Nem o mar soa
nos búzios de meus dias!
sinal de quietas ondas
sinal de suaves brisas!
nada nem ninguém me chama
olha-me e vale-me,
gritam!
Gritam-me quando aflittos
os marinheiros
das marés vidas
nos dias em que não
recolhem as redes plenas
de olorosas maresias!
Que a vossa bonança dure,
Que me pendam
pequeninas e vazias
as mãos que vos estendo quando
em vossos ais, penas minhas!
Melhor sol vos trate as agonias
em
meu merecido crepúsculo
de lírios, sem ouro,
roxo entardecer calmo
repousando inocentes
minhas conchas vazias
tão fartas de repouso e sono!
Queimados em só dor meus dias!
terça-feira, fevereiro 03, 2004
DOCE LOUCURA, A DO POETA
AH, SUSPIROS QUE O VENTO LEVA,
VOAM NA CRISTA DA ONDA!
(QUE OS LEVE O SOL, QUE OS TRAGA A LUA),
DALI, DONDE NEM BRILHAM AS CONSTELAÇÕES
PARA ONDE A TERRA É DE OUTRAS ROCHAS
E SE MOVEM NOVAS ÁGUAS!
AH, PODER DIZER O INDIZÍVEL A QUEM TUDO É PERCEPTÍVEL!
ALMA PARA ALÉM DO QUE A ALMA SENTE,
SER POETA É SER DIFERENTE!
SUSPIRAR LEVE, LOUCO, ETÍLICO!
DEIXAR FLUIR, CORRER, ATRAVESSAR O VASIO,
TÃO CHEIO DE LOUCO AMOR!
DEIXA FLUIR TEU SER DE ALMA-FLOR,
TEU TRESLOUCADO DESEJO DE AMOR!
DEIXA IR, INSINUAR, SEGREDAR, DESVENDAR...
DOCE LOUCURA A DO POETA:
SER LÚCIDO, INQUIETA ALMA!
AH, SUSPIROS QUE O VENTO LEVA,
VOAM NA CRISTA DA ONDA!
(QUE OS LEVE O SOL, QUE OS TRAGA A LUA),
DALI, DONDE NEM BRILHAM AS CONSTELAÇÕES
PARA ONDE A TERRA É DE OUTRAS ROCHAS
E SE MOVEM NOVAS ÁGUAS!
AH, PODER DIZER O INDIZÍVEL A QUEM TUDO É PERCEPTÍVEL!
ALMA PARA ALÉM DO QUE A ALMA SENTE,
SER POETA É SER DIFERENTE!
SUSPIRAR LEVE, LOUCO, ETÍLICO!
DEIXAR FLUIR, CORRER, ATRAVESSAR O VASIO,
TÃO CHEIO DE LOUCO AMOR!
DEIXA FLUIR TEU SER DE ALMA-FLOR,
TEU TRESLOUCADO DESEJO DE AMOR!
DEIXA IR, INSINUAR, SEGREDAR, DESVENDAR...
DOCE LOUCURA A DO POETA:
SER LÚCIDO, INQUIETA ALMA!
QUANDO A RAZÃO SE TRANSCENDE
E O POETA SE ENTENDE
(NO QUE ESCREVE SE DESNUDA)
MAIS DO QUE A RAZÃO ENTENDE
O CORAÇÃO QUE SE INFLAMA
AH, HÁ TANTOS CORAÇÕES
NA TELA DO MONITOR!
TANTAS MENSAGENS DE AMOR!
CONVIDAS-ME A TRANSGREDIR:
IR NO TEU SONHO A SORRIR,
CUPIDO SEM SETA!
...QUE SE INQUIETA
EM RUBRA LUZ,
SE ILUMINA!
E O POETA SE ENTENDE
(NO QUE ESCREVE SE DESNUDA)
MAIS DO QUE A RAZÃO ENTENDE
O CORAÇÃO QUE SE INFLAMA
AH, HÁ TANTOS CORAÇÕES
NA TELA DO MONITOR!
TANTAS MENSAGENS DE AMOR!
CONVIDAS-ME A TRANSGREDIR:
IR NO TEU SONHO A SORRIR,
CUPIDO SEM SETA!
...QUE SE INQUIETA
EM RUBRA LUZ,
SE ILUMINA!
ENTERNECIDA!
MARIA ENCANTADA
ESCUTA
E TENTA
ELEVAR A TUA ALMA!
MARIA AMA
O TEU SORRISO
E NÃO QUER PERDÊ-LO,
ESCONDIDO
MARIA VELA
E REZARIA
POR TI
SE NÃO FOSSE TER DE DEUS
UMA IDÉIA
MAIOR!
CÁ DENTRO
CREIO NELE TANTO
QUE SE FOR SUPER-HUMANO
ESCUTARÁ
QUANDO
O MEU CORAÇÃO
EM AFLIÇÃO
DESEJA O BEM
DAQUELE
CORAÇÃO
QUE AMO!
MARIA ENCANTADA
ESCUTA
E TENTA
ELEVAR A TUA ALMA!
MARIA AMA
O TEU SORRISO
E NÃO QUER PERDÊ-LO,
ESCONDIDO
MARIA VELA
E REZARIA
POR TI
SE NÃO FOSSE TER DE DEUS
UMA IDÉIA
MAIOR!
CÁ DENTRO
CREIO NELE TANTO
QUE SE FOR SUPER-HUMANO
ESCUTARÁ
QUANDO
O MEU CORAÇÃO
EM AFLIÇÃO
DESEJA O BEM
DAQUELE
CORAÇÃO
QUE AMO!
AQUI
VOU NAVEGANDO
QUIETA INQUIETA
FRÁGIL
O MEU BARCO FEITO
DE MAR E DE NEVOEIRO
EM BUSCA DE MIM FAROLEIRO
QUE LUZ NA NOITE E VIGIA
SONHANDO
MEU RUMO QUER
O INFINITO ALÉM
Ó ESTRELA
MAS NÃO MAIS QUE
NA BEIRA DA PRAIA
MENINA
PROCURO VER O QUE OLHAR
E ENTENDER QUANTO ALÉM SOA
ESCOLHER QUANTO A MARÉ TRAGA
PARA TRAGAR-ME
DESVALIDA DE DESATENTA
NA GARRA FRIA DA ONDA.
VOU NAVEGANDO
QUIETA INQUIETA
FRÁGIL
O MEU BARCO FEITO
DE MAR E DE NEVOEIRO
EM BUSCA DE MIM FAROLEIRO
QUE LUZ NA NOITE E VIGIA
SONHANDO
MEU RUMO QUER
O INFINITO ALÉM
Ó ESTRELA
MAS NÃO MAIS QUE
NA BEIRA DA PRAIA
MENINA
PROCURO VER O QUE OLHAR
E ENTENDER QUANTO ALÉM SOA
ESCOLHER QUANTO A MARÉ TRAGA
PARA TRAGAR-ME
DESVALIDA DE DESATENTA
NA GARRA FRIA DA ONDA.
O meu inteiro amar o amor
todo o poema é feito de alma
na tela
na torre que se ergue ao céu
na figura descoberta
tirado o excesso de pedra
de madeira que a escondia
todo o poema é voz
que vivia escondida
e se lança irreprimível
solta canta canta e voa
da mão da voz
poeta sofredor
sê o instrumento
da poesia flama!
todo o poema é feito de alma
na tela
na torre que se ergue ao céu
na figura descoberta
tirado o excesso de pedra
de madeira que a escondia
todo o poema é voz
que vivia escondida
e se lança irreprimível
solta canta canta e voa
da mão da voz
poeta sofredor
sê o instrumento
da poesia flama!
DE PLENAS ASAS ABERTAS,
TENTO DESVENDAR O FIO
DO LABIRINTO DA VIDA
QUE CORRO E PROCURO AINDA
LABIRINTO TORTUOSO,
DE VOLUTAS DE BÚZIO
ONDE NÃO SOA O MAR,
MAS O CHORO E O RISO.
O GRITO DE ANGÚSTIA NO PEITO.
A ESPERANÇA DESESPERADA
DE VER E DE IR MAIS ALÉM...
PORQUÊ? PARA QUÊ?
- NÃO SEI!
É UMA ÂNSIA QUE TRANBORDA
DE MIM, ULTRA CONSCIÊNCIA.
ETERNA VONTADE DE SABER.
ETERNO PERGUNTAR-ME.
QUERER DESCOBRIR.
SEDE IMENSA.
ONDE ACABARÁ A ESPIRAL
DO MEU PENAR, CONSTANTE DOR
QUE SORRI NOS MEUS LÁBIOS
E CHORA NOS MEUS OLHOS?
