE NEM
A PÉGADA
DESCONHECIDA.
É ESCUSADO TENTAR DAR
O QUE NINGUÉM QUER ACEITAR
DE UMA ESTRANHA:
UM BEIJO NA TESTA,
UM ABRAÇO FRATERNO.
COMO APÁTRIDA
QUE SOU,
ME SINTO EMPURRADA
TODA A VEZ QUE VOU
AO VOSSO ENCONTRO.
EU SOU DO MUNDO DALÉM,
ONDE NÃO HÁ ESCRAVO,
ONDE NINGUÉM É SENHOR
NEM SERVO
NEM FALSO.
AINDA BEM!
EU NÃO MEÇO
AS DISTÂNCIAS
CONVENIENTES
ENTRE O PÓ E O DOUTOR.
NÃO USO RÉGUA
NEM ESQUADRO.
EU PEGO-ME AOS SERES
QUE NEM BABA.
EU NÃO PRESTO
NO VOSSO MUNDO,
AINDA BEM!
É QUE ESTOU NOUTRA!,
COMO DIZEM.
EU SOU É OUTRA!,
DIGO EU.
NÃO SEI COMO
NASCI DO NADA
E FIQUEI
PRA SEMPRE A SER
A DO MUNDO DALÉM.
AINDA BEM!
EU PARI
E CRIEI COM ESFORÇO
A FILHA ESTRANHA
DE UM ESTRANHO
DO VOSSO MUNDO.
SOZINHA.
NO MAIOR SACRIFÍCIO.
NO TOTAL DESESPERO.
ACABEI A TAREFA.
ELE FOI-SE, E EU FIQUEI!
ELA FOI-SE, E EU FIQUEI!
SÃO TODOS FELIZES
EU SÓ SOFRO.
MAS NÃO HÁ NO MUNDO
NEM MAL NEM BEM
QUE ME CALE.
QUE ME APAZIGUE A FOME
QUE ACUMULEI.
DE NADA SERVE TENTAR
SER CONIVENTE
COM AQUILO QUE REPUDIO
NO MEU VENTRE
NO MEU SER
NO FUNDO MAIS FUNDO
DE MIM.
DO EU.
DO EU MAIS PRIMEVO
QUE COMIGO NASCEU.
EU NÃO NADA AQUI!
EU SOU A TAL DALÉM,
NÃO SEI DONDE!
NÃO ESTUDEI OS VOSSOS CÓDIGOS,
NÃO EQUACIONEI OS VOSSOS FACTORES.
ESTRANHO MUNDO NUMÉRICO
ONDE NEM ZERO SOU!
EU SOU DALÉM!
NÃO PERTENÇO A LUGAR NENHUM
NEM PERTENÇO A NINGUÉM.
ESTOU SÓ.
DOLOROSAMENTE SÓ.
COMIGO.
DOBRO-ME SOBRE MIM
COMO UM VERME
E CHORO
PORQUE NEM VERME SOU.
OLHO DE LÁ DE MIM
E SINTO ORGULHO.
INQUALIFICADA,
NEM EXISTO
EM NENHUM CATÁLOGO.
SOU ESTRANHA A TUDO
E EM TODO O LADO.
EU SOU DO MUNDO DALÉM,
E AINDA BEM!
TENHO DE FUGIR DE TI!
SIM,
TENHO DE FUGIR DE TI
DE TE APAGAR DA MEMÓRIA,
COMO ESTA MARCA VERMELHA
QUE DEIXASTE
NA GARGANTA
LENTAMENTE SE APAGA
DE ME FECHAR EM MIM-MESMA
PROCURAS-ME
NA PALAVRA, POETA, MAS
MAIS DO QUE DE PALAVRAS
PRECISA ESTA BOCA
PRA SER TUA!
DEVANEIAS
COMO LOUCO
PELAS BRECHAS DO MEU CORPO
QUE ADIVINHAS
MAS RECEIAS
FAZER ACÇÃO DAS IDÉIAS
EM QUE SONHAS
TE EMBRIAGAS
DEIXAS-ME LOUCA
EM GUERRA
FAMINTA E CONSUMIDA
A ARDER NA PRÓPRIA CHAMA
TENHO! DE FUGIR DE TI
DE TE APAGAR DA MEMÓRIA
COMO ESTA MARCA SE APAGA
- O SINAL DA TUA BOCA!....
SIM,
TENHO DE FUGIR DE TI
DE TE APAGAR DA MEMÓRIA,
COMO ESTA MARCA VERMELHA
QUE DEIXASTE
NA GARGANTA
LENTAMENTE SE APAGA
DE ME FECHAR EM MIM-MESMA
PROCURAS-ME
NA PALAVRA, POETA, MAS
MAIS DO QUE DE PALAVRAS
PRECISA ESTA BOCA
PRA SER TUA!