- DIZ-ME, ALADO EMBAIXADOR,
QUE SOBRE O LABIRINTO
DA MINHA VIDA
PLANAS?
TENTO DESVENDAR O FIO
DO LABIRINTO DA VIDA
QUE CORRO E PROCURO AINDA
LABIRINTO TORTUOSO,
DE VOLUTAS DE BÚZIO
ONDE NÃO SOA O MAR,
MAS O CHORO E O RISO.
O GRITO DE ANGÚSTIA NO PEITO.
A ESPERANÇA DESESPERADA
DE VER E DE IR MAIS ALÉM...
PORQUÊ? PARA QUÊ?
- NÃO SEI!
É UMA ÂNSIA QUE TRANBORDA
DE MIM, ULTRA CONSCIÊNCIA.
ETERNA VONTADE DE SABER.
ETERNO PERGUNTAR-ME.
QUERER DESCOBRIR.
SEDE IMENSA.
ONDE ACABARÁ A ESPIRAL
DO MEU PENAR, CONSTANTE DOR
QUE SORRI NOS MEUS LÁBIOS
E CHORA NOS MEUS OLHOS?
- DIZ-ME, ALADO EMBAIXADOR,
QUE SOBRE O LABIRINTO
DA MINHA VIDA
PLANAS?
QUERO CLARO ENTENDER
E VER E RIR
DIGAM À LUA NOVA
QUE PARTA
QUE MUDE DE QUARTO
QUE SE VÁ EMBORA.
QUERO LUAR.
QUERO VER A MINHA SOMBRA
NO PÓ DA ESTRADA.
DIGAM AO SOL QUE VENHA
E ME DEVOLVA AS CORES
DE PINTAR A VIDA
QUE EU AINDA
AMO E QUERO E VEJO
OIÇO E CALO
(O QUE DÓI TANTO)
O RIO DA VIDA
RI QUE RI
CORRE QUE CORRE
... E EU ESPERANDO!
E VER E RIR
DIGAM À LUA NOVA
QUE PARTA
QUE MUDE DE QUARTO
QUE SE VÁ EMBORA.
QUERO LUAR.
QUERO VER A MINHA SOMBRA
NO PÓ DA ESTRADA.
DIGAM AO SOL QUE VENHA
E ME DEVOLVA AS CORES
DE PINTAR A VIDA
QUE EU AINDA
AMO E QUERO E VEJO
OIÇO E CALO
(O QUE DÓI TANTO)
O RIO DA VIDA
RI QUE RI
CORRE QUE CORRE
... E EU ESPERANDO!
PENSAVA EU, MARIA
...ENQUANTO DIVAGAVA PELO MATAGAL
MENSAGEIRA DO TEU OLHAR
QUANDO IA AONDE NÃO VAIS
PORQUE NÃO TENS VAGAR.
MAS DEIXA QUE TE DIGA
QUE É SEMPRE TEMPO DE ESPERANÇA.
DO APAIXONANTE DESCOBRIR E DESCODIFICAR.
DE LEVANTAR OS OLHOS DA MESA
PARA OLHAR
O CÉU A CHUVA A NUVEM A PASSAR
- QUE VAI TÃO DE LEVE E BREVE A VIDA....
PENSAVA EU, MARIA, ENQUANTO DIVAGAVA
PELO MATAGAL AONDE NÃO VAIS
DIZENDO NÃO TERES VAGAR PARA NADA
- QUE VAI TÃO DE LEVE E BREVE A VIDA....
E TU SEM DARES POR NADA!
...ENQUANTO DIVAGAVA PELO MATAGAL
MENSAGEIRA DO TEU OLHAR
QUANDO IA AONDE NÃO VAIS
PORQUE NÃO TENS VAGAR.
MAS DEIXA QUE TE DIGA
QUE É SEMPRE TEMPO DE ESPERANÇA.
DO APAIXONANTE DESCOBRIR E DESCODIFICAR.
DE LEVANTAR OS OLHOS DA MESA
PARA OLHAR
O CÉU A CHUVA A NUVEM A PASSAR
- QUE VAI TÃO DE LEVE E BREVE A VIDA....
PENSAVA EU, MARIA, ENQUANTO DIVAGAVA
PELO MATAGAL AONDE NÃO VAIS
DIZENDO NÃO TERES VAGAR PARA NADA
- QUE VAI TÃO DE LEVE E BREVE A VIDA....
E TU SEM DARES POR NADA!
As lágrimas do Poeta
Confessa Poeta
que uma paixão insana
contigo nascida
te persegue
e domina
amas
a
linda princesa
senhora
nossa
tua
a
que chora e canta
poética palavra
conhece-la
onde pára?
paira!
vê!
Em que reino da memória
coabitas com ela
delirante sonho
encantado
cantas
tu
Confessa que guardas
no teu coração
a ama secreta
tua nossa
amada
que
à tua guarda, Guardião
vive a abençoada
aquela dama
dona
tua
que
cantas
cantamos
todos
nós
mas se derrama
dos teus olhos
e nem
vês
!
Confessa Poeta
que uma paixão insana
contigo nascida
te persegue
e domina
amas
a
linda princesa
senhora
nossa
tua
a
que chora e canta
poética palavra
conhece-la
onde pára?
paira!
vê!
Em que reino da memória
coabitas com ela
delirante sonho
encantado
cantas
tu
Confessa que guardas
no teu coração
a ama secreta
tua nossa
amada
que
à tua guarda, Guardião
vive a abençoada
aquela dama
dona
tua
que
cantas
cantamos
todos
nós
mas se derrama
dos teus olhos
e nem
vês
!
Clara insónia
Cerrar as pálpebras,
senti-las cair pesadas
como no outono
as pétalas às rosas...
Mas não!
Toma conta de mim
tal inquietação
tal delírio de prosas
tal aurora de poesias
soltas brisas,
que me quedo insone
voadora peregrina
na asa
da minha própria sombra
frágil
tão frágil e tão pequena
desassossegada
clamo ao que me cerca
e me assombra
de dor humana
Ser ínfima poeira
acordada
ver tanta injustiça e cegueira
e não poder fazer nada!
Cerrar as pálpebras,
senti-las cair pesadas
como no outono
as pétalas às rosas...
Mas não!
Toma conta de mim
tal inquietação
tal delírio de prosas
tal aurora de poesias
soltas brisas,
que me quedo insone
voadora peregrina
na asa
da minha própria sombra
frágil
tão frágil e tão pequena
desassossegada
clamo ao que me cerca
e me assombra
de dor humana
Ser ínfima poeira
acordada
ver tanta injustiça e cegueira
e não poder fazer nada!
sobrevivi vendo
resistindo com mansidão
a questão não está na violência
mas na permanente
observação
e na sutileza
costumo imaginar-me
como uma gazela na savana
espertas orelhas alertas
faro e olhos despertos
se a perseguem
da meia dúzia
de valentes saltos
para que o perseguidor
desista
a seguir deita-se
na grama
camuflada
sem folego nem,
para mais um salto...
resistindo com mansidão
a questão não está na violência
mas na permanente
observação
e na sutileza
costumo imaginar-me
como uma gazela na savana
espertas orelhas alertas
faro e olhos despertos
se a perseguem
da meia dúzia
de valentes saltos
para que o perseguidor
desista
a seguir deita-se
na grama
camuflada
sem folego nem,
para mais um salto...
Uma Espiga
Uma espiga vibra no vento!
Ó esplendor de sol desvairado,
Ó ventre maturando
seus frutos,
Clítoris da terra fremente,
Útero
de pão e abundância,
Esperança,
Flor da Paz.
Umbigo da Natureza fecunda.
Felicidade é ver-te
bailar no azul
e saber que cumprirás
tua sorte
inteira.
Te deixarás colher
e debulhar
e moer
e transformar
em vida nova.
É essa tua essência
de renovado avançar sendo
um ser completo em ti mesmo
um ser total em se dividindo.
Uma espiga vibra no vento!
Ó esplendor de sol desvairado,
Ó ventre maturando
seus frutos,
Clítoris da terra fremente,
Útero
de pão e abundância,
Esperança,
Flor da Paz.
Umbigo da Natureza fecunda.
Felicidade é ver-te
bailar no azul
e saber que cumprirás
tua sorte
inteira.
Te deixarás colher
e debulhar
e moer
e transformar
em vida nova.
É essa tua essência
de renovado avançar sendo
um ser completo em ti mesmo
um ser total em se dividindo.
A escutar o grilo e o mar
Chamarás desditoso ao grilo
por ser negro?
Quem canta às estrelas?
Quem na noite soa
E nos embala?
Quem trila que trila
Sem parar?
Ah, a saudade de estar
Numa janela qualquer
Numa aldeia junto ao mar
Quieta
No silêncio suspensa
Sobre o penhasco
Escutando
O grilo e o mar
Companheiros do meu choro
Vozes brandas murmurando
É cantar!
É cantar!
É cantar!
Chamarás desditoso ao grilo
por ser negro?
Quem canta às estrelas?
Quem na noite soa
E nos embala?
Quem trila que trila
Sem parar?
Ah, a saudade de estar
Numa janela qualquer
Numa aldeia junto ao mar
Quieta
No silêncio suspensa
Sobre o penhasco
Escutando
O grilo e o mar
Companheiros do meu choro
Vozes brandas murmurando
É cantar!
É cantar!
É cantar!
Mas Não Sonhar
Sonhar é sentir-me triste
Porque é uma ameaça
De voltar a abrir os olhos
E de tomar consciência
De que a luz não é dourada
Nem as esferas são redondas
Nem as retas são direitas
Nem o sol brilha lá alto
Sonhar é sentir-me
É sentir-te
Sonhar
É muito triste
Porque quando abro os olhos
Vejo as paredes vazias
E sinto a nudez do espaço
E oiço o afiar das palavras.
Sonhar,
Como é triste!
Quando volto a abrir os olhos
Estou só eu
E a memória dos teus gestos.
Ao longe, os ecos do mundo
No silêncio, o choro de nós todos.
Sonhar,
É o que há de mais triste
Mas não sonhar
É a morte!
Sonhar é sentir-me triste
Porque é uma ameaça
De voltar a abrir os olhos
E de tomar consciência
De que a luz não é dourada
Nem as esferas são redondas
Nem as retas são direitas
Nem o sol brilha lá alto
Sonhar é sentir-me
É sentir-te
Sonhar
É muito triste
Porque quando abro os olhos
Vejo as paredes vazias
E sinto a nudez do espaço
E oiço o afiar das palavras.
Sonhar,
Como é triste!
Quando volto a abrir os olhos
Estou só eu
E a memória dos teus gestos.
Ao longe, os ecos do mundo
No silêncio, o choro de nós todos.
Sonhar,
É o que há de mais triste
Mas não sonhar
É a morte!
Flor na Neve
Aqui o silêncio
É a solidão materializada
A bater as asas transparentes
Pelas paredes negras.
Aqui o presente
É este esperar desesperado
É este roer no meu peito
É esta gota a deslizar-me dos olhos.
Aqui a esperança
É como uma flor da neve
Que brota da capa de gelo
E persiste apesar do vento
Aqui o silêncio
É a solidão materializada
A bater as asas transparentes
Pelas paredes negras.
Aqui o presente
É este esperar desesperado
É este roer no meu peito
É esta gota a deslizar-me dos olhos.
Aqui a esperança
É como uma flor da neve
Que brota da capa de gelo
E persiste apesar do vento
Des-Ilusão
Eu quero a verdade
Custe o que custar.
Eu quero a Justiça
Doa a quem doer.
É por isso que escrevo
Tudo quanto penso
De bom e de mau
Em mim e nos outros.
Não temo as palavras,
Nem vos temo a vós
Que tanto oprimis
Que até pretendeis
Colocar barreiras
Na mente dos outros
Para serdes vós somente a reinar
Egoístas! Não quero!
Tenho um pensamento
E imensa ansiedade
De paz e de Amor
Justiça e Verdade
E já sei decerto
Que vós, me os não dais!
Eu quero a verdade
Custe o que custar.
Eu quero a Justiça
Doa a quem doer.
É por isso que escrevo
Tudo quanto penso
De bom e de mau
Em mim e nos outros.
Não temo as palavras,
Nem vos temo a vós
Que tanto oprimis
Que até pretendeis
Colocar barreiras
Na mente dos outros
Para serdes vós somente a reinar
Egoístas! Não quero!
Tenho um pensamento
E imensa ansiedade
De paz e de Amor
Justiça e Verdade
E já sei decerto
Que vós, me os não dais!
TU
Tu, que cheiras a estrume
e a terra molhada;
tu, em cujos dedos
o pó negro se entranhou;
tu, de sorriso amargo
e de olhos tristes;
tu, que nem mesmo desistes
quando o ano é mau
e a colheita se perde;
tu que amas a terra
a paz e a família
(em que descarregas o fel
que no chão bebeste);
tu, cujos filhos
choram se te vêem,
te amam a medo;
tu, cuja mulher
é o fardo de tudo,
até das pancadas,
TU!
tambéns tens direito
à vida
a uma vida justa!
basta desta luta
obscura e desigual
entre o Homem e os elementos
Vamos,
reflecte e escolhe
com esperança no futuro!
Tu, que cheiras a estrume
e a terra molhada;
tu, em cujos dedos
o pó negro se entranhou;
tu, de sorriso amargo
e de olhos tristes;
tu, que nem mesmo desistes
quando o ano é mau
e a colheita se perde;
tu que amas a terra
a paz e a família
(em que descarregas o fel
que no chão bebeste);
tu, cujos filhos
choram se te vêem,
te amam a medo;
tu, cuja mulher
é o fardo de tudo,
até das pancadas,
TU!
tambéns tens direito
à vida
a uma vida justa!
basta desta luta
obscura e desigual
entre o Homem e os elementos
Vamos,
reflecte e escolhe
com esperança no futuro!
MARIA PETRONILHO " A POETISA"
Edméa Barsotti
Poetisa do Além do rio
Poetisa do Além do mar
Poetisa da terra
Poetisa do céu
Poetisa do universo
É uma estrela maior
Luz das Luzes
Que ilumina a língua portuguesa
Com as suas graciosas escritas harmoniosas
O romantismo é a sua essência
Que impera a sensualidade de uma flor
Mulher guerreira e sonhadora
Seu talento flutua
Na sua alma sedutora
04/10/02
1:07hrs
Edméa Barsotti
Poetisa do Além do rio
Poetisa do Além do mar
Poetisa da terra
Poetisa do céu
Poetisa do universo
É uma estrela maior
Luz das Luzes
Que ilumina a língua portuguesa
Com as suas graciosas escritas harmoniosas
O romantismo é a sua essência
Que impera a sensualidade de uma flor
Mulher guerreira e sonhadora
Seu talento flutua
Na sua alma sedutora
04/10/02
1:07hrs
uma vez única
ai perder-se a vida
a branca praia
deixar sem pena ou perda
olhar
com o sonho atrás do
virar a crista da onda
na borrasca
ficar levantado
ai do que saiba
da vida iluminada
minha mágua
minha ânsia
nua e plena
lançada
na nua crista da onda
arvorada
minha barca
asa do mar...
Releitura: Helena Armond
ai perder-se a vida
a branca praia
deixar sem pena ou perda
olhar
com o sonho atrás do
virar a crista da onda
na borrasca
ficar levantado
ai do que saiba
da vida iluminada
minha mágua
minha ânsia
nua e plena
lançada
na nua crista da onda
arvorada
minha barca
asa do mar...
Releitura: Helena Armond
Buscar
Aprender a dar
meu ser
suspenso
meu universal
amor
Imenso
Além de mim
Buscar
o amor
nas fraternas mãos
que anseio
Buscar
não apenas
a face visível
das coisas
mas o ser
verdadeiro
Buscar
o supremo valor
buscar
existir
além
do efémero
imperfeito ser
Buscar
sempre
aprender
almejar
crescer
sem me deter
Buscar
o imenso
Ser!
Aprender a dar
meu ser
suspenso
meu universal
amor
Imenso
Além de mim
Buscar
o amor
nas fraternas mãos
que anseio
Buscar
não apenas
a face visível
das coisas
mas o ser
verdadeiro
Buscar
o supremo valor
buscar
existir
além
do efémero
imperfeito ser
Buscar
sempre
aprender
almejar
crescer
sem me deter
Buscar
o imenso
Ser!
Anoitece
Quanta doçura no céu!
Pouco a pouco
uma a uma
vai acordando
a tremer
estremunhada
da maior á mais pequena
no céu lilás
cada estrela
silencioso e brando
o sol
no horizonte outonal
de ouro e azul
se entretece
a lua vai emergindo
a larga face sorrindo
como que da vez primeira
em que tudo era inocência
e paz
sobre a nua terra!
Quanta doçura no céu!
Pouco a pouco
uma a uma
vai acordando
a tremer
estremunhada
da maior á mais pequena
no céu lilás
cada estrela
silencioso e brando
o sol
no horizonte outonal
de ouro e azul
se entretece
a lua vai emergindo
a larga face sorrindo
como que da vez primeira
em que tudo era inocência
e paz
sobre a nua terra!