DEVANEIAS
COMO LOUCO
PELAS BRECHAS DO MEU CORPO
QUE ADIVINHAS
MAS RECEIAS
FAZER ACÇÃO DAS IDÉIAS
EM QUE SONHAS
TE EMBRIAGAS
DEIXAS-ME LOUCA
EM GUERRA
FAMINTA E CONSUMIDA
A ARDER NA PRÓPRIA CHAMA
TENHO! DE FUGIR DE TI
DE TE APAGAR DA MEMÓRIA
COMO ESTA MARCA SE APAGA
- O SINAL DA TUA BOCA!....
O ECO
O RESSOAR DISTANTE
ME CHEGA DE LONGE.
O NÃO-ESTAR
ESTANDO
O NÃO-SER
SENDO
EM VÃO GRITO
EM VÃO MORRO
EM VÃO FICO
NUM MUNDO TÃO ERMO
QUE EU-SÓ HABITO.
DIZEM SIM
NEGANDO
DIZEM O DITO
POR NÃO DITO
NÃO JOGO!
NÃO ACREDITO
NO AMAR-FEITO.
TENHO AS MÃOS
ATADAS
CONTRA O PEITO
DE OLHOS RASOS
VERMELHAS BRASAS
A LUZIR NO ROSTO.
O CARRASCO CHEGA
E EU À ESPERA:
DE PÉ!
NO MEU POSTO!
O RESSOAR DISTANTE
ME CHEGA DE LONGE.
O NÃO-ESTAR
ESTANDO
O NÃO-SER
SENDO
EM VÃO GRITO
EM VÃO MORRO
EM VÃO FICO
NUM MUNDO TÃO ERMO
QUE EU-SÓ HABITO.
DIZEM SIM
NEGANDO
DIZEM O DITO
POR NÃO DITO
NÃO JOGO!
NÃO ACREDITO
NO AMAR-FEITO.
TENHO AS MÃOS
ATADAS
CONTRA O PEITO
DE OLHOS RASOS
VERMELHAS BRASAS
A LUZIR NO ROSTO.
O CARRASCO CHEGA
E EU À ESPERA:
DE PÉ!
NO MEU POSTO!
PALAVRA POR INVENTAR
NÃO HÁ HORIZONTE QUE BASTE
PARA O BELO QUE PROCURO
ESSA LUZ ATRÁS DO ESCURO
A QUE ME LEVA ADIANTE
NENHUM VENTO ME DETENHA
QUE A FORÇA QUE ME LEVA
ESSA ASA BRANCA QUE VOA
ADENTRO DA MINHA ALMA
E QUE ALMEJA SÓ PUREZA
VIVERÁ ENQUANTO EU VIVA
SEI QUE SOU NADA SOU TERRA
PEQUENA ERVA DANINHA
MEU OLHAR AO SOL SE ELEVA
ALTA ÂNSIA É A MINHA
URGENTE CONSTANTE PROCURA
PELA PAZ QUE SE ADIVINHA
ALÉM DE AONDE SE CHEGA
SE QUER IR ALÉM AINDA
CHAMEM-LHE ALMA DEUS LOUCURA
CHAMEM-ME DOIDA VARRIDA
NADA DO É ME INTERESSA
QUERO ALGO DE ALÉM VIDA
NÃO HÁ TEMPO QUE ME BASTE
PARA O QUERER QUE PROCURO
PARA UM LUZIR TÃO PURO
NO MEU ÍNTIMO UNIVERSO
QUERO SUBIR CRESCER VOAR
ALÉM DA PRÓPRIA BELEZA
ALÉM DE ALGUMA CERTEZA
... PALAVRA POR INVENTAR!
NÃO HÁ HORIZONTE QUE BASTE
PARA O BELO QUE PROCURO
ESSA LUZ ATRÁS DO ESCURO
A QUE ME LEVA ADIANTE
NENHUM VENTO ME DETENHA
QUE A FORÇA QUE ME LEVA
ESSA ASA BRANCA QUE VOA
ADENTRO DA MINHA ALMA
E QUE ALMEJA SÓ PUREZA
VIVERÁ ENQUANTO EU VIVA
SEI QUE SOU NADA SOU TERRA
PEQUENA ERVA DANINHA
MEU OLHAR AO SOL SE ELEVA
ALTA ÂNSIA É A MINHA
URGENTE CONSTANTE PROCURA
PELA PAZ QUE SE ADIVINHA
ALÉM DE AONDE SE CHEGA
SE QUER IR ALÉM AINDA
CHAMEM-LHE ALMA DEUS LOUCURA
CHAMEM-ME DOIDA VARRIDA
NADA DO É ME INTERESSA
QUERO ALGO DE ALÉM VIDA
NÃO HÁ TEMPO QUE ME BASTE
PARA O QUERER QUE PROCURO
PARA UM LUZIR TÃO PURO
NO MEU ÍNTIMO UNIVERSO
QUERO SUBIR CRESCER VOAR
ALÉM DA PRÓPRIA BELEZA
ALÉM DE ALGUMA CERTEZA
... PALAVRA POR INVENTAR!