Silêncio
GUIDO CARLOS PIVA
(1947/2003)
Uma esmola de vento canta
Uma cor caramelo brilha
A tarde vai estendendo a noite
O sol se enrola e pisca...
O lusco vai e volta
O fusco vem e fica
Na rua um poeta espia
No céu uma cadente risca.
Silêncio!
O dia adormece longe...
A noite escurece o dia
Silêncio!
O poeta sonha!
Está nascendo uma poesia!
**** * **** *
Querido poeta em permanente alerta
quanta estrela perpassa e deixa
nos teus olhos doce encanto
uma outra estrela que fala
uma nova estrela que canta
na tua voz: Poesia!
Beijo carinhoso
Maria
30/9/2002
GUIDO CARLOS PIVA
(1947/2003)
Uma esmola de vento canta
Uma cor caramelo brilha
A tarde vai estendendo a noite
O sol se enrola e pisca...
O lusco vai e volta
O fusco vem e fica
Na rua um poeta espia
No céu uma cadente risca.
Silêncio!
O dia adormece longe...
A noite escurece o dia
Silêncio!
O poeta sonha!
Está nascendo uma poesia!
**** * **** *
Querido poeta em permanente alerta
quanta estrela perpassa e deixa
nos teus olhos doce encanto
uma outra estrela que fala
uma nova estrela que canta
na tua voz: Poesia!
Beijo carinhoso
Maria
30/9/2002
Silêncio
GUIDO CARLOS PIVA
(1947-2003)
Uma esmola de vento canta
Uma cor caramelo brilha
A tarde vai estendendo a noite
O sol se enrola e pisca...
O lusco vai e volta
O fusco vem e fica
Na rua um poeta espia
No céu uma cadente risca.
Silêncio!
O dia adormece longe...
A noite escurece o dia
Silêncio!
O poeta sonha!
Está nascendo uma poesia!
GUIDO CARLOS PIVA
(1947-2003)
Uma esmola de vento canta
Uma cor caramelo brilha
A tarde vai estendendo a noite
O sol se enrola e pisca...
O lusco vai e volta
O fusco vem e fica
Na rua um poeta espia
No céu uma cadente risca.
Silêncio!
O dia adormece longe...
A noite escurece o dia
Silêncio!
O poeta sonha!
Está nascendo uma poesia!
Voa a minha voz no vento
Ah, meu Deus há quanto
tanto!
voa este amor no vento
cantiga de encantamento
em que me dou como sou
te conto quanto te quero
soa a voz
livre de peias
companheiros
companheiras
todos me sabem amando
mas responde-me o silêncio
solitária voz no vento
que envio ao teu encontro
dizendo quanto carinho
no meu peito solitário
acalanto
onde te tenho e te guardo
vida toda
tanto tempo
diz-me que a noite finda
e virás de madrugada!
nada
cantigo vai solitária
até onde o amor esteja!
Ah, meu Deus há quanto
tanto!
voa este amor no vento
cantiga de encantamento
em que me dou como sou
te conto quanto te quero
soa a voz
livre de peias
companheiros
companheiras
todos me sabem amando
mas responde-me o silêncio
solitária voz no vento
que envio ao teu encontro
dizendo quanto carinho
no meu peito solitário
acalanto
onde te tenho e te guardo
vida toda
tanto tempo
diz-me que a noite finda
e virás de madrugada!
nada
cantigo vai solitária
até onde o amor esteja!
Não me guardes
para os dias de alegria
estou contigo a toda a hora
teu coração em ninh'alma
por ti respirando a vida
Não me guardes na ausência
que o tempo da nossa vida
é um punhada de areia
que escorre em fina ampulheta
sem sombra de misericórdia
quero-te mesmo em silêncio
longe da sombra do tempo
é nesta hora hora que embalo
o sonho que vivo e calo
de um momento, um momento!
para os dias de alegria
estou contigo a toda a hora
teu coração em ninh'alma
por ti respirando a vida
Não me guardes na ausência
que o tempo da nossa vida
é um punhada de areia
que escorre em fina ampulheta
sem sombra de misericórdia
quero-te mesmo em silêncio
longe da sombra do tempo
é nesta hora hora que embalo
o sonho que vivo e calo
de um momento, um momento!
Avé
Maria
em mim te guardo
que mal algum te atinja
que sempre sorrias à vida
Avé
Maria
Que semeis alegria
neste outro coração
que pulsa
de esperança
mas nem ousa
murmurar no teu ouvido
que por ti vive batendo
Avé
Maria
que a pura alma
te entrega
coração amado
escuta o meu
descompassado
mas vivo
Avé
Maria
vem
consolar minha alma
Maria
em mim te guardo
que mal algum te atinja
que sempre sorrias à vida
Avé
Maria
Que semeis alegria
neste outro coração
que pulsa
de esperança
mas nem ousa
murmurar no teu ouvido
que por ti vive batendo
Avé
Maria
que a pura alma
te entrega
coração amado
escuta o meu
descompassado
mas vivo
Avé
Maria
vem
consolar minha alma
quanto anseio teu carinho,
como semente há muito enterrada
anseia uma gota que seja
da tua ternura
para irrromper de mim
e florir contigo!
falta-me a palavra de esperança
que de ti esperava
mas que não chegou!
e protejo o teu silêncio
com o meu recato
o amor guardo
fundo em meu peito
por ti, tão teu!
Que farei
se te amo mais que
a mim mesma?
dia tão longamente esperado
se viu condenado
ao sonho desfeito
meu
olhar perdido longínquo
na vã busca do teu
que aguardo
coração
tão só
teu
como semente há muito enterrada
anseia uma gota que seja
da tua ternura
para irrromper de mim
e florir contigo!
falta-me a palavra de esperança
que de ti esperava
mas que não chegou!
e protejo o teu silêncio
com o meu recato
o amor guardo
fundo em meu peito
por ti, tão teu!
Que farei
se te amo mais que
a mim mesma?
dia tão longamente esperado
se viu condenado
ao sonho desfeito
meu
olhar perdido longínquo
na vã busca do teu
que aguardo
coração
tão só
teu
Do Som das palavras
Oiço o cantar das palavras
Digo LEITE
e oiço manhã, açucena, aconchego, princípio...
e oiço - MAR
digo MAR
e oiço o nascer da vida
e oiço o entrechocar titânico das placas intercontinentais
e oiço a luz e a sombra
e oiço
vaaaatctch....uvaaaatchtchchch...
e vejo tanto
e sinto o ventre da minha mãe! viagem...!!!!
Oiço o cantar das palavras
Digo LEITE
e oiço manhã, açucena, aconchego, princípio...
e oiço - MAR
digo MAR
e oiço o nascer da vida
e oiço o entrechocar titânico das placas intercontinentais
e oiço a luz e a sombra
e oiço
vaaaatctch....uvaaaatchtchchch...
e vejo tanto
e sinto o ventre da minha mãe! viagem...!!!!
ONDE ACABA O HORIZONTE?
Acredita que podes voar!
Pega na asa dos teus sonhos
e segue a luz dos teus olhos
quando os perdes no mar.
Acredita que podes voar!
És pássaro vadio, borboleta, abelha, bruxa...
Lança-te no vasio
e faz da imensidão tua estrada.
Acredita que podes voar!
Como as pétalas da flor
que seguem leves no vento,
amor, perdição, pensamento....
longe, longe, longe, longe...
Onde acaba o horizonte?
Acredita que podes voar!
Pega na asa dos teus sonhos
e segue a luz dos teus olhos
quando os perdes no mar.
Acredita que podes voar!
És pássaro vadio, borboleta, abelha, bruxa...
Lança-te no vasio
e faz da imensidão tua estrada.
Acredita que podes voar!
Como as pétalas da flor
que seguem leves no vento,
amor, perdição, pensamento....
longe, longe, longe, longe...
Onde acaba o horizonte?
Contigo
Dizes que
Não me esqueceste
E eu digo
Estar contigo
Prisioneira
Te guardando
Acordada
E dormindo
Revivivendo
Relembrando
Beijo a beijo
Momento
Nosso o tempo
Limitado
Infinito
Minha alegria
Mora escondida
Em teu peito
E teu sorriso
Baila
Na minha boca
Calada
E ainda
Que tu não saibas
Sentir-me-ei
Abraçada
Te abraçando
Em meus braços
Tornando reais
Nossos sonhos
Dizes que
Não me esqueceste
E eu digo
Estar contigo
Prisioneira
Te guardando
Acordada
E dormindo
Revivivendo
Relembrando
Beijo a beijo
Momento
Nosso o tempo
Limitado
Infinito
Minha alegria
Mora escondida
Em teu peito
E teu sorriso
Baila
Na minha boca
Calada
E ainda
Que tu não saibas
Sentir-me-ei
Abraçada
Te abraçando
Em meus braços
Tornando reais
Nossos sonhos
Se a saudade for
o amor parado dentro
do coração
que dormindo
vai em sonhos se perdendo
e nesse sonho chorando
se esquecendo de acordar
se esquecendo de vibrar
se esquecendo de cantar
pouco a pouco se perdendo
Venha o sol e seque o pranto
fora de nós
mas cá dentro
que se esboce um sorriso
em breve convertido em riso
pulse forte sinta o brilho
acordar de novo
vendo
ao nosso redor tudo e tanto
flores de novo se abrindo
asas alegres pairando
exulte o ser no caminho
em si mesmo desenhando
a tristeza vá mudando
quebrando o relógio parado
mude-se o tempo do pranto
em novo amor convertido
o amor parado dentro
do coração
que dormindo
vai em sonhos se perdendo
e nesse sonho chorando
se esquecendo de acordar
se esquecendo de vibrar
se esquecendo de cantar
pouco a pouco se perdendo
Venha o sol e seque o pranto
fora de nós
mas cá dentro
que se esboce um sorriso
em breve convertido em riso
pulse forte sinta o brilho
acordar de novo
vendo
ao nosso redor tudo e tanto
flores de novo se abrindo
asas alegres pairando
exulte o ser no caminho
em si mesmo desenhando
a tristeza vá mudando
quebrando o relógio parado
mude-se o tempo do pranto
em novo amor convertido
Eis-me
em doces sonhos perdida
revivo
a tua presença
longe de mim
dentro de mim
encantada
moura antiga
num feitiço de indif'rença
que ao teu olhar se quebra
que um toque teu incendeia
eternamente menina
em teu carinho se embala
pulsante paixão emana
meu coração arde em chama
reflexo de ti, maré viva!
em doces sonhos perdida
revivo
a tua presença
longe de mim
dentro de mim
encantada
moura antiga
num feitiço de indif'rença
que ao teu olhar se quebra
que um toque teu incendeia
eternamente menina
em teu carinho se embala
pulsante paixão emana
meu coração arde em chama
reflexo de ti, maré viva!
DOCE MEMÓRIA
Ah, se eu pudesse
tranformar-me em borboleta
que secreta te seguisse,
escondida viajassse
na aba da tua sombra!
A frescura do teu dia,
centelha na noite escura!
No teu sorriso brilhasse!
Soubesse a mel a lembrança
que meu sabor te deixasse
e breve ausência bastasse
pr'a sonhar reencontrá-la!
Ah, se eu pudesse
tranformar-me em borboleta
que secreta te seguisse,
escondida viajassse
na aba da tua sombra!
A frescura do teu dia,
centelha na noite escura!
No teu sorriso brilhasse!
Soubesse a mel a lembrança
que meu sabor te deixasse
e breve ausência bastasse
pr'a sonhar reencontrá-la!
Fazer minha a liberdade
Sou livre!
Tão livre
como um vento quieto,
um mar de calmaria,
um pardal ferido à fisga,
um pássaro de asas cortadas!
O meu pensamento é que voa,
não pára!
Não me aquieto nunca,
sou e vou
ligeireza,
sou e vou
de busca em busca:
Tanta, tanta pergunta!
Voo na mata cerrada
atrás de uma borboleta
ora sigo-a,
ora perco-a
ela, seguindo o perfume que a chama
e eu, cega, na erva
tropeço, enleio-me confusa
mas desistir...
não, nunca!
Por mais que doa!
Há uma asa qualquer
que dentro de mim se agita
e me impele e me grita
voa!
Sou livre!
Tão livre
como um vento quieto,
um mar de calmaria,
um pardal ferido à fisga,
um pássaro de asas cortadas!
O meu pensamento é que voa,
não pára!
Não me aquieto nunca,
sou e vou
ligeireza,
sou e vou
de busca em busca:
Tanta, tanta pergunta!
Voo na mata cerrada
atrás de uma borboleta
ora sigo-a,
ora perco-a
ela, seguindo o perfume que a chama
e eu, cega, na erva
tropeço, enleio-me confusa
mas desistir...
não, nunca!
Por mais que doa!
Há uma asa qualquer
que dentro de mim se agita
e me impele e me grita
voa!
MEU SONHO SER
Haja o que houver
seguirei igual a mim-mesma:
Figura de proa ao vento e ao sol,
aguentarei no rosto o sal do mar
serei autêntica
única
livre como o vento
que me faz oscilar
e avançar mar dentro
que refresca minha alma
e a mantém límpida.
De outra forma
eu não seria.
Amo o brilho da manhã
o sol a bater na janela
o reflexo no espelho d'água
o ar leve, a mente leve, o riso...
Rir que nem uma criança ri!
Olhar o meu sorriso e vê-lo
doce, para além de toda a
amargura
da má-sorte, sei lá
e continuar a acreditar.
Meu sonho ser.
Haja o que houver
seguirei igual a mim-mesma:
Figura de proa ao vento e ao sol,
aguentarei no rosto o sal do mar
serei autêntica
única
livre como o vento
que me faz oscilar
e avançar mar dentro
que refresca minha alma
e a mantém límpida.
De outra forma
eu não seria.
Amo o brilho da manhã
o sol a bater na janela
o reflexo no espelho d'água
o ar leve, a mente leve, o riso...
Rir que nem uma criança ri!
Olhar o meu sorriso e vê-lo
doce, para além de toda a
amargura
da má-sorte, sei lá
e continuar a acreditar.
Meu sonho ser.
segunda-feira, fevereiro 02, 2004
Tarda em afogar-se
em silencisosa tristeza
o dia
pedra solta que rola
na dura encosta da vida
onde meus sonhos
se perdem
nevados
lá na altura
fossem eles corolário
de minha vida
sentir-me-ia
pedra preciosa
esmeralda
turmalina
uma joia verde
de esperança!
Mas de nada valeria
que sigo nua perdida
sem elo
desengastada
sentindo na minha alma
a dura aresta da vida!
em silencisosa tristeza
o dia
pedra solta que rola
na dura encosta da vida
onde meus sonhos
se perdem
nevados
lá na altura
fossem eles corolário
de minha vida
sentir-me-ia
pedra preciosa
esmeralda
turmalina
uma joia verde
de esperança!
Mas de nada valeria
que sigo nua perdida
sem elo
desengastada
sentindo na minha alma
a dura aresta da vida!
CHEGANDO, O OUTONO
Aí
...e aqui
pleno
e tão
sincero
se faz
o sorriso!
Ainda
que esteja
escondida
a lua
e o céu
na colcha
de névoa
que leve
anuncia
a noite
do primeiro dia
do mês
de setembro,
cante leve
o vento
nas douradas
folhas
nas frutas
maduras...
bendigo
o outono
até nós chegando.
Que bom é
vivê-lo
total
fundo
intenso!
Íntima
certeza,
estação
do bom-senso,
mantendo
a centellha
do amor
e do sonho.
Fulgente
sorriso
aurora
de onde
pura
solta
emerge
cantando
a poesia!
Paira
no céu alto
ténue
nevoeiro
...mas um fogo
imenso
renasce
no peito,
que mais
brilha
a esperança
que o ouro
e mantenho
límpido
o sorriso!
Aí
...e aqui
pleno
e tão
sincero
se faz
o sorriso!
Ainda
que esteja
escondida
a lua
e o céu
na colcha
de névoa
que leve
anuncia
a noite
do primeiro dia
do mês
de setembro,
cante leve
o vento
nas douradas
folhas
nas frutas
maduras...
bendigo
o outono
até nós chegando.
Que bom é
vivê-lo
total
fundo
intenso!
Íntima
certeza,
estação
do bom-senso,
mantendo
a centellha
do amor
e do sonho.
Fulgente
sorriso
aurora
de onde
pura
solta
emerge
cantando
a poesia!
Paira
no céu alto
ténue
nevoeiro
...mas um fogo
imenso
renasce
no peito,
que mais
brilha
a esperança
que o ouro
e mantenho
límpido
o sorriso!
SAUDADES E NOTÍCIAS
Cresce em mim, se adensa
dentro de minha'alma
como raiz funda
a saudade imensa
onda que me leva
vogando qual onda
feita branca espuma
por amor da vossa
arte e poesia...
Mas no peito ainda
algo se me nega
(onde a minha força?)
trava a minha asa
me fere e magoa
e na móvel tela
cheia de beleza
de mim só vós chega
minha ausência ainda!
Que ao menos eu possa
dizer quanto é clara
e por vós imensa
a minha ternura,
ainda que oculta:
Amizade tanta
em meus olhos feita
água que desliza...