RUBRA FLOR
DE MIM EM MIM
ESCONDIDA
PÉTALAS DE CRAVO NEGRO
CÁLICE DE RUBRA ROSA
FLOR DE ONDE A VIDA EMANA
QUE EM SI MESMA PULSA VIDA
QUANDO PAIXÃO SOA
TOCA SEU VELUDO
MISTERIOSO BÚZIO
CORPO DE BILHA INVERTIDA
POR ONDE A SEIVA SE INFILTRA
RENASCENDO VIVA VIVA
GRITA EXALTA-SE RESPIRA
FLOR MINHA QUE SOLUÇA SOLITÁRIA
VAZIA DE NÉCTAR DE AMBRÓSIA
QUE FORA INUNDÁ-LA NA AURORA
PERFUMÁ-LA DE MARESIA
FLOR SAGRADA FLOR
MÃO ESTENDIDA
FONTE PUJANTE
LÍMPIDA RIA
DELTA DE MIM QUE SOU FEITA
À IMAGEM DA MÃE TERRA
LUA LIRA
CRAVO NEGRO
RUBRA ROSA
MEU CÁLICE
EM FLOR
ORQUÍDEA.
DE MIM EM MIM
ESCONDIDA
PÉTALAS DE CRAVO NEGRO
CÁLICE DE RUBRA ROSA
FLOR DE ONDE A VIDA EMANA
QUE EM SI MESMA PULSA VIDA
QUANDO PAIXÃO SOA
TOCA SEU VELUDO
MISTERIOSO BÚZIO
CORPO DE BILHA INVERTIDA
POR ONDE A SEIVA SE INFILTRA
RENASCENDO VIVA VIVA
GRITA EXALTA-SE RESPIRA
FLOR MINHA QUE SOLUÇA SOLITÁRIA
VAZIA DE NÉCTAR DE AMBRÓSIA
QUE FORA INUNDÁ-LA NA AURORA
PERFUMÁ-LA DE MARESIA
FLOR SAGRADA FLOR
MÃO ESTENDIDA
FONTE PUJANTE
LÍMPIDA RIA
DELTA DE MIM QUE SOU FEITA
À IMAGEM DA MÃE TERRA
LUA LIRA
CRAVO NEGRO
RUBRA ROSA
MEU CÁLICE
EM FLOR
ORQUÍDEA.
"AUSÊNCIA"
HÁ EM MIM
UMA VAGA FOME
A QUE TALVEZ CHAME
AUSÊNCIA.
NÃO FALO DE SOLIDÃO
SOLIDÃO SERIA
SENTIR-ME VAZIA,
E EU SINTO-ME
TRANSBORDANTE
DE CARINHO, DE SORRISOS, DE AFECTOS
INTERESSO-ME POR TANTO!
NÃO SEI ONDE IR
NEM COM QUEM FALAR.
TENHO TANTO E NADA A DIZER!
FALTA -ME QUEM ESCUTE,
UMA VOZ QUE SALTE DO SILÊNCIO
E DIGA TAMBÉM VEJO E PENSO.
AMIGOS ESTÃO LONGE
NA BUSCA CONSTANTE
DO QUE OS ATORMENTE
VEJO CADA UM NA SUA VIDA
MERGULHADO NOUTRO MUNDO
QUE NÃO É NOSSO
ESTRANHO
COMO SE EU ESTIVESSE BOIANDO
AO LARGO DE TUDO
À DERIVA DE QUANTO ROLA
SE E-NOVELA
NA LUTA PERDIDA
GUERRA ABERTA
DESVAIRADA TERRA!
HÁ EM MIM
UMA VAGA FOME
A QUE TALVEZ CHAME
AUSÊNCIA.
NÃO FALO DE SOLIDÃO
SOLIDÃO SERIA
SENTIR-ME VAZIA,
E EU SINTO-ME
TRANSBORDANTE
DE CARINHO, DE SORRISOS, DE AFECTOS
INTERESSO-ME POR TANTO!
NÃO SEI ONDE IR
NEM COM QUEM FALAR.
TENHO TANTO E NADA A DIZER!
FALTA -ME QUEM ESCUTE,
UMA VOZ QUE SALTE DO SILÊNCIO
E DIGA TAMBÉM VEJO E PENSO.