Resta-nos a esperança
de que breve seja
esta ausência longa
que tanto me pesa
que tanto se esforça
na vossa procura.
Desde sempre e ainda
o abraço da vossa
amiga Maria
Cresce em mim, se adensa
dentro de minha'alma
como raiz funda
a saudade imensa
onda que me leva
vogando qual onda
feita branca espuma
por amor da vossa
arte e poesia...
Mas no peito ainda
algo se me nega
(onde a minha força?)
trava a minha asa
me fere e magoa
e na móvel tela
cheia de beleza
de mim só vós chega
minha ausência ainda!
Que ao menos eu possa
dizer quanto é clara
e por vós imensa
a minha ternura,
ainda que oculta:
Amizade tanta
em meus olhos feita
água que desliza...
Resta-nos a esperança
de que breve seja
esta ausência longa
que tanto me pesa
que tanto se esforça
na vossa procura.
Desde sempre e ainda
o abraço da vossa
amiga Maria
Ai, Perder-se a Vida Uma Vez Única!
Asa de mar
minha barca
arvorada
na nua crista da onda
lançada
nua e plena
minha ânsia
minha mágoa
De vida iluminada
ai do que saiba
ficar levantado
ma borrasca
virar a crista da onda
com o sonho atrás do olhar
deixar sem pena ou perda
a branca praia
ai perder-se a vida
uma vez única!!!
Asa de mar
minha barca
arvorada
na nua crista da onda
lançada
nua e plena
minha ânsia
minha mágoa
De vida iluminada
ai do que saiba
ficar levantado
ma borrasca
virar a crista da onda
com o sonho atrás do olhar
deixar sem pena ou perda
a branca praia
ai perder-se a vida
uma vez única!!!
Ó SAUDADE MINHA!
Sede, amor, carinho
Levo no meu peito
Um barco de fogo
Uma nuvem rosa
Na tarde que tomba
Uma onda verde
No mar sem guarida
Andorinha mansa
Na tua janela
Uma leve brisa
Pequenina estrela
Flor abrindo ao sol
Da tua ternura
Voo manso de ave
Coração de vela
Seguindo à deriva
Branca ao largo e solta
Ó saudade minha!
Sede, amor, carinho
Levo no meu peito
Um barco de fogo
Uma nuvem rosa
Na tarde que tomba
Uma onda verde
No mar sem guarida
Andorinha mansa
Na tua janela
Uma leve brisa
Pequenina estrela
Flor abrindo ao sol
Da tua ternura
Voo manso de ave
Coração de vela
Seguindo à deriva
Branca ao largo e solta
Ó saudade minha!
seguindo o amor
De olhos cerrados
te abraço
sinto-te
dentro do meu peito
onde o coração
fala mais alto
É teu o meu corpo
tremendo
ausente do teu
há tanto tempo
sempre
constante
habitas
inflamas
em loucura
todos os meus
sentimentos
pensamentos
que me habitam
na tua sombra viajam
em volutas
em lembranças
de tantos carinhos
trocados
nossos dois corpos colados
no ar meus gritos
teus ais
suspiros ternos
tão nossos
recordados
sofridos
de ausência
em chama
meu inteiro ser
te chama
volta!
meus lábios pedem aos teus
minha urgência
diz à tua
volta!
Quando fechar os meus olhos
quando cerrar os meus braços
quero a alegre certeza
de ti em mim
inteiro
e não somente
o sonho
meu louco sonho
de amar-te no vazio
apaixonada
memória.
De olhos cerrados
te abraço
sinto-te
dentro do meu peito
onde o coração
fala mais alto
É teu o meu corpo
tremendo
ausente do teu
há tanto tempo
sempre
constante
habitas
inflamas
em loucura
todos os meus
sentimentos
pensamentos
que me habitam
na tua sombra viajam
em volutas
em lembranças
de tantos carinhos
trocados
nossos dois corpos colados
no ar meus gritos
teus ais
suspiros ternos
tão nossos
recordados
sofridos
de ausência
em chama
meu inteiro ser
te chama
volta!
meus lábios pedem aos teus
minha urgência
diz à tua
volta!
Quando fechar os meus olhos
quando cerrar os meus braços
quero a alegre certeza
de ti em mim
inteiro
e não somente
o sonho
meu louco sonho
de amar-te no vazio
apaixonada
memória.
PALAVRA POR INVENTAR
Não há horizonte que baste
para o belo que procuro
essa luz atrás do escuro
a que me leva adiante
nenhum vento me detenha
que a força que me leva
esta asa branca que voa
adentro da minha alma
e que almeja só pureza,
viverá enquanto eu viva.
Sei que sou nada, sou terra,
pequena erva daninha,
meu olhar ao sol se eleva,
alta ânsia é a minha
urgente constante procura
pela paz que se adivinha
além de aonde se chega
se quer ir além ainda
Chamem-lhe Alma, Deus, Loucura!
Chamem-me doida varrida
Nada do É me interessa,
quero algo de além vida.
Não há tempo que me chegue
para o querer que procuro.
Para um luzir tão puro
no meu íntimo universo...
Quero subir, crescer, voar
além da própria beleza,
além de alguma certeza
... palavra por inventar.
Não há horizonte que baste
para o belo que procuro
essa luz atrás do escuro
a que me leva adiante
nenhum vento me detenha
que a força que me leva
esta asa branca que voa
adentro da minha alma
e que almeja só pureza,
viverá enquanto eu viva.
Sei que sou nada, sou terra,
pequena erva daninha,
meu olhar ao sol se eleva,
alta ânsia é a minha
urgente constante procura
pela paz que se adivinha
além de aonde se chega
se quer ir além ainda
Chamem-lhe Alma, Deus, Loucura!
Chamem-me doida varrida
Nada do É me interessa,
quero algo de além vida.
Não há tempo que me chegue
para o querer que procuro.
Para um luzir tão puro
no meu íntimo universo...
Quero subir, crescer, voar
além da própria beleza,
além de alguma certeza
... palavra por inventar.
NA INQUIETAÇÃO
Como cadeia sem fim me conheço.
Dentro de mim me interrogo.
O escuro eu de mim
Pergunta ao meu claro eu:
De onde vim e o que sou?
O que me fez e me criou?
Aonde estou e porque sou?
Serei eu quem alguém sonhou?
Serei eu só sonho meu?
Só sou
Os largos caminhos estreitos
Percorro de olhos acesosEm busca de mim
Por amor de mim
Inquieta
Pela clara certeza...
Como cadeia sem fim me conheço.
Dentro de mim me interrogo.
O escuro eu de mim
Pergunta ao meu claro eu:
De onde vim e o que sou?
O que me fez e me criou?
Aonde estou e porque sou?
Serei eu quem alguém sonhou?
Serei eu só sonho meu?
Só sou
Os largos caminhos estreitos
Percorro de olhos acesosEm busca de mim
Por amor de mim
Inquieta
Pela clara certeza...
DE PÉ!
O ECO
O RESSOAR DISTANTE
ME CHEGA DE LONGE
O NÃO-ESTAR
ESTANDO
O NÃO-SER
SENDO.
EM VÃO GRITO
EM VÃO MORRO
EM VÃO FICO
NUM MUNDO TÃO ERMO
QUE EU-SÓ HABITO.
DIZEM SIM
NEGANDO
DIZEM O DITO
POR NÃO DITO
NÃO JOGO!
NÃO ACREDITO
NO AMAR-FEITO.
TENHO AS MÃOS
ATADAS
CONTRA O PEITO.
DE OLHOS RASOS
VERMELHAS BRASAS
A LUZIR NO ROSTO.
O CARRASCO CHEGA
E EU À ESPERA,
DE PÉ!
NO MEU POSTO!
O ECO
O RESSOAR DISTANTE
ME CHEGA DE LONGE
O NÃO-ESTAR
ESTANDO
O NÃO-SER
SENDO.
EM VÃO GRITO
EM VÃO MORRO
EM VÃO FICO
NUM MUNDO TÃO ERMO
QUE EU-SÓ HABITO.
DIZEM SIM
NEGANDO
DIZEM O DITO
POR NÃO DITO
NÃO JOGO!
NÃO ACREDITO
NO AMAR-FEITO.
TENHO AS MÃOS
ATADAS
CONTRA O PEITO.
DE OLHOS RASOS
VERMELHAS BRASAS
A LUZIR NO ROSTO.
O CARRASCO CHEGA
E EU À ESPERA,
DE PÉ!
NO MEU POSTO!
ONDE TUDO É VERDADEIRO
SE ALGUM DIA ME VIRES CHORAR
PENSA QUE AS MINHAS LÁGRIMAS
SÃO GOTAS DE ORVALHO
QUE O ACASO TROUXE
E ESPALHOU PELO ROSTO.
SE ALGUM DIA ME VIRES RIR
... PARA QUE DIZER-TE?
JÁ SABES QUE MINTO
JÁ SABES QUE NA MINHA VIDA
SÓ HÁ TREVAS E SOLIDÃO...
MAS, SE PORVENTURA ME VIRES MORRER,
QUANDO O DERRADEIRO SOPRO
SE EVADIR DE MIM,
ELEVA OS TEUS OLHOS PARA ALÉM DAS NUVENS
PARA LÁ ONDE O SOL É MESMO SOL
E A LUA, O AMOR E A ALEGRIA
SÃO MESMO TUDO ISSO
PORQUE TUDO É VERDADEIRO
... E ENTÃO PODERÁS PENSAR
TER SIDO O MEU PRANTO DESTILADO
DA MAIS AMARGA, MAIS CRUEL DAS DORES!
SE ALGUM DIA ME VIRES CHORAR
PENSA QUE AS MINHAS LÁGRIMAS
SÃO GOTAS DE ORVALHO
QUE O ACASO TROUXE
E ESPALHOU PELO ROSTO.
SE ALGUM DIA ME VIRES RIR
... PARA QUE DIZER-TE?
JÁ SABES QUE MINTO
JÁ SABES QUE NA MINHA VIDA
SÓ HÁ TREVAS E SOLIDÃO...
MAS, SE PORVENTURA ME VIRES MORRER,
QUANDO O DERRADEIRO SOPRO
SE EVADIR DE MIM,
ELEVA OS TEUS OLHOS PARA ALÉM DAS NUVENS
PARA LÁ ONDE O SOL É MESMO SOL
E A LUA, O AMOR E A ALEGRIA
SÃO MESMO TUDO ISSO
PORQUE TUDO É VERDADEIRO
... E ENTÃO PODERÁS PENSAR
TER SIDO O MEU PRANTO DESTILADO
DA MAIS AMARGA, MAIS CRUEL DAS DORES!
SE OS TEUS BRAÇOS SE FECHAM
Se os teus braços se fecham
Se o teu olhar me negas
Bem podem passar
À margem de mim
Todas
As mais floridas
As mais verdes e garridas
Primaveras!
Na solidão de meus dias
Sob as pálpebras fechadas
As imagens fugidias
Dos teus gestos
Soltas
As minhas lágrimas
Soluços entrecortados
Memórias
De horas
Vividas
Nada mais quero da vida
Se o meu carinho desprezas
Do que em amargas certezas
Cortes cerces os meus dias!
Se os teus braços se fecham
Se o teu olhar me negas
Bem podem passar
À margem de mim
Todas
As mais floridas
As mais verdes e garridas
Primaveras!
Na solidão de meus dias
Sob as pálpebras fechadas
As imagens fugidias
Dos teus gestos
Soltas
As minhas lágrimas
Soluços entrecortados
Memórias
De horas
Vividas
Nada mais quero da vida
Se o meu carinho desprezas
Do que em amargas certezas
Cortes cerces os meus dias!
TUA VOZ QUE NÃO MAIS FALA
Na angústia
espero desesperada
tua voz que me falava
de tanta coisa e de nada
tua voz em que voava
te sentia me sentia
enlevada e embalada
companheira
solitária
ainda assim
amparava
meu esforço de ser
cada dia
sonhava
teu rosto através da palavra
ia no teu sorriro
que nos meus lábios se via
Agora
sinto-me pena
sem que a mais pequena brisa
páre um segundo que seja
para erguer minha alma
para salvar minha vida!
Na angústia
espero desesperada
tua voz que me falava
de tanta coisa e de nada
tua voz em que voava
te sentia me sentia
enlevada e embalada
companheira
solitária
ainda assim
amparava
meu esforço de ser
cada dia
sonhava
teu rosto através da palavra
ia no teu sorriro
que nos meus lábios se via
Agora
sinto-me pena
sem que a mais pequena brisa
páre um segundo que seja
para erguer minha alma
para salvar minha vida!
COTOVIA
Vem, meu amor, vem falar-me de novo
das estradas por onde os meus olhos
de amor,
em fulgurantes voos nos levaram
vem
traz-me a brisa pressurosa
de nossas renovadas primaveras
perfumadas
de
ondas
de
mares de pétalas
rosas e jasmims
de mim
de ti
desfolhadas
vem
dizer-me que deixaram de ser
insones
tuas longas madrugadas
porque
nelas revives em sonhos
as
nossas benditas horas
as
nossas tardes roubadas
fragrâncias antes sonhadas
preciosas
ânforas de beijos
de
caricias desnudadas
vem
meu amor
falar-me das alegrias
traz nos teus dedos esperanças
de puras manhãs
doces dias
de lembranças
afogadas
nos meus olhos estradas de ouro
pela cor dos teus
encontradas!
Vem, meu amor, vem falar-me de novo
das estradas por onde os meus olhos
de amor,
em fulgurantes voos nos levaram
vem
traz-me a brisa pressurosa
de nossas renovadas primaveras
perfumadas
de
ondas
de
mares de pétalas
rosas e jasmims
de mim
de ti
desfolhadas
vem
dizer-me que deixaram de ser
insones
tuas longas madrugadas
porque
nelas revives em sonhos
as
nossas benditas horas
as
nossas tardes roubadas
fragrâncias antes sonhadas
preciosas
ânforas de beijos
de
caricias desnudadas
vem
meu amor
falar-me das alegrias
traz nos teus dedos esperanças
de puras manhãs
doces dias
de lembranças
afogadas
nos meus olhos estradas de ouro
pela cor dos teus
encontradas!
SINGULAR SILHUETA
que soprem diáfanos e brancos
os ventos de mudança
que varram a tristeza sem nome
que por mim passa
que se percam no longe
nos confins
onde a esperaça
houvera dar por si renascida
que se erga imensa e clara
a figura
única
de minha alma com a tua
singular
silhueta
de dádiva
cúmplice como outrora!
que soprem diáfanos e brancos
os ventos de mudança
que varram a tristeza sem nome
que por mim passa
que se percam no longe
nos confins
onde a esperaça
houvera dar por si renascida
que se erga imensa e clara
a figura
única
de minha alma com a tua
singular
silhueta
de dádiva
cúmplice como outrora!
Tentando reencontrar-me
percorro
um a um
todos
os caminhos antes percorridos
tantos escolhos
tantos espinhos
suponho
deveriam meus pés
acostumados
a nenhuns desvelos
incólumes percorrê-los
Mas não!
é vão pensar-se
que existam antídotos
fabricados
de sofrimentos passados
erro num ermo
eterno
mas vou
(talvez no engano)
desesperado
de vir a ver a luz
o branco nenúfar
a clara
fulgurante
mágica
verdade
de que se faz
minha ideia
ávida
de bonança.
percorro
um a um
todos
os caminhos antes percorridos
tantos escolhos
tantos espinhos
suponho
deveriam meus pés
acostumados
a nenhuns desvelos
incólumes percorrê-los
Mas não!
é vão pensar-se
que existam antídotos
fabricados
de sofrimentos passados
erro num ermo
eterno
mas vou
(talvez no engano)
desesperado
de vir a ver a luz
o branco nenúfar
a clara
fulgurante
mágica
verdade
de que se faz
minha ideia
ávida
de bonança.
SOLTA DE MIM O PASSARINHO
paixão
tangente de ti
no escuro
me perco
se te não tenho
detens
o meu sorriso
suspenso
no teu silêncio
vivo na dúvida
permaneço na inverteza
calada
a voz presa
de emaranhadas
proibições
muralhas erguidas
cada vez mais altas.
É certo que o meu querer
tem asas
mas falta-me o vento
para me lançar
e sem voar
não tenho
como fabricar de nuvens
inventar de novo
este meu sorriso
moribundo
solta de mim
o passarinho
que cantava
na ventura de teu peito
nem que apenas valha
seu canto
um suave laivo
um breve sorriso
dos tantos
que entre nós voavam,
meu amado!
paixão
tangente de ti
no escuro
me perco
se te não tenho
detens
o meu sorriso
suspenso
no teu silêncio
vivo na dúvida
permaneço na inverteza
calada
a voz presa
de emaranhadas
proibições
muralhas erguidas
cada vez mais altas.
É certo que o meu querer
tem asas
mas falta-me o vento
para me lançar
e sem voar
não tenho
como fabricar de nuvens
inventar de novo
este meu sorriso
moribundo
solta de mim
o passarinho
que cantava
na ventura de teu peito
nem que apenas valha
seu canto
um suave laivo
um breve sorriso
dos tantos
que entre nós voavam,
meu amado!