AMIGOS ESTÃO LONGE
NA BUSCA CONSTANTE
DO QUE OS ATORMENTE
VEJO CADA UM NA SUA VIDA
MERGULHADO NOUTRO MUNDO
QUE NÃO É NOSSO
ESTRANHO
COMO SE EU ESTIVESSE BOIANDO
AO LARGO DE TUDO
À DERIVA DE QUANTO ROLA
SE E-NOVELA
NA LUTA PERDIDA
GUERRA ABERTA
DESVAIRADA TERRA!
AOS OLHOS DO MUNDO
NOSSOS OS MARES DO MUNDO
CHORANDO, PORTUGAL REZA
CHEGARAM ANIMAIS NEGROS
HOJE À COSTA PORTUGUESA
PATRULHAS NO CÉU AO LONGE
NEVOEIRO DE INCERTEZA
DIVAGA O CRUDE NAS ONDAS
EM LUTO A COSTA GALEGA
VAGUEIA AO SABOR DAS ONDAS
E VENTOS A MARÉ NEGRA
NESTA TERRA DE NÓS TODOS
CHORA A GENTE PORTUGUESA!
OS MARES, BERÇOS DA VIDA ,
ONDE A INJUSTA INDIFERENÇA
A NÚ AOS OLHOS TODOS
CHORA O MUNDO DE TRISTEZA
LÁGRIMA AZUL QUE CANTAVA
O MAR QUE NO CÉU SE ESPELHA
VERDES ESPLENDORES, ABUNDANCIA
SUFOCA E A MORTE IMPERA
LENÇOIS NEGROS ONDE A VIDA
SE DEBATE E DESESPERA
TODOS OS DIAS UM POUCO,
NÃO SÓ PORTUGAL E ESPANHA !
Ref: Naufrágio do petroleiro Prestige junto à costa galega e consequente castástrofe ecológica - Nov.2002
NOSSOS OS MARES DO MUNDO
CHORANDO, PORTUGAL REZA
CHEGARAM ANIMAIS NEGROS
HOJE À COSTA PORTUGUESA
PATRULHAS NO CÉU AO LONGE
NEVOEIRO DE INCERTEZA
DIVAGA O CRUDE NAS ONDAS
EM LUTO A COSTA GALEGA
VAGUEIA AO SABOR DAS ONDAS
E VENTOS A MARÉ NEGRA
NESTA TERRA DE NÓS TODOS
CHORA A GENTE PORTUGUESA!
OS MARES, BERÇOS DA VIDA ,
ONDE A INJUSTA INDIFERENÇA
A NÚ AOS OLHOS TODOS
CHORA O MUNDO DE TRISTEZA
LÁGRIMA AZUL QUE CANTAVA
O MAR QUE NO CÉU SE ESPELHA
VERDES ESPLENDORES, ABUNDANCIA
SUFOCA E A MORTE IMPERA
LENÇOIS NEGROS ONDE A VIDA
SE DEBATE E DESESPERA
TODOS OS DIAS UM POUCO,
NÃO SÓ PORTUGAL E ESPANHA !
Ref: Naufrágio do petroleiro Prestige junto à costa galega e consequente castástrofe ecológica - Nov.2002
Estrelas de Água
Irrompem estrelas de água
de meus olhos.
Caem como pétalas
de outono,
No coração primaveril que
bate dentro do peito.
Onde estarás tu, meu
príncipe perfeito,
Que forçando cercas
de espinhos
procuravas em ânsias
o meu leito
E os braços te que sempre
te abria
Eram tão de açucena como
da vez primeira
Onde estás tu, meu
cavaleiro amado
Cuja espada irrompia
em flama sua caminhada
Que era tua, e minha,
tão nossa
Alvorada estelar
de azul e rosa?
Estrelas de água sulcam
o rosto esmaecido
Que mais não é por teu olhar
beijado
Pois não mais não sei de ti,
príncipe amado
Nem qual de nós perece em
maior desespero!
Irrompem estrelas de água
de meus olhos.
Caem como pétalas
de outono,
No coração primaveril que
bate dentro do peito.
Onde estarás tu, meu
príncipe perfeito,
Que forçando cercas
de espinhos
procuravas em ânsias
o meu leito
E os braços te que sempre
te abria
Eram tão de açucena como
da vez primeira
Onde estás tu, meu
cavaleiro amado
Cuja espada irrompia
em flama sua caminhada
Que era tua, e minha,
tão nossa
Alvorada estelar
de azul e rosa?
Estrelas de água sulcam
o rosto esmaecido
Que mais não é por teu olhar
beijado
Pois não mais não sei de ti,
príncipe amado
Nem qual de nós perece em
maior desespero!
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