Não esqueças a minha ternura
feita poeira
chita esgarçada
no fulgor de teus dias
se bem eu seja
uma figura apagada
etérea
que vive
atrás de uma incógnita janela,
não colecciones as minhas lágrimas
no bolso da tua camisa
nada farão crescer senão a angústia
no lugar da paixão
que
de nossos corações se eleva
se em comunhão
na ideia
no carinho
na palavra alada
distante
que nos dá a ilusão de acordarmos
com a mesma aurora
de olharmos o mesmo sol,
eu dentro de mim prisioneira
e tu vogando ao sabor do que te convier
te for
talvez possível.
Onde os poemas derramados
de doçura
que me cantaste
em que me cantavas
onde apaixonadamente me enlevavas
no som da tua procura?
Não me deixes afogada no silêncio
no humilde silêncio de ser
ocasião fortuita de prazer
a poeta triste
que sendo tua
não mais que tua fugaz atenção
necessita!
feita poeira
chita esgarçada
no fulgor de teus dias
se bem eu seja
uma figura apagada
etérea
que vive
atrás de uma incógnita janela,
não colecciones as minhas lágrimas
no bolso da tua camisa
nada farão crescer senão a angústia
no lugar da paixão
que
de nossos corações se eleva
se em comunhão
na ideia
no carinho
na palavra alada
distante
que nos dá a ilusão de acordarmos
com a mesma aurora
de olharmos o mesmo sol,
eu dentro de mim prisioneira
e tu vogando ao sabor do que te convier
te for
talvez possível.
Onde os poemas derramados
de doçura
que me cantaste
em que me cantavas
onde apaixonadamente me enlevavas
no som da tua procura?
Não me deixes afogada no silêncio
no humilde silêncio de ser
ocasião fortuita de prazer
a poeta triste
que sendo tua
não mais que tua fugaz atenção
necessita!
Deus, dá-me aquelas asas que já tive
que perdi eu nem sei onde
quero buscar o amor que se perde
nas entrelinhas
no espaço sem nome
onde tudo ocorre sem nada ocorrer
Deus, dá-me de novo a ilusão
de ter perto o meu amor
quando me levanto e deito
na minha cama solitária
na minha casa vazia de alguém
Deus trás-me a ilusão da sua voz
me fazendo sorrir nas manhãs,
o alento de seus bons dias
e faz-me dormir no imaginário colo
do meu amado
com a luz deste espaço a meu lado!
que perdi eu nem sei onde
quero buscar o amor que se perde
nas entrelinhas
no espaço sem nome
onde tudo ocorre sem nada ocorrer
Deus, dá-me de novo a ilusão
de ter perto o meu amor
quando me levanto e deito
na minha cama solitária
na minha casa vazia de alguém
Deus trás-me a ilusão da sua voz
me fazendo sorrir nas manhãs,
o alento de seus bons dias
e faz-me dormir no imaginário colo
do meu amado
com a luz deste espaço a meu lado!
sonhar o mar
meus olhos
castanhas algas algas
sonham
longínquas as ondas
perpassam ligeiras sombras
de mistério
alforrecas
mergulho em busca delas
e volto
envolta de sombras
estremeço
tusso e tremo
na vertente em movimento
salto
penetro outro mundo
e rio
e leve me sinto
lambo o sal
bebo o salpico
luzem-me os olhos de espanto
cobre-me o ouro mais rico
... e dentro de mim
so
sonho.
meus olhos
castanhas algas algas
sonham
longínquas as ondas
perpassam ligeiras sombras
de mistério
alforrecas
mergulho em busca delas
e volto
envolta de sombras
estremeço
tusso e tremo
na vertente em movimento
salto
penetro outro mundo
e rio
e leve me sinto
lambo o sal
bebo o salpico
luzem-me os olhos de espanto
cobre-me o ouro mais rico
... e dentro de mim
so
sonho.
lágrima
escondo
o
encanto,
desvio
calada
o
pranto,
desdigo
a
cor
do riso.
fonte
tremente,
vela
no rosto
à
deriva.
rio
fluindo,
desvendo
a
raiz
de mim,
roxo lírio.
levo
o
desfeito
mar
magoado
e
exponho
o
querer
sonhado
se
em minha fonte
surgira
a
esperança
o
brilho
claro
que fora
a
ventura
o
arco íris
a
opala
o
claro resplendor
da
aurora.
escondo
o
encanto,
desvio
calada
o
pranto,
desdigo
a
cor
do riso.
fonte
tremente,
vela
no rosto
à
deriva.
rio
fluindo,
desvendo
a
raiz
de mim,
roxo lírio.
levo
o
desfeito
mar
magoado
e
exponho
o
querer
sonhado
se
em minha fonte
surgira
a
esperança
o
brilho
claro
que fora
a
ventura
o
arco íris
a
opala
o
claro resplendor
da
aurora.
ALÉM DO CERCO DE SILÊNCIO
EU MAR DE MIM
SAL DE MIM
MARÉS DE MIM
LÁGRIMAS QUE VERTO E ABSORVO
EU ÁGUA E AREIA
EU ILHA NO NADA
EU SÓ DE MIM
DIANTE DE MIM CAIO
A MIM A MÃO ESTENDO
POR MIM MESMA CHAMO
COMIGO ME CALO
E CORRO
E ME LEVANTO
EM MEU COLO ME EMBALO
RIO QUE PASSO
NÃO SEI DONDE VENHO
ONDE DESAGUO
EU FRÁGIL LEITO
MIÚDO CASCALHO
EU PÉRGOLA QUE LEVITO
NÃO SEI ONDE PERTENÇO
ME AMO E REGEITO
ONDA NO MAR SOLITÁRIO
DOCE RIO CORRENDO
EM MIM ME AFOGANDO
MAS RENASÇO SORRINDO
ALÉM DE
ALÉM DOS
ALÉM DO
CERCO DE SILÊNCIO.
EU MAR DE MIM
SAL DE MIM
MARÉS DE MIM
LÁGRIMAS QUE VERTO E ABSORVO
EU ÁGUA E AREIA
EU ILHA NO NADA
EU SÓ DE MIM
DIANTE DE MIM CAIO
A MIM A MÃO ESTENDO
POR MIM MESMA CHAMO
COMIGO ME CALO
E CORRO
E ME LEVANTO
EM MEU COLO ME EMBALO
RIO QUE PASSO
NÃO SEI DONDE VENHO
ONDE DESAGUO
EU FRÁGIL LEITO
MIÚDO CASCALHO
EU PÉRGOLA QUE LEVITO
NÃO SEI ONDE PERTENÇO
ME AMO E REGEITO
ONDA NO MAR SOLITÁRIO
DOCE RIO CORRENDO
EM MIM ME AFOGANDO
MAS RENASÇO SORRINDO
ALÉM DE
ALÉM DOS
ALÉM DO
CERCO DE SILÊNCIO.
Vento, leva-me e às mágoas
Ai, se o vento manso
me levasse esvoando
nesta tarde calma
nesta tarde branca
como pena de pomba
caída abandonada
e eu me fosse indo
nem se percebebendo
leve leve e mansa
que estou carregada
de dor e de mágoa
de águas pairando
ao rasar dos olhos
meu ser exaurido
nem sabe de si
que anda tão perdido
que anda tão magoado
que anda tão cansado
de ficar
e tão desejoso
de ir!
Ai, se o vento manso
me levasse esvoando
nesta tarde calma
nesta tarde branca
como pena de pomba
caída abandonada
e eu me fosse indo
nem se percebebendo
leve leve e mansa
que estou carregada
de dor e de mágoa
de águas pairando
ao rasar dos olhos
meu ser exaurido
nem sabe de si
que anda tão perdido
que anda tão magoado
que anda tão cansado
de ficar
e tão desejoso
de ir!
Não Olhes Mais Meus Olhos
Não olhes mais meus olhos
Não, não olhes!
Tristes de ti por ti
Te farão triste
De tal amor, tão louco amor
Que semeaste
Em coração de fértil dar
Mas não colheste.
Lágrima solta vadia
Deixa correr
Que tanto seus caminhos sabe
A de sofrer
Deixa que sonhe e pense
Quem deveria
Nem nunca sequer ousado
Sequer nascer.
Não olhes mais meus olhos
Não, não olhes!
Tristes de ti por ti
Te farão triste
De tal amor, tão louco amor
Que semeaste
Em coração de fértil dar
Mas não colheste.
Lágrima solta vadia
Deixa correr
Que tanto seus caminhos sabe
A de sofrer
Deixa que sonhe e pense
Quem deveria
Nem nunca sequer ousado
Sequer nascer.
